Situação: Em andamento.

Disclaimers: Card Captor Sakura pertence à CLAMP, Kodansha, Nakayoshi, Movic, Nelvana, e Mixxine. Fora Oni Hanajima e Linka Seikun, os seguintes personagens são de seus respectivos autores: Ayaki Ceres (Mizu Katanabe), Yuki Amazao (Yuki), Minako Naoe (Pandora Amamiya), Yuki Kurokami (Darkrose), Haru Shinsetsu (Ludi-chan), Mawashi Kaeru (Angel), Akira Shinomori (Zero X), Rine Otori (Ágata) e Nami Kami (Akane Kittsune).

Gênero: Ação/Aventura, Romance, Drama.

Avisos: Saga, OC.

OKAERINASAI
(Bem-Vindo de Volta)

Petit Ange

Cheio de esperança, coberto de ilusão em uma triste escuridão que não conseguia compreender, tem tampouco estar ali. Era difícil recordar de tudo que acontecera, mas com o tempo, aquilo ia mudando. Acho que já chegaram a esquecerem-se, mas a pergunta era: "Havia tudo desaparecido realmente? Ou tudo era uma mentira?".

Talvez isso estivesse muito escondido nos corações de todos, mas seria melhor se isso permanecesse daquele jeito, porque todos tinham medo daquelas recordações, as pessoas já não eram mais as mesmas, já não demonstravam mais seus sentimentos livremente. Mas, seriam esses os pensamentos transmitidos a alguém especial? Ou não? Como saber, se tinham medo de confessar tudo e que tudo mudou mais do que precisava mudar?

As coisas mudaram tanto que era como se nada quisesse superar o que havia passado, como se fosse um segredo que ninguém podia saber, mas ainda recordo que existia esperança naquela bela jovem de olhos verde-esmeraldas, que via um mundo, não como os demais viam. Um mundo que só ela conhecia e sentia... Mas como pode ser que uma simples jovenzinha que alegrava a tantas pessoas com uma enorme tristeza, uma tristeza que ela ocultava. Alegrava os demais e esquecia de si mesma.

As pessoas comentavam como ficara linda com o tempo, e alguns poucos diziam que ela tinha um poder impressionante para tão poucos 16 anos, mas com o passar do tempo, talvez isso mudaria...

Capítulo IV: Cesto

Em algum lugar no passado.

"Kagome, kagome... Kago no naka no tori wa..."

Uma canção entonada por uma delicada voz infantil. Sozinha.

"Itsu, itsu deyaru? Yoake to ban ni..."

Na verdade, a brincadeira deve ser executada por mais que uma pessoa, mas ela não tinha outra pessoa ali. Então, várias máscaras festivas japonesas rodeavam-na.

"Tsuru to kame kane ga subetta..."

Era uma sala solitária. As máscaras rodeando a pequena silhueta eram a única coisa que pareciam dar vida àquele lugar. Uma biblioteca cheia de livros e com cheiro de poeira.

"Ushiro no shoumen dare?"

------# IV #------

Parque de Tomoeda – Tomoeda.

"Essa... Voz?"

Não que Sakura não quisesse acreditar. Mas era repentino demais. A última vez que ouviu aquela voz foi há muito tempo, quando essa pessoa partiu num avião, e ela nunca mais teve notícias.

Mas de repente, ela a ouve outra vez, num momento que julgava estar morta. Por um ínfimo centésimo de segundo, perguntou-se se ela não estava realmente morta e os céus estivessem realizando seu desejo oculto, de escutá-lo e poder tocar-lhe de novo. Mas... Não. Loucura demais, ela ainda podia sentir o leve impacto da ametista, e o chiar do trovão.

"Poderia ser..."

Sakura absorveu sua consciência em observar aquela paisagem. Uma forma animalesca feita de trovão dourado, uma coisa que ela já conhecia. E então, sentiu-se estranhamente impelida a olhar em volta. Até suas asas pareceram recobrar a vida.

"Sakura!" – ouviu Tomoyo gritar, lá de baixo.

"Eu estou bem... Esperem um pouco!"

Foi aí que seus olhos acostumaram-se com a rapidez em que aquela forma de ametista deixou o alvo, e foi propagar-se outra vez no chão, a espera. Só aí ela conseguiu observar o cenário com uma rapidez e calma que apenas aqueles que calcaram-se em lutas podiam ter. Ela viu. Teve certeza que viu.

"Não acredito!" – pôde ouvir Kerberus exclamando lá de baixo. Ela também pensava assim.

------# IV #------

Apartamento de Ayaki Ceres – Tomoeda.

"Ayaki!" – Rine a chamava, batendo constantemente em sua cabeça.

"Não me atrapalha, Rine..." – a outra resmungava, de olhos fechados e corpo brilhando. Sua face suave demonstrava clara concentração.

"Rine, deixe-a trabalhar. Infelizmente, outro obstáculo chegou em nosso caminho. É ainda mais difícil agora." – Yuki reclamou, cruzando os braços.

"Eu posso cuidar disso..." – o professor Nami sussurrou.

"Nem pensar! Deixa que eu sei fazer isso direito. Sabe o quanto de energia gasta-se nisso aqui? E cê sabe que você é o mais foda daqui. Então, aquieta tua rabiola e deixa que eu cuido dos moleques!" – Ayaki resmungou irritada, ainda com o rosto de concentração.

"Certeza que não quer reforços?" – Mawashi sussurrou, tocando-lhe o ombro.

"Deixa quieto. Vão trabalhar."

Isto acontecia lá dentro. Lá fora, ele somente aguardava. Uma vez parasita, sempre parasita, não é? Aguardar. Esperar. Talvez fosse essa mesma a sua sina. Esperar por algo que talvez nunca chegasse. Algo que era muito difícil de se ter outra vez. E que, sem dúvida, não seria mais da mesma forma.

"Mas não há importância..." – murmurava satisfeito para si, ainda encarando a janela. – "Nenhuma mesmo."

------# IV #------

Parque de Tomoeda – Tomoeda.

"Sakura, está desacostumada? É estranho ver você tão atormentada por nada."

O dono da voz saltou da árvore onde encontrava-se. Sakura notou isso pela silhueta e pelo som dos galhos. Foi encontrá-lo outra vez lá embaixo. No chão. Encarando-a.

Os mesmos cabelos castanhos. Os mesmos olhos cor de âmbar. Porém, seu rosto já não era mais o de um garoto. Não mesmo. Assim como ela, ele também evoluíra. Agora, tinha feições de um rapaz, de um homem. E um corpo de homem também. Mas... Aquela roupa chinesa esverdeada ainda era sua veste. Por um momento, ela sentiu até vontade de chorar embebida num sentimento nostálgico.

"N-não é possível..."

A vontade de que fosse bem aquela pessoa havia lhe dado uma motivação instantânea. Mas quando seus desejos tornaram-se verdade, toda a incredulidade voltou-lhe, e aquela hesitação veio também.

"Preste mais atenção!" – o rapaz saltou na árvore, e em seguida, deu um grande salto, usando novamente seu Deus do Trovão para estilhaçar a broca ametista que teimava em perseguir aquela garota. – "Sakura... Você está bem?"

Ele estava caindo. E do seu lado. Só aí Sakura viu Shaoran Li.

"Sha... Oran...?" – ela perguntou, totalmente incrédula. Aqueles momentos pareceram congelar em sua mente, e tudo pareceu ter um aspecto de sonho. Sem ametista, sem Tomoyo, sem Kero, sem perigo nem nada. Só ela pairando no ar e ele caindo, depois de ter-lhe salvo outra vez.

"Também estou feliz de vê-la." – ele deu um meio-sorriso, segurando a espada.

"Como...?" – Tomoyo encarava Li como se ele fosse um ET ou coisa do tipo. – "Shaoran...?!"

"O que faz aqui, moleque?"

"Não tenho muito tempo de falar agora, Kerberus." – Shaoran respondeu, seu rosto voltando a ficar sério. Sacou a espada e encarou a imensa broca que erguia-se nos céus e voltava a atacar. – "Depois respondo essas questões."

"Kagome, kagome... Kago no naka no tori wa..."

------# IV #------

Residência Anagizawa – Inglaterra.

O piano soava outra vez. O cheiro de chá impregnava-se na casa. Notas suaves, delicadas... A Marcha Fúnebre não poderia ser assim, tinha um significado muito mais vazio, mas nas habilidosas mãos dele, saíam tão belas quanto a mais bela melodia de piano.

"Creio que não preciso alertá-lo do que está ocorrendo, Eriol..." – Kaho Mizuki advertia-o, preocupada.

"Claro que não. Eu sei exatamente o que acontece." – o rapaz respondeu tranqüilamente, continuando a tocar como se nada houvesse acontecido.

"Então...?"

Eriol deu uma pequena pausa. Ergueu-se da cadeira, caminhou até o impecável bule e as xícaras delicadas, serviu-se de chá outra vez e sentou-se calmamente. Encarou longamente o piano.

A "Marcha Fúnebre" continuou ecoando.

"Já disse, Kaho." – continuava sorrindo, tranqüilo. O rosto tão plácido quanto o de Clow Reed. – "Eu sei o que faço. Não precisa continuar."

"Itsu, itsu deyaru? Yoake to ban ni..."

------# IV #------

Parque Tomoeda – Tomoeda.

Imprimindo uma velocidade que em nenhuma outra forma anterior foi alcançada, a broca de ametista desceu na direção da árvore. Havia uma urgência naquele momento. Aquela velocidade não era normal. Aquilo que controlava aquele objeto violeta estava apressada. A presença da mesma parecia oscilante, rápida, como um raio de luz.

"Deuses do Trovão, venham!"

Havia algo de estranho naquele objeto. Ele deixou-se atacar (e ambos pressentiram isto), e esfacelou-se com inúmeros cacos coloridos de violeta caindo pelo chão, brilhantes, parecendo até uma espécie estranha e exótica de neve. Ela ajudava ainda mais a dar uma atmosfera de sonho àquele ambiente já recoberto totalmente pelas ametistas.

"Eles... Venceram, Kero...?" – Tomoyo perguntava-se, encolhida em seu lugar, com Kero à sua frente.

"Não. Definitivamente, ainda não." – o guardião ainda sentia no ar cheiro de trapaça.

"Tome cuidado, Sakura..." – murmurou, por fim, a jovem de cabelos escuros.

Um som seco, como algo arrastando-se em vidro, despertou-lhes a atenção e os sentidos. Shaoran foi rápido, e saltou daquela parte do ambiente o quanto antes, ao notar que realmente o som vinha dali. Sakura iria afastar-se igualmente, usando a Alada em suas mãos, mas algo a impediu. Quando foi mexer seu pé, algo frio e extremamente duro estava preso nele.

"Meu pé!" – gritou.

"Essa não!" – Shaoran esbravejou ao ver o estrago.

Realmente, a broca não esfacelou-se sem motivo. Lá estava um pedaço de ametista, na forma de uma serpente, uma corrente, qualquer coisa de forma semelhante prendendo-lhe o tornozelo, colando a perna dela à terra colorida de violeta. Impossível escapar.

"SAKURA!"

Foi rápido demais para ela reagir. Uma massa disforme que mais assemelhava-se à uma pasta, à uma onda lilás avançou sobre ela, arrancando-lhe um olhar assustado e um princípio de grito que morreu quando aquela coisa fechou-se como um esquife ao seu redor.

Era difícil respirar. Difícil demais. Algo fino e gelado recobria-a, e parecia tirar-lhe a capacidade de mover-se, enxergar ou respirar. Iria morrer daquele jeito?

"Não perdôo..." – arfou uma voz.

A card captors ouvia algo. Ou melhor... Também via. Os olhos de repente, passaram a enxergar claramente uma sala. Não era uma sala qualquer. Quando as orbes esmeralda pousaram naquele ambiente e analisaram-no com a devida calma, ela lembrou-se. Era a biblioteca. A mesma de seu sonho. E lá estava a jovem seminua. Tudo igual.

"Desgraçado... Não te perdôo..."

Havia um divã ao lado dela. Um fio de sangue quase imperceptível manchava-o. As costas da mulher subiam e desciam ao som do arfar. Uma respiração difícil e entrecortada por um som que Sakura não conseguiu distinguir. Não soube dizer o que era.

"Nunca... Eu vou te matar..." – os dentes cerrados murmuravam palavras frias.

A folha amarelada de papel com vários e vários escritos, tal qual em seu sonho, estava presa em suas mãos trêmulas. Ela segurava aquela folha como se fosse sua vida nas suas mãos. Os fios em desalinho do cabelo caíam-lhe sobre a face e dificultavam o reconhecimento do rosto, mas Sakura viu o par de olhos novamente. Eram azuis. Não eram mais assustadores nem um só, fixado de forma doentia nela. Eram um par de olhos azuis cheios de lágrimas e ódio.

"Vou te matar, Lyore..."

"Não pode morrer aqui." – uma voz masculina reverberava no quarto, impedindo que Sakura ouvisse mais dos lamentos da jovem seminua.

"Essa voz..." – reconhecia-a. Tinha certeza que sim.

"Tenha Esperança"

De dentro do esquife de ametista brilhante, Shaoran, Tomoyo e Kerberus puderam ver uma forte luz brilhar, sendo ainda mais amplificada pela pedra, e ofuscando totalmente a visão dos três. E lá longe, havia mais uma luz brilhando. Um feixe imenso, em direção do céu, azul. Mas eram ambas brilhantes demais para notarem uma à outra. Nem os presentes souberam diferenciar.

Kerberus sentiu uma presença esmagadora. Só isso ele soube explicar durante aquele brilho.

"Tsuru to kame kane ga subetta..."

------# IV #------

Residência de Ayaki Ceres – Tomoeda.

"VOILÀ!" – exclamou uma satisfeita Yuki.

"Não acredito! Conseguimos?!" – Oni também parecia satisfeitíssima.

"A concentração! Ela é importante! Não deixem-se animar e perdê-la!"

Como se fosse fácil. O próprio Nami estava mais afoito que todas aquelas cartas juntas. Porque agora ele claramente sentia aquela presença. Era como se ela estivesse ali outra vez.

"Falta pouco! Eu posso senti-la...!" – Rine tinha os olhos brilhantes de expectativa.

"É incrível... Com um pouco de esforço, pudemos trazê-la outra vez!" – Mawashi sorria.

"...Senhorita." – Nami também murmurava apenas para si.

Alheia a tudo isso, ali estava uma dimensão totalmente diferente. Silêncio, dor e escuridão. Eram estes seus companheiros desde muito tempo atrás. A agonia. O ressentimento. Ódio. Porém, subitamente seu silêncio foi quebrado. Ela já não sentia-se mais envolta naquele casulo negro, naquele silêncio perturbador, mas ainda sim, tão delicioso. Sensação de morte. Uma agoniante nota de som nenhum. Delicioso. Mas nada mais daquilo existia. Porque ela via-se sozinha sentada numa biblioteca escura.

Cantava uma cantiga de roda, no meio de várias máscaras, de olhos tapados pelas mãos. Lembrou-se desse dia, com um suspiro.

"O que é isso...?" – perguntou-se, virando na direção do som, que não saía de seus lábios infantis, e sim, de um outro lugar.

Luz. Há quantos anos não via luz? Não sabia mais o que era sentir? Há quanto tempo aquela sensação de quentura não a envolvia? Quis segui-la. Ela também parecia chamá-la. E a música continuava. Estranhamente, ela sentiu-se até fundida com ela, disposta. Não foi só um calor, nem só uma luz. Agora eram vozes. Mudanças de temperatura. Toques. Mas a música continuava. Infantil, distante...

Ela virou-se. Seus olhos pouco acostumados com a luz. Mas então... Sentiu que conhecia a silhueta que suas orbes azuis projetavam. Aquele homem.

A energia estava crescendo de forma espantosa. As cartas não poderiam contê-la mais... Era nisso que ele pensava. Era no propósito daquela luz, de toda aquela liberação de energia que ele pensava.

Antes mesmo que pudesse pensar e racionalizar a situação, antes que sua mente encontrasse alguma desculpa para evitar a aproximação, suas pernas moveram-se sem seu consentimento. Correu até o prédio e se ainda pudesse seria capaz de pular e voar até ali. Optou por continuar correndo até aquele apartamento e abrir a porta abruptamente. Ficou estático na prova diante do que via.

"Deu certo...?!" – a voz de Yuki Kurokami mal saiu. Era quase um sussurro.

O guardião Nami Kami nunca duvidou que o ritual desse errado. Afinal, foi ele que, em meio à culpa e às pesquisas, conseguiu achar aquilo. Mas também não estava preparado para vê-la, viva novamente... A alegria encheu seu coração. Não se conteve ao chamá-la.

"Linka-sama...! Linka-sama!"

As orbes azuis ergueram-se na direção do grito do professor. A mulher entreabriu os lábios, e encarou-o com uma interrogação clara na face.

"Eu... Voltei...?"

Kerberus sentiu uma presença esmagadora. Só isso ele soube explicar durante aquele brilho.

"Ushiro no shoumen dare?"

Continua...

Notas (finalmente) Finais: WAAAAA! Chega de prólogo, chega de enrolação, chegaaaaaa! XDD E agora, é chegada a hora da verdade... Personagens apresentados, situação feita... Bem vidos, oficialmente, à Okaerinasai. TT (Emocionada).