Capítulo 5: A Nova Empregada

A Natalina correu até ao seu quarto e pegou no telefone. Telefonou à Aki.

Natalina: Então, já soube do que o Leandro fez.

Aki: E está feliz por se livrar de mim, é?

Natalina: Olhe lá, vocês acabaram tudo?

Aki: Não, pelo menos... ainda não.

Natalina: Ah. Então tenho a dizer-lhe que o Leandro apareceu aqui em casa com a freira e disse que eles estão a namorar!

Aki: O quê? Não pode ser! - disse ela, boquiaberta.

Natalina: É verdade. Aquela freira deu-lhe a volta à cabeça.

Aki: E está a ligar-me para me fazer sentir ainda pior, não é?

Natalina: Não. Acho que temos de nos unir! Eu não gosto de si, mas gosto ainda menos da estúpida da freira. Temos de nos unir para nos livrarmos dela!

Aki: Não sei se quero isso.

Natalina: Você é que sabe. Mas assim, vai perder o Leandro de vez.

A Aki desligou o telefone.

Natalina: Ora, que mal-educada, desligou-me o telefone na cara!

A Natalina saiu do quarto e desceu as escadas. A Estrelícia e o Leandro vinham a sair da biblioteca.

Natalina: Então, quer dizer, hoje já não trabalham mais?

Estrelícia: Para comemorar o início do namoro, tirámos o dia de folga.

Leandro: Vamos sair. Voltamos tarde. Adeus.

E foram-se embora.

Natalina: Mas está tudo louco?! Dulcie, venha cá!

Mas em vez da Dulcie, apareceu o Clóvis.

Natalina: Eu não o chamei a si.

Clóvis: A Dulcie está a fazer um curativo no Alfredo, que foi contra a janela da cozinha. – explicou ele.

Natalina: ¬¬ O Alfredo é mesmo estúpido...

Clóvis: O que é que queria, minha senhora?

Natalina: Bom... basicamente queria gritar com alguém!

Clóvis: Pode gritar comigo, se quiser. - disse ele, aproximando-se dela.

Natalina: Está-se a aproximar de mim para quê?

Clóvis: É que... dona Natalina, eu não lhe consigo resistir!

Natalina: O que é que você quer dizer com isso?

Clóvis: Você tem um encanto fatal.

O Clóvis ficou apenas a uns centímetros da Natalina.

Natalina: Olhe lá, você está bêbado?

Clóvis: Não! Estou louco de amores por si!

E sem aviso, ele beijou a Natalina. Ficaram ali a beijar-se durante uns segundos.

Natalina: Mas que descaramento! - disse ela, afastando-se.

Clóvis: A culpa é sua, por ser tão linda.

Natalina: Bom, lá isso é verdade. - disse ela, toda vaidosa. - Mas não tem o direito de me beijar!

Clóvis: Não me diga que não gostou.

Natalina: Isso não interessa. Alguém nos podia ter visto. Além disso, estou mesmo a ver que você vai contar isso a toda a gente!

Clóvis: Claro que não. Fica só entre nós. Aliás, se quiser mais uns beijos, garanto-lhe que ninguém saberá.

Natalina: Bom, nesse caso... venha cá homem!

A Natalina atirou-se para cima do Clóvis e beijou-o. Nesse momento, o Miguel ia a descer as escadas e viu a cena.

Miguel (pensando): Ok, agora é que está tudo maluco! E porque é que eu não tenho sorte no amor?

Deprimido, voltou a subir para o seu quarto.

Natalina: Clóvis, vamos mas é para o meu quarto!

Clóvis: Claro, é para já.

E enquanto subiam as escadas, o Clóvis ia pensando que estava bem mais perto de se tornar rico.

Passaram-se dois dias. A Natalina andava mais bem-disposta por um lado, mas mais mal disposta por outro. Os seus encontros com o Clóvis continuavam, mas a presença da Estrelícia e do Leandro, ainda por cima a namorarem, deixavam-na zangada.

Natalina: Então, para quando é que sai o novo perfume, afinal?

Estrelícia: Está para breve.

Natalina: Hum... espero bem que sim.

Leandro: Está na hora de irmos para a fábrica.

Os dois levantaram-se e foram-se embora. A Dulcie aproximou-se da Natalina.

Dulcie: Desculpe minha senhora, mas o Alfredo caiu da varanda abaixo e partiu os dois braços.

Natalina: ¬¬ Aquele homem é um retardado.

Dulcie: É assim, o Alfredo fazia pouco, mas ainda era alguma coisa. O Clóvis não ajuda nada e eu não consigo fazer tudo sozinha.

Natalina: Pois, estou a ver... bom, temos de contratar outra empregada.

Dulcie: A senhora vai tratar disso?

Natalina: Não, não tenho tempo para isso. Estou ocupadíssima. - disse ela. - Tenho de ir ao cabeleireiro e depois ao massagista.

Dulcie: ¬¬ Pois, grande ocupação... então, quem vai tratar de contratar uma nova empregada?

Natalina: Olhe, fale com o Miguel. O meu sobrinho há dois dias que quase não sai do quarto.

Dulcie: Tudo bem, vou falar com ele.

Toda contente, a Dulcie subiu as escadas e bateu à porta do quarto do Miguel. Ele disse que ela podia entrar.

Dulcie: Vinha dizer-lhe que a sua tia quer que trate de contratar uma nova empregada.

Miguel: Não me apetece nada...

Dulcie: Menino Miguel, está tão tristonho. Quer que eu o console?

Miguel: Huh? Que queres dizer com isso?

A Dulcie sorriu-lhe.

Dulcie: Se precisar de desabafar, eu estou aqui.

Miguel: Pois, mas não quero, obrigado. Bom, eu vou tratar de pôr um anúncio no jornal.

No dia seguinte, o anúncio foi publicado no jornal. Passou ainda outro dia e o Miguel começou a fazer as entrevistas.

Enquanto isso, a Aki tinha telefonado à Natalina e elas tinham-se encontrado num café.

Natalina: Então, pensou na minha proposta de nos aliarmos contra a freira?

Aki: Pensei.

Natalina: E o que é que decidiu? – perguntou ela, curiosa.

Aki: Decidi que não quero que se meta no assunto.

Natalina: Ora, porque não?

Aki: Eu não vou desistir assim, sem mais nem menos, do Leandro.

Natalina: Ah, vá lá, menos mal.

Aki: Mas não quero que se intrometa no assunto. - disse ela. - Eu vou conquistá-lo novamente e tirar a freira do meu caminho.

Natalina: Assim é que se fala!

Aki: Eu amo o Leandro. Íamos casar. Não vou deixar que aquela freira apareça e me roube o noivo! – disse ela, com determinação.

Natalina: Acho bem. Não é que eu goste de si, mas é melhor que a freira. Ela é esperta. Está é de olho no dinheiro.

Aki: Não sei se isso é verdade ou não, mas eu vou lutar pelo Leandro!

Enquanto isso, o Miguel ia fazendo as entrevistas às candidatas. Começou por uma velhota.

Velhota: Sou a Alzira. Tenho 65 anos, sou viúva e sei cuidar de crianças muito bem.

Miguel: Aqui em casa não temos crianças.

Velhota: Não há problema. Também sou boa cozinheira. Só não consigo é baixar-me para limpar nada, por causa das minhas costas.

Miguel: Ah... obrigado... eu vou ficar com o seu contacto e depois digo-lhe alguma coisa.

Depois foi a vez de uma mulher de meia-idade.

Mulher: Eu sou a Jordana, tenho 45 anos e anteriormente fui governanta numa grande casa. Só que, não cuido de crianças, não cuido de animais, não cozinho, não lavo roupas, não lavo janelas, não limpo o chão, não limpo o pó, não sirvo comida, não trato ninguém por senhor ou senhora, não...

Miguel: Já percebi. Eu depois contacto-a.

E pelo Miguel passaram várias mulheres... até alguém que ele conhecia...

À noite, ao jantar, o Leandro e a Estrelícia tinham ido jantar fora, por isso só o Miguel e a Natalina estavam à mesa.

Miguel: Já contratei a nova empregada.

Natalina: Quem é ela?

Miguel: Ela vem já aí.

A nova empregada entrou na sala de jantar. Ela sorriu.

Miguel: Tia, apresento-lhe a Slayra.

Slayra: Olá. Boa noite.

Natalina: Hum... Slayra? Isso é nome de gente?

Slayra: Era o nome da minha avó.

Natalina: Pois, estou a ver. - disse ela, olhando a Slayra de alto a baixo. - Está bem. Veja se faz tudo correctamente. Pode ir.

Slayra: Com licença. - disse ela, indo-se embora.

Natalina: Bom, podia ter arranjado uma empregada chamada... sei lá, Albertina ou algo assim. Não dá jeito nenhum chamar uma empregada com o nome de Slayra. - disse ela. - Bom, vou experimentar. Slayra!

A Slayra apareceu logo a seguir.

Natalina: Ao menos é rápida. Pode ir.

Slayra: Mas porque é que me chamou?

Natalina: Apeteceu-me, para ver como era chamá-la.

Slayra: ¬¬ Bom, então com licença.

A Slayra regressou à cozinha. A Dulcie olhou para ela, com um olhar desconfiado. O Clóvis ficou a olhar para a Slayra, sem dizer nada.

Dulcie: Então, para que é que te chamou?

Slayra: Nada de especial. Nada mesmo.

Dulcie: Sabes, parece-me que tens muita confiança com o menino Miguel.

Slayra: Ah, já o conhecia antes de vir trabalhar para aqui. - explicou ela.

Dulcie: Não me digas que estás interessada nele! – disse ela, alarmada.

Slayra: Eu? Claro que não.

Dulcie: Espero bem que não. - disse ela. - Ele é meu.

Slayra: Teu? Mas ele não é teu namorado, pois não?

Dulcie: Não, mas vai ser!

Slayra: O.o Bom, tudo bem...

Nesse momento ouviu-se um barulho.

Slayra: O que foi isto?

Dulcie: Ah, é o Alfredo a grunhir. Deve querer comer. - disse ela. - O homem agora passa o dia na cama, porque está todo partido, depois de ter caído da varanda.

Slayra: Bom, vou levar-lhe algo para comer.

No dia seguinte, a Dulcie serviu o pequeno-almoço como sempre. A Slayra acabou por não se cruzar com a Estrelícia, que saiu cedo com o Leandro. Depois do pequeno-almoço, o Miguel foi ter com a Slayra à cozinha.

Miguel: Então, como é que te estás a dar aqui?

Slayra: Bem. A Dulcie é um bocado desconfiada, a tua tia tem umas certas manias, o Clóvis fica a olhar de forma aparvalhada para mim e o Alfredo... sem comentários.

Miguel: Falta conheceres o meu irmão e a Irmã Marina dos Santos.

Slayra: Pois, ainda não os conheço.

Miguel: Hás-de conhecê-los, talvez hoje.

Enquanto isso, um inspector da polícia chegava ao café do pai da Estrelícia. Era nem mais nem menos que o Inspector Ivo (da História Maluca 10, o que investigou a morte do Leónio).

Ivo: Olá. Você é o Chicão Anjos?

Chicão: Sou sim.

Ivo: Muito bem. Eu estou a investigar a morte do Matias Limão.

Chicão: Ah... estou a ver...

Ivo: A sua filha, Estrelícia Anjos, que está fugida, é a principal suspeita do crime e foi condenada.

Chicão: Mas a minha filha está inocente!

Ivo: Sabe, eu não tenho a certeza, mas há mais neste crime do que possa parecer. A meu ver, o Matias Limão tinha mais pessoas que o quisessem matar, por isso vou investigar isso.

Chicão: Sim. E vai ver que a minha filha é inocente!

Ivo: Veremos. A polícia está a dar muita importância a este caso. Até me mandaram vir a mim de outra cidade para investigar.

Rapidamente chegou a noite. Na mansão Noronha, as pessoas começaram a chegar para jantar. A Natalina foi para a mesa com o seu cão Fifiu. O Miguel chegou pouco depois. E depois vieram o Leandro e a Estrelícia.

Estrelicia: Tenho de ir lá a cima mudar de roupa, mas já venho.

Ao fim de uns minutos, a Estrelícia nunca mais aparecia.

Natalina: O raio da freira nunca mais volta. Slayra!

A Slayra apareceu rapidamente.

Slayra: Sim?

Natalina: Vá lá acima e diga à estúpida da freira para descer para começarmos a jantar.

A Slayra apressou-se a fazer isso. Subiu até ao primeiro andar e foi bater à porta do quarto da Estrelícia.

Estrelícia: Entre.

A Slayra entrou no quarto. A Estrelícia já tinha mudado de roupa.

Slayra: Eu vinha chamá-la para jantar e... ah!

A Slayra e a Estrelícia ficaram a olhar uma para a outra, surpreendidas.

Estrelícia: Slayra!

Slayra: Estrelícia... o que é que tu estás aqui a fazer?

Estrelícia: E tu, Slayra?

Slayra: Bom, vejamos. Eu fiz a pergunta primeiro, mas eu não me importo de responder já. O teu pai expulsou-me do café... bom, depois eu explico porquê e agora eu vim trabalhar para aqui. - explicou ela. - Agora, é a tua vez. Tu estás fugida à polícia.

Estrelícia: Eu estou inocente!

Slayra: Inocente ou não, andas fugida à polícia. Como é que conseguiste fugir? E como é que chegaste a esta casa e assumiste uma identidade falsa?

A Estrelícia explicou tudo à Slayra.

Estrelícia: Não me podes denunciar, Slayra. És minha prima.

Slayra: Eu sei. - disse ela. - Não te vou denunciar. Mas assim, estou a ser cúmplice do que tu estás a fazer.

Estrelícia: Não quero ir presa por uma coisa que eu não fiz!

Slayra: O ideal era provarmos quem é que afinal matou o Matias Limão...

Estrelícia: Hei-de conseguir provar a minha inocência. - disse ela. - Mas, tenho de te dizer que me apaixonei pelo Leandro, o dono da casa.

Slayra: Ah...

Estrelícia: E... o Xander?

Slayra: Foi preso. Violou a Daphne e agora está preso por isso.

Estrelícia: Oh, coitada da Daphne... como está ela?

Slayra: De momento, acho que está a viajar. Eu e ela... digamos que não nos damos muito bem. Tentei seduzir e roubar o André à Daphne.

Estrelícia: Huh? Explica-me tudo.

A Slayra explicou o que tinha acontecido.

Estrelícia: Bom, grande história. Agora vamos mas é descer antes que a Natalina apareça aí furiosa por eu não ir jantar.

E assim, a Estrelícia e a Slayra tiveram de fingir que não se conheciam.

A morte do Matias Limão começou a ser novamente investigada e desta vez o Inspector Ivo suspeita que outra pessoa além da Estrelícia matou o Matias Limão. Será que ele está certo?