Me apavorei quando eu vi que não atualizava essa história há quase dois meses! O tempo passa que eu nem percebo! Desculpem-me!

Aproveitem o capítulo!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Dearest

Capítulo XI – O que não se esperava sentir

O sentimento de angústia ainda continuava nela, mesmo depois de ter-se passado quase meia hora. Havia algo errado. Ela sabia disso, mas não sabia o que era.

- Shikamaru, posso sair um instante?

Shikamaru suspirou.

- Sakura, não podemos arriscar perder a melhor médica da vila. Você sabe disso.

Ino o beliscou, furiosa, mas ele fingiu não sentir.

- Eu realmente preciso ir, Shikamaru. Alguma coisa aconteceu. Eu sei que aconteceu. Por favor.

- Você não é assim.

- Por favor.

- Vá antes que eu mude de idéia. E se alguém perguntar, diga que você fugiu, ouviu bem?

Sakura sorriu e assentiu, saindo correndo logo em seguida. Seus pés a guiaram até a localização do time de Neji e, antes que ela desse por si, já observava a luta que se desenrolava entre os ninjas da Folha e os da Névoa.

Mas havia uma coisa errada. Havia apenas três ninjas de Konoha lutando, e o grupo deveria ter quatro integrantes.

Ela aproveitou-se do elemento surpresa e nocauteou o inimigo contra quem Hinata lutava.

- Sakura! – a Hyuuga exclamou, surpresa. – O que faz aqui?

Sakura olhou a sua volta. Apenas dois, de oito ninjas da Névoa haviam sido abatidos.

- Hinata... – a voz morria em sua garganta. – Onde está Kakashi?

A Hyuuga grunhiu.

- Perdoe-me, Sakura. Não pudemos cuidar dele, não com esse monte de ninjas da Névoa aqui e...

Sakura sentiu um nó se formando em sua garganta.

- Ele... está vivo?

Hinata fez que sim com a cabeça.

- Está "escondido" entre aquelas árvores.

Sakura correu até a direção apontada pela herdeira Hyuuga e encontrou o Hatake, respirando fracamente, entre uma pilha de folhas secas.

- Kakashi!

O ninja copiador abriu os olhos e encarou a kunoichi que chamava por seu nome.

- O que está fazendo aqui, Sakura?

As lágrimas escorreram dos olhos cor de esmeralda da Haruno quando ela viu o estado em que ele se encontrava. Sangue jorrava de uma ferida enorme logo abaixo do coração. Era um milagre que ainda estivesse respirando.

Ela concentrou todo seu chakra em suas mãos e começou o processo de reestruturação dos tecidos rompidos.

- Pare, Sakura. – ele mandou. – Você não pode gastar todas as suas forças comigo.

- Posso sim. A essa hora Shikamaru já mandou um aviso para Shizune. Ela e Ino darão conta.

- Você está sendo irresponsável.

- Não me interessa! – ela gritou, as lágrimas rolando cada vez mais por seu rosto pálido. – Não vou deixar você morrer. Não posso deixar você morrer.

Kakashi tentou se mover, mas ela o impediu.

- Apenas fique quieto e me deixe te curar.

- Eu não quero.

- Não foi um pedido, Kakashi! Que droga, me deixe cuidar de você!

Ele a desobedeceu e se sentou, olhando-a fixamente.

- Não vou deixá-la gastar todo seu chakra comigo. Não quando eu sei que os outros também vão precisar dele. Meu tempo há muito já havia se esgotado. Posso morrer em paz aqui.

- Não fale esse tipo de atrocidade! Você não pode morrer, Kakashi, não pode...

Com esforço, Kakashi passou seus dedos pelo rosto dela, tentando limpar as lágrimas.

- Apenas deixe-me morrer.

Ela balançou a cabeça negativamente.

- Se não quer viver por você, tudo bem. Fique vivo por mim então. Por favor.

Kakashi ergueu uma sobrancelha.

- Não entendo.

- Eu te amo! Será que isso é tão difícil de entender?!


- Por que mandou me chamar, Shikamaru? – Shizune perguntou assim que chegou ao lugar onde o Nara e a Yamanaka estavam escondidos.

- Porque a Sakura não vai voltar.

- Como assim não vai voltar? Onde ela está? O que aconteceu com ela? Não me diga que ela...

- Não. Não é nada disso. Ela saiu daqui desesperada um tempo atrás. Do jeito que ela é... Não sei. Suspeito que Kakashi tenha se ferido. E para ele precisar de ajuda, deve ser algo muito grave mesmo. Logo, quando ela salvá-lo, não terá energia para mais nada.

- E como ela sabia que ele estava ferido? – Shizune perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Shikamaru deu de ombros.

- Não faço. Vocês mulheres são bizarras com essa coisa de "pressentimento".

As duas kunoichis olharam feio para ele.

- Não me olhem assim. Vocês sabem que não estou mentindo. Não tentem me fazer passar como o homem mais sem noção do mundo.

Ambas riram.

- Tudo bem, Shika. – Ino declarou. – Deixaremos essa passar, está bem? Não se acostume.


De tudo que ele esperava ouvir naquele momento, um "eu te amo" não fazia parte nem do último tópico da lista. Aliás, depois da morte de Rin, ele não esperava ouvir tais palavras.

E o que o assustava ainda mais era que ele não esperava sentir o mesmo. Ele não esperava que fosse amar outra pessoa. Não depois de Rin. Não, não mesmo.

E lá estava ele, quase morrendo, perdendo litros de sangue, e sentindo aquele amor todo que descobriu residir dentro dele.

Totalmente incoerente.

Sakura, por sua vez, enxugara as lágrimas de seu rosto e continuara o processo de cura.

Pouco lhe importava quanto chakra ela gastaria naquela cirurgia emergencial. Pouco lhe importava que ela fosse ficar desacordada dias e mais dias quando o salvasse. Nada daquilo lhe importava. Ela só tinha uma coisa em mente.

Precisava manter Kakashi vivo.

Não o deixaria morrer, de jeito nenhum. Salvaria-o mesmo que morresse tentando. Não estava disposta a perdê-lo.

Depois que Sasuke partira, ela estava convicta de que nunca seria capaz de amar mais ninguém. Estava convicta de que nada, nem ninguém, poderia apagar aquele sentimento gigantesco de dentro de si.

E ali estava ela, sentindo a insignificância do amor que ela sentira antes pelo Uchiha. E amando outro homem. Amando muito mais do que já amara.

Simplesmente não podia vê-lo morrer. Ela morreria junto.

- Sakura... – o Hatake murmurou.

- Fique quieto, por favor. Se você perder mais sangue eu posso não conseguir. Por favor.

Ele, então, resolveu atender ao pedido desesperado da Haruno. Teria mais tempo depois. Quando estivesse atado a uma cama de hospital, como ele sabia que a Hokage o manteria.

Ele podia esperar.


- Como assim? São quarenta ninjas? Não vamos conseguir impedi-los de chegar à Konoha! – Anko gritou, assim que ouviu o que Rock Lee dissera.

- Vamos nos concentrar na linha do meio. Eles já estão atacando o grupo de Neji. Kakashi está morrendo.

- Como assim morrendo?! – Genma exclamou. Não conseguia conceber a idéia de que seu melhor amigo podia não sobreviver àquela batalha.

- Parece que Sakura está cuidando dele.

Anko sorriu. Sabia que a Haruno não mediria esforços para salvá-lo.

- Está em boas mãos. – ela disse.

- Devemos nos apressar. – Konohamaru alertou. – Não temos mais tanto tempo. Se conseguirmos reduzi-los à metade, os ninjas da Vila com certeza irão abatê-los.

Todos assentiram e eles partiram, correndo.


Sakura começava a sentir as forças se esvaindo de seu corpo, mas também sentia-a que Kakashi parecia melhor a cada minuto. Só mais um pouco e ela sabia que ele estaria curado.

Claro, teria de ficar um bom tempo no hospital, sendo supervisionado vinte e quatro horas por dia, para garantir que a ferida enorme não voltaria a se abrir, causando nova hemorragia.

Mas, ele viveria. E era só isso que importava.

- Sakura! – ela ouviu Ino chamar. – Você está muito pálida. Deixe-me te ajudar.

- Não. – a kunoichi de cabelos róseos impediu a amiga. – Seu chakra precisa estar inteiro para que você possa ajudar os outros. Eu consigo terminar isso aqui sozinha. – ela respirou fundo e continuou: – Ino, chame Anko, por favor.

A Yamanaka obedeceu e, poucos segundos depois, a kunoichi solicitada estava ao lado da Haruno.

- Fale, Sakura. O que posso fazer por você?

Sakura sorriu de leve.

- Anko, assim que eu acabar eu vou desmaiar. Eu preciso que você o leve para o hospital e o deixe sob os cuidados de Tsunade. Pode fazer isso por mim?

- Claro que posso. E vou te levar junto.

- Não se preocupe comigo. Preocupe-se com ele.

Anko balançou a cabeça.

- Não é por você que eu farei isso, Sakura. Se ele acordar e ouvir que eu te larguei aqui sozinha e desacordada, ele me matará, tenho certeza.

Sakura riu.

- Tudo bem. Faça o que quiser, desde que ele esteja em segurança. Serei eternamente grata a você, Anko.

- Fique tranqüila, Sakura.

Sakura assentiu e voltou a se concentrar na cirurgia. Só mais um pouco.

- Obrigada, Anko.

E, dito isso, caiu desmaiada na bela grama verde da floresta.

"How could you cry for me?

'Cause I don't feel bad about it

So shut your eyes, kiss me goodbye

And sleep, just sleep

The hardest part is letting go of your dreams."


Tradução da Música: Como você pode chorar por mim? Porque eu não me sinto mal por isso. Então, feche os olhos, me dê um beijo de despedida e durma. Apenas durma. A pior parte é ter que desistir de seus sonhos.

Sleep by My Chemical Romance