Capítulo 4 on! Espero que gostem desse! XD

Queria saber a opinião de vocês sobre as músicas no fim dos caps! Sugestões, críticas, comentários, tudo é muito bem-vindo!

Agradecimento às reviews: Bruna, Darknee-chan e Pequena Perola!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Dearest

Capítulo IV – Espinhos e desabafos

Antes do nascer do sol, Sakura já estava de pé e de banho tomado. Prometera a si mesma manter essa rotina, sem falhar um dia sequer. Tremia só de imaginar a fila que se formaria na frente do banheiro dali a algumas horas.

- Não dormiu bem? – uma voz ligeiramente preocupada soou assim que ela deixou o pequeno chalé-banheiro.

- Bom dia, sensei. Dormi bem sim. Só fiquei preocupada com a fila. Odeio esperar.

Kakashi sorriu.

- Sua comida ontem estava muito boa.

- A-arigatou. – ela disse, corando levemente.

- Sakura... Eu queria te pedir desculpas.

A Haruno o mirou, confusa.

- Que quer dizer?

- Ontem, quando você falou que se sentiu sozinha nos três anos que Naruto ficou fora, eu me senti culpado. Eu estava na vila, eu conhecia sua dor melhor do que ninguém, e mesmo assim não fiz nada para te ajudar.

- Por favor, não peça desculpas por isso. Não era sua obrigação. Konoha estava em crise, havia muitas missões para poucos ninjas, você estava ocupado. Eu treinei com Tsunade-shishou e aprendi a gastar meu tempo, de uma forma que eu jamais ficasse desocupada. É isso que importa. Já chega que aqueles dois tapados se sintam culpados. Você não precisa compartilhar dos sentimentos deles. Não foi sua culpa.

- Mesmo assim. – Kakashi insistiu. – Você não precisava ter ficado sozinha.

- Muito obrigada, sensei. Mas foi bom para mim. Não posso me considerar uma ninja se não sei viver sozinha. E eu aprendi. É bom estar acostumado à solidão, você sabe.

O Hatake assentiu e fez um rápido cafuné na Haruno, bagunçando seus cabelos recém lavados.

Sakura tentou sorrir, mas não conseguiu. Sentia-se ligeiramente desconfortável perto dele, como se fosse errado para ela ficar perto dele. Por que se sentia assim agora? Sempre o considerara como uma companhia muito agradável, o que mudara?

- Sakura-chan! – ouviu a estrondosa voz de Naruto gritar, tirando-a de suas indagações. – Temos uma emergência.

Sakura suspirou. Mas já? Correu até o chalé de Naruto e se deparou com a cena mais bizarra que já havia presenciado em toda a sua vida de médica. Gai estava deitado em sua cama, completamente coberto de espinhos.

- O que aconteceu aqui? – ela perguntou, chocada.

- Ele é sonâmbulo. – Naruto respondeu. – Levantou agora de manhã. Eu, Shino e Chouji pensamos que ele já havia acordado. Depois escutamos um grito.

- O tapado, – Shino continuou – foi andando diretamente até aqueles espinhos ali fora.

Sakura olhou pela janela. Bem perto do chalé deles havia uma enorme planta espinhosa.

- Chouji, chame a Ino, por favor. – ela pediu.

Alguns segundos depois, Chuoji voltava puxando uma semi-acordada Ino pelo braço.

- O que é, testuda? – a loira reclamou, bocejando. – Eu estava dormindo.

- Preciso que você tire esses espinhos de Gai-senpai enquanto eu faço um antídoto para o veneno.

Ao ouvir as palavras espinhos e Gai, os olhos azul-pálidos de Ino se arregalaram, bem acordados, para o eterno rival de Hatake Kakashi.

- Como ele fez isso? – ela perguntou, completamente abismada.

- Longa história. Consegue fazer?

Ino assentiu e Sakura foi fazer o antídoto para o veneno da tal planta espinhosa.


- Porco-espinho! – Genma, Anko e Kakashi riram da história de Gai.

O motivo das risadas estava sentado, todo enfaixado, de braços cruzados e cara emburrada.

- Preferiria que Tsunade só tivesse escalado ninjas da nova geração. – ele reclamou.

Os outros três continuaram a rir incessantemente.

- Que culpa nós temos se você sempre faz isso? – Anko argumentou, com dificuldade de formar as palavras em meio às risadas.

- Sempre faz? – Ino perguntou com curiosidade.

- Sim. – foi Genma quem respondeu. – Nós quatro nos formamos jounins em épocas diferentes, mas geralmente pegávamos missões juntos. Gai sempre "acordava" no meio da noite e fazia umas besteiras assim.

- Ele já caiu em rios, lagos e até mares. Já foi parar em espinhos, lama, areia movediça e até mesmo ninho de cobras. – Anko completou.

Ino e Sakura riram.

- Ei! Não zoem do Gai-sensei! – Rock Lee protestou, exaltado.

- Cala a boca, Lee! – TenTen exclamou, dando um soco em seu companheiro de time.

- Mas, TenTen, não é justo! – ele choramingou.

- Na verdade, é sim. – Neji disse. – Já nos metemos em muitas confusões noturnas por causa dele.

- Aluno ingrato. – Gai murmurou.

- Que acham de fazermos uma fogueira hoje à noite? – Konohamaru sugeriu, mudando um pouco o assunto. – Vocês poderiam contar essas histórias!

Era uma ótima idéia. Além de ser uma forma de diversão, era também uma maneira deles se conhecerem melhor. A concordância foi unânime.

- Quem vai buscar a comida? – Sakura sorriu maliciosamente. – Eu não ligo de ficar sem comer por uns três dias.

Imediatamente, Chouji e Naruto se candidataram.

- Tsunade é louca. – Ino suspirou. – Precisamos de comida normal, tipo arroz e macarrão.

- Onde fica o mercado mais próximo? – Sakura perguntou.

- Suna.

Isso significava que havia um deserto inteiro separando-os de um estoque de comida decente.

- Shikamaru, quanto tempo você levava para atravessar o deserto?

- Algumas horas, mas só quando a Temari me levava – ele respondeu.

- Ah, claro. – Ino debochou acidamente. – A bela e poderosa Temari não tinha problemas com o deserto.

Shikamaru suspirou.

- Ino...

- Estou mentindo?

O Nara revirou os olhos.

- Problemática.

Sakura mirou a Yamanaka com estranheza. Seria aquele deboche ácido uma demonstração de ciúmes?

- Muito bem então. Vocês dois podem ir buscar a comida, não é? – Sakura sugeriu, num falso tom inocente.

Ino metralhou a Haruno com o olhar.

- Por quê? – ela disse num tom ameaçador.

- Bom, Shikamaru é o que melhor sabe o caminho e você é alguém com quem ele está acostumado a trabalhar. Fora que, você dois juntos com certeza escolheriam comida decente diferente daqueles dois ali que só trariam ramen e batatinhas. – e apontou para Naruto e Chouji.

Naruto e Chouji fizeram caras emburradas.

- Por mim, tudo bem. – Shikamaru deu de ombros.

- Ótimo, então! Conto com vocês para nossa festinha de hoje ter sucesso!

E foi os empurrando portão a fora, ganhando maldições murmuradas da Yamanaka e suspiros preguiçosos do Nara.


- Você vai realmente ficar sem falar comigo? – Shikamaru quebrou o silêncio, horas depois, quando já estavam dentro do maior mercado de Sunagakure.

Ino fingiu que não estava escutando, dando toda sua atenção para dois pacotes de marshmallows, comparando quantidade, preço, validades...

- Sério, Ino, chega. Toda vez que alguém fala da Temari você faz isso. Por quê?

- E por que você se importa? O problema é meu, deixe-me com ele.

- Ino!

Ela escolheu um pacote e lançou-o para o carrinho de compras que Shikamaru empurrava.

- Eu não entendo. Custava você me explicar?

- Não há nada a ser explicado, Shikamaru.

- Qual seu problema com ela?

- Não tenho problema nenhum com ela. Só a acho arrogante. Toda cheia de si dentro de uma vila que nem é dela.

- E só por causa disso você me ataca toda vez que alguém me pergunta sobre ela?

- Você é muito estúpido, incrível.

Shikamaru ficava mais confuso a cada palavra que saía da boca de Ino. Qual era o problema afinal?

- Já que ela era a única garota que poderia trabalhar com você, por que não a pediu em casamento? – Ino alfinetou.

A cada nova explicação, menos compreensão.

- Não entendo.

- Incrível. Você é um gênio, tem um QI absurdamente alto, foi o primeiro de nós a virar chuunin e não entende as coisas mais básicas da vida. Sério, você é estúpido.

- Ino, você quer que eu adivinhe coisas que se passam em sua mente! Só que eu não sou a Sakura! Não sei fazer isso.

Ino suspirou e se virou para ele, uma mágoa sem fim maculava seus olhos brilhantes.

- Vocês homens são todos iguais. Quando achamos que encontramos um diferente, descobrimos que, na verdade, ele era pior que todos os outros.

E continuou andando, rumo às prateleiras de massas, deixando Shikamaru para trás.

- Mais do que problemática. – ele murmurou, incrédulo, e correu para alcançá-la. – Queria que você me explicasse, Ino. Só isso.

- Sério que você nunca reparou?

- Reparei o quê?

- Nada não... – ela suspirou.

- Vocês mulheres são incompreensíveis.

- Não, Shikamaru, vocês homens que são incompetentes demais para nos entender, na verdade somos bem simples.

- Não são não. A única mulher simples que eu conheci na vida é a Hinata. Todas as outras são incrivelmente complexas.

- Shikamaru, é sério, não quero conversar sobre isso agora, tá? Só vai servir para me aborrecer mais, e eu pretendo estar de bom-humor na festinha hoje à noite.

- Só queria que você me explicasse o que te deixa tão chateada.

- O que me deixa chateada é que eu passei a vida inteira do seu lado e você preferiu a primeira forasteira idiota que foi indicada para trabalhar com você, só isso!

O que ela queria dizer com aquilo? Não era possível que ela tivesse ciúmes de Temari, era? Afinal, ele passara a vida toda ouvindo a loira suspirar pelo Uchiha! Não faria o menor sentido...

- Ino, você foi apaixonada pelo Sasuke sua vida toda.

- Não, Shikamaru, eu não fui. Eu gostava dele quando era criança, mas simplesmente não me agradava a idéia de entregar tudo para Sakura tão facilmente, não quando eu sempre soube que ela seria uma kunoichi bem melhor do que eu. Eu precisava ganhar em alguma coisa. Mas eu desisti da brincadeira bem antes de ele ir embora, achei que você perceberia.

Ah, claro! Óbvio que ele perceberia a coisa mais imperceptível do mundo! Mulheres, principalmente Ino, deveriam vir com um manual de instruções. Ele sempre fora apaixonado por ela, por mais que nunca tivesse demonstrado, e como ela sempre se mostrara tão louca pelo Uchiha, ele simplesmente desistira, e encontrara Temari.

- Não te entendo... – ele suspirou.

- É, você é uma ameba, já tinha reparado isso.

- Por que nunca me disse isso?

- Já disse, pensei que você perceberia. Mas você virou chuunin, e começou a ficar todo ocupado, não fazia mais missões com a gente e simplesmente se distanciou.

- Porque era mais fácil para mim. Ficar longe de você.

Aquelas simples palavras acertaram Ino em cheio, fazendo uma dor dilacerante possuí-la.

- Mas nunca foi fácil para mim. Ficar longe de você.

- E você nunca me disse isso.

- Eu pensei em contar. Mas no dia que eu te procurei, pronta para falar tudo, eu te vi com ela. E vocês não estavam em reunião de trabalho.

Shikamaru suspirou. Claro que eles não estavam em reunião de trabalho. Eram dois ninjas solitários, que não faziam nada a não ser trabalhar e queriam um pouco de companhia. O que mais poderia ter acontecido?

- Ah, Ino, o que você queria que eu fizesse? Você passou a vida inteira me ignorando e correndo atrás do Uchiha, você não podia querer que eu ficasse te esperando.

- Foi o que eu disse quando começamos essa conversa. Eu pensei que você fosse diferente, mas no final, você é igual a todos os outros.

E continuou andando, atrás de tudo que Sakura especificara que eles precisariam não só para a fogueira, mas para todos os outros dias.

- E acaba assim para você? – Shikamaru perguntou, quase que com raiva. – Só porque eu não fui capaz de perceber que você estava encenando para não perder da Sakura você vai passar a me ignorar e se irritar comigo?

- Tenho alguma outra opção?

- Tem. Você pode ficar comigo.

Ino desviou os olhos das embalagens de arroz em suas mãos e encarou o Nara, perplexa.

- Do que você está falando? Você gosta da Temari.

Shikamaru revirou os olhos. E depois ela reclamava que era ele quem não entendia nada.

- Eu nunca goste dela dessa forma, Ino. E nem ela de mim.

- E por que vocês...?

- Ino, não somos mais crianças. Sabemos que esse tipo de coisa não acontece porque estamos apaixonados por alguém. Amor é só um dos motivos.

- Sim, eu sei...

- Então, quer ou não ficar comigo?

Ino pulou para os braços deles, abraçando-o apertado. Ele retribui o abraço, envolvendo-a com seu corpo, quase fazendo-a sumir em seu aperto. Precisaram de uma discussão num mercado para poderem chegar à conclusão mais ridiculamente óbvia da vida deles. Fora preciso uma missão de guerra para que finalmente desabafassem um com o outro. Fora preciso que Sakura os obrigasse a fazer compras juntos para que algo acontecesse.

Se não fosse por tudo isso, eles ainda estariam sozinhos e melancólicos, incapazes de confessar seus sentimentos um para o outro, distanciando-se cada vez mais. Era idiotice demais para um casal só.

- Você é muito problemática. – ele sussurrou no ouvido dela.

- Não enche, vai. – ela resmungou, embora sorrisse.

Shikamaru riu.

- Nunca pensei que esse dia chegaria.

- Que dia?

- O dia que você seria minha.

Ino riu.

- Quem é você e o que fez com o Shikamaru que eu conheço?

Shikamaru deu de ombros.

- Não sei. Mas agora eu entendo porque meu pai se casou com a minha mãe.

- Entende? – Ino perguntou, surpresa. – Mas você sempre disse que jamais faria o que ele fez.

- Mas estou fazendo agora, não estou? Você é muito mais problemática que minha mãe.

- Tradição familiar. – ela disse rindo.

- Sim. Uma ótima tradição.

E a beijou, pouco se importando com o fato de que eles ainda estavam no meio do mercado.

"Amazing how life turns out

The way that it does

We end up hurting the ones

The only ones we really love"


Tradução da música: Incrível como a vida acontece, do jeito que acontece. Acabamos machucando, os únicos que realmente amamos.

Inevitable by Anberlin