Situação: Em andamento.
Disclaimers: Card Captor Sakura pertence à CLAMP, Kodansha, Nakayoshi, Movic, Nelvana, e Mixxine. Fora Oni Hanajima e Linka Seikun, os seguintes personagens são de seus respectivos autores: Ayashi Ceres (Mizu Katanabe), Yuki Amazao (Yuki), Minako Naoe (Pandora Amamiya), Yuki Kurokami (Darkrose), Haru Shinsetsu (Ludi-chan), Mawashi Kaeru (Angel), Akira Shinomori (Zero X), Rine Otori (Ágata) e Nami Kami (Akane Kittsune).
Gênero: Ação/Aventura, Romance, Drama.
Avisos: Saga, OC.
OKAERINASAI
(Bem-Vindo de
Volta)
Petit Ange
Cheio de esperança, coberto de ilusão em uma triste escuridão que não conseguia compreender, tem tampouco estar ali. Era difícil recordar de tudo que acontecera, mas com o tempo, aquilo ia mudando. Acho que já chegaram a esquecerem-se, mas a pergunta era: "Havia tudo desaparecido realmente? Ou tudo era uma mentira?".
Talvez isso estivesse muito escondido nos corações de todos, mas seria melhor se isso permanecesse daquele jeito, porque todos tinham medo daquelas recordações, as pessoas já não eram mais as mesmas, já não demonstravam mais seus sentimentos livremente. Mas, seriam esses os pensamentos transmitidos a alguém especial? Ou não? Como saber, se tinham medo de confessar tudo e que tudo mudou mais do que precisava mudar?
As coisas mudaram tanto que era como se nada quisesse superar o que havia passado, como se fosse um segredo que ninguém podia saber, mas ainda recordo que existia esperança naquela bela jovem de olhos verde-esmeraldas, que via um mundo, não como os demais viam. Um mundo que só ela conhecia e sentia... Mas como pode ser que uma simples jovenzinha que alegrava a tantas pessoas com uma enorme tristeza, uma tristeza que ela ocultava. Alegrava os demais e esquecia de si mesma.
As pessoas comentavam como ficara linda com o tempo, e alguns poucos diziam que ela tinha um poder impressionante para tão poucos 16 anos, mas com o passar do tempo, talvez isso mudaria...
Capítulo II: Ao Pó Retornas.
Residência Daidouji – Tomoeda.
A respiração era descompassada. O clima era tenso demais.
"Chave que guarda o poder da minha estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós, e ofereça-os à valente Sakura que aceitou esta missão... Liberte-se!" – a última palavra foi proferida com vigor.
E o báculo rosa apareceu instantaneamente.
Seu coração acelerava a medida que seus passos faziam o mesmo. Já estavam numa incessante corrida, e o rumo era a porta de saída. Era uma energia negra e mórbida aquela que havia sentido... Pareceu até sentir terror. Fazia muito tempo que não a sentia. Muito tempo... O que quer que fosse, não era bom. Suas mãos apertavam com força o báculo que carregava nas mãos.
O pó da carta do Sono espalhava-se pelo andar superior. Doeu-lhe ter que fazer aquilo, mas o barulho chamou a atenção de guardas e até da própria Sonomi, e para não ferir ninguém inutilmente, a card captor teve de usar daquela estratagema. Conseguia 'peneirar' por um momento o ar com a manga do pijama comprido, colocando-o sobre o nariz.
"Os jardins... Aquela presença está nos jardins!" – exclamou Kerberus.
"Tomoyo, você deveria ficar! Pode ser perigoso." – Sakura dizia, enquanto olhava a amiga que corria atrás dela. – "Aquela presença não foi brincadeira! Seria melhor voltar."
"E perder você em ação?" – perguntou, com os olhos brilhantes. – "Nem pensar!" – sorriu, mostrando a câmera. – "É somente uma pena que foi tão repentino... Nem deu tempo para fazer uma fantasia bonita pra você... Mas da próxima eu farei!" – falou decidida.
"Vejam, meninas, a porta!" – Kero apontava para a porta da saída.
Os três fixaram o olhar na majestosa porta que conduzia ao interior da residência. E aproximaram-se rapidamente. Sakura abriu-a com um estrondo, e passou a olhar pelos lados. O ar da noite era frio, e ouvia-se pequenos grilos cantarolando as costumeiras melodias. Arfavam, e pequenas fumaças saíam de seus lábios. Estava frio... Porém, continuavam a sondar o ambiente.
"Os jardins ficam para este lado...!" – Tomoyo, desta vez, saiu na frente, guiando-os.
A presença parecia ficar mais forte a cada passo dado. Sakura segurava o báculo ainda mais firmemente, e seus músculos pareciam prontos a pegar qualquer carta em seus bolsos ao menor movimento. De repente, outra vez, a presença parou de latejar.
"Hã...? Cadê?" – perguntou-se a card captor.
"A presença sumiu de novo!" – Kero bradou, olhando para os lados.
"O que está acontecendo...?" – Tomoyo perguntava receosa, também acompanhando o cenários com os olhos, a procura de algo.
"Sumiu, Tomoyo... A presença sumiu de novo." – Sakura colocou-se na frente de Tomoyo.
Então, enxergaram no céu um enorme pássaro negro. Sakura sentiu um frio amargo no estômago ao vê-lo, e imaginou-se o que fazer. Optou por faze-los esperar, e segui-la no ar. Tomou uma carta nas mãos, e olhou-a atentamente. A Alada.
"O que vai fazer, Sakura...?" – Tomoyo lhe pergunta.
"Kero, fique cuidando da Tomoyo e olhe qualquer coisa aqui. Eu vou seguir aquele pássaro." – olhou o animal que parecia um morcego crescido, voando pelos céus com velocidade. – "Volto já."
"Mas, Sakura..." – o guardião tentou dialogar. – "Sabe que não..."
"Não diga nada! Eu vou!" – declarou firmemente. – "Cuidem-se! Volto num minuto!" – jogou a carta ao alto, e tocou-a com o báculo de forma perfeita. – "Alada!"
A carta tomou a forma de uma luz branca e cálida, e em seguida, asas rosadas e majestosas cresceram nas costas de Sakura 1. Em seguida, preparando-se para voar e segurando nas mãos o báculo rosa, olhou para os outros dois. Temia mais por eles do que por ela... Sim, de certa forma gostava de lutar. Sentia-se menos egoísta e mais humana quando o fazia.
"Eu já vou indo!" – disse, ainda olhando-os.
"Vá com cuidado..." – sorriu Tomoyo.
"Está bem!" – assentiu a card captor, e partiu em disparada para o céu.
As asas fizeram um rápido movimento, e em seguida a adolescente estava voando no céu. Aquele pássaro continuava sem alterar por nenhum momento a velocidade extrema, voando nos céus de Tomoeda sem nenhum som. Atrás dele, Sakura tentava notar o que queria. Não via nada, não sentia nada nos olhos cor de rubi daquela criatura. E sentia uma vaga presença, muito pequena... E não sabia de quem era. Jamais tinha sentido aquela presença outra vez antes.
De repente, num movimento repentino, aquela criatura começa a perder altitude. Iria pousar. Lá embaixo, havia um imenso prédio corporativo. Provavelmente lá. Sakura foi descendo também, com as orbes esmeraldas fixas em seu alvo negro. Sem nenhum ruído, o pássaro pousou e ficou a olhar em volta, com os olhos vermelhos fixos em algo que ela desconhecia. Chamou sua atenção ao pousar também.
"Ei, você!" – chamou, com violência.
Por um momento, os olhos do pássaro voltaram a posar-se nela. Virou-se totalmente. Seus olhos exprimiam um desejo... Assassino. Sim, Sakura notou que aquele pássaro desejava a vida dela, ou algo que invariavelmente remetesse a mesma de alguma forma. Sentiu as pernas fraquejarem por um breve momento, mas teve de recompor-se.
"O que estava fazendo na casa de Tomoyo! O que queria lá!" – voltou a perguntar, mesmo sabendo que, no fundo, aquela criatura não saberia responder.
"...Kinomoto..." – de repente, uma voz sai de dentro da criatura.
"Que?" – ficou assustada com a repentina vibração, e deu um passo para trás.
"...Kinomoto..." – repetiu num murmúrio ainda menor, com aquela mesma voz gélida, o sobrenome da card captors, fazendo-a arrepiar-se outra vez. – "...Você."
No instante seguinte, abrindo as grandiosas asas, voou sobre Sakura com violência, desta vez realmente disposto a ataca-la, calculou ela. Sentiu o sangue parar de correr por um ínfimo segundo, e vendo que se não saísse dali debaixo não haveria salvação, saltou para a esquerda no momento que aquelas garras cravaram-se no chão, arrancando um pedaço do mesmo.
"Espada!" – gritou, invocando a outra carta ao toca-la. Empunhou a bela espada em suas mãos e posicionou-se em ataque. – "Não sei quem é você, mas vai se ver comigo se avançar!"
Como se a palavra que proferiu por último a chamasse, aquela criatura voltou a ganhar altitude. Voou para cima, e ficou espreitando sua vítima, voando calmamente, até descer de forma rasante, como uma ave de rapina desce para capturar sua presa, pronta a pegar a morena. Novamente, ela conseguiu desviar-se no último momento, e com a consciência que lhe restava, desferiu um golpe contra a asa da criatura.
Sem nenhum som ou lamento, o pássaro prostrou-se em cima da antena que havia lá em cima. Olhou outra vez com os olhos rubis frios para ela. O sangue pingava, com um barulho irritante que faziam as têmporas de Sakura latejarem.
"Não perdoarei você! Prepare-se!" – empunhou a espada e decidiu atacar, sem esperar a primeira reação daquele pássaro tamanho família.
Então, de repente, algo aconteceu.
------# II #------
Apartamento de Nami Kami – Tomoeda.
Seu apartamento tinha cheiro de takoyaki 2. Não estava com muita fome, então saíra e comprara a primeira coisa comestível que encontrou. Havia acabado de sair do banho, e vestia um pijama de manga comprida e coloração azul-marinho.
A TV estava ligada e passava um programa chato sobre os templos japoneses. Mas Nami não olhava a TV. Olhava um ponto além dela, distraído. Enfiou outro bolinho pela boca e mastigou-o devagar, nem notando quando e como o fazia. Pegou automaticamente o copo de água mineral ao seu lado e bebeu devagar, voltando a prestar atenção em algo.
Suspirou pesadamente, e no instante seguinte uma presença conhecida lhe veio às sensações.
"Não..." – murmurou para si, levantando-se rapidamente. – "Ela não seria tão idiota...!" – abriu a janela e olhou para fora, tentando localizar a fonte daquela energia.
Ao longe, visualizou uma criatura grande e negra, semelhante a um pássaro, de cor preta. Seus olhos dourados focaram-se nela por um ínfimo momento, e se assustaram, e voltaram a relaxar. Ficaram bravos. Fechou a janela e voltou a sentar-se no mesmo lugar.
"Sim, ela seria..." – suspirou. – "Mas que irresponsabilidade, aquela idiota!" – bradou irritado, pegando outro takoyaki. – "Amanhã pego o irresponsável."
------# II #------
Complexo da Corporação Daidouji – Tomoeda.
Um vento cortante e rápido brotou de um lugar desconhecido e veio parar naquele mesmo lugar. As correntes formadas por ele eram fortes, rápidas, e despertaram o receio em Sakura. Ficou olhando para o chão, com medo de se afastar ou avançar, esperando a reação daquelas rajadas pequeninas que ficavam no chão apenas preparando-se.
"O que... É isso...?" – perguntou-se a si mesma, olhando para o chão sem tirar os olhos dele.
Foi então que, no momento seguinte, aqueles ventos começaram a dirigirem-se para o céu, finos, como pequenos tornados. A card captors olhou incrédula para aquilo, tentando pensar numa solução, apertando mais o cabo da espada nas mãos ligeiramente trêmulas. Rapidamente, tais pequenos tornados desceram na direção dela, fazendo-a fechar os olhos com força esperando o impacto.
Ela não saiu do chão nem fez um movimento. Aquelas correntes de ar apenas passavam por ela, porém eram fortes e incomodas. Tentou fazer alguma coisa, mas por um momento, sentiu-se imobilizada por elas. Soltou, involuntariamente, a espada no chão.
"Ah! O que é isso?" – perguntou outra vez, mas nada obteu como resposta.
Então, sentiu um barulho estranho vindo de baixo dela. Papel... Sim, era algo parecido com papel. Olhou para o lado e viu a carta The Dream flutuando ternamente por entre as correntes de vento que circulavam por ela. Em seguida a carta The Time, e por fim a The Create. Por um ínfimo momento, tentou gritar alguma coisa, tentou soltar-se, mas nenhuma palavra e nenhuma reação foi esboçada. Viu-se totalmente presa e sem capacidade de agir, e três cartas suas flutuavam fora de seu alcance.
Uma das correntes de vento começou a dirigir-se para o bico daquela criatura, arrastando as cartas para a direção dele, e por fim, com uma grande tragada, o grande pássaro negro as engoliu.
------# II #------
Residência de Yuki Kurokami – Tomoeda.
Todas as luzes de seu apartamento estavam apagadas. Apenas a da sala continuava ligada, mais precisamente a daquele abajur que usava do lado de sua poltrona para ler. A casa era silenciosa, e o ar dela não era algo leve e bom. Era algo pesado, lembrava até um pouco a morte. Tudo ao seu redor era silencioso, e aquilo parecia não lhe incomodar. Virou a página, e o barulho de papel durou mínimos segundos, e logo tudo se calou outra vez.
Foi então que um estalo lhe ocorreu. Olhou para fora, pela janela, tentando ver alguma movimentação. Nada. E aquela presença continuou forte. Voltou a pousar os olhos azuis no livro, mas não manteve mais a concentração no mesmo. Esperava outra pontada daquela energia. E ela veio. Uma, duas, três vezes... Ele levantou-se rapidamente, e possuía um olhar de incredulidade.
Abriu a janela com rapidez, e pôde ver nos céus, voando silenciosa e discretamente um pássaro grande e negro, de olhos rubis, que olhava para algo que ele não compreendia. Voou para a direita, desaparecendo de repente, deixando um pequenino rastro luminoso. Yuki suspirou, e voltou a fechar a janela. Um pássaro negro de olhos rubis... Ele lembrava de algo com ele.
E a imagem daquele "algo" veio à sua mente.
Meneou a cabeça, voltando a sentar-se. Pegou o livro e tentou lê-lo, mas viu que perdeu totalmente o fio da meada para aquilo. Fechou-o, marcando a página, e apoiou as mãos no encosto da poltrona. Sentiu a energia do pássaro e mais três presenças. Cartas mágicas. Sim, eram cartas de invocação, como aquelas... Só existiam dois magos que fizeram aquilo. Ela e... Sim, era Clow. Queria fazer algo, mas sabia que não era mais bem-vindo, nem que podia fazer algo por si mesmo. O máximo que poderia fazer depois daquilo seria observar em silêncio. Não podia mais voltar. Ninguém mais o que queria.
"Impossível." – murmurou, colocando a mão na cabeça. – "É impossível..."
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Residência Daidouji – Tomoeda.
As asas de Sakura desapareceram no instante que pousou no gramado da mansão de novo. Ajoelhou-se no chão, derrotada. A cabeça estava cabisbaixa, e os olhos estavam baixos e sem a determinação de antes. O báculo rosado transformou-se na pequena chave, e ela colocou-a de novo no pescoço, sem vontade. As mãos voltaram a cair no gramado escuro, e seus olhos fixaram-se nos próprios joelhos.
"Per..." – sua voz calou-se por um momento. Os olhos ardiam e a garganta tinha um nó imenso. Parecia até que iria sufocar com aquele nó.
De repente, duas vozes conhecidas vieram ao seu encontro, preocupadas, chamando seu nome com força. Kerberus e Tomoyo. Ambos ouviram o barulho do pouso da card captors, e correram ao seu encontro. Lá dentro, o pó da carta do Sono ainda estava agindo. Tudo estava como deveria estar. Ou melhor... Quase tudo, Sakura sabia.
"Sakura! Você está bem? O que era aquilo?" – Tomoyo aproximou-se dela, e então notou ligeiramente o rosto derrotado da amiga. – "Sakura... O que aconteceu? Por que está assim...?" – tocou no ombro dela de leve. – "...Sakura?"
"Eu... Per..." – tentou murmurar de novo, sem sucesso.
"Sakura." – Kerberus a chamou. – "O que aconteceu lá?"
"Eu... Eu..." – as mãos apertaram a grama, arrancando um pouco desta. – "EU PERDI!" – bradou com raiva, olhando os dois. – "NÃO SERIA TANTO SE EU TIVESSE APENAS PERDIDO, MAS EU PERDI E PERDI TRÊS CARTAS PARA AQUELA COISA!" – voltou a olhar para baixo, e uma primeira lágrima caiu na grama. – "Não sei o que era aquilo... Não sei o que aquilo queria... Não sei de nada... Só sei que acabei perdendo três cartas, perdi o rastro daquele pássaro, e agora... E agora não sei o que eu faço!" – tentou levantar-se, mas não conseguiu. – "O QUE EU FAÇO AGORA!" – voltou a gritar.
Tomoyo colocou as mãos nos lábios, e ficou olhando a amiga soluçar desesperada, sem saber o que fazer. Abraçou-a no instante seguinte, tentando conforta-la.
"Calma, Sakura... Nós vamos achar as cartas que perdeu... Está tudo bem, o importante é que você está bem..." – falou, enquanto acariciava as costas da amiga.
"Que cartas... Você perdeu?"
"Sonho..." – sua voz estava trêmula e ela ainda soluçava. Respirou profundamente, sentindo o ar entrando e alojando-se nos pulmões, e retomou a fala. – "Sonho... Tempo... E Criatividade..."
O silêncio alojou-se por breves momentos no local.
"Por que alguém roubaria estas três cartas?" – Tomoyo perguntou, sem entender.
"Eu não sei." – Kerberus olhou para o lado, também derrotado. – "Mas não se preocupe, Sakura! Ânimo! Iremos recupera-las. E vamos descobrir quem as levou!"
A morena olhou por um breve momento para a amiga que a consolava e para o outro amigo, que também consolava-a. Sentiu-se apoiada. Sorriu de leve, e então levantou-se decidida. Espanou a sujeira da roupa, e olhou para os dois com decisão.
"Está certo!" – suspirou. – "Vamos lutar a partir de amanhã!"
------# II #------
Escola Tomoeda – Tomoeda.
O dia seguinte presenteou a todos com um sol gostoso, e um calor abafado. Ao chegarem na escola, e depois de todo o diário ritual de colocar coisas no armário, cumprimentar pessoas, Sakura e Tomoyo chegam à sala de aula, sendo saudadas e saudando a todos.
"Bom dia, bom dia!" – respondiam sorridentes.
Sentaram-se as duas em suas classes, e ficaram a se olhar. Durante grande parte daquela noite, ficaram tentando achar respostas para aquele fato. Mas tudo que achavam dava num beco sem saída, e isso quando achavam alguma hipótese.
"E então? O que acha disso tudo?" – Tomoyo voltou a perguntar.
"Não sei... Nem tenho idéia de quem ou porquê fariam isso..." – suspirou, afundando-se na cadeira. – "Tudo bem, já superei a perda das cartas. Mas precisamos colher informações o quanto antes e ver quem é o responsável por isso!"
"Tem razão..." – a outra olhou o chão. – "Mas não se preocupem! Iremos achar!"
A porta abre-se de repente, e um responsável aparece, olhando ao redor, como um caçador procurando a dedo suas presas, como se já as tivesse na mente e procurasse ali. Todos ficaram parados, esperando que aquela pessoa falasse. Algumas especulações correram mentalmente os alunos, levantando hipóteses como: confusão, broncas, avisos, ou outra coisa assim.
"Oni Hanajima e Ayaki Ceres. Compareçam à sala dos professores urgentemente." – chamou, e em seguida fechou a porta silenciosamente.
Os olhares vidraram-se nas duas criaturas que atendiam por aqueles nomes. A loira e a morena rebeldes, que conversavam no canto sobre alguma coisa. Ao verem-se tão observadas, e querendo logo sair daquela sala de aula, sorriram.
"Bem..." – Ayaki colocou as mãos no bolso. – "Lá vamos nós!"
"Sim, pessoal, já voltamos!" – Oni achava graça de quase todos olhando para elas. – "Autógrafos serão dados mais tarde, ok?" – saiu e fechou a porta, voltando a instalar os assuntos de antes na sala de aula.
As duas olharam para a porta.
"Por que será que foram chamadas, hein?" – Chiharu aparece de repente. – "Olá, meninas!" – sorriu.
"Ah! Olá, Chiharu... Que susto..." – Sakura coloca a mão no peito. – "Bem, não sei não. Pelo que vi, as duas não fizeram nada de errado."
"Estranho, não?" – sorriu Tomoyo.
------# II #------
Corredores da Escola Tomoeda – Tomoeda.
Nami esperava pacientemente pelas duas garotas de sua classe. Olhava para o relógio, para os corredores, e nada. Suspirou outra vez, já sentindo a paciência esgotar-se por um breve momento. A primeira aula era com eles mesmo, iria entrar no mesmo momento, com elas, fazer um rosto de desagrado e todos pensariam que as duas no mínimo levaram uma bronca.
Passos apressados lhes tiraram o pensamento, e os olhos dourados viraram-se para ver o dono deles. Duas donas. Ayaki e Oni estavam ali, e olhavam-no atentamente. Olharam em volta, e sorriram de volta, de uma forma duvidosa.
"Fala, Nami!" – saudou Ayaki. – "O que é agora?"
"Sua irresponsável!" – bradou imediatamente. – "Tem idéia do que fez! E se tivesse chamado a atenção da polícia, da mídia, ou de alguma coisa assim?"
"Fica frio, Nami." – Oni tentou colocar panos quentes. – "Não aconteceu nada demais..."
"E você está seguindo o mesmo caminho da Ayaki, Oni!" – falou irritado outra vez. – "Quantas vezes preciso lembra-las da discrição? Aquilo foi doentio, Ayaki. Espero que não se repita."
"Não se preocupe. Não vai, não." – passou a mão no braço, escondido por mangas compridas. – "Aquela lá me pegou de jeito ontem de noite..."
"Deixa pra lá, já cuidamos disso!" – interviu Oni outra vez.
Enquanto discutiam, Yuki saía da sala dos professores em direção do lugar de sua primeira aula. Olhava em volta, entediado, em ações automáticas. Silencioso e absorto, tentava achar algo para prender sua atenção, quando ouviu uma pequena agitação vinda do corredor. Reconheceu de imediato aquelas vozes, e ao ver que teria que passar por aquele corredor igual, fez uma face indiferente.
Olhou os três indivíduos recostados na parede. O professor de japonês e duas alunas. Respirou com dificuldade ínfimos segundos, e ergueu a cabeça numa pose imponente.
"...E então, deixa pra lá." – falou de propósito Ayaki, quando viu Yuki passando. – "Eu consegui o que queríamos. Com isso, poderemos trazer de volta à vida."
Yuki parou por um momento por dentro, pois por fora continuava a andar. "Trazer à vida"? Por um momento, pensou em várias hipóteses, e então, fez as ligações necessárias. Maldita presença daquela noite... Ele reconheceu. Vinha dali. Isso significaria que as cartas deviam estar por perto. Mas, trazer à vida significava... Não, não era possível. Era ridículo.
"Sim, professor Nami. Nossa base está aonde deveria estar. Pedimos sua permissão, como nosso guardião, para iniciarmos o processo. Que tal?" – Oni olhou de relance para Yuki, que se aproximava cada vez mais.
Kurokami apurou os ouvidos, tentando ouvir mais alguma coisa, enquanto seu cérebro ainda fazia as conexões que faltavam. Se o que tinha ouvido estava certo, eles queriam cometer aquela loucura? Seria algo arriscado, e as possibilidades de dar certo, devido a inúmeros fatores, eram muitíssimo poucas. Porém, eles queriam mesmo tentar aquilo? Seu peito dividiu-se em dois tipos sensações: dúvida, desconfiança e até dor... E alegria. Uma alegria repentina. Uma coisa que fazia tempo que não sentia. Mas aquilo foi breve demais, quando foi cortado pelas palavras do outro.
"Está certo." – a voz do professor de Japonês disse, pensativa. – "Eu autorizo-lhes a iniciar o processo." – sorriu, olhando com nojo e muito brevemente para o outro. – "E, desta vez, sem inúteis."
A última palavra cortou-lhe a alegria como uma lança perfurando o coração, com uma dor aguda. Ele sabia a que remetia-se a palavra 'inúteis'. A Yuki Kurokami, ele, é claro.
"Que bom." – Oni sorriu de leve, fechando os olhos.
Passou pelos três sem fraquejar, olhando o relógio e vendo que chegaria exatamente na hora se continuasse com aquela velocidade para sua sala de aula.
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Consultório do Dr. Kinomoto – Tomoeda.
Touya estacionou o carro no lugar de sempre e fechou a porta, acionando o alarme e guardando a chave no bolso do casaco. Voltou-se para a frente e olhou o local de trabalho com cansaço. Lá vinha mais um dia cheio, provavelmente... Queria chegar logo e iniciar o trabalho.
Não havia dormido bem na noite anterior, seus olhos estavam cansados, seu humor péssimo e seu sono mais alto que qualquer coisa, mais alto até que uma construção a pleno vapor. Bocejou por um momento, colocando a mão na boca. A irmã dormira fora, e ele preocupou-se com ela, pois naquela noite teve um pequeno mal pressentimento. Era uma sensação estranha, parecia um vazio no estômago... Faziam muitos anos que não o sentia. Era algo parecido quando via a silhueta de Kaho Mizuki, ou quando via Yue. Muito estranho... Não estava mais acostumado àquilo.
Abrindo a porta do consultório, como esperava, fora recebido pela moça de cabelos negros saltitante que trabalhava com ele. Sua secretária.
"Bom dia, senhor Kinomoto!" – saudou a sorridente Minako. Porém, em questão de segundos notou sua cara péssima. – "Nossa... O que aconteceu? O senhor não dormiu bem?"
"Não. Tive uma noite péssima, Minako." – suspirou ele, deixando o casaco no lugar habitual.
"Bem... Não quero ser portadora de más notícias, mas o senhor tem uma agenda cheia hoje!" – sorriu, batendo palmas e tentando acordá-lo. – "Por que não tenta jogar uma água no rosto, senhor Kinomoto? Talvez melhore!" – apoiou-se em sua mesa. – "E depois, prepare-se, porque a rotina começa cedo!"
"Ah... Não me lembre disso..." – murmurou cabisbaixo, entrando lentamente em seu escritório e fechando a porta sem vontade.
Minako Naoe sorriu divertida. Achava aquele humor de Touya Kinomoto muito divertido. Gostava... Era um bom trabalho e adorava encher o chefe nas horas vagas. Tudo da forma mais natural e normal possível. Se não fosse, porém, pelo barulho de seu celular, que anunciava uma mensagem de texto nova.
Apressada, ela abriu sua bolsa e tirou-o de dentro, olhando o remetente da mensagem.
"Ah. É ela." – sorriu, e apertou o botão para começar a lê-la. Segundos separaram a mensagem da reação de espanto que o rosto dela tomou. – "Como é...?"
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Lanchonete Kireina Kanjou – Tomoeda.
Haru Shinsetsu trabalhava naturalmente em seu bico de garçonete na lanchonete, atendendo a pedidos e levando-os com sua característica eficiência. Se continuasse daquele modo, certamente iria subir muito em breve... Sorriu de satisfação, por dentro, ao imaginar-se logo em algum lugar bem distante daquelas mesas e de muitas pessoas que servia.
"Ei, Shinsetsu!" – uma voz lhe chamou.
"Sou eu!" – Haru ergueu a mão, pousando as orbes acizentadas na mulher de aparência cansada que a chamou. – "O que quer, senhora Arisaka?"
"Telefonema pra você, garota. Lá dentro." – a senhora indicou o local dos funcionários.
A garota de cabelos curtos e roxos saiu em disparada para dentro. Não costumava receber muitos telefonemas, e tinha péssima fama com telefones... Geralmente, nunca eram notícias muito agradáveis. Meio receosa, e curiosa em saber quem era a criatura que lhe ligava aquela hora, bem em seu turno de trabalho, o que certamente faria a velha Arisaka lhe olhar torto e quem sabe descontar de seu salário, e colocou o fone em seu ouvido atento.
"Haru Shinsetsu falando." – disse, naturalmente.
"Shin-chan! Sou eu, Mawashi!" – uma voz infantil e alegra chamou-a.
"Ah! Kae-chan, senti sua falta!" – sorriu a outra, segurando então o telefone com as duas mãos. – "E aí? Por que você ligou? Alguma coisa importante, é? Eu tô no trabalho, sabia!" – falou em tom de brincadeira.
"Sim, eu sei... Me desculpe." – falou a outra baixinho. – "Mas tenho uma notícia muito boa! Meio inacreditável, mas muito boa!" – sorria do outro lado.
"Não me deixa curiosa e fala logo." – Haru riu outra vez.
"Bem..." – começou.
Uma notícia simples, sem muitas palavras. A emoção e a expectativa a deixavam quase sem palavras para expressar aquela grandiosa notícia para a outra. Sorria e, mesmo que Haru não fosse ver, gesticulava bastante enquanto contava. Do outro lado da linha, Shinsetsu tentava esboçar uma reação, mas aquilo a pegou totalmente de surpresa. Ficou feliz.
Sim, ficou feliz. Faziam muitos anos, muitos anos mesmo que esperava aquela notícia. E sabia que todos esperavam algo assim... Desde aquele dia. Ao ver que Mawashi terminara de contar sua mensagem, suspirou de alegria, um suspiro entrecortado e pesado.
"NÃO! Tá falando sério!" – ficou animada.
"Sim! Muito sério!" – sorriu a pequena, do outro lado. – "Você não esquece que é hoje às 19:00h, ou esquece!" – perguntou, querendo saber a resposta.
"Lógico que não, Kae-chan! Tá doida!" – estava muito animada. – "Pode apostar que eu vou estar presente nessa! Vamos lá, faz tempo que queremos isso!"
"Sim!" – a outra estava tão animada quanto Haru. – "Então... Vou deixá-la trabalhar em paz. Só liguei pra te avisar sobre isso. Não falta, hein? Até mais, Shin-chan."
"Até a noite, Kae-chan." – e desligou o telefone.
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Residência Kinomoto – Tomoeda.
Sakura estava com a mochila nas costas e a mala que levara na casa de Tomoyo nas mãos. Caminhava cabisbaixa para casa. Não gostava muito de voltar. Algo a fazia odiar aquele lugar, aquela casa amarela que amou tantos e tantos anos... Algo, ou melhor, alguém.
Abriu o portão da casa e olhou em volta. Tudo continuava o mesmo, nada havia realmente mudado. Só ela. Não sabia como, mas apenas ela. Abriu a porta de casa sem animação, e como esperava, encontrou Yohko sentada no sofá, que assistia um desenho animado com a pequena Satsuki.
"Boa tarde." – cumprimentou Sakura, baixinho. – "Tadaima." 3
"Ah, boa tarde, Sakura-chan." – sorriu a mulher de cabelos castanho-claros, como os de Sakura. – "Okaerinasai. 4" – levantou-se e pegou sua mala. – "Quer que eu te ajude?" – sorriu, prestativa, pronta para dar meia volta e levar aquilo para ela.
"Não!" – ela tomou a mala das mãos da madrasta. – "Não precisa, Yohko... Eu mesma levo." – respondeu friamente, caminhando em direção do quarto.
"Ah, mana!" – Satsuki chamou-a, enquanto sorria e apoiava-se no sofá. – "Quer assistir esse desenho comigo e a mamãe? É engraçado! Senta aqui!" – indicou um lugar.
"Não posso agora, Satsuki..." – sorriu. – "Mas eu prometo que, mais tarde, assisto com você quantos desenhos quiser, está bem?"
"Ah. Tudo bem." – a pequena sabia das obrigações da irmã, então resolveu não alongar o assunto.
"Ah, minha filha... O seu professor Shinomori-san ligou. Disse que ficou doente de repente, e que não conseguirá vir te dar aula hoje." – anunciou a mulher.
"Tudo bem. Eu já notei que ele não vinha hoje." – Sakura respondeu, subindo as escadas num silêncio sepulcral durante todo o resto do trajeto.
Abriu a porta do seu quarto e colocou-se dentro do mesmo. Depois, fechou-a com um pouco de força. Suspirou, colocando a mão na testa. Cansativo... Muito cansativo. Abriu a mochila, deixando Kero sair, e colocou a mala no chão, perto da cama. Olhou para a mesa de estudos, e sentou-se nela, deitando a cabeça nos braços e olhando para a janela.
"Ah... Que coisa... Não queria ter voltado tão cedo..." – suspirou. – "A comida da casa da Tomoyo é tão gostosa..." – mentiu. Não, ela era gostosa, mas não era aquele motivo que a fazia desejar voltar.
"Ora, Sakura, vamos! Yohko não é ruim!" – o pequeno urso laranja respondeu, sentando-se ao seu lado.
"Kero..." – murmurou, enterrando o rosto nos braços.
"O que foi?" – aproximou-se mais dela. Achou que a card captors estivesse chorando, e colocou o pequeno braço no cotovelo dela, tentando dar-lhe ânimo.
"Vou ler cartas! Quero saber o que é aquilo!" – falou, decidida. Já estava com aquela idéia a algum tempo. Mas ainda não achava se era tão certo fazer isto.
"Tem certeza que precisa fazer isto mesmo?" – Kero olhou-a meio descrente. – "Quero dizer... Bem, não acha que é um tanto apressado...?"
"Não, eu vou tentar." – disse, decidida.
"Bem... Como quiser..." – suspirou ele, voando na direção dela.
Pegou as cartas rosadas que estavam em sua mochila, e as colocou ali em cima da mesa. O guardião delas sentou-se no ombro da card captors, olhando os movimentos da mesma. Sakura colocou os cabelos um pouco longos no lado direito dos ombros, onde Kero não estava sentado. Olhava atentamente para as mesmas. Tomou-as nas mãos de novo, e murmurou, enquanto passava sua energia para elas.
"Cartas Sakura, por favor, respondam minha pergunta!" – anunciou, e então o silêncio foi grande e pesado. Ela sorriu, e segurou-as com as duas mãos. – "Mostrem-me a identidade do ser que estou enfrentado."
Embaralhou as cartas em seguida, memorizando e remexendo sua pergunta. Kero olhava atentamente as cartas. Também queria saber a resposta daquela pergunta. Aquela energia não lhe era estranha... Parecia que já a tinha sentido antes. Porém... Não lembrava, não fazia idéia de quem era o dono daquela potência. E temia pelo que podia acontecer. Sakura tentou esvaziar a mente de todo o resto, apenas concentrando-se na pergunta enquanto embaralhava aquelas cartas.
Ao embaralhar e separa-las em dois montes, escolheu o da esquerda e o abriu como um leque. Meio tensa, escolheu quatro cartas, e as depositou na posição que deveria ser. Virou as três primeiras, querendo manter o segredo da última, e ficou olhando-as por longos momentos, juntamente com o guardião das cartas Clow.
"Bem... Vamos ler..." – ela colocou a mão no queixo e olhou aquelas quatro cartas.
"A primeira é esta." – apontou a carta do meio. – "É o Retorno!" – ficou pensativo também. – "Esta carta tem a resposta mais imediata, então... É algo relacionado ao retorno de alguma coisa..."
"A segunda é a carta da Flor." – Sakura observou. – "Se esta revela um fato passado... Então este ser tem alguma relação com flores." – colocou a mão na cabeça. – "Ah, isso é confuso!"
"A terceira carta, aquela que responde sobre o presente momento, é esta aqui... O Cadeado." – apontou para a carta depositada na mesa. – "Isso seria... Um poder selado...?" – o guardião perguntou-se, enquanto observava as cartas já postas na mesa.
Sakura suspirou de expectativa, antes de virar a última carta.
"Por fim, esta... A que mostra o futuro..." – virou-a e observou aquela carta. – "É a carta do Vazio." – de alguma forma, não gostou muito daquilo. – "Tem idéia do que seja isso?"
"Vamos pensar um pouco mais." – sugeriu Kerberus.
------# II #------
Residência de Ayaki Ceres – Tomoeda.
Na porta do prédio, Ayaki esperava pacientemente, junto com Rine, Mawashi e Oni. Os outros deviam estar chegando. E a hora também chegava. Lentamente, saborosamente, e sem volta... E aquilo lhe dava uma satisfação inexplicável. Algo bom, algo que ela amava.
Sorriu por dentro, satisfeita, imaginando que logo, logo, tudo estaria na mais perfeita paz de novo. A alma dela poderia descansar em paz depois de realizar seu intento. E ela, Ayaki, estaria sempre do seu lado. Eternamente. Para qualquer coisa.
"Como demoram..." – suspira Rine, olhando o relógio. – "Dez minutos de atraso."
"Não são responsáveis como a gente!" – gabava-se Yuki Amazao. – "Nós somos... Verdadeiros bons soldados! Devíamos ganhar pontos extras por isso!"
"Sim! É verdade! Ela devia pagar sundaes gigantescos pra gente!" – sonhava Mawashi.
"Espera um pouco mais e não viajem, meninas..." – Oni respondeu. – "Eles já vêm."
Novamente o silêncio voltou a reinar, cortado apenas uma vez ou outra pelos barulhos de carros, alguns grilos, e um resmungo ou outro de alguma delas. Momentos depois, passos começam a se tornarem nítidos aos ouvidos, e sorriem.
"Ah... Finalmente..." – suspirou Ayaki.
Akira Shinomori e Haru Shinsetsu estavam lado a lado, e arfavam. Aparentemente, haviam corrido bastante para chegarem ali. Afastaram-se e cada um foi para um canto, sentando-se em algum lugar e tentando recuperar o fôlego perdido.
"Aonde estavam?" – pergunta Mawashi.
"Trabalhando." – respondeu Haru, enquanto tomava ar.
"Também trabalhava." – Akira passou a mão na franja, fazendo-a cair rebeldemente depois. – "Meu chefe devia morrer de insuficiência respiratória como eu agora...!"
"Como você é mau." – suspira Rine.
"Não seja imbecil!" – responde Yuki. – "Você é vaso ruim. Não quebra!"
As outras riram do rapaz, que ficou com um rosto contrariado, e levantou-se brevemente, mas voltou a sentar-se, ameaçando-a com "se eu estivesse com ar...". Mais alguns momentos de silêncio pesado se passaram, antes de Minako Naoe chegar, alegando que havia perdido-se várias vezes antes de chegar até lá.
"Isso é problema seu, oras!" – responde Ayaki. – "Minha casa nem é tão escondida assim!"
"Mas é difícil de achar quando você é guiada por um mapa mal feito." – Naoe mostra a língua para Ayaki, que retribui 'gentilmente'.
Logo atrás, um arfante Nami corria, até ver toda aquela agitação e notar que eram os colegas.
"Me perdoem pela demora." – ele desculpou-se, com uma mesura cansada.
"Ah! Veja só! O último chegou!" – sorriu uma animada Oni, ignorando a mesura do outro. – "Ótimo! Agora podemos começar logo!"
"Sim. Tenho que acordar cedo amanhã!" – espreguiçou-se Haru.
"Nem me lembra disso... A escola me mata. Literalmente, me mata." – suspira Yuki.
"Pessoal, pessoal..." – chamou Ayaki. – "Não se preocupem com isso! Ayaki aqui tem tudo sobre controle, tudinho, desde os mínimos detalhes!"
"Desde quando você é o retrato da responsabilidade?" – pergunta Akira.
"É mesmo, vindo de você isso até me assusta, sabia?" – falou Minako.
"Sabia que não iam acreditar em mim, mas eu estou com tudo pronto..." – ela remexeu nos bolsos, e tirou três coisas de dentro dele. – "E vamos receber ajuda especial, uma vez que... Não podemos usar isso sozinhos, não é? Vou precisar de uma ajudinha de vocês, mas..." – mostrou o que tinha escondido. Três cartas rosadas. – "O importante é que estamos todos aqui, juntos, unidos por uma causa em comum!" – sorriu.
Lá atrás, escondido nas sombras de todos, Yuki Kurokami seguia com os olhos a agitação na porta daquele prédio. Ao ver todos entrarem, e o silêncio atacar seus ouvidos, olhou para o céu. A lua cheia era bela e bastante imensa.
"Juntos e unidos por um motivo em comum." – olhou mais uma vez para a porta. – "Ela."
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Continua...
1 Não lembra desta pequena parte do segundo movie de Sakura? Quando foi usar a carta The Sword, para selar a carta The Hope, a carta The Fly precisou ser usada também e, ao invés de virarem asas no báculo (o que anularia a invocação da Espada), como sempre fazia, viraram asas nas costas dela (spoiler? Oo).
2 Pra quem não sabe, é bolinho de polvo.
3 Expressão que alguém que chega em casa usa, no Japão. Significa algo como "cheguei".
4 Outra expressão utilizada no Japão. Quando alguém diz "tadaima", a pessoa que foi cumprimentada responde "okaerinasai" (ou "okaeri"). O título já é a tradução desta expressão.
Nota
Rápida: A propósito, a nova Sakura poderia ser
traduzida assim:
Face 1:
- Fria, triste, cabisbaixa,
calculista.
Face 2:
- Alegre, palhaça, sonhadora,
saltitante.
