Capítulo 4: O Novo Romance do Leandro
No dia seguinte, na mansão dos Noronha, a Natalina resolveu voltar para a mansão, acompanhada do seu cão Fifiu e do seu mordomo Alfredo.
Natalina: Tenho o direito de ficar aqui em casa! - disse ela, entrando na sala de jantar. A Estrelícia, o Leandro e o Miguel ficaram a olhar para ela.
Leandro: Está bem. Fique, se é isso que quer.
Natalina: Óptimo. Dulcie! Venha cá, sua empregadeta! - gritou ela e a Dulcie apareceu logo a seguir.
Dulcie: Sim, o que deseja?
Natalina: Leve as minhas malas para o quarto. - ordenou ela. - Ah e leve o Alfredo para a cozinha.
Dulcie: Huh... porque é que ele não vai sozinho?
Natalina: Você não sabe que ele é lento? Bom, posso tentar mandá-lo para lá. - disse ela. - Alfredo, vá para a cozinha.
Alfredo: Sim mademoiselle.
O Alfredo andou para a frente, bateu na mesa e caiu no chão. Todos se levantaram para ver se ele estava bem.
Natalina: Eu não disse?
Estrelícia: Coitado. - disse ela, ajudando o Alfredo a levantar-se.
A Dulcie levou o Alfredo até à cozinha e foi levar as malas da Natalina para o quarto, enquanto a Natalina se sentava à mesa.
Natalina: Então ó freira, diga lá, já fez alguma coisa de jeito na fábrica?
Estrelícia: Estou a trabalhar nisso.
Natalina: Eu quero resultados! Você já está há alguns dias na fábrica, por isso quero ver que perfume é que você faz. - disse ela. - Ou então, se calhar, você não presta para nada.
Leandro: Não diga isso Natalina. A Irmã Marina dos Santos é muito boa! - disse ele e todos olharam para ele com atenção. Ele corou. - Quer dizer, ela é boa no que faz!
Estrelícia: Pois, vou mostrar do que sou capaz!
Leandro: Bom, vamos Irmã. A minha noiva disse que hoje iria à fábrica de manhã.
Miguel: A Aki vai à fábrica? Ah... eu vou com vocês!
Leandro: Porquê? Não tens nada a ver com a fábrica. Nem tens nada que fazer lá. – disse ele, de sobrolho franzido.
Miguel: P-pois, mas quero começar a saber mais sobre como tudo funciona. - mentiu ele, porque na realidade queria era encontrar a Aki.
Natalina: Acho bem que comece a ficar mais responsável, Miguel. - disse ela, abanando a cabeça. - Oh, onde está o Fifiu?
Estrelícia: O seu cão foi para a sala.
Natalina: O Fifiu não é um cão. É... melhor que uma pessoa, fique você sabendo!
Leandro: Bom, está na hora de irmos embora.
O Leandro, a Estrelícia e o Miguel levantaram-se e foram para a fábrica. Quando lá chegaram, a Estrelícia foi para o seu laboratório e o Miguel e o Leandro foram para o gabinete do Leandro. Quando lá chegaram, a Aki já lá estava.
Aki: Bom dia.
Leandro: Olá Aki.
Miguel: Bom dia para ti Aki. - disse ele, sorrindo.
Aki: Bom, eu vim cá porque decidi que quero estar mais presente nos teus negócios Leandro. Afinal, quando casarmos isto também vai ser meu. As minhas peixarias estão bem encaminhadas, por isso, eu gostava que me arranjasses um cargo dentro da fábrica. - disse ela. - O que achas?
Leandro: Não é má ideia, mas não sei que cargo poderias ocupar.
Miguel: Bem, o Pedroso, o teu amigo maluco, despediu-se na semana passada porque apanhou uma alergia aos perfumes. A Aki podia tomar o lugar dele e ser a directora comercial.
Leandro: Bom... sim, mas a Aki não tem experiência nisso.
Aki: Não te preocupes que eu aprendo. – disse ela.
Leandro: Ok. Então começas depois de amanhã.
Enquanto isso, a polícia continuava à procura da Estrelícia, mas sem sucesso. Para além disso, a verdadeira Irmã Marina dos Santos continuava em coma.
No dia seguinte...
Dulcie: Ó Alfredo, ajude-me a levar o pequeno-almoço. - disse ela, que estava a pegar num tabuleiro.
O Alfredo pegou num tabuleiro, deu dois passos, tropeçou nos próprios pés e caiu no chão. O tabuleiro caiu também no chão e a comida caiu para todo o lado. O Clóvis que estava ali perto, começou a rir-se.
Dulcie: Ó homem, você é parvo ou quê?
Alfredo: Não. Eu sou Alfredo.
Dulcie: ¬¬ Vá, limpe isto tudo. Eu vou levar o pequeno-almoço aos patrões.
O Alfredo ficou a limpar tudo. Na sala de jantar, a Dulcie pôs tudo na mesa. A Natalina apareceu logo a seguir.
Natalina: Ah, sirva-me o pequeno-almoço. – ordenou ela, sentando-se. - E onde está o Alfredo?
Dulcie: Está na cozinha. Deixou cair um tabuleiro.
Natalina: O velho está mesmo taralhouco...
Nesse momento, o Leandro ia a descer as escadas e a Estrelícia ia atrás dele. Só que ela tropeçou, caiu em cima do Leandro e os dois caíram pelas escadas abaixo. Ficaram um em cima do outro. O Leandro corou imenso.
Estrelícia: Peço desculpa.
Leandro: Não se preocupe. Foi um acidente.
Nesse momento, apareceu a Natalina vinda da sala de jantar e viu aquela cena.
Natalina: O que se passa aqui?
A Estrelícia e o Leandro afastaram-se rapidamente.
Natalina: Vocês estavam aí um em cima do outro!
Estrelícia: Foi um acidente. Caímos pela escada abaixo.
Natalina: Foi mas é uma pouca-vergonha! Eu vi tudo muito bem! Vocês andam é enrolados um com o outro!
Leandro: Tia, está enganada! – disse ele, tentando defender-se.
Natalina: Leandro, estás a trair a Aki! Quer dizer, pouco me importa, porque nem gosto dela, mas ainda gosto menos se te estás a meter com uma freira!
Leandro: Tia, está a confundir tudo!
Natalina: E você, sua freira maluca, não sabe que não pode envolver-se com homens? Ainda por cima, com o meu sobrinho.
Estrelícia: Já disse que foi um acidente. – disse ela, aborrecida com a situação.
Natalina: Hunf, desta vez vou acreditar nisso, mas fico de olho em vocês!
Ela virou costas e saiu dali.
Leandro: Peço desculpa Irmã. A minha tia é muito precipitada.
Estrelícia: Ah... não faz mal.
Passaram-se várias horas. À noite, a Natalina lançou uns olhares suspeitos à Estrelícia e ao Leandro. Depois, cada um foi para o seu quarto.
Enquanto se preparava para dormir, o Leandro lembrou-se que ainda não tinha falado com a Estrelícia sobre o facto da Aki ir trabalhar na fábrica no dia seguinte. Assim, o Leandro saiu do seu quarto e abriu a porta do quarto da Estrelícia. Mas não bateu à porta e apanhou a Estrelícia quase nua, a vestir a camisa de dormir.
Estrelícia: Ah! O que faz aqui?
Leandro: P-peço desculpa. - disse ele, muito corado. - Devia ter batido à porta.
Estrelícia: Pois devia. - disse ela, cobrindo-se com a camisa de dormir.
Leandro: E-eu queria avisá-la de que amanhã... a Aki vai começar a trabalhar na fábrica.
Estrelícia: Está bem, mas não podia ter esperado por amanhã para me dizer isso?
Leandro: A-achei que era importante saber. - disse ele, atrapalhado.
A Estrelícia e o Leandro encararam-se. No momento seguinte, o Leandro deu dois passos em frente e beijou a Estrelícia. Depois, afastou-se e saiu do quarto a correr.
Estrelícia: Huh? Ele beijou-me? Mas que raio se passa aqui? - perguntou ela, confusa.
O Leandro voltou para o seu quarto. Estava super vermelho.
Leandro (pensando): Oh não... o que é que eu fui fazer? Beijei uma freira! E ainda por cima, estou noivo da Aki!
No dia seguinte, o Leandro desceu cedo para o pequeno-almoço, comeu tudo à pressa e saiu para a fábrica antes da Estrelícia ter descido. Pouco depois, a Estrelícia, a Natalina e o Miguel sentaram-se à mesa.
Natalina: Dulcie, onde está o Leandro?
Dulcie: Já tomou o pequeno-almoço e já saiu.
Natalina: Hum, está muito madrugador. - disse ela, pensativa.
Dulcie: Menino Miguel, quer mais café? - perguntou ela, atenciosamente.
Miguel: Não, obrigado.
Natalina: Vá, regresse à cozinha. Chamamo-la quando precisarmos de si.
A Dulcie regressou à cozinha.
Dulcie: Bolas! Assim nunca vou conquistar o Miguel!
Clóvis: O que se passou?
Dulcie: Não me consigo aproximar do Miguel! – gritou ela, zangada.
Alfredo: Tem algum problema nas pernas? Eu tenho uma dor aqui numa perna que me dói imenso...
Dulcie: Cale-se, velho gagá! - disse ela, zangada.
A Natalina terminou de tomar o pequeno-almoço e levantou-se.
Natalina: Bom, vou sair. Tenho de ir ao cabeleireiro. - disse ela. - Dulcie!
A Dulcie apareceu a correr.
Natalina: Vá chamar o Clóvis. Preciso que ele me leve ao cabeleireiro.
Pouco depois, a Natalina saiu com o Clóvis. O Miguel olhou para a Estrelícia.
Miguel: Está muito calada, Irmã.
Estrelícia: Ah, não é nada.
Miguel: Sabe, parece que me está a esconder alguma coisa.
Estrelícia: N-não.
Miguel: Hum... o Leandro saiu daqui cedo, você está estranha... passou-se alguma coisa entre vocês os dois?
Estrelícia: Bom... vou contar a verdade... o teu irmão beijou-me!
Miguel: O quê? Não pode ser... ele gosta da Aki! E você é uma freira! – disse ele, confuso.
Estrelícia: O que sei é que ele me beijou e pronto.
Miguel: Vou já esclarecer tudo com ele! - disse o Miguel, levantando-se. - A Aki não merece que lhe façam isto!
O Miguel foi para a fábrica e a Estrelícia colou-se a ele. Chegados à fábrica, eles foram até ao gabinete do Leandro. Ele estava lá e a Aki também.
Miguel: Ah, olá Aki.
Aki: Olá Miguel. Olá Irmã Marina dos Santos. – cumprimentou-os ela, sorrindo.
Miguel: Eu precisava de falar com o Leandro... hum... a sós.
Leandro: Ora, eu não tenho segredos para a Aki. Podes falar. - disse ele, não pensando que o Miguel soubesse o que se tinha passado na noite anterior.
Miguel: Ai é? Pois a Irmã Marina dos Santos contou-me que a beijaste!
Aki: O quê? Leandro, isso é verdade?
O Leandro foi apanhado de surpresa.
Leandro: B-bem... quer dizer...
Aki: Não posso acreditar! -gritou ela, com lágrimas nos olhos. - Traíste-me!
Leandro: Aki, foi só um beijo!
A Aki saiu dali a chorar.
Miguel: Como pudeste fazer isso?
Leandro: E tu? Como pudeste contar isto em frente à Aki? – perguntou ele, zangado.
Miguel: Tu é que disseste que não tinhas segredos para ela.
Estrelícia: Tenham calma. – pediu ela.
Miguel: Eu vou atrás da Aki.
O Miguel saiu do gabinete. O Leandro olhou para a Estrelícia.
Leandro: Porque é que foi contar ao Miguel sobre o que aconteceu?
Estrelícia: Ele percebeu que se passava algo.
Leandro: Não lhe devia ter contado! – afirmou ele, zangado com a situação que se tinha gerado.
Estrelícia: E você não me devia ter beijado!
O Leandro ficou muito corado.
Leandro: Peço desculpa...
Estrelícia: Pois, pedir desculpas é fácil. E agora, o que vai fazer em relação à Aki?
Leandro: Não sei o que vou fazer... a Aki é minha noiva!
Estrelícia: Então, porque é que me beijou?
Leandro: Eu... não sei... senti-me atraído por si.
Estrelícia: E já não sente?
O Leandro ficou bastante corado.
Estrelícia: Leandro, vamos ser francos. Eu… acho que estou apaixonada por si!
O Leandro abriu a boca de espanto.
Leandro: Mas... você é uma freira!
Estrelícia: Sou uma noviça. Posso largar o hábito. Por si, desisto da vida religiosa, Leandro.
O Leandro ficou a olhar para ela, ainda espantado. Nesse momento, ela aproximou-se dele e beijou-o.
Lá em baixo, já saindo da fábrica a Aki ia para entrar no carro, mas o Miguel chegou perto dela.
Miguel: Espera Aki!
Aki: Quero estar sozinha, Miguel. - disse ela, abrindo a porta do carro.
Miguel: Sei que estás magoada, mas se quiseres desabafar...
Aki: Não. Quero estar sozinha, para pensar.
Miguel: O Leandro fez muito mal! Eu nunca faria isso contigo.
Aki: O que queres dizer com isso?
Miguel: Aki, ainda não percebeste que eu estou apaixonado por ti?
A Aki, já dentro do carro, abriu os olhos de espanto.
Aki: Miguel...
Miguel: Gosto de ti desde o primeiro dia em que te vi. – declarou ele.
Aki: Miguel, agora não quero falar disso. - disse ela e pôs o carro a trabalhar. - Adeus.
E foi-se embora.
Algum tempo depois, na mansão dos Noronha...
A Natalina estava a ler uma revista quando o Alfredo lhe veio trazer um chá.
Alfredo: Aqui tem mademoiselle. - disse ele, estendendo-lhe a chávena.
A Natalina começou a beber o chá, mas ficou super vermelha e cuspiu o chá em cima do Alfredo.
Natalina: Isto não é chá! Deve ser água para lavar a loiça!
Alfredo: Bom, como a Dulcie estava a lavar a loiça com água quente, pensei que não valia a pena gastar-se mais água e usei a água de lavar a loiça para fazer o chá.
Natalina: ¬¬ Oh meu Deus! Você é retardado!
Alfredo: Não, mademoiselle, sou Alfredo.
Natalina: ¬¬X Fora daqui!
O Alfredo saiu dali rapidamente, apesar de ter tropeçado e quase caído no chão. Nesse momento, o Miguel entrou em casa, tristonho.
Natalina: O que se passa? Tem uma cara infeliz. Morreu alguém?
Miguel: Não. – respondeu ele, mecanicamente.
Natalina: Então, o que se passou?
Miguel: O Leandro e a Aki... parece que acabaram tudo... e não quero falar mais disso.
Ele subiu as escadas rapidamente.
Natalina: Mas que maravilha! Já não vou ter de aturar a psicótica das peixarias! – disse ela, pondo-se a dançar, feliz.
Logo a seguir, a porta da rua abriu-se e entraram o Leandro e a Estrelícia.
Natalina: Leandro, já soube da novidade! – disse ela, toda feliz.
Leandro: Que novidade?
Natalina: Ora, do seu problema com a Aki e de terem acabado tudo. Que bom!
Leandro: As notícias correm depressa. – disse ele, aborrecido.
Natalina: Ai, eu estou super contente. Dulcie, venha cá!
A Dulcie apareceu logo a seguir.
Dulcie: Sim dona Natalina.
Natalina: Traga champanhe para comemorar!
Leandro: A tia ainda não sabe de tudo.
Natalina: Ai não? Ainda há mais coisas boas para acontecer? Ah, não me diga que a freira se vai finalmente embora! Ela não tem feito nada de jeito.
Leandro: Pois, mas agora eu e a Estrelícia estamos a namorar. – anunciou ele.
Natalina: O quê?!
Dulcie: Então, trago o champanhe?
Natalina: Não! Fora daqui Dulcie!
A Dulcie saiu dali a correr.
Natalina: Não podes namorar com uma freira!
Estrelícia: Sou noviça. Não fiz os votos ainda.
Natalina: Então faça e desapareça daqui!
Leandro: Nós gostamos um do outro e vamos ficar juntos!
Natalina: Não pode ser! Esta freira ainda é pior que a Aki. Ao menos ela tem dinheiro, mas esta é uma pobretanas! Está a aproximar-se de ti por causa do dinheiro!
Leandro: Não quero ouvir mais nada! - gritou ele, zangado.
O Leandro e a Estrelícia foram até à biblioteca.
Natalina: Não pode ser... não vou deixar as coisas ficarem assim! Ainda por cima, saíram da fábrica ainda o dia não vai a meio! Ela já está a virar a cabeça do meu sobrinho do avesso!
A Estrelícia é agora a nova namorada do Leandro, mas a Aki não vai deixar as coisas assim e a Natalina também não. Será que este novo romance irá durar muito tempo? Não percam os próximos capítulos!
