Desculpem-me pela demora. Não vou gastar linhas e mais linhas me justificando pq eu sei que não vai resolver nada... XD
Agradecimento às reviews: Darknee-chan, Bruna e Pequena Perola!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
Dearest
Capítulo III – Sonhos de cozinha
A caminhada foi rápida e animada. Saíram de Konoha antes do amanhecer e chegaram antes do pôr do sol. Andaram mais rápido do que Tsunade recomendara, mas desobedeceram simplesmente porque não queriam passar a noite na floresta num acampamento de dezessete ninjas. Chamariam muita atenção indesejada.
O lugar era mais charmoso do que imaginaram. Todo cercado, obviamente, por ser um campo de treinamento. A floresta dentro da propriedade cobria 70% da área. A parte desmatada era composta por seis belas casas de madeira de três tamanhos diferentes. A maior era o refeitório, as quatro de tamanho médio eram os dormitórios e a menor era o banheiro.
Seria um bom lugar para relaxar e recarregar as baterias, mas eles não estavam de férias...
Shikamaru abriu uma enorme cartolina em uma das mesas de madeira que se localizavam na parte de trás do chalé do refeitório.
- Fiz um esquema dos dormitórios. – o Nara declarou. – Para que possamos organizar quem fica em cada casa.
Todos se sentaram ao redor da mesa, ouvindo atentamente.
- Acho que membros de um mesmo time deveriam ficar em casas separadas, assim já começamos o processo de integração. – Anko sugeriu.
- Muito bem pensado. – Shikamaru concordou.
O primeiro assunto a ser resolvido e, também, o mais fácil de todos. Não demorou nem vinte minutos para que tivessem o esquema todo montado.
Chalé 1: Sakura, Ino, Hinata, TenTen e Anko
Chalé 2: Naruto, Gai, Shino e Chouji
Chalé 3: Shikamaru, Genma, Sasuke e Rock Lee
Chalé 4:Konohamaru, Kakashi, Neji e Kiba
- Próximo assunto, – Shikamaru continuou. – cozinha. Podemos nos revezar para buscá-la, mas cozinhá-la é outra história.
E fez uma careta. Como todo ninja, Shikamaru tinha seus traumas, mas sem dúvida o maior deles aconteceu em uma inocente missão que realizara com seus companheiros antes de se tornar chuunin. Eles tinham ido até a Pedra para pegar alguns pergaminhos para o Sandaime. Como a distância era longa, eles tiveram que passar uma noite em uma casa que os habitantes civis gentilmente cederam a eles. E Ino resolveu cozinhar. Jamais esqueceria o gosto daquela "comida".
- Eu posso cozinhar sempre, não me importo. – Sakura disse, sorrindo.
Shikamaru imediatamente virou-se para Sasuke e Naruto.
- Ela cozinha bem? – ele perguntou, temeroso, ganhando um olhar mortal da Haruno.
- Tá brincando? – Naruto exclamou. – O rámen da Sakura é quase melhor que o do Ichiraku!
- Tudo bem, então. Podemos nos revezar para ajudá-la também. Todos de acordo?
Todos assentiram.
- Então, Sakura, pode começar com o jantar de hoje. – Shikamaru anunciou.
Para o total alívio de Sakura, Tsunade fora boazinha o suficiente para estocar a dispensa da cozinha com comida o suficiente para o jantar daquele dia e o café da manhã do dia seguinte.
Também havia pratos, talheres e copos para os dezessete shinobis e um número razoável de panelas e potes. A Godaime pensara tudo com muito cuidado antes de mandá-los para aquele "retiro".
- O que dá para cozinhar com isso, Sakura? – Ino perguntou.
- Rámen. – Sakura respondeu. – E dá para caramelar essas bananas para a sobremesa.
Ino mirou sua amiga com estranheza. Ela parecia tão... contente em poder cozinhar. Era estranho.
- Continua sonhando em casar, não é, testuda?
Sakura corou.
- Não me repreenda por isso. Você também quer.
- Mas o Sasuke nunca...?
Sakura sorriu.
- Ele e eu somos amigos, Ino. Só isso. Eu me casar com ele é a mesma coisa que eu me casar com Naruto.
Ino riu, imaginando a cena.
- Não é a mesma coisa, Sakura. O Naruto sempre foi como um irmão para você, desde sempre. Você e o Sasuke vivem... Bom, você entendeu. – ela disse a última parte com um sorriso malicioso.
Sakura riu.
- O que quero dizer, – a Yamanaka continuou. – é que era seu sonho.
A Haruno se virou e começou a pegar as coisas que precisaria para o menu que tinha imaginado.
- Era seu sonho também. Mas você mudou, eu também.
Ino precisava admitir que ela estava certa. O sonho de ter Sasuke era compartilhado por ambas quando tinham doze anos. A Yamanaka havia desistido muito antes de Sakura.
Entretanto, ela viu a Haruno sofrer durante anos por causa do Uchiha. O sentimento dela mudara tão rapidamente assim?
- Quando ele voltou as coisas estavam diferentes. Depois de ficarmos em Suna, as coisas mudaram ainda mais.
Panela no fogo, macarrão cozinhando. Enquanto isso, Sakura picava os legumes e preparava a frigideira para a carne. A sopa também já começava a ser feita.
Ino apenas se sentou em um banco e ficou admirando a facilidade com que Sakura coordenava tudo ao mesmo tempo, sem errar nada.
- O que fazemos não passa de uma brincadeira divertida. – Sakura disse, fazendo a loira rir.
- Suponho que ele também pense assim...? – Ino perguntou.
- Sim. – Sakura respondeu. – Somos só amigos, já disse. E gostamos disso. Finalmente achamos um equilíbrio.
A sopa já estava pronta. Com os legumes e a carne. Só faltava o macarrão.
Sakura olhou feio para Ino, que a observava, sentada no banco.
- Ino, você veio me ajudar ou não? Naruto sente o cheiro de rámen a quilômetros de distância! Ponha logo a mesa antes que ele apareça e acabe com o macarrão todo!
Ino pulou do banco e começou seu trabalho, mas já era tarde demais. Como Sakura previra, Naruto irrompeu pela porta do refeitório, os olhos cor de safira brilhando de alegria.
- Você está fazendo rámen! – ele gritou, como uma criança que acaba de ganhar um presente dos pais.
E estava pronto para pular em cima das panelas, mas Sakura o parou, dando uma colherada na cabeça dele. Obviamente, ela concentrou um pouco de chakra para doer mais um pouco.
- Pode voltar, Naruto. – ela disse, como uma mãe repreendendo um filho de seis anos. – Eu aviso quando estiver pronto.
- Mas, Sakura-chan! – ele reclamou, choroso.
- Anda, Naruto, ou eu te deixo sem sua tigela extra.
- Sério? Eu tenho uma tigela extra? – seus olhos voltaram a brilhar.
Sakura suspirou.
- Sim, você tem. Agora vá embora e não conte a ninguém.
O Uzumaki estalou um beijo na bochecha da rosada e saiu do refeitório, feliz e saltitante.
As duas kunoichis riram.
- Ele é uma criança. – Ino disse.
- Sim, ele é. Hinata vai sofrer quando casar com esse bobão.
Finalmente, o macarrão estava pronto. Sakura o colocou no escorredor, tirando a água da panela. Jogou-o de volta na panela, agora seca, e despejou a sopa. Agora era só pôr nas tigelas e preparar a sobremesa.
Ino concentrou um pouco de chakra na garganta e gritou:
- O jantar está pronto!
Sakura fez uma careta.
- Sério, Ino, se você fizer isso de novo eu te mato. Sua voz já é escandalosa o suficiente sem a ajuda do seu chakra.
Ino fez um muxoxo e ignorou o comentário maldoso.
Logo, a mesa interna do refeitório estava completa por todos os ninjas.
- Bom apetite. – Sakura sorria enquanto distribuía as tigelas de cada um.
O silêncio foi completo. Ninguém ousou interromper a degustação do rámen com nenhum comentário.
- Quem te ensinou a cozinhar tão bem? – Anko perguntou, emocionada. – Isso aqui está bom demais!
Sakura riu.
- Ayame-san, filha de Ichiraku-san. – ela respondeu. – Precisava me distrair. A vida pode ser bastante tediosa quando seus melhores amigos estão longe de você.
Naruto e Sasuke trocaram olhares de culpa. Sim, ambos se arrependiam amargamente de ter deixado a Haruno sozinha em Konoha.
- O que mais você aprendeu? – Chouji perguntou, feliz por saber que não passaria fome naquele lugar.
A Haruno riu mais uma vez.
- Sinceramente, acho que posso fazer qualquer coisa. É só ter os ingredientes certos.
- Incrível... – o Akimichi voltou a falar, agora de boca cheia.
E Sakura observou, feliz, que todos ali haviam gostado do que ela preparara. Gostava de poder ser útil, gostava de ser elogiada, por qualquer motivo que fosse. Fazia com que ela se sentisse bem, fazia com que ela se sentisse completa.
- Incrível é que você ainda esteja solteira. – Genma comentou. – Conheço muitos homens que adorariam se casar com uma garota como você.
O comentário a fez corar, sem graça, e, sem querer, seus olhos encontraram os de Kakashi, que a encaravam com uma singela curiosidade. Corou ainda mais. O que ele estaria pensando?
Ao ver que a constrangera ainda mais, Kakashi desviou o olhar.
- Não tenho tempo para isso. – ela argumentou. – Naruto e Sasuke já me dão trabalho demais como médica.
- Ei! – Naruto reclamou.
E todos riram, mas alguns podiam ver que ela ainda estava um pouco constrangida com o comentário de Genma...
- Você não ficou mal por causa do comentário de Genma, ficou? – Anko perguntou, quando já se preparavam para dormir.
- Não, senpai. – Sakura respondeu, corando levemente mais uma vez.
- Pode me chamar só de Anko. Não se preocupe com isso, tudo bem? Ele consegue constranger qualquer um em qualquer ocasião, mas não faz por mal. Ele não pensa antes de abrir a boca.
- Não se preocupe, Anko. – Sakura disse. – Não foi nenhum inconveniente.
- O problema de Sakura é que ela quer encontrar alguém para casar. – Ino revelou, sorrindo maliciosamente.
Sakura jogou um travesseiro na Yamanaka.
- Fica quieta!
Anko riu.
- Sei como é. Hoje em dia é difícil. Aqueles tapados só pensam no trabalho.
- Fala por experiência própria, senpai? – TenTen alfinetou.
- Sim e não. – Anko respondeu. – Não sou do tipo que quer casar.
- Mas já quis, estou certa? – Tenten voltou a perguntar.
Anko deu de ombros e virou de costas para as outras, protegida pelo fato de que a beliche que dividia com TenTen ficava encostada na parede.
- Ah, não! – Ino exclamou. – Pode nos contar!
- O que interessa a vocês? – Anko perguntou, ligeiramente corada.
- Genma-senpai? – Tenten arriscou. – Eu vi a expressão em seu rosto quando ele falou aquilo para a Sakura.
Anko fez um muxoxo.
- Talvez. Como eu disse, eles só pensam em jutsus. Kurenai que teve sorte, pena que durou pouco.
- É... – Ino disse, tristemente. – Eles eram perfeitos juntos. Ela e Asuma-sensei.
- Eu sei. – Anko concordou, igualmente triste.
Ino, TenTen e Anko continuaram a conversar, e Sakura apenas ouvia, viajando em seus pensamentos.
- Ei, Sakura-san. – Hinata saíra de sua cama e sentara-se na beirada da de Sakura. Ela estava muito vermelha e mexia as mãos incansavelmente.
- Algum problema, Hinata? – Sakura perguntou, preocupada.
- E-eu queria te pedir u-uma coisa... – a Hyuuga gaguejou.
- Fique à vontade. – Sakura a encorajou, já imaginando o que ela pediria.
- Se-será que você p-podia me ensinar a fazer rámen? – ela estava mais corada do que quando começara a falar.
Sakura abriu um enorme sorriso.
- Claro que sim! Te ensino a fazer com carne de porco, está bem assim?
A Hyuuga assentiu fervorosamente, sorrindo abertamente.
- Arigatou. – e abraçou a Haruno.
Afinal, todos sabiam que rámen de porco era o preferido de Naruto.
"It's the way that you blush when you're nervous
It's you ability to make me earn this
I know that you're tired
Just let me sing you to sleep."
Tradução da música: É o jeito que você cora quando está nervosa, é sua habilidade de me fazer merecer isso. Eu seique você está cansada, apenas me deixe cansar até que você caia no sono.
Lullaby by The Spill Canvas
