"Eu colocarei um presente átras da sua porta. Uma cabeça de gato todo dia para você, amante de gatos."

Final Act

Passara-se já muito tempo desde o fim da guerra, o mundo estava aparentemente calmo, assim como Rússia também estava. Ele se encontrava na casa de China, queria vê-lo novamente depois de tanto tempo separados por causa do fim do conflito, a outra nação recebeu-o muito bem o levando até a sala de estar, e por um tempo ficaram conversando, despreocupados, sem nem imaginar o que se passava com a jovem Belarus naquele momento.

Ela sabia, sabia que aquele chinês não ia roubar o coração de seu irmão, não, pois ela o faria primeiro, e ela o teria naquela tarde, e se tornaria um com ele, e por fim viveriam mais felizes, e tantas outras conseqüências que a jovem sonhadora pensava iriam acontecer.

Ao final do dia Rússia voltou para a sua casa, e quando abriu a porta ligando a luz do hall levou um susto tão grande que seu coração acelerou drasticamente, no fundo da sala mais escura iluminada apenas por um candelabro na mesa de centro ele viu a silhueta de uma garota em pé mirando-o com um olhar sombrio, usando um vestido ao estilo de empregada com o avental manchado de vermelho e segurando o que parecia ser uma foto em uma das mãos e na outra uma faca da onde escorria um liquido denso. Logo a reconheceu ao chegar um pouco mais perto fechando a porta devagar.

-Be- Be- Belarus! – exclamou sentindo-se sufocado a cada passo de proximidade que ela dava.

- O- O que, como conseguiu entrar? – Belarus não respondeu, apenas chegou a uma parte iluminada mostrando a foto e em seguida dizendo "Eu a encontrei na casa da Hungria, irmão. Por acaso esses dois não são você e o chinês?" ironizou. Na foto Rússia estava docemente beijando China como um jovem apaixonado, apesar do medo ele começou a enrubescer-se ao vê-la. "Mas essa imagem não possui mais sentido em existir, pode virar apenas uma lembrança apagada." Ela aproximou a foto de uma das velas do candelabro queimando-a, e enquanto desaparecia, no rosto de China, a partir dos seus olhos, começava a escorrer a cera fundida.

"Eu aproveitei, irmão, e te trouxe um presente, o que você mais ama." Sua voz começou a soar como a de uma obcecada, de quem cometera um crime e perdera a sanidade. Ela jogou a faca no chão e pegou uma caixa bem embrulhada nas cores da bandeira russa estendendo suas mãos para ele, Rússia receante pegou do embrulho, olhando-o apavorado, a caixa era pesada e notara que um semelhante líquido vermelho escorria por uma das pontas. "Abra, irmão" ordenou Belarus, seus olhos agora tomados por ódio.

Ele, então, começou a puxar, trêmulo, as fitas que o envolviam já temendo o que poderia vir de sua irmã. Aos poucos a caixa se abria e assim que viu qual era o 'presente' sentiu um aperto enorme em seu coração misturado com a sensação de horror, dentro da caixa se encontrava apenas a cabeça de China, pálida e sem vida. As lágrimas se reteram no susto, seus olhos bem abertos a miravam, incrédulo, e sem perceber deixara a caixa cair sentindo em seguida Belarus o abraçar fortemente. "Eu sei, meu irmão, que o amava, mas o que eu sinto por você é maior que um simples Eu te amo". A nação não o largava, e o tão frio calor de sua irmã faziam o seu coração palpitar e o corpo ficar imóvel. Rússia não disse nada, não pode pensar em nada além da tristeza que o invadia aos poucos.

- Era verdade o que sentia por China? Se fosse, então por que o espanto, era o melhor presente que poderia receber, uma parte do que gosta só para você dado pela pessoa que mais o ama. – Belarus não entendia, ou ele estava contente e sem palavras por poder tê-la, por ela poder tê-lo.

Em favor do momento ela levantou o rosto e pegando Rússia desprevenido o beijou, os lábios manchados do carmim assassino acordaram-no, e ele finalmente notou o que se passava assim como o sentimento inédito, o terror passara estranhamente, o perfume dela o faziam perder o medo, nunca sentira antes, talvez fosse a proximidade que jamais deixara acontecer e com isso cometeu um grande erro, correspondeu o beijo da irmã, aceitou a sua invasão sem antes pensar nas conseqüência que vieram depois. Ela, surpresa, afastou o seu rosto do dele e com os olhos brilhando confirmou o pesadelo uma última vez.

- É verdade que um 'Eu te amo' não é suficiente para expressar o que sinto, ou mesmo para tê-lo eternamente, por isso...

"Irmão, vamos nos casar!"

"Queimando fotos dessa garota, imagino se ela sempre existiu. 'Eu te amo' um clichê como esse não me satisfaz, mas faz com que eu queira dizer "Eu irei, eternamente, amá-lo" "