O dia para Nimwey tinha começado de um jeito típico, talvez algo que o deixasse impaciente e com mais vontade de sair correndo pela vila e explorando o lugar, na companhia de alguns amigos, mas ele percebeu que não poderia sair com pressa depois de sentir o estômago roncar alto.
Ele olhou para si mesmo, um tanto constrangido, mas depois olhou para cima, encontrando seus pais sorrindo.
-Alguém precisa comer alguma coisa antes de sair, não acha? - Neteyam brincou com ele.
-Tudo bem - Nimwey assentiu, concordando.
-Seus amigos não saem sem comer, eu tenho certeza - Lay'ti comentou, entregando um pouco de comida ao filho - e também não saem descabelados, eu preciso refazer suas tranças, olha só pra isso, cheio de nós, onde foi mesmo que você andou enfiando a cabeça?
-Da última vez, Spider me desafiou a sair rolando de cima de um morro de areia, ele queria vez quem era o mais rápido de nós - contou Nimwey, começando a rir sobre a lembrança da brincadeira, mas se contendo ao ver o rosto ainda indignado da mãe.
-O Spider não cresce nunca, não é? - ela comentou com Neteyam.
-Bom, você o conhece, ele sempre foi assim, não tem muito que ele possa fazer quanto a isso, ainda assim, ele só estava se divertindo - o marido dela opinou.
-Todo mundo é mais alto que ele, mãe, ele é do povo do céu, por isso ele não cresce - Nimwey respondeu sobre a questão, o que fez Lay'ti rir.
-Não foi isso que eu quis dizer, meu amor - ela explicou = mas tudo bem, com tanto que ele tenha cuidado, está tudo bem.
Eles terminaram de comer e então ela se debruçou no trabalho delicado de cuidar e arrumar dos cabelos de Nimwey, desfazendo cada nó e trança delicadamente, de modo que não puxasse e o machucasse. Depois do que pareceu uma eternidade, Nimwey finalmente estava liberado para poder ir brincar e aproveitar o dia.
Talvez brincadeiras fosse mais uma expectativa de sua mãe do que do próprio menino. Criando mais coragem e confiança, Lay'ti pediu que o filho fosse apresentado ao Caminho da Água por Lo'ak e Tsireya, era claro como os tios de Nimwey tinham uma profunda conexão com o mar, maior do que Lay'ti jamais teve.
Saindo de casa, Nimwey foi diretamente se encontrar com seus tios, animado para começar suas primeiras lições. Tsireya e Lo'ak perceberam o quanto ele estava animado para começar.
-Bom dia - ele cumprimentou, sem deixar de sorrir, o que era realmente adorável aos seus tios.
-Bom dia, ma'Nimwey - Tsireya respondeu delicadamente - sente-se aqui conosco.
-O que é que eu tenho que fazer? - perguntou Nimwey, sentando-se com os tios, um tanto ansioso.
-Ah pra começarmos, ficar calmo e relaxar - Lo'ak pôs as mãos nos ombros do sobrinho.
-Respira fundo, fecha os seus olhos lentamente - tia Reya instruiu com uma voz muito suave.
-Tudo bem, acho que consigo fazer isso - Nimwey resolveu aceitar o desafio.
Procurou ficar em silêncio e fez como lhe foi pedido, se concentrando em sua própria respiração, mas também se deixando levar pela natureza à sua volta, as rochas, o mar batendo nelas, o cheiro salgado no ar, os animais que sobrevoavam por ali perto.
Sentiu que ele mesmo podia fazer parte daquilo tudo, começando a trilhar primeiros passos importantes que definiriam sua vida a partir de então.
-Nós podemos tentar mergulhar agora, abra os olhos lentamente - Tsireya continuou a instruir o sobrinho, tocando devagar no braço dele.
Nimwey fez como ela pediu, encontrando o rosto gentil e familiar dela, o que lhe deu segurança em meio ao nervosismo que começou a sentir. A mesma segurança vinha de tio Lo'ak, certo de que o sobrinho se sairia melhor do quando ele tentou pela primeira vez.
Nimwey segurou as mãos deles, um de cada lado, entrando lentamente na água, cada vez mais fundo, mas cada vez ele se sentia confortável, se não fosse pela breve sensação de querer que seus pais estivessem ali com ele também. Sentindo mais confiança, Nimwey soltou as mãos dos tios e se permitiu explorar a profundeza do oceano. O menino podia ser um Omaticaya de nascimento, mas seu corpo sabia exatamente o que fazer. O movimento coordenado dos braços e pernas o fazendo se mover com graça e suavidade.
Quando ele se deu conta de que estava sendo bem sucedido, olhou para trás, encontrando um sorriso de orgulho de Tsireya e Lo'ak. Se permitiu explorar e nadar mais um pouco até sentir a necessidade de respirar na superfície. Seus movimentos ainda eram meio esbaforidos, mas seu sorriso aberto pela conquista da primeira lição era muito claro.
-Eu sei que subi muito rápido, mas acho que fui bem, vocês não acham? - ele perguntou aos tios depois que eles emergiram também.
-Você foi bem sim - Tsireya confirmou.
-Tão esguio quanto um ilu! - elogiou tio Lo'ak.
-É mesmo? E quando podemos montar nos ilus? - Nimwey pediu animado.
-Uma lição de cada vez, meu querido - sua tia recomendou - você mesmo disse que subiu muito rápido, vamos continuar treinando sua respiração.
-Agora? - o menino se alegrou com a possibilidade.
-Já basta por hoje, sua lição pro resto do dia vai ser treinar a paciência - Lo'ak sugeriu, de bom humor.
-Tudo bem, já entendi - Nimwey se conteve, mas não ficou chateado, entendendo a situação.
Estava grato por estar na água, não que fosse proibido de estar ali, mas poder respirar debaixo d'água lhe dava a sensação de liberdade, de poder fazer algo que todos ao seu redor faziam.
Mais tarde, enquanto seus pais ainda estavam ocupados com os afazeres do dia, Lo'ak e Tsireya deixaram o sobrinho com Jake e Neytiri, voltando ao mar para caçar.
-Você me parece bem feliz hoje, meu garoto - seu avô sorriu para ele, de um jeito que o convidava a se sentar ao lado dele.
-O que você fez que te deixou tão contente? - Neytiri se juntou a eles, sentando-se ao lado dele, acariciando os cabelos do neto.
-Tia Reya e tio Lo'ak começaram a me ensinar o caminho da água hoje - Nimwey contou todo animado - eu até mergulhei fundo, mas preciso melhorar.
-Isso é muito bom, ma'Nimwey, deve ter sido um primeiro dia de lições melhor do que o nosso - Jake chegou a rir.
-O que quer dizer, vovô? Sobre quando vocês chegaram aqui? - o menino deduziu.
-Não só isso, mas as lições da floresta que eu tive que ensinar ao seu avô - Neytiri esclareceu, com um sorriso travesso nos lábios.
-Eu ao menos era esforçado... - ele tentou se defender, enquanto Nimwey ainda os olhava confuso.
Resolvendo ajudar o garoto, Jake e Neytiri recordaram histórias da sua juventude, o que deixou Nimwey um tanto curioso sobre a floresta, imaginando como seria nadar no rio onde seu pai pescava quando era mais novo. Isso poderia ficar para outro dia, se possível.
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