Olhando atentamente para a mãe e depois para o que ela carregava em mãos, Nimwey esperava poder ao menos tocar o objeto, curioso por saber o que era aquilo com suas próprias mãos, que ainda exploravam o mundo ao seu redor. Ele já caminhava e saía correndo por aí há alguns meses, porém ainda não tinha dito nenhuma palavra. Neteyam e Lay'ti tentavam não ficar tão ansiosos quanto a isso, esperando que ele levasse seu próprio tempo para isso, sem se sentir pressionado. Apesar de ser neto de Toruk Makto, ele ainda era só um bebê.

-Sabe o que é isso, meu amor? - Lay'ti percebeu a curiosidade dele - é seu cordão de canções, aqui eu coloco uma conta pra cada coisa importante que acontece com você, eu estava escolhendo uma conta pro dia que você começou a andar, pra mim é muito importante, sabia? Olha, Nimwey, eu tive uma ideia, por que você não escolhe a conta?

Mesmo sem ele responder, Lay'ti sabia que ele estava entendendo de alguma forma. Estendeu a mão com algumas contas, cinco, e deixou que o menino pegasse a que achasse melhor, ou mais bonita. Realmente entendendo tudo, Nimwey pegou uma laranja, encantado com a cor.

-Ah bela escolha, filho, acho que laranja definitivamente é sua cor preferida - a jovem mãe sorriu de alegria, colocando a conta no cordão - sabe o que é laranja também? O poderoso Toruk, ele é o maior predador dos céus de Pandora, sabe quem já viu um de perto e até montou nele? Seu avô Jake! Seu avô foi Toruk Makto, acredita?

-Estou interrompendo a hora da história? - Neteyam tinha acabado de chegar, encantado com a cena que encontrou.

-Oi, não, de jeito nenhum - Lay'ti se levantou para beijá-lo, o recebendo em casa - eu comecei a contar meio sem querer, eu deixei o Nimwey escolher a conta pro dia em que ele aprendeu a andar, a cor da conta me lembrou da história.

-É uma baita de uma história - seu marido sorriu, tendo ele mesmo lembranças da primeira vez que ouviu sobre seu pai ter sido Toruk Makto um dia.

-Papai! - os dois ouviram Nimwey dizer de repente, chamando a atenção dos dois.

-O que? Você me chamou? - Neteyam se voltou para ele, o pegando no colo, sem acreditar - será que dá pra falar de novo?

Lay'ti se aproximou dos dois, com um grande sorriso no rosto, esperando que ele falasse outra vez.

-Você disse sua primeira palavra, ma'Nimwey! - ela exclamou, admirada.

-Papai - repetiu o menino, olhando para ela dessa vez, como se estivesse experimentando o significado da palavra.

-Papai sou eu, garotinho, ela é mamãe - Neteyam corrigiu gentilmente.

-Mamãe - o menino compreendeu, ao menos, a palavra em si, o chamando pela palavra que o pai tinha ensinado.

-Certo, tudo bem, é muita coisa de uma vez, não é? - Lay'ti opinou, sendo paciente com o filho, ao mesmo tempo que o achava ainda mais fofo.

-É, você vai pegar o jeito da coisa - Neteyam tinha certeza disso, falando com otimismo -enquanto você pensa melhor nisso, a gente pode continuar a história da mamãe, o que você acha?

-Mamãe - Nimwey disse em resposta, como se estivesse concordando.

-Certo, eu posso continuar? - Neteyam quis saber, empolgado com a ideia.

-É claro, sem problemas - sua esposa concordou com um sorriso.

-Muito bem, onde paramos? - ele se aconchegou com Nimwey em seu colo, sentando-se com Lay'ti bem ao seu lado.

-Só disse que seu pai já foi Toruk Makto - ela deu a deixa.

-Sim, seu avô Jake foi um grande guerreiro, ele ainda é na verdade, eu sempre quis ser como ele, sabia? - Neteyam prosseguiu a narrativa = mas parece que comecei a história de trás pra frente, bom, vamos começar do começo, vovô Jake nasceu sendo do povo do céu, e aí ele se tornou um caminhante dos sonhos, quando veio para Pandora, o povo do céu decidiu que ele poderia ser alguém que poderia ajudar o povo deles e o nosso povo a se aproximar...

Neteyam continuou a narrativa que conhecia desde criança, com detalhes maiores de toda saga de seu pai apenas descobertos quando ele ficou mais velho. Assim como Nimwey ainda era muito jovem, ele fez uma versão sem tantos combates e violência, apenas dando ênfase na parte em que Jake se tornava Toruk Makto.

-Foi assim que ele uniu os clãs e expulsou o povo do céu de Pandora - ele terminou tudo, com um pouco de pesar no rosto, notado por Lay'ti, mas rapidamente sumindo quando Nimwey olhou para ele outra vez.

-Deixe a outra parte pra quando ele for mais velho - ela aconselhou.

=Eu vou, lembrar de tudo só me fez pensar nisso, quando o povo do céu retornou = Neteyam disse o que estava em mente, batendo exatamente com o que Lay'ti tinha deduzido.

-Eu sei, é algo que nos preocupa constantemente, mas estamos seguros aqui, já faz 7 anos, e se eles vierem, vamos estar preparados - Lay'ti disse, tentando se agarrar à esperança que tinha.

Neteyam apenas assentiu, tentando aliviar os pensamentos de repente mais sombrios.

-Tem razão, meu amor - ele a puxou para mais perto e beijou sua têmpora - vamos pensar no agora, e agora, acho que o Nimwey precisa de mais uma conta no cordão de canções.

Lay'ti apenas sorriu e assentiu, deixando que Neteyam escolhesse dessa vez. Era uma conta verde para as primeiras palavras de Nimwey.

-Que tal uma outra história? - ela propôs, gostando de estar passando o tempo com a atividade - você lembra de algo marcante que aconteceu por aqui?

-Aqui em Awa'atlu? - Neteyam pôs uma mão no queixo, pensativo - muita coisa aconteceu desde que chegamos aqui, desde quando saímos, lembra da tempestade no meio do caminho?

-Lembro, foi assustador, mas depois, senti a sensação de paz mais profunda quando vi o recife, era um lugar desconhecido, mas tão lindo - Lay'ti terminou de falar com um sorriso delicado nos lábios, feliz com aquele tipo de lembrança.

-Sabe uma coisa boa que foi emocionante? - ele se recordou, a deixando na expectativa de propósito.

-Muitas coisas, com certeza - Lay'ti respondeu de bom humor - mas o que exatamente você tem em mente?

-Quando os tulkuns chegaram e nós os vimos eles pela primeira vez - ele contou com alegria -nós não trocamos uma palavra, só nos olhamos e concordamos que iríamos até eles juntos, dividimos o mesmo ilu, você estava lá perto de mim compartilhando aquele momento maravilhoso.

Sua esposa não esperava ouvir tanto carinho sobre aquela lembrança, ela apenas sorriu comovida.

-Eu também estava muito feliz por ter você por perto aquele dia - Lay'ti fez questão de dizer -imagina quando o Nimwey conhecer os tulkun de perto.

-Bom, ele pode conhecer o tulkun que já está na família, Lo'ak ia adorar apresentá-lo ao Payakan - Neteyam sugeriu.

-Não é má ideia, vou pensar nisso - ela prometeu, voltando a observar o filho, prestando atenção na conversa deles.

Eram muitas possibilidades para o pequeno viver, mas por enquanto ele viveria suas próprias experiências e descobertas um dia de cada vez.

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