Capítulo 6: Inquéritos Policiais

No dia seguinte, o Inspector Ivo estava no seu gabinete a analisar tudo o que tinha recolhido. Tinha estado a falar com vizinhos, familiares do Matias Limão e todo o tipo de gente daquela cidade que o conhecia.

Ivo: Bom... vejamos... algumas ideias são inconclusivas... mas agora tenho uma lista de suspeitos para além da Estrelícia Anjos. - disse ele, pensativo. - Slayra, prima da Estrelícia. Foi-se embora da cidade pouco depois da fuga da prima. Tenho de ver se a encontro.

O Inspector Ivo pegou em outras folhas.

Ivo: Xander, namorado da Estrelícia, agora preso por violação. Definitivamente, uma pessoa suspeita. Depois... hum, Chicão, o pai da Estrelícia. Ele devia dinheiro ao Matias Limão. Pode ser uma pista. E por fim... bom, aqui estão o André e a Daphne. Já estiveram relacionados com outro crime, mas estavam inocentes. Estarão inocentes agora também? Segundo relatos, a Daphne e o André não gostavam muito do Matias Limão... vou começar a investigar estes suspeitos.

Passaram-se alguns dias, até que o Inspector Ivo chegou à mansão Noronha. Por sorte, a Estrelícia não estava lá. Ele tinha descoberto que a Slayra estava a trabalhar ali.

Ivo: Preciso de falar com a Slayra Almeida.

Natalina: O que é que você quer com a minha empregada?

Ivo: Eu sou da polícia e preciso de a interrogar.

Natalina: Ai meu Deus! Não me diga que ela é uma criminosa? - disse ela, horrorizada. - Eu vi logo. Com aquela cara de maluca...

Ivo: Não se preocupe que, pelo menos por agora, é só uma questão de rotina.

Natalina: Bom, está bem. Slayra!!!

A Slayra apareceu logo a seguir.

Natalina: Aqui o senhor da polícia quer falar contigo. - disse ela. - Podem conversar na biblioteca. Eu vou ver como é que está o chato do Alfredo. A Dulcie disse que ele agora ficou maluco e anda a bater com a cabeça nas paredes.

A Natalina foi-se embora e a Slayra foi falar com o Inspector Ivo para a biblioteca.

Slayra: O que quer de mim?

Ivo: Primeiro, quero saber porque é que se veio embora da casa do seu tio.

Slayra: Ora, essa é uma questão pessoal. – disse ela, aborrecida.

Ivo: Vou falar-lhe com franqueza. Suspeito que talvez a sua prima esteja inocente, portanto, se ela estiver inocente, outra pessoa é culpada. Suspeito de várias pessoas e você é uma delas.

Slayra: Isso é absurdo! - disse ela, enervada. - Eu nunca mataria ninguém!

Ivo: Volto a perguntar. Porque é que saiu de casa do seu tio?

Slayra: Porque me envolvi com um rapaz que já namorava. O meu tio não gostou e expulsou-me de casa dele. Satisfeito?

Ivo: Terei de confirmar essa informação com o seu tio, mas por agora vou acreditar no que me diz. - disse ele. - E agora, diga-me, qual era a sua ligação com o Matias Limão?

Slayra: Eu não tinha ligação nenhuma com ele.

Ivo: De certeza? Não tinham um romance secreto ou algo assim?

Slayra: Não, não tínhamos! - disse ela, ainda mais aborrecida. - Está a acusar-me e a tentar que eu diga que tive alguma coisa com o Matias Limão, mas é mentira!

Ivo: Tudo bem. Agora, segundo relatos das pessoas, vocês discutiram algumas vezes. Confirma isso?

Slayra: Bom... é verdade, sim.

Ivo: E porque é que discutiu com o Matias Limão?

Slayra: Porque ele me disse que havia de ficar comigo, quer eu quisesse, quer não! - disse ela, furiosa. - E não foi só a mim. Disse o mesmo à Daphne. Ele queria ficar connosco as duas e... bom, usava linguagem muito obscena para nos abordar.

Ivo: Ou seja, o Matias Limão queria que você e a Daphne, que a propósito eu já conheço, fossem as suas... namoradas ou amantes?

Slayra: Exacto. Mas claro que eu não ia na conversa dele. Nem a Daphne. Ambas ficávamos muito incomodadas com isso e o André, o namorado da Daphne, ficava num estado de nervos enorme. O Matias Limão disse que não ia descansar enquanto não lhe pertencêssemos.

Ivo: E essa perseguição a si, foi o suficiente para matar o Matias Limão?

Slayra: Eu não matei o homem! Ele merecia, mas não fui eu que o matei. - disse ela, zangada. ­– O que não faltava por aí era pessoas que não gostassem dele. Até se dizia que ele tinha negócios escuros.

Ivo: Ora bem. Pelo menos, falou com franqueza sobre os possíveis motivos. - disse ele. - Menina Slayra, eu ainda não estou completamente convencido da sua inocência... nem da sua culpa. Voltaremos a falar.

Slayra: Quando?

Ivo: Espero que seja em breve.

O Inspector Ivo foi-se embora. Tinha deixado propositadamente uma pergunta por fazer. Onde estava a Slayra quando o crime tinha sido cometido? Deixara essa pergunta para trás, para voltar a interrogar a Slayra mais tarde.

Slayra (pensando): Não pensei que a policia viesse falar comigo... se a Estrelícia foi condenada, já não deveria haver mais investigações... bom, disse a verdade... só não contei... não, isso não vou contar... a parte da história que falta não irei contar a ninguém...

A Natalina foi logo falar com a Slayra.

Natalina: Então, o que é que fez? Roubou alguma coisa numa loja, foi?

Slayra: Não. Estou inocente de tudo. Sou uma pessoa honesta. - disse ela. - E agora com licença que tenho muito que fazer.

A Slayra virou costas e foi-se embora.

Natalina: Hum, que criadagem mais mal-educada... será que ela vai ser presa? Espero que não. Isso iria arruinar a imagem desta mansão.

O Inspector Ivo foi interrogar o Xander à prisão logo de seguida.

Ivo: Então, pelo que sei foi preso por violação e ainda foram descobertos negócios escuros que você tinha, não é?

Xander: Se você já sabe disso, para que é que me está a perguntar? – perguntou ele, aborrecido.

Ivo: Bom, eu vim interrogá-lo quanto ao homicídio que vitimou o senhor Matias Limão.

Xander: Não tenho nada a ver com isso. – disse ele.

Ivo: Isso é o que veremos. – disse ele, calmamente. – Estou em crer que talvez a sua namorada, Estrelícia Anjos esteja inocente e sendo assim, há outra pessoa que tem de ter matado o Matias Limão. Você é um dos suspeitos.

Xander: Era só o que me faltava! – disse ele, zangado. – Não matei ninguém!

Ivo: Com violações no meio e negócios escuros, acho bastante provável que você conseguisse matar alguém. – disse ele. – Então diga-me. Que motivos tinha para matar o Matias Limão?

Xander: Nenhum. Não matei ninguém.

Ivo: Não quer cooperar, é? Tudo bem, mas vai ser pior. – disse ele.

Xander: Isso é uma ameaça?

Ivo: Você não quer cooperar com a polícia e isso é mau. Se cooperasse, talvez eu o ajudasse a ficar com menos tempo de pena de prisão.

Xander: Está bem. Quer saber a verdade? Eu não matei o Matias Limão, mas ele sabia de uns negócios que eu tinha e estava a chantagear-me. Eu sabia que ele também tinha negócios escuros, mas não o conseguia provar.

Ivo: Então, estava a ser chantageado pelo Matias Limão?

Xander: Sim. Mas apesar de ter pensado em matá-lo, eu não o fiz.

Ivo: E onde estava na noite em que o Matias Limão foi assassinado?

Xander: Estava no meu apartamento. – respondeu ele prontamente.

Ivo: Alguém pode comprovar isso?

Xander: Acho que não. Passei a noite, sozinho.

Ivo: Bom, por agora é só. Se precisar de mais informações, volto a falar consigo.

Pouco depois, o Inspector Ivo foi interrogar o Chicão ao café dele.

Chicão: Então senhor inspector, já sabe quem matou o Matias Limão? – perguntou ele, mal viu o Inspector Ivo entrar no café.

Ivo: Ainda não. Ando a interrogar os suspeitos. – respondeu ele. – E, peço desculpa, mas você está entre a minha lista de suspeitos.

Chicão: Eu? Mas porquê?

Ivo: Porque descobri que você devia dinheiro ao Matias Limão.

Chicão: Bom, isso é verdade.

Ivo: E nas minhas investigações, descobri que estava um pouco atrasado nalgumas mensalidades do pagamento.

Chicão: Pois, estou a passar um momento mau aqui no café e não tenho muito dinheiro…

Ivo: E isso serve para o pôr como suspeito, percebe? Assim não teria de pagar a sua divida.

Chicão: Estou a compreender.

Ivo: Preciso de saber onde esteve na noite em que o Matias Limão foi assassinado.

Chicão: Estive a trabalhar aqui no café. Qualquer pessoa o pode comprovar.

Ivo: E esteve aqui até que horas?

Chicão: Até à meia-noite e pouco.

Ivo: Nunca saiu daqui?

Chicão: Bem, ausentei-me vinte minutos porque fui a casa descansar um pouco, porque estava com dores de cabeça. – disse ele. – A minha sobrinha Slayra ficou a tomar conta do café.

Ivo: A queres horas foi isso?

Chicão: Hum… por volta das onze horas, penso eu.

Ivo: Certo. Estava mais alguém em sua casa enquanto lá esteve?

Chicão: Não. Estive sozinho.

Ivo: Por agora é tudo. Obrigado.

O Inspector Ivo saiu do café. A morte do Matias Limão tinha-se dado entre as dez e meia da noite e as onze e meia da noite, o que fazia com que o Chicão não saísse da lista de suspeitos. Faltava apenas interrogar o André e a Daphne.

Dois dias depois, o André e a Daphne voltaram da sua viagem e foram ver o Chicão ao café.

Chicão: Olá. Que bom que voltaram da viagem. - disse ele. - Tenho de dizer-vos que a polícia agora anda a interrogar algumas pessoas sobre a morte do Matias Limão.

André: Para quê?

Chicão: Um tal Inspector Ivo acha que talvez a minha filha seja inocente e por isso acha que deve ter sido outra pessoa a matar o Matias Limão. – explicou ele. - Que eu saiba, ele suspeita de mime já ouvi que também suspeita do Xander e da minha sobrinha Slayra.

Daphne: Ah...

Chicão: E, lamento dizer-vos, mas ele quer falar com vocês. – disse ele. – Ontem apareceu aí a perguntar se vocês já tinham voltado.

Daphne: Estou a ver... bom, nós já conhecemos o Inspector Ivo. - disse ela.

André: Bom, vamos voltar para nossa casa, Daphne.

Daphne: Sim, adeus Chicão.

O André e a Daphne voltaram para sua casa.

Daphne: André, como é que vai ser agora? Agora somos suspeitos de um crime... outra vez…

André: Calma, Daphne.

A Daphne começou a chorar.

Daphne: Que raio de azar! Primeiro temos a intromissão da Slayra no nosso namoro... depois sou violada... agora somos suspeitos de um crime... e... e... o pior de tudo, eu estou grávida!

André: Daphne, isso não é mau. Vai ser o nosso filho!

Daphne: É mau, sim! Não percebes? E... e se o pai do meu filho não fores tu? E se for o Xander?

A Daphne saiu dali a chorar.

André: O que será da minha vida e da vida da Daphne agora? – pensou ele, um pouco abatido.

Nesse momento, na mansão Noronha, a Dulcie tinha aberto a porta à Aki.

Aki: Onde está o Leandro?

Dulcie: Está na biblioteca com a Irmã... bom, com a Marina dos Santos.

A Aki foi até à biblioteca e abriu a porta, sem sequer bater. O Leandro estava a conversar com a Estrelícia.

Aki: Leandro, não admito que deites fora tudo o que passámos juntos! - gritou ela.

Leandro: Aki, que maneiras são essas?

Aki: São as que tenho! - gritou ela, furiosa. - Eu pensava que nos amávamos.

Estrelícia: Eu e o Leandro gostamos um do outro.

Aki: Você esteja calada! - gritou ela. - A culpa é toda sua! Para freira, você cedeu logo aos encantos do Leandro!

Com o barulho, o Miguel e a Natalina foram atraídos à biblioteca.

Natalina: Mas o que é que se passa aqui?

Leandro: A Aki está louca!

Aki: Eu estou é desgostosa! - gritou ela. - Tu és horrível, Leandro.

Estrelícia: Não fale mal dele, sua maluca!

A Slayra, o Clóvis e a Dulcie apareceram à porta da biblioteca nesse momento.

Aki: Você é a pior pessoa que eu conheço! - gritou ela à Estrelícia.

Estrelícia: Não lhe admito isso!

A Estrelícia lançou-se para cima da Aki e as duas começaram a puxar os cabelos uma à outra.

Leandro: Parem com isso!

Natalina: Ai! Elas estão a riscar o chão da biblioteca! – gritou ela, aflita.

Clóvis: Vá, usem um golpe de esquerdas mulheres!

Dulcie: Parem com isso! Ainda vou ser eu que vou ter de arrumar tudo o que desarrumarem!

A Slayra meteu-se no meio da briga e separou as duas.

Aki: Isto não fica assim! - gritou ela. - Podem ter certeza que não.

A Aki saiu da mansão rapidamente, furiosa.

Natalina: Leandro, estás a ver o que dá namorares com essa freira de um raio?

Miguel: Coitada da Aki.

Leandro: Eu gosto da Marina dos Santos e a Aki tem de aceitar isso. - disse ele.

Natalina: Pois fica sabendo que eu apoio a psicótica, quer dizer... apoio a Aki.

Miguel: A Aki é que tem razão no que diz. - disse ele, aborrecido. - Leandro, tu és um insensível.

A Natalina e o Miguel foram-se embora. A Slayra seguiu-os.

Clóvis: Bom, nós também vamos andando. Anda Dulcie.

Na biblioteca ficaram só o Leandro e a Estrelícia.

Estrelícia: Ela é maluca.

Leandro: Não pensei que fizesse uma cena destas.

Estrelícia: Mas vamos ficar juntos, não é?

Leandro: Claro que sim. – respondeu ele, mas a sua resposta já não era tão firme como dantes.

No dia seguinte, o Inspector Ivo foi interrogar a Daphne e o André ao apartamento deles.

Ivo: Ora bem, vocês parece que têm um íman para atrair assassinatos.

Daphne: É má sorte, só isso.

Ivo: Soube do que o Xander lhe fez, Daphne. Lamento muito.

Daphne: Já passou. Quero esquecer o que aconteceu. – disse ela.

Ivo: Bem, como já devem saber, eu ando a interrogar os possíveis suspeitos da morte do Matias Limão.

André: Mas não estava provado que foi a Estrelícia?

Ivo: As provas realmente apontam para ela, mas suspeito que pode ter sido tudo montado contra ela. – disse ele. – Como tal, procurei outros suspeitos. E vocês são dois deles.

Daphne: Mas porquê?

O Inspector Ivo explicou à Daphne e ao André o que a Slayra tinha dito.

Daphne: Hunf, a Slayra… bem, nisso ela tem razão. O Matias Limão era um porco! Está bem é morto. – disse ela, zangada.

André: E eu discutia com ele porque ele se atirava à minha namorada, nada mais.

Ivo: Compreendo. Apesar disso, são motivos que vos podiam ter levado a matar o Matias Limão. – disse ele. – Onde é que vocês estavam na noite em que o Matias Limão foi morto?

Daphne: Estávamos aqui em casa.

André: Exacto. Passámos a noite aqui em casa os dois.

Ivo: Hum, bom então se é assim, por agora é tudo. – disse ele. – Se eu precisar de mais alguma coisa, falo com vocês.

O Inspector Ivo saiu do apartamento da Daphne e do André. Ao que parecia eles tinham um álibi, fornecido um pelo outro… mas nada cabeça do Inspector Ivo havia a possibilidade de os dois terem matado o Matias Limão e agora fornecerem o álibi um do outro, por isso, continuavam a ser suspeitos.

No dia seguinte, na mansão Noronha, a Slayra estava a fazer o almoço, enquanto o Clóvis olhava para ela.

Slayra: Desculpa lá, mas está a olhar assim para mim porquê?

Clóvis: És gira e tal.

Slayra: Gira e tal? Mas pensas que estás a falar com quem? - perguntou ela, zangada.

Clóvis: Com a mais gira desta casa.

Slayra: ¬¬ Daqui a bocado, dou-te um murro tão grande que ficas todo partido como o Alfredo.

Clóvis: Ó doçura, o que achas de nós sairmos juntos?

Slayra: Acho uma ideia estúpida. Nunca vou sair contigo.

Clóvis: Não digas isso.

Slayra: Não saía contigo nem que fosses o último homem do mundo. - disse ela. - E agora cala-te que eu quero terminar de fazer o almoço.

Clóvis (pensando): Hunf, hás-de ser minha.

Enquanto isso, o Miguel tinha ido visitar a Aki a sua casa.

Miguel: Aki, precisava muito de falar contigo.

Aki: Se é sobre o que aconteceu na tua casa…

Miguel: É sobre nós. Já te disse que te amo.

Aki: Miguel, tu és um querido. - disse ela, sorrindo-lhe. - Mas eu não te amo.

Miguel: Mas... quem sabe... podíamos tentar! Se calhar apaixonas-te por mim depois de algum tempo.

Aki: Miguel, desculpa mas não. Eu amo o teu irmão e mais ninguém. - disse ela. - Por agora, se não ficar com o Leandro, então não quero mais ninguém.

À noite, a Estrelícia e o Leandro foram falar para a biblioteca.

Estrelícia: Sabes, estava a pensar... devíamos casar.

Leandro: Casar?

Estrelícia: Sim. Gostamos um do outro e tudo. - disse ela. - Podíamos casar no estrangeiro.

A Estrelícia pensou nessa ideia porque, se ela se fosse casar no seu país, a polícia iria descobrir.

Leandro: Bom... tenho de pensar.

Estrelícia: Está bem. Mas temos tudo para dar certo, não achas?

Quando se foi deitar, o Leandro viu que tinha uma mensagem da Aki. Ela pediu desculpa pelo escândalo do dia anterior, mas dizia que continuava a amá-lo.

Leandro (pensando): Aki... e Marina dos Santos. Que confusão... eu... gosto da Marina dos Santos... mas ainda amo também a Aki...

No dia seguinte, a Daphne foi fazer uns exames por causa da gravidez.

Daphne: Que angustia, André. Se ao menos desse já para fazer o teste de paternidade...

André: Mas agora ainda é muito cedo, temos de esperar.

À tarde, a Dulcie andava a limpar o pó quando viu o Miguel, cabisbaixo, a voltar para o seu quarto.

Dulcie: Hum, menino Miguel.

Miguel: Sim?

Dulcie: Parece aborrecido.

Miguel: Não é nada.

Dulcie: De certeza? Se quiser desabafar comigo...

Miguel: Não, obrigado na mesma, Dulcie.

A Dulcie aproximou-se do Miguel.

Dulcie: De certeza que são problemas amorosos. – disse ela, abanando a cabeça.

Miguel: Por acaso são, mas não quero falar disso.

Dulcie: Olhe, se é alguma rapariga que não gosta de si, não fique assim. Eu gosto de si!

E sem deixar tempo ao Miguel para reagir, a Dulcie beijou-o. Depois do beijo se quebrar o Miguel ficou perplexo a olhar para ela.

Miguel: Para que foi isto?

Dulcie: Ainda não percebeu que eu gosto de si?

Miguel: Agora é que estou mesmo confuso...

E ele afastou-se.

Dulcie (pensando): Aha! Agora estou mais perto de o conquistar.

Depois do jantar, a Slayra foi lavar a loiça. E o Clóvis lá se pôs a olhar para ela outra vez.

Clóvis: Bem, ficas ainda mais gira a lavar a loiça.

Slayra: ¬¬ Estou farta de ti!

Clóvis: Vá, aceita lá sair comigo.

Slayra: Já disse que não! - gritou ela. - Prefiro morrer do que ter alguma coisa a ver contigo, ouviste?

O Clóvis olhou furioso para ela.

Clóvis: Vais arrepender-te de teres dito isso.

Ele saiu da cozinha rapidamente.

Clóvis (pensando): Se tu não vais ser minha, não vais ser de mais ninguém!

Os suspeitos foram interrogados. No próximo capítulo, que será o último, ficaremos a saber toda a verdade.