Casa de escorpião

Milo acabara de entrar em seu quarto. Tinha descido para recolher os cacos de vidro que estavam espalhados pelo salão, aproveitou para cancelar os compromissos da manha e cancelar o vôo para Alemanha. Escutou poucas e boas, mas infelizmente não estava mais nas suas mãos o projeto que havia desenvolvido no decorrer de alguns anos. Exausto, desabotoou a camisa jogando-a perto da cama. Tirou o cinto da sua calça jeans, desabotoando-a também, e baixou um pouco o zíper. Pegou a toalha que estava na cabeceira da cama de casal, jogando-a nos ombros. Olhou demoradamente para a jovem deitada na sua cama, suspirando: "Vai ser um longo dia." Chegou mais perto da sereia retirando os cabelos que cobriam seu rosto, "Ela é muito bonita. Nem imagino o que deu em Kanon para trocar ela por June. Se bem que a June não é de se jogar fora. Vai ver que ele tem uma tara por loiras. Vai saber."

Já estava a caminho do banheiro quando um estrondo se ouve e a porta do quarto é violentamente escancarada. A pessoa que invadia seu quarto alternava o olhar para ele, e depois para Tétis desacordada encima da cama. Quando voltou seu olhar para Milo, só podia se ver um profundo ódio naquela face. Milo se olhou, e depois voltou sua atenção para Tétis. Ao escutar a voz que veio a seguir, concluiu o que se passava pela cabeça do outro homem:

- Inseto desprezível! Você não passa de hoje.

- Espere um minuto ai, Kanon. Você acaba de invadir minha casa, e já começou a tomar conclusões precipitadas. Eu posso levar a fama que for, mas eu jamais tiraria proveito dessa garota. Eu posso provar que não é nada disso que você está pensando. – Milo aproximou-se de Tétis, levantando o lençol, com um largo sorriso. – Eu cuidei dela como qualquer um poderia fazer na situação que ela chegou aqui.

Milo não entendeu como Kanon poderia ter ficado com mais raiva ainda depois de sua ação. Olhou para a sereia para saber qual era o motivo que o levava a ficar mais ainda irritado. Quando percebeu que ela estava nua, soube que uma batalha de mil dias seria travada a qualquer instante.

- Você agiu errado de todas as maneiras possíveis, seu animal. Olha o que você fez com o corpo perfeito dela. De preferência nem olhe, que serei capaz de te matar sem nem mesmo você elevar seu cosmo. Nunca em toda minha vida a deixei com marcas roxas pelo corpo.

Milo pensou: "se eu sobreviver, vou matar aquela amazona idiota. Eu disse pra ela deixar a Tétis composta para que eu pudesse cuidar dela se fosse o caso." Sua única chance seria fazer a sereia despertar e relatar o ocorrido. Mesmo que parecesse impossível, Milo apelou para que ela despertasse, dizendo que ela deveria explicasse tudo a Kanon. Sem sucesso.

- Olha, Kanon, se você mandar alguém chamar a Shina, ela poderá dizer exatamente o que aconteceu.

- Sempre achei que as amazonas fosse esquisitas por estarem sempre desprezando os homens, mas daí a Shina entrar numa... – Kanon se conteve, sentindo um nó na garganta devido à indignação – Será hoje que vai haver dois funerais, o seu e o da amazona de cobra.

Kanon se preparava para atacar, e Milo se preparava para tentar deter a fúria dele, quando escuta um leve murmúrio de Tétis. A esperança bateu novamente a porta de Milo, que se aproximou mais da sereia para tentar entender o que ela estava tentando dizer. Logo a seguir, Milo estava pasmo. Nem tinha palavras pra descrever seu espanto. Até mesmo porque seus lábios estavam sendo requisitados naquele momento. Quando o beijo febril que Tétis havia dado no cavaleiro de escorpião chegou ao fim, ele nem se lembrava que Kanon estava ali, olhando pasmo para os dois. A sereia quebrou o silencio que reinava no ambiente com uma voz melodiosa, que parecia hipnotizar qualquer homem:

- Imaginava que nosso reencontro seria muito bom, gatinho. Só não esperava que fosse tão maravilhoso. – Dizia fitando os olhos de Milo, que não fazia idéia do que ela estava falando – Mas você ainda não perdeu essa mania de receber visitas logo após um momento tão mágico. Sei que já me disse sobre suas responsabilidades, no entanto, esperava que no seu território isso não acontecesse novamente.

- Tétis... vocês se conhecem?

- Oi, Saga ou Kanon! Nunca sei a diferença entre os dois. Bem que meu gatinho aqui havia dito o quanto era difícil distinguir um do outro. Mas respondendo a sua pergunta: sim, nos conhecemos. Alias, nos conhecemos bem até demais, devo admitir.

- Vocês se conhecem há muito tempo? – murmurava Kanon aturdido com aquele dialogo.

- Mas é claro. Embora eu goste de curtir a noite nas boates badaladas, procuro escolher bem com quem quero ficar.

- Você tem noção de como esse inseto é? Colecionador de mulheres. Usa e descarta qualquer uma a seu bel prazer, sem se importar com os sentimentos delas.

- É obvio que sei. Acha que eu estaria aqui se Eu também não fosse assim? Mudei muito, para melhor é claro. Não existe homem no mundo para me amarrar nos laços do matrimonio.

Aquela não podia ser a sua Tétis. Só podia ser uma impostora que veio para atazaná-lo. Sua doce Tétis era romântica, queria manter laços mais firmes, e jamais sairia com um homem qualquer. Principalmente com uma pessoa como Milo. Mas algo não batia bem.

- E quanto ao que Sorento me contou quando o templo do reino dos mares ruiu?

- Sorento é super-protetor, e me trata como se eu fosse de cristal, capaz de se quebrar a qualquer momento. Pensei que você soubesse que ele era perdidamente apaixonado por mim. E como sempre, exagera em suas observações. Estive triste sim, mas foi pela perda daquele lugar maravilhoso, e pela perda de nossos companheiros de batalha.

- E quanto ao escorão que você deu em mim e June?

- Estava apressada com receio de não encontrar meu gatinho em casa. E ele nem sabia que eu vinha lhe fazer uma visita. Queria que fosse uma visita inesquecível.

Dizendo isso, puxou Milo pelo pescoço para dar-lhe mais um beijo demorado. Foi tão demorado que ao se separarem, os dois estavam sozinhos no quarto. Tétis sentiu-se aliviada quando pressentiu que Kanon havia partido. Milo se sentia nas nuvens. Aquela garota tinha beijado com tanta sensualidade, aqueles olhos o fitavam com um brilho diferente de qualquer outra garota com quem já havia ficado. E aqueles lábios. Pareciam milagrosos. Toda a tensão dos últimos momentos haviam sumido como que num passe de mágica. Definitivamente estava hipnotizado por aquela sereia. Os lábios dela pareciam ter algo que o atraia de volta para o contato. Desejando sentir novamente a pele tenra dela, aproximou-se com os olhos fechados. Em vez dos lábios, sentiu algo que o assustou:

- Que foi isso?

- Uma bofetada. Não sabe o que é isso? Posso demonstrar outra vez se tentar mais alguma gracinha.

- Ei, calminha ai, Tétis. Eu não sou masoquista. Só queria receber mais alguns beijos como aquele.

- Não me chame pelo meu nome como se me conhecesse.

- Mas foi você mesma que disse que a gente se conhecia fazia um bom tempo.

- Você é retardado, ou coisa parecida por acaso? Disse aquilo só para me livrar de Kanon.

- Você me usou!

- Quanto cinismo, rapaz. Eu é que fui usada aqui. Estou num quarto que nunca vi na minha vida, nua e com um cara ao meu lado que tem uma péssima fama. Alem de não conhecê-lo, quer me beijar.

- Não seja por isso. Eu sou Milo de escorpião, a cama onde está deitada é a minha, e você está no oitavo templo. Prazer em conhecê-la, Tétis. – ele falava com o tom de voz sensual e um lindo sorriso no rosto. Estendeu a mão para que fossem apresentados corretamente, mas a sereia recusou. Suspirando desanimado – Ao que parece não vou ganhar nem um beijinho.

- Lógico que não. O que você acha que sou? Não sou o tipo que está pensando. – Tétis tentou se cobrir melhor, mas a dor estava incomodando-a – O que você fez comigo enquanto estive desacordada? Meu corpo está todo dolorido.

- Você é muito ingrata. Salvei a sua vida e agora vem me acusar de fazer algo monstruoso. Quer saber de uma coisa? Não estou nem ai se está se sentindo melhor ou não. Vou tomar meu banho e espero não encontrá-la aqui quando voltar.

Tétis não sabia se sentia raiva dele, ou se sentia uma idiota por ter feito papel de ridícula na frente de Kanon e daquela branca azeda. E como se isso não bastasse, estava nua no quarto daquele homem que acabara de sair do quarto. De onde estava conseguia escutar o barulho da água. Até que ele era bonito e sexy. Sua imaginação começou a lhe pregar peças. O barulho da água batendo no corpo dele parecia um sonar para sua imaginação. Começou a pensar em cada centímetro daqueles braços, suas costas, e naquele abdômen perfeito. E não parava por ai, ia descendo, descendo... Meneou a cabeça vigorosamente como se isso fosse capaz de apagar aquelas idéias de sua mente. Seu rosto estava corado. "Tétis sua idiota, como pode pensar nele como um homem atraente quando outra tomou aquele por quem você derramou lagrimas e perdeu o sono pensando que ele havia morrido? O melhor a fazer agora é partir". A sereia levantou-se vagarosamente devido a seus músculos que protestavam contra a forte dor, e então começou a vestir-se com movimentos lentos. Parecia que estava levando uma eternidade para se vestir, e outra eternidade para conseguir alcançar a soleira do quarto. Fazia apenas um minuto que não escutava a água do chuveiro cair. Tinha que sair dali antes... tarde demais. A porta do banheiro se abriu e Tétis pôde sentir o olhar daquele homem encima dela. Mesmo assim continuou tentando sair dali antes que ele começasse a dizer alguns desaforos. Para sua surpresa, sentiu seu corpo ser erguido e ir de encontro ao peito desnudo dele. Tentou arrancar forças para espernear, mas estava tão fraca que se sentiu patética.

- Se não quiser piorar sua situação despencando escadaria abaixo sugiro que se comporte e descanse mais um tempo. Não se preocupe. Vestirei minhas roupas no banheiro e vou dar umas voltas por ai.

Tétis foi colocada novamente encima da cama de Milo, e o fitou nos olhos. Quando se deu conta do que ele havia dito baixou o olhar e viu que ele estava apenas com uma toalha enrolada na cintura. Desviou o olhar ficando ligeiramente corada. Milo levou suas roupas para o banheiro, e em poucos minutos estava saindo, ainda vestindo a camisa. Sem mais nada a dizer, saiu do quarto sob o olhar atento de Tétis.

À noite no templo de gêmeos...

- Kanon, agora você não me escapa. Está me devendo explicações. Quem era aquela mulher, e o que ela representa para você? – viu que ele fazia cara de quem não estava entendendo nada, o que a deixou mais irritada ainda – Olha Kanon, eu já perdi minha paciência com você há muito tempo. Essa está sendo a pior semana da minha vida. Por mim deveríamos esquecer esse casamento e...

- Eu sou o Saga, June. Meu irmão estava com dor de cabeça. Está no quarto há horas. – Saga percebeu ela sentia-se envergonhada por ter cometido um engano e por ter dito coisas que só deveria dizer a Kanon. Ele segurou seu pulso quando ela fez menção de ir para o quarto de seu irmão – Espere, June. Se não está feliz com Kanon por que continuar com esse noivado?

- Desculpe por dizer tudo aquilo pra você. É que estou nervosa com esse casamento, como qualquer noiva fica as vésperas do grande dia. – June conseguiu encontrar firmeza não sabia de onde para mostrar que gostava do irmão dele e que desejava se casar com ele, mesmo que iss não fosse verdade. Para reforçar sua convicção de manter o noivado adicionou – E como se não bastasse ainda apareceu uma mulher que nem conheço, mas ele sim. Lógico que fiquei chateada e queria atormentá-lo com a idéia de desmanchar o noivado. Mas foi só isso mesmo. Não conte nada pra ele, ta?

Saga soltou o pulso de June e ela subiu as escadas que ficavam do lado direito do salão. Já estivera no quarto de Kanon uma vez para discutirem algumas mudanças que deveriam ser feitas após o casamento. Por isso não foi difícil chegar no quarto, nem muito menos ainda entrar. Ela apenas se mostrou mais calma na frente do futuro cunhado para reparar o erro que cometeu, mas a sua raiva ainda estava guardada para ser despejada quando desse de cara com seu querido noivo. Estava com vontade de estrangular ele, isso sim.

- Kanon, você me deve explicações e nem pense... – June saiu despejando tudo num fôlego só, mas se conteve quando percebeu que ele não a escutava. Estava em sono profundo. Chegou perto e ficou observando o ressonar dele. Como ele ficava lindo dormindo. Nem parecia aquele demônio que a irritava a todo instante. Como ele seria se fosse sempre tão calmo como agora? Chegou mais perto e sussurrou para ter certeza que ele estava mesmo dormido profundamente. – Kanon.., - Repetiu mais uma vez sem obter resposta.

Não sabia que loucura era aquela que se instaurou em sua mente, mas tinha certeza que era algo mais forte que sua vontade de acabar com aquele maldito noivado que só lhe trazia tristeza. Não podia sentir vontade de fazer isso, não com ele. No entanto, seu corpo não estava respondendo como deveria. Primeiro foram suas mãos que passavam displicentemente pelo rosto de Kanon. Depois foram seus lábios que se encostavam aos dele suavemente. Sentiu os lábios de Kanon entreabriam, fazendo-a pensar que ele havia acordado. Olhou diretamente para os olhos dele, estavam fechados. Então continuou com a leve carícia, aprofundando aos poucos. Sabia que era idiotice sentir-se rejeitada por Kanon não estar correspondendo ao beijo, mas era exatamente assim que estava se sentindo naquele momento. Suas finas e delicadas mãos agiram sem seu consentimento, e nesse momento os olhos de June se fecharam como se quisesse que suas mãos decorassem cada centímetro daquele corpo. Passeavam pelo abdômen desnudo do ex-marina suavemente, arrancando um suspiro dele. No instante seguinte, sentiu seu corpo ser abraçado pelo braço musculoso dele, enquanto a outra mão fazia pressão em sua nuca. O beijo que havia começado cheio de carinho se transformou em algo selvagem, como se a vida de ambos dependessem daquilo. A língua de Kanon dessa vez parecia mais atrevida do que o de costume. June também não ficava para trás. Suas mãos acariciava o largo peito de Kanon, detendo-se em alguns instantes no mamilo dele, arrancando-lhe um gemido rouco. Foi descendo lentamente com as pontas do dedo até chegar no cós da calça. Kanon suspirou. Estava sendo seduzido. Então seria sua vez de seduzir. Suas mãos ásperas pelas longas horas de treino iam entrando por dentro da camiseta, apalpando firmemente cada pedacinho da pele dela. A mão que estava em sua nuca ia descendo lentamente, detendo-se na cintura fina da amazona. June quase gritou quando Kanon envolveu seu seio e brincou com um depois com o outro.

- Kanon, o jantar está servido.

Kanon disse alguns impropérios, sem soltar-se de June. Ambos continuavam com os olhos fechados, tentando controlar a respiração. Respondeu que comeria mais tarde, enquanto continuava a acariciar sem nenhum pudor. O beijo era tão faminto, que os gemidos saiam abafados. June até já tinha se esquecido que Saga havia interrompido. Num rápido movimento, os corpos giraram, e June sentia o colchão macio as suas costa. O beijo dos dois parecia cada vez mais alucinado, e as mãos atrevidas já não se contentavam com a barreira que o tecido de suas roupas impunham. Botão por botão da blusa de June eram desabotoados pelas mãos habilidosas de Kanon, que sentia as delicadas mãos dela baixando o zíper da calça jeans. Buscando ar, Kanon afastou apenas um pouco deslizando seus lábios até chegar ao lóbulo da orelha, dando leves mordidas, fazendo June soltar um rouco gemido e estremecer o corpo. Kanon voltou a tomar os lábios dela por um certo tempo, e então foi descendo enquanto suas mãos trabalhavam em tirar aquela calça justa dela.

- Saga... – gemeu June.

- Saia da minha cama, garota. – rosnou Kanon, rolando por lado.

- Kanon, espere, eu só...

- Não me ouviu? Suma da minha frente. – Kanon levantou-se bruscamente e caminhou em direção ao banheiro.

Continua...

Esse capitulo saiu muito Hentai. Engraçado que não ia fazer isso, mas acabei me empolgando demais XD. Infelizmente não posso dar previsão de quando sairá o próximo capitulo. Tem umas três fics para atualizar, e não tenho certeza de que irei conseguir ainda este mês. Obrigada a todos que deram uma passadinha aqui.

Até o próximo capitulo.