Oi pessoal! Desulpem-me por mais essa demora ridiculamente grande. Podem me matar, eu mereço. Junto com esse último capítulo de Dearest, postarei também o primeiro capítulo de uma nova fic. Essa nova fic será sobre o período que o Time 7 passou em Suna, em sua "reabilitação". Espero vocês por lá também!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!


Dearest

Capítulo XII – Despertar

Kakashi acordou com o sol entrando por sua janela. Tinha plena consciência de que estava em um dos leitos do hospital da vila, não apenas por causa dos aparelhos que estavam conectados a ele, mas também por causa da nítida lembrança de Sakura pedindo a Anko que o levasse até lá.

- Bom dia, Hatake-san. – uma enfermeira desejou.

- Bom dia. Sabe me dizer a quanto tempo estou aqui?

A enfermeira conferiu na prancheta que estava em suas mãos.

- Seis dias.

Kakashi suspirou. Sabia que não gostaria realmente de saber.

- E Sakura?

A enfermeira hesitou.

- Acho melhor perguntar isso a Tsunade-sama, Hatake-san. Não tenho autorização para tanto.

Ele assentiu, apavorado. O que de tão grave poderia ter acontecido com a Haruno? Num impulso, se levantou, sob os protestos desesperados da enfermeira, que temia ser demitida, já que se comprometera a não deixá-lo fazer exatamente aquilo.

Kakashi andou até o escritório da hokage.

- Preciso saber, Tsunade-sama. O que aconteceu depois que fui ferido?

Tsunade suspirou. Sabia que não podia ter deixado uma enfermeira inexperiente cuidando dele.

- Os ninjas da Névoa tentaram invadir Konoha, mas não foi muito difícil lidar com eles. Um rápido conselho foi convocado e um novo mizukage foi escolhido para substituir o anterior.

- E Sakura?

Tsunade suspirou mais uma vez. Agora vinha a pior parte.

- Não quero, nem vou, mentir, Kakashi... – ela começou, ele engoliu em seco. – Ela gastou todo seu chakra curando você. Não sobrou nem uma fagulha. Não sofreu nenhuma lesão física, mas sua exaustão era tal que ela desmaiou. E desde então está em coma.

Kakashi estava em estado de choque.

- Eu sei, Kakashi, eu sei. Ela está dormindo. Recuperando as forças. Mas não está pronta para acordar. Não ainda.

- E... – ele tremeu. – Quando ela estará?

Tsunade deu de ombros.

- Sinceramente, não sei. Ela pode tanto acordar amanhã, quanto daqui a alguns meses. Não posso afirmar.

Kakashi se jogou na cadeira mais próxima e escondeu o rosto entre as mãos. Era culpa dele. Era tudo culpa dele. Ela gastara todo seu chakra por culpa dele. Se não fosse por ele, ela agora estaria andando, apressada, por entre os corredores do hospital, ocupada em realizar suas tarefas.

E agora? O que faria sem ela?

- Posso vê-la?

A hokage fez que sim com a cabeça e o acompanhou até o quarto onde a kunoichi descansava.

- Não se desespere, Kakashi. – ela disse antes de deixá-lo. – Ela vai acordar. E a teimosia dela não é sua culpa.

Ele agradeceu com um rápido aceno de cabeça. Ela poderia dizer o que quisesse. Ele não estaria em paz consigo mesmo até que Sakura acordasse.

Abriu a porta do quarto e entrou vagarosamente.

Ela estava deitada. O aparelho respiratório e o marcador de batimentos cardíacos estavam conectados a ela. Seu rosto era tranqüilo. Estava realmente apenas dormindo.

- Kakashi. – ele ouviu uma voz o chamar.

- Naruto.

O loiro estava com olheiras fundas e olhos vermelhos.

- Que bom que você acordou. Estávamos preocupados que você pudesse ficar como ela...

Kakashi suspirou.

- Você tem ficado sempre com ela?

O Uzumaki assentiu.

- Desde que cheguei aqui. Não consigo dormir. Quero estar acordado quando ela também o fizer.

- Naruto, você precisa descansar. E Hinata, o que acha disso tudo?

- Ela é muito compreensiva. De vez em quando vem me ver, mas evita vir porque fica muito preocupada comigo. Diz que eu deveria voltar para casa.

- Ela tem razão.

Naruto abaixou a cabeça.

- Não posso, não consigo deixá-la sozinha, Kakashi. Não posso fazer isso com ela. Já a abandonei tempo o suficiente.

- Ela não vai considerar isso um abandono, Naruto. Ela vai é ficar furiosa se acordar e te vir dessa maneira.

Naruto soltou uma risada tensa.

- E Sasuke?

- Ele não consegue vê-la. Fica... transtornado demais.

Kakashi grunhiu. Transtornado... ele era um folgado, isso sim. Depois de tudo que a fez passar, ainda tinha a ousadia de fazer isso.

- Não o culpe, Kakashi. – disse Naruto, adivinhando os sentimentos do Hatake. – Ele realmente não consegue. Você o conhece, sabe como ele é. Está realmente mal com tudo isso. E acho que...

- ... que ele me culpa pelo estado dela.

- Sinto muito. – Naruto disse, assentindo.

- Não o culpo por isso. Esses também são os meus sentimentos.

Naruto balançou a cabeça.

- Ela é teimosa. Foi sua decisão fazer o que fez e nada a teria detido, você sabe. Não se culpe. Ninguém tem culpa. Ela tomou uma decisão, e essa decisão só cabia a ela mesma, só incluía a si mesma.

Era estranho para Kakashi ouvi-lo falando aquelas coisas. Estava acostumado com o Naruto bobo e infantil, que não sabia nada do mundo. Mas ele estava diferente. Quase pronto para ser hokage.

- Vá para casa descansar. Eu cuido dela daqui para frente.

Naruto olhou receoso para a adormecida Sakura, depois mirou Kakashi.

- Tudo bem. Me avise assim que ela acordar, ouviu?

Kakashi assentiu e Naruto se foi.


Assim, algumas semanas se passaram.

Kakashi permaneceu ao lado de Sakura durante todo o tempo. Tinha a visita freqüente de Naruto e Hinata; os raros olhares enviesados de Sasuke; os cuidados de Tsunade; a amizade de tantos ninjas da Vila da Folha.

Mas em momento algum a kunoichi deu sinais de que iria acordar.

Até que, um dia, algo inusitado aconteceu.

Kakashi estava em seu apartamento. Deixara Naruto em seu lugar no hospital e fora para casa para tomar banho e organizar algumas coisas. Entretanto, antes que pudesse terminar suas tarefas, ouviu batidas firmes na porta e a voz de Hinata lhe chamar.

- Algum problema, Hinata? – ele perguntou, preocupado.

A Hyuuga estava ofegante e suada. Havia corrido do hospital até ali.

- Sakura. O coração dela, de repente, parou de bater. Os médicos estão tentando reanimá-lo.

Kakashi sentiu a cor de seu rosto se esvaindo e uma sensação terrível se apoderar de seu estômago.

Jamais pensou que fosse perdê-la. Sempre tivera certeza de que ela acordaria. Ele não sabia quando, mas não se importava de esperar. Esperaria o tempo que fosse para tê-la em seus braços de novo.

Mas ela estava morrendo.

Sem dizer uma palavra a Hinata, ele saiu correndo a toda velocidade, sem nem se preocupar em olhar por onde ia. Seus pés já conheciam o caminho.

"Não posso deixá-la morrer."

Era o único pensamento que ocupava sua mente, mas como poderia ajudá-la a sobreviver? Ele não era médico. Nunca, em sua vida, usara um ninjutsu medicinal. Nunca usara seu sharingan para copiar um. O que estaria a seu alcance?

Não sabia a resposta para aquela pergunta, mas também não se permitiria não estar lá quando ela mais precisava dele. Ela não o deixara morrer.

Subiu as escadas do hospital sem nem percebê-lo. Abriu a porta do quarto dela sem nem mesmo perceber que seu cérebro havia enviado tal comando para suas mãos.

- Onde ela está? – ele perguntou a Naruto, desesperado por ela não estar mais ali, onde estivera por todo aquele tempo.

Naruto o mirou, os olhos azuis marejados de lágrimas que escorriam livremente por seu rosto.

Kakashi não pôde deixar de notar o quão estranhas àquele rosto eram aquelas lágrimas que agora escorriam por ele. Aquele era um rosto feito para abrigar sorrisos largos e felizes, não lágrimas.

- Os médicos a levaram a sala de atendimentos emergenciais. Kakashi, ela pode morrer.

Kakashi tremeu. Ouvir aquela afirmação da boca do Uzumaki era muito mais doloroso do que ouvi-la em seus pensamentos.

Ele saiu do quarto e foi atrás de Shizune.

- Kakashi-san, Tsunade está com ela. Vai dar tudo certo.

- Shizune, por favor. Deixe-me entrar lá.

- Você sabe muito bem que não permitimos acompanhantes em procedimentos delicados.

- Por favor. Você sabe o quanto eu odeio hospitais e salas de cirurgia. É a primeira e última vez que te peço isso, Shizune. Por favor.

A kunoichi praguejou algo como "não deixá-lo assistir ao parto de seus filhos" e o acompanhou até uma sala onde o equipou com os trajes requeridos em operações, luvas, touca de cabelos, entre outros acessórios.

Foi um choque para Tsunade vê-lo entrando pela sala.

- Quem te deixou entrar? – ela perguntou, furiosa.

- Não posso ceder essa informação.

Tsunade bufou. Óbvio que fora Shizune e seu coração de manteiga.

- Estamos tentando restabelecer sua respiração e batimentos cardíacos.

Kakashi assentiu e se aproximou.

- Ela vai sobreviver, Kakashi.

Ele se aproximou ainda mais e tomou a mão de Sakura entre as suas. Sem perceber, uma lágrima escorreu de seu olho sem sharingan e caiu na mão da Haruno. Um grunhido saiu da garganta dela.

Tsunade parou, atônita. Era a maior interação que saíra dela desde que dormira.

- Kakashi, acho bom que nos ajude a acordá-la.

Ele a encarou, sem entender.

A Godaime bufou.

- Empreste-me seu chakra.

Kakashi assim o fez, e a hokage usou-o para retomar a tarefa que antes realizava com seu próprio chakra.

Foi assim que, alguns minutos depois, Kakashi relembrou o exato tom de esmeralda dos olhos de sua amada.


- Sakura!! – Naruto gritou e foi abraçar sua melhor amiga. – Estávamos tão preocupados com você. – as lágrimas escorriam, livres, por seu rosto.

- Perdão, Naruto. – ela se desculpou. – Nunca imaginei que isso poderia acontecer.

- Não importa! Você voltou!

Sakura sorriu e abraçou-o ainda mais forte.

- Está tudo bem. – e enxugou as lágrimas que escorriam dos orbes safira de seu querido melhor amigo.

Naruto riu. E riu. E riu.

Sakura se virou para Kakashi.

- Obrigada.

Ele calou-a.

- Não ouse me agradecer. Sou eu quem está em dívida eterna com você.

Ela sorriu.

- Pode me levar para casa? Estou com muita fome.

Kakashi sorriu e a conduziu para fora do hospital e depois pelas ruas de Konoha.

- Esse não é o caminho da minha casa. – ela parou.

- Eu sei.

Ela lançou-lhe um olhar confuso.

- Acha mesmo que vou te deixar sozinha depois disso tudo?

Ela continuava confusa.

- Nada disso, você vai ficar comigo.

- Kakashi, é muito gentil de sua parte, mas-

Ele calou-a com um beijo.

- Sakura, eu te amo.

Ela estava abobada com aquela declaração.

- Eu... eu... – ela não sabia o que dizer.

- Não precisa dizer nada. Quer dizer, precisa apenas responder uma coisa. Quer ou não morar comigo?

- Claro que eu quero! – ela respondeu e se agarrou ao pescoço do homem de sua vida.

"Call this a prelude

Of a lifetime of you"


Tradução da música: Chame isso de prefácio, de uma vida inteira de você.

Dismantle Repair by Anberlin