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Capítulo 10:

O que os traumas escondem

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"Querido Senhor, quando eu chegar no Paraíso

Por favor, deixe-me trazer o meu homem

Quando ele chegar, diga-me que o deixará entrar

Pai, diga-me se puder

Toda aquela graça, todo aquele corpo

Todo aquele rosto me faz querer festejar

Ele é meu sol, ele me faz brilhar como diamantes

Você ainda vai me amar

Quando eu não for mais jovem e bonita?"

- Young and Beautiful, Lana Del Rey."

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Com um engarrafamento de carros ocorrendo na divisa entre Porto Real e Harrenhal, por conta das multidões protestando alto sobre os ataques terroristas e culpando o governo falho de Westeros nas mãos dos Targaryen nas estradas e lugares abertos nas cidades próximas, Luke e Aemond se encontravam presos em Vhagar, entre vários carros buzinando e amaldiçoando todos que saíram de casa para fazer desordem no meio do trânsito.

E pelo jeito, os protestos continuarão até o dia da comitiva ao vivo que ocorrerá amanhã depois do por do sol.

Percebendo que não irão conseguir sair tão cedo do engarrafamento, Aemond ligou as luzes de emergência do painel de seu carro brindado, mostrando a urgência deles e exigindo espaço para sair da estrada.

Não demorou muito para as outras viaturas que o acompanhavam para Harrenhal seguir o exemplo, fazendo o barulho alto e a iluminação da exigência de passagem estivesse mais alto que as buzinas dos carros parados.

Vendo que finalmente começaram a andar, mesmo lentamente, fez Luke e Aemond suspirarem aliviados. O calor do sol alto no céu fez o carro está em temperatura alta, com os dois soando em suas roupas úmidas, mesmo com o ar condicionado do carro ligado.

"Você acha que meus pais conseguiram passar pela multidão até a mansão?" Perguntou Luke preocupado, olhando através da janela aberta para os outros carros buzinando.

Aemond cantarolou, batendo os dedos das mãos com força no volante, impaciente por está preso na estrada.

"Eles vão ficar bem. Duvido que uma multidão de desocupados consigam parar Daemon." Afirmou Aemond como se estivesse falando do clima.

Acenando em concordância, Luke volta seu olhar para seu tio, avaliando ele por um momento. Sentindo irritado por está preso num maldito engarrafamento, Aemond suspira derrotado e se vira para Luke, sentindo os olhos de seu sobrinho nele.

"O que foi?" Perguntou Aemond com um olhar questionador.

Engolindo em seco, Luke reuniu coragem para fazer as perguntas que tanto o assombravam desde que voltou a conviver com Aemond.

"Aemond, preciso que você seja honesto comigo." Pediu Luke com um olhar sério. Vendo que Aemond iria abrir a boca para dizer algo sarcástico, Luke continua. "Eu preciso saber o que aconteceu depois que fui morar com você."

Fechando a boca com um olhar conflituoso, Aemond desvia o olhar para a estrada, olhando chateado para frente.

"Aemond-"

"Por que você quer saber disso? Isso tudo está no passado agora! Não precisamos levantar essa merda!" Reclamou Aemond com frustração, virando seu rosto para longe de Luke para o mais jovem não poder ver sua expressão.

"Aemond, por favor-"

"Não." Respondeu Aemond, distante.

Olhando para a nuca de Aemond, Luke sentiu uma velha raiva se erguer em si, se sentindo injustiçado e perdido pela negação de seu tio de dizer a verdade. Ele pode admitir que tem medo de saber como foi o começo do convívio que ele teve com Aemond, mas ele precisa enfrentar isso e entender como eles chegaram nessa situação em que se encontravam.

Ele quer dá a chance de Aemond dizer o lado dele nisso tudo antes de suas memórias voltar e mostrar só as consequências que ele teve que enfrentar.

"Eu quero entender o que eu passei! Quero entender o seu lado!" Gritou Luke desesperado, fazendo Aemond voltar a olhar para ele surpreendido e incomodado. "Eu quero poder confiar em você, mas você não se abre comigo!"

"E o que você quer que eu diga?! Que te machuquei o bastante para você vê que sou uma escolha ruim? Que eu-"

Se calando logo em seguida, Aemond desvia o olhar, mas ainda Luke consegue ver um vislumbre de culpa e frustração em seu rosto.

Luke coloca uma mão no braço de Aemond, com um olhar reconfortante para seu amante.

"Eu só quero aprender todos os nossos momentos bons e ruins que não lembro, Aemond. Estou aqui para ouvir e entender o seu lado nisso tudo." Disse Luke suavemente, colocando a mão na bochecha marcada pela cicatriz sobre o tapa-olho. "Se eu te perdoei antes por tudo e aceitei te amar, posso fazer isso de novo se você me ajudar a entender tudo."

Culpa e dor voltou a brilhar nos olhos de Aemond. Ele sabe que Luke merece saber, mas o medo do julgamento de seu sobrinho e dele decidir o abandonar, fazia Aemond querer segurar o garoto mais novo e nunca deixa-lo ir. Da mesma forma que ele escolheu manter Luke á força com ele um ano atrás.

E no que isso os levou? Na falta de comunicação e desconfiança, até o momento que Luke foi sequestrado e quase morreu na explosão em Harrenhal.

Soltando um suspiro trêmulo e cansado, Aemond agarra a mão de seu sobrinho que estava acariciando seu lado marcado e leva aos lábios, deixando beijos na palma da mão. Ele abre os olhos e olha para Luke com um olhar tenso e frio.

Por um momento, parecia um olhar predador analisando sua presa. Isso fez um arrepio delicioso surgir na espinha de Luke.

Aemond abaixa a mão de Luke, mas passa a segurar o pulso fino do mais novo em sua mão maior e forte, com calos obtidos no uso de armas em sua profissão.

A mão que segurava o pulso de Luke parecia algemas, prendendo a atenção do mais novo em Aemond.

"Eu vou dizer qualquer coisa que você me perguntar." Disse Aemond com um olhar intenso para Luke. O mais novo não desviou o olhar, sentindo a urgência na situação. "Mas só se você me prometer que ainda continuará ao meu lado depois que eu disser tudo."

Engolindo em seco a ansiedade que começou a subir, Luke tentou esconder seu desconforto ao desviar o olhar e acenar. Mas a outra mão de Aemond foi rápida em agarrar o queixo de Luke e levantar o rosto, fazendo o sobrinho voltar seu olhar com um suspiro assustado.

Sentindo o aperto de Aemond em seu pulso, Luke percebe que seu tio quer uma resposta verbal.

"E-Eu prometo." Gaguejou Luke, sentindo várias emoções passar por ele.

Uma parte dele teme que ele tenha acabado de prometer algo que vá se arrepender depois, mas olhando como Aemond parecia inquieto com a reação de Luke, o mais novo tenta olhar com um olhar determinado.

Olhando para ver se encontrava alguma mentira, Aemond acena ao ver a seriedade de Luke. Ele olha rapidamente para a estrada e percebe que os carros voltou a andar mais uma vez. Ele pisou no acelerador e continuou andar pelo engarrafamento.

"Então, o que você quer saber?" Perguntou Aemond com uma voz sem emoção, com os olhos ainda na estrada.

Ainda sentindo a mão livre de Aemond em seu pulso, Luke olha para seu tio com um olhar incerto.

"O que aconteceu depois que você me levou para o seu apartamento?"

Uma pausa se seguiu, com Aemond ainda com sua atenção na estrada. A única coisa que desmentia a calmaria do mais velho era sua mão apertando o volante com toda a força.

"Naquela época eu possuía um cômodo livre, mas não usava. Eu... queria fazer você sofrer de todas as formas possíveis. Então eu..." Aemond parou o carro, mais uma vez esperando os carros a frente avançarem, mas ele ainda continuou olhar para a estrada com um olhar vazio. "Eu forrei material ante-som naquele quarto que você usa atualmente para suas pinturas e te deixei trancado lá com nada mais do que uma coberta. Como você estava preso numa cadeira de rodas por conta de sua perna quebrada, era mais fácil você só ficar lá sem se mover."

Um mal estar começou a se apoderar de Luke ao imaginar. Ele gritando desesperado por ajuda, sem poder andar e sair do quarto que bloqueava todos os som de dentro para fora. Luke soltou um suspiro trêmulo, apertando a cadeira de seu assento com força para não mostrar como suas mãos começaram a tremer de ansiedade. Antes que ele pudesse fazer mais alguma pergunta, Aemond continuou, como se tivesse aberto a ribanceira e todos os seus pecados esteja sendo finalmente derramado.

"Eu te alimentava uma vez por dia. Te espancava quando você levantava a voz para mim ou quando falava algo sarcástico. Você sempre foi de tentar diminuir as situações tensas com algumas piada ou ironia, mas isso me irritava pra caralho, me fazia lembrar de Daemon. Eu descontada minhas frustrações em você, te odiei o bastante para fazer você se sentir pior do que um cachorro. Te alimentava só quando eu chegava de madrugada do departamento de Polícia." Confessou Aemond com uma voz quebrada, como se lembrar do passado o fazia se sentir destruído.

Não suportando olhar para Aemond, Luke olha atormentado e ferido para a paisagem fora da janela. Ele mordia os lábios para não deixar sua dor sair de seus lábios.

Respirando trêmulo, Luke faz uma pergunta.

"Eu já tentei fugir de você?"

Aemond acena, mas quando ele percebe que Luke não está olhando para ele, para e volta seu olhar para a estrada.

"Você tentou quatro vezes. Mas na terceira eu quebrei um dos seus tornozelos e seu quadril na escada do prédio. Como era de madrugada, os vizinhos acharam que era algum residente bêbado que tinha caído gritando na escada do prédio." Comentou Aemond com uma voz rouca.

Estremecendo em horror e angustiado, Luke tenta se afastar de seu tio e se espremer na porta do passageiro, mas o aperto de ferro de Aemond em seu pulso fez o mais novo lembrar que não há para onde se esconder naquele espaço pequeno.

Não há onde fugir da cruel verdade.

"Por quê?!" Perguntou Luke com uma voz pequena e ferida.

Lágrimas começaram a encher nos olhos de Luke, sentindo inseguro e aterrorizado com até onde Aemond é capaz em sua crueldade.

"Por que eu te odiava. Eu acordava pensando em como fazer você chorar todos os dia. Eu queria ver você sofrer, da mesma forma que sofri por está meio cego." Admitiu Aemond com um pesar em sua voz. "Eu não poupava você, mesmo quando você implorava que eu o deixasse em paz."

Apertando as mãos em punhos fortes e ignorando a dor que sua unhas deixavam nas palmas da mão, Luke se movia agitado em seu assento, inquieto com várias emoções que ele sentia. Ele queria gritar, xingar, chorar, culpar Aemond e o amaldiçoar por ter feito isso com ele. Mas no final, o que mais o predominava era o vazio e a tristeza.

Ele fechou os olhos, com medo da resposta de Aemond para a próxima pergunta, mas sentia que merecia saber.

"Você me forçou a transar com você?"

Um silêncio se seguiu, fazendo Luke abrir os olhos marejados lentamente e se virar para seu tio. O mais velho se encontrava olhando para a estrada com um olhar ferido, como se ele estivesse sendo machucado ao ouvir a verdade e segredos vindo de sua própria boca. Aemond se recusou a olhar para Luke, com a culpa e remorso sendo escondido nas mechas prateadas de seu cabelo que caíram sobre seu rosto devastado.

"Eu... sabia que naquela época algo sempre me intrigou sobre você. Mesmo te odiando, eu sabia que tinha uma atração intensa por você. Eu me sentia hipnotizado quando conseguia pegar um vislumbre de sua pele leitosa e macia, sentia minha boca secar em desejo de beijar e mordeu todas as manchas e pintas que decoravam seu corpo como uma linda constelação." Confessou Aemond, com uma saudade e culpa em suas palavras. "Eu sempre olhava para Alys e me perguntava por que aos meus olhos, ela nem me deixava tão devastado e com tanto desejo como só ver você me fazia sentir."

"Aemond, você não me respondeu-"

"Uma noite eu discuti com Alys em seu bar e ela me pediu para eu e ela dormir com você. Ela achava que se eu tomasse você por uma noite, essa fome e desejo que eu tinha por você seria saciado. Como eu tinha bebido e estava na companhia do meu irmão Aegon, eu perguntei a ele sobre como deixar parceiros indisposto excitados. Ele se virou para mim já bêbado e me passou um pó de droga, alegando que ele só conseguia transar com Helaena quando cheirava o produto." Contou Aemond com um olhar perdido e enojado na lembrança. "Eu peguei Alys e levei ela para o meu apartamento. Nós drogados a sua comida e..."

Então era sobre isso que Alys pediu perdão após quase quebrar meu nariz em seu apartamento. Pensou Luke, devastado.

Sem poder mais se segurar, Luke deixou soluços saírem de sua boca. Lágrimas caíram em seguida de seus olhos com toda essa revelação horrível. Ele desviou o olhar para a janela, não querendo se mostrar vulnerável na frente do homem que aproveitou de suas fraquezas para o machucar.

O aperto em seu pulso ficou mais forte, mas Luke se recusou olhar para Aemond. Ele não conseguia sem se sentir traído e desamparado.

"Luke, olha... Eu sei que sou um idiota e que não te mereço, mas por favor! Eu sinto muito por tudo! Eu sei que passei dos limites e o que eu fiz foi..." Implorou Aemond, tentando fazer Luke olhar para ele. "Eu quero fazer tudo certo agora! E-Eu te prometo que serei melhor á partir de agora!"

"Como... Como eu me apaixonei por você nesse inferno?" Perguntou Luke mais para si próprio com um olhar indignado e destruído. Luke se virou para Aemond com rancor e decepção. "Eu devo ter enlouquecido e achado que uma porra de síndrome de Estocolmo era um amor distorcido para sobreviver em suas mãos."

Aquelas palavras pareceu que havia machucando profundamente seu tio, já que ele se afastou com um olhar cheio de remorso e assombrado. O aperto em seu pulso diminuiu, mas quando Luke tentou puxar sua mão do alcance de Aemond, seu tio voltou a segurar seu pulso, como uma âncora para se manter.

"Luke, eu admito que te machuquei demais nesse último ano-"

"Pelo menos você tem a porra da decência de dizer isso-"

"Mas você me machucou também! Eu me senti destruído depois disso!" Gritou Aemond em desespero. Ele puxou o tapa-olho, deixando só a ferida cicatrizada e a joia safira brilhando friamente no lugar do olho esquerdo. "Eu aguentei os olhares de pena de todos, julgamento pela deficiência e viver em torno dessa perda!"

"Mas eu não te estuprei, porra! Não te fiz se sentir como menos que nada! Minha mãe me disse que te amei na infância, te admirei antes de você forçar a minha mão para proteger Jace de você, droga!" Gritou Luke em meio ao choro e soluços, batendo em suas próprias pernas em desespero e raiva. "Como você pôde fazer tudo isso comigo e ainda olhar para mim como se nada tivesse acontecido?! Como você pode ser tão cruel assim?!"

Com as mãos trêmulas, Aemond desliga o carro e se vira para Luke com um olhar magoado e aflito.

"Eu também estou machucado-"

"Foda-se o que você sente! Você nem se importava com o que eu sentia enquanto passava esse inferno com você-"

Aemond apertou o pulso de Luke, fazendo o mais novo choramingar de dor e desconforto. O mais velho diminuiu no aperto, mas puxou Luke na direção dele.

"Eu me importo agora. Não podemos mudar o passado, Taobá. Mas posso te prometer uma última vez que irei te proteger e te amar da forma que você escolher."

Luke olhou para Aemond por um momento com um olhar ferido, mas no final, ele desviou o olhar cansado. Aemond viu isso como uma oportunidade de continuar.

"Quero me redimir com você, mas não consigo seguir em frente com esse-"

"Como eu me apaixonei por você?" Perguntou Luke com uma voz rouca pelo choro, cortando a fala de Aemond.

Por um momento, Aemond olhou para o sobrinho com um olhar perdido e aflito, tentando achar palavras para responder.

"Eu... não sei dizer. Eu não sabia que você... me amava..." Sussurrou Aemond com um olhar dolorido e perdido. "Mas me lembro quando você pediu para mim ser seu amante. Foi seis meses antes de Harrenhal, quando você me disse que queria..."

O rosto de Aemond empalideceu por um momento, como uma realização se seguiu na mente do mais velho. Lágrimas começaram a se acumular em seus olhos, mas ele os fechou, não permitindo que caíssem. Aemond voltou a cair em seu assento com um olhar derrotado e perdido.

"Você não vai terminar de falar?" Perguntou Luke com uma voz engasgada, se sentindo azedo e vazio.

As buzinas do lado de fora do carro ficaram mais alta, alertando os dois ocupantes que os carros a frente foram finalmente liberados e os automóveis na estrada voltaram a andar em seus caminhos. Mas isso não pareceu importar para Aemond, que escondeu seu rosto em sua mão.

Lágrimas começaram a cair do único olho de Aemond mesmo fechado. A falta de movimento e lágrimas no lado do rosto marcado de seu tio, fez uma tristeza e culpa corroer dentro de Luke.

Ele sabe que seu tio estava marcado pela dor que Luke lhe causou, da mesma forma que o mais jovem estava marcado pela dor e miséria que seu tio o fez passar. Como dois lado de uma moeda enferrujada pelo tempo e maus-tratos.

"Na época você disse que queria aprender a desenhar. Mas eu não queria agradar você, então eu recusei. No dia seguinte você tentou fazer o café da manhã e eu fiquei enfurecido por que você é um merda na cozinha. Mas... você tinha se virado para mim e pedido para ser meu amante. Que você iria me agradar se eu pudesse agradá-lo com materiais de artes. Eu... aceitei e te tive de todas as formas que eu te desejava. Mas com o tempo, eu percebi que você não desenhava. Não no nosso apartamento. Quando eu perguntei sobre isso, você me disse que não sabia como se expressar e por isso pintava, com a intensão de mostrar e derramar o que sentia."

Luke continuou em silêncio, deixando Aemond continuar.

"Você me disse que tinha algo mais precioso para valorizar, que não precisava pintar já que não precisava mais ansiar de longe o que pintava."

Processando o que Aemond disse, Luke arregala os olhos, surpreso. O mais jovem sente seu coração se apertar em dor.

O seu outro eu com memórias, ansiava pintar aquilo que mais desejava. E a maioria dos quadros que ele escondeu na mansão Muralha Vermelha era de Aemond pintado em várias posses e gestos.

Luke sempre amou Aemond, mesmo depois do acidente da perda do olho de seu tio. Ele o amou para aceitar e perdoar tudo, provavelmente para conseguir o perdão e a confiança de Aemond como antes do acidente.

Uma realização se seguiu para Luke.

Ele não veio para Porto Real só para trabalhar como mecânico, ele veio para tentar consertar o relacionamento que tinha com Aemond. Com seu único melhor amigo de infância e seu primeiro amor.

O mais jovem não pôde deixar soltar risadas secas e quebradas, caindo em seu acento com seu corpo acabado.

"Eu devo ter sido muito patético. Me rastejando por seu perdão." Comentou Luke com um olhar dolorido e cansado.

Aemond se mover apressado, se aproximando do campo de visão de Luke, negando com a cabeça com um olhar desesperado.

"Não! Você foi mais corajoso do que eu! Você aceitou o que sentia enquanto eu..." Mais uma vez, Aemond não pôde terminar com um olhar infeliz. "Eu me sentia perdido, não sabia que te amava mesmo quando te culpava pelo meu olho."

Acenando com a cabeça, Luke se vira para Aemond.

"Você se arrepende?" Perguntou Luke com um olhar cansado.

"Sim. Amargamente." Confessou Aemond, limpando as lágrimas caídas e ligando o carro. "Peço perdão por tudo."

Luke desviou o olhar por um momento para a mão segurando seu pulso. Ele coloca sua mão livre no pulso de Aemond, o fechando também.

"Eu não sei se posso te perdoa. Sei que você ainda guarda rancor por eu ter tirado seu olho." Disse Luke calmamente, voltando seu olhar para o olho intenso de Aemond. "Mas pelo amor que sinto por você, estou disposto a tentar..."

Um suspiro trêmulo, mas aliviado, escapam dos lábios de Aemond. Ele se curva para frente, como se um peso tivesse saído de seus ombros e costas. O mais velho solta o aperto no pulso de Luke, deixando livre o bastante para ser puxado. Mas Luke surpreende Aemond, se soltando e em seguida, pegando a mão maior de seu tio e entrelaçando os dedos juntos.

" ...Se você estiver disposto a me perdoar."

O mais velho olhou para Luke com um olhar conflituoso, mas ele se obriga a relaxar sobre o olhar do sobrinho. Ele entende que para conseguir viver e estar com o jovem ao seu lado, eles precisam superar o passado juntos. Mas uma parte dele ainda se recente com a injustiça da perda de seu olho, não só por está meio cego, mas como viver assim impactou seu psicológico brutalmente. Desde aquele fatídico acidente na infância, ele só vivia ressentido com a vida e todos a sua volta. Não ajudava que a marca cicatrizada em seu rosto conseguia assustar qualquer criança que olhasse para ele. Até seus irmãos evitava olhá-lo. Sua mãe sempre o olhava com pena e amargurada que seu filho favorito saiu com trauma físico e psicológico da perda. Sempre um lembrete do que ela não conseguiu proteger.

Mas agora ele é um homem adulto, com suas experiências e cicatrizes.

No final das contas, Aemond não queria uma dívida paga pelos preconceitos ou lutas que ele passou para se adaptar.

Ele só queria que alguém o visse através da cicatriz, que visse o quão desesperado ele estava por aceitação e amor que nunca teve em sua família. Como filho sobressalente, um segundo filho que não herdará nada importante ou que faria falta, ele estava fadado a terminar com nada.

Mas isso não é mais verdade. Uma voz que o lembrava de sua doce irmã Helaena disse em sua mente. Você ainda tem ele.

Aemond olha para suas mãos unidas e em seguida para seu sobrinho. Não só sobrinho, sendo agora seu amado amante. Ele sabe que precisa ser melhor para mostrar para seu amor que ele pode ser melhor.

Que ele é digno de amá-lo e ser amado.

Parando num sinal vermelho, Aemond se vira para Luke e puxa suas mãos entrelaçada para ele, fazendo o mais jovem se assustar com o movimento brusco.

Colocando sua outra mão na bochecha de Luke, Aemond aproxima seus rosto, tocando seus nariz e olha para ele com um olhar vulnerável e apaixonado.

"Eu te perdoei já faz um tempo, Taobá. Sou eu que preciso do seu perdão, e irei fazer qualquer coisa por isso. Mas por favor, não me peça para te deixar. Eu te quero e eu te amo na mesma densidade, Lucerys. Mesmo que você me odeie agora, eu irei respeitar, mas não aceitarei que você me afaste." Confessou Aemond com uma voz rouca, apreciando como os olhos castanhos-esverdeados de seu amado sobrinho ficava brilhante com a luz do sol sobre eles. "Então só te peço para me dar uma chance de mostrar que sou digno o bastante para você."

Sentindo seu coração traidor bater mais forte com a aproximação, Luke se derrete no toque de Aemond, fazendo ele soltar um suspiro trêmulo e aliviado. É uma verdade amarga que o mesmo toque que ele almeja é o mesmo que trás tanta dor á ele.

Ele espera que o tempo seja o melhor remédio para curar as cicatrizes dos dois. Mas por agora, sem saber o que o futuro reserva para os dois, ele irá aceitar essa oportunidade e aproveitar ao máximo.

Morrer sem arrependimentos. E ele não irá se deixar prender num passado que não se lembra, não quando ele pode ter o amor e o perdão que tanto tentou conquistar antes.

Admirando os traços fortes do rosto e cabelo de Aemond, Luke o agrada com um sorriso suave e acena, concordando.

"Acho que podemos trabalhar com isso." Admitiu Luke, admirando o sorriso aliviado de Aemond.

Quando os dois fecharam a distância, buzinas e maldições começaram a ser ouvido atrás do carro, sinalizando que o sinal do trânsito se abriu e os carros voltaram a passar pela estrada que o carro parado deles estava atrapalhando a via.

Quando Luke estava prestes abrir a boca para reclamar, Aemond devorou os lábios de Luke, se deliciando em chupar a língua do mais jovem enquanto segurava com uma das mãos os cachos castanhos com um aperto possessivo. O mais jovem passou os braços sobre o pescoço e ombro de Aemond, buscando se aproximar do homem mais alto apressadamente.

Luke não pôde deixar de choramingar um gemido cheio de desejo, amando como os dentes de Aemond mordia seu lábio inferior e puxava, voltando a buscar a devorar sua língua e boca.

Sentindo seu membro endurecer enquanto seu corpo esquentava em desejo e paixão, Luke gemeu reclamando pela falta de um quarto ou momento para levar esses beijos para algo mais intenso e apaixonante.

"Seus babacas, saiam da porra da estrada!" Gritou um dos motoristas que passava rapidamente perto da janela de Aemond, fazendo Luke pular de susto.

Rosnando em desagrado, Aemond deixou mais alguns beijos e selinhos nos lábios de Luke antes de se separar com relutância e voltar a ligar o carro.

Voltando a se deitar em seu assento, Luke olha para a frente com um rosto bastante avermelhado de vergonha, inquieto pelas emoções que passavam em seu coração. Mas principalmente, por ter o desejo de fingir que o mundo não existe e simplesmente implorar que Aemond transe com ele nos bancos de trás.

Luke esfrega seu rosto com as duas mãos, tentando se recompor e lembrar que precisam está em Harrenhal, que ainda estão em uma missão para sua família.

Ele não pode deixar de rir envergonhado.

Aemond olha para ele confuso e frustrado por um momento, mas vendo como Luke está com o rosto, orelha e pescoço bastante vermelho, ele dá um sorriso divertido para o mais jovem, como se soubesse o que se passa na cabeça de seu jovem amante.

"O que você está olhando? Eu não disse nada!" Reclamou Luke com um olhar envergonhado e indignado.

Aemond cantarolou por um momento, mas em seguida seu sorriso se tornou maior e mais malicioso.

Luke sentiu um arrepio delicioso de antecipação em sua espinha.

"Não me leve a mal, Taobá. Mas você está com o mesmo rosto de quando me perguntou se poderia fazer um boquete em mim-"

"Aemond!" Reclamou Luke, com o rosto queimando mais e sentindo seu próprio membro endurecer mais com a sua imaginação.

Aemond não pôde deixar de rir para o rosto vermelho e indignado de Luke pelo caminho.


Quando finalmente chegaram em Harrenhal, era por volta das quatro horas da tarde. Eles saíram da estrada e entraram no vilarejo abandonado. Após a explosão na mansão Strong, o fogo se espalhou pela floresta rapidamente, chegando nas casas pequenas dos trabalhadores que viviam perto da mata. Os habitantes da vila eram a maioria trabalhadores das minas de Harrenhal, estando no dia cavando e tirando minérios dos túneis subterrâneo. Os poucos que estavam em suas casas, conseguiram testemunhar o começo das chamas se aproximando do vilarejo. Os jornalistas que noticiaram o trágico dia, disseram que os habitantes tentaram apagar o fogo com a água do rio, mas não tiveram muita sorte com o fogo se espalhando até eles e os matando por sufocamento pela fumaça ou pelo fogo.

Os trabalhadores que ficaram para trás nas minas morreram sufocados pela fumaça do fogo que consumiu a floresta ao redor das minas.

Naquele dia, houve sobreviventes, mas foram aqueles que saíram de manhã para visitar ou viajar para fora de Harrenhal.

O único sobrevivente que conseguiu ser encontrado ainda vivo nos escombros da garagem da mansão de Harrenhal foi...

"Esse lugar parece um vilarejo fantasma." Sussurrou Luke, olhando receoso pela janela do lado do passageiro.

"Pode-se dizer que esse lugar se tornou um, Taobá." Comentou Aemond, olhando tenso para a estrada cheia de entulhos queimados das casas destruídas ao redor. "Dizem que Harrenhal é uma cidade amaldiçoada, tendo sido construída pelos ossos e pedaços de corpo dos primeiros habitantes do lugar."

Luke olhou para Aemond com olhos estreitos, o avaliando.

"Você acredita nisso?"

"Não é questão de acreditar, Taobá. É questão de ver com seus próprios olhos." Respondeu Aemond com um olhar tenso e pena, balançando a cabeça para Luke olhasse para frente.

Voltando seu olhar para a estrada, Luke sente seu estômago cair em enjoo e horror, entendendo o que Aemond quis dizer. Em algumas casas, era visto pedaços de galhos saindo das casas de barro destruída pelo fogo. Há também espalhados pela estrada que andavam com Vhagar, finos ou redondo, em formatos que fez Luke empalidecer.

Era ossos humanos espalhados sobre a estrada, que caiam das casas derretidas pelo caminho.

"Como ninguém tinha descobrindo isso antes?!" Perguntou Luke sem fôlego, voltando seu olhar horrorizado para Aemond.

"Por que estamos tentando deixar isso no escuro. A comitiva está prestes a acontecer, Luke. Se toda a Westeros descobrir isso, será um alvoroço completo." Respondeu Aemond com um olhar desconfortável e tenso ao ouvir barulho de ossos quebrando sobre as rodas de seu carro.

Olhando desconfortável, Luke volta seu olhar para as suas próprias mãos.

"Como estão as feridas?" Perguntou Aemond rapidamente, voltando seu olhar preocupado para Luke.

"Eu vou ficar bem." Comentou Luke, não dando importância para isso.

Suspirando de aborrecimento, Aemond volta sua atenção para a estrada. Depois que saíram do vilarejo, os dois se encontram andando pela mata queimada, vendo o estrago deixado para trás. O cheiro de fumaça ainda permeia sobre o lugar, mas não era forte o suficiente para ser perigoso. Afinal, o fogo foi extinto por completo depois de quatro dias, um mês atrás.

Quando chegaram numa área mais aberta, alguns metros de uma das entradas das cavernas das minas de Harrenhal, já havia viaturas paradas e investigadores olhando ao redor. Luke reconheceu um dos investigadores principais conversando com os outros, sendo um dos detetive gêmeos.

Prestes a sair do carro, Luke é parado no meio do caminho por Aemond, que segurou o pulso do mais jovem. Voltando seu olhar para Aemond, Luke percebe que o mais velho está tenso e sério.

"O que?" Perguntou Luke, confuso.

"Preciso que você fique no carro." Disse Aemond com um olhar decidido.

Luke só pôde olhar indignado.

"Por que?!"

"Não consigo trabalhar enquanto fico preocupado com você, Taobá!" Confessou Aemond frustrado, puxando Luke para ele. "E eu prometi à sua mãe que te protegeria."

"E você acha que me deixar no carro irá me proteger?" Perguntou Luke em descrença.

Aemond não respondeu, desviando o olhar incerto.

"Você não tem suas memórias sobre o acidente, não é? O que acontecerá se você olhar demais esse lugar esquecido por Deus e acabar tendo um colapso mental?" Perguntou Aemond sério, voltando um olhar tenso e preocupado para Luke.

Piscando várias vezes enquanto processava o que Aemond disse, Luke percebe que seu tio não estava só preocupado que ele se machucasse fisicamente, e sim que ele se lembrasse do acidente traumático de uma vez e que isso o machucasse seu cérebro pior do que eles imaginam.

Voltando seu olhar para Aemond, Luke suspira carinhosamente, sentindo seu coração apertar por esse homem que passa a maior parte do tempo se preocupando com ele.

Colocando uma mão no lado marcado de Aemond, onde o tapa-olho esta mais uma vez escondendo a safira, Luke percebe que seu tio se inclinou em seu toque, se derretendo na ternura que recebia do mais jovem.

"Eu agradeço por você está preocupado comigo, Qybor. Mas você não acha que eu ficaria mais seguro ao seu lado?" Perguntou Luke que olhava para Aemond com um sorriso gentil e amor brilhando em seus olhos verdes com lascas castanhas.

Soltando um suspiro trêmulo, Aemond encosta sua testa na de Luke, apreciando o toque e o momento com seu amado sobrinho com os olhos fechados. Ele deixou a tensão se derreter dele enquanto ponderava essa opção.

"Você ainda vai ser a minha morte." Murmurou Aemond com cansaço em sua voz.

Deixando uma pequena risadinha sair de seus lábios, Luke fecha os olhos, aproveitando o momento com seu querido tio.

"Aemond, eu sei me cuidar! Por que todos acham que sou frágil só por ser o menor da família?" Reclamou Luke com uma raiva fingida em sua voz, mas o sorriso divertido em seus lábios já o desmentia.

Abrindo os olhos lentamente, Luke percebe que Aemond o estava encarando intensamente. O olhar fez Luke engolir em seco, sentindo uma antecipação no ar.

"Eu sei que você é forte, Taobá." Murmurou Aemond, levantando uma mão até o lado cicatrizado. "Você já mostrou isso mais de uma vez."

Sentindo a culpa se levantar sobre ele, Luke iria abrir a boca para se desculpar mais uma vez, mas Aemond continuou.

"Mas isso não irá aliviar as minhas preocupações. Quando você tinha sumido na última vez, achei que você tinha saído e arrumado um amante." Confessou Aemond, desviando o olhar envergonhado e culpado. "Eu rastreei cada pessoa que interagiu com você enquanto estava me queimando de ciúmes. E no final, você estava era aqui. Sequestrado e indefeso para ser..."

Morto. Era isso que Aemond não suportava dizer, sabendo que falhou em proteger o sobrinho enquanto Luke foi sequestrado e jogado em Harrenhal para morrer com todos os habitantes do lugar.

Era óbvio que Aemond se culpava pelo acidente, mesmo não tendo sido ele o responsável.

Suspirando em aborrecimento, Luke pega uma mecha prateada caída na frente do rosto de Aemond e coloca atrás da orelha de seu tio com ternura, fazendo o mais velho soltar um suspiro apreciativo.

"Mas eu sobrevivi, Qybor. E agora precisamos trabalhar juntos para chegar ao fundo disso. Preciso de você ao meu lado para ser a minha âncora se eu ter uma recaída. Por favor." Pediu Luke com um olhar confiante.

Sentindo que estava perdendo nessa discussão, Aemond acena, concordando. Quando ele iria responder, uma batida no vidro da janela do seu lado é ouvida, fazendo os dois se virarem e ver que há alguém do lado de fora querendo relatar algo.

Voltando seu olhar apressado para o mais jovem, Aemond olha para os olhos castanhos-esverdeados que ele tanto ama.

"Quando sairmos, não saia do meu lado. Não fique fora da minha vista. Se encontrar algo, me chame primeiro." Pediu Aemond com um olhar apressado.

Luke acena, concordando. Ele ganha um beijo no olho esquerdo como recompensa e os dois saem do carro ao mesmo tempo.

"Detetive Erryk." Cumprimentou Aemond com um olhar frio e intenso.

Andando ao redor do carro, Luke para atrás de Aemond, pegando a mão do mais velho com a sua e dando um aperto reconfortante.

"Capitão Targaryen." Acenou Erryk apressadamente, voltando seu olhar para o garoto atrás do capitão. "Luke."

Acenando rapidamente para cumprimentar, Luke percebe o olhar impaciente de Aemond sobre o outro detetive.

"O que vocês encontraram?"

"Parece que algumas das entradas da caverna foi bloqueada por alguns pedregulhos, Capitão. Os investigadores estão achando que foi bloqueada propositalmente, já que alguns da equipe que vieram checar o lugar pela segunda vez alegaram que não estavam bloqueadas antes." Informou detetive Erryk que voltou a olhar para o grupo de investidores que saia e entrava na entrada á poucos metros. "Essa entrada foi a mais segura que a equipe encontrou para entrar, senhor."

"Vocês conseguiram o que eu pedi?" Perguntou Aemond, ainda encarando a entrada da mina.

"Sim, Senhor. Os investidores conseguiram uma cópia da planta das passagens subterrânea das minas. Mas devo avisá-lo que está desatualizada, tendo sido feita á cinquenta anos atrás." Avisou Erryk voltando seu olhar para o Capitão da Guarda Real.

Voltando seu olhar para a mina, Aemond decide o próximo plano a seguir.

"Iremos usar o que temos, então. Vamos nos dividir em grupos de três, dois grupo entrarão para analisar, utilizando a corda que trouxemos como guia para voltar a entrada. Preciso que os grupos usem as cópias da planta para desenhar as novas passagens encontrada pelo caminho, mas ainda continuando o trabalho de procurar ao redor. Eles terão duas horas para voltar para a entrada com a planta atualizada. O grupo que ficará para trás irá fazer uma busca pela montanha, acima das cavernas. Fui claro?" Perguntou Aemond, não dando espaço para discussão.

"Mas capitão, o que estamos procurando por aqui?" Perguntou Erryk com um olhar confuso e preocupado.

"Qualquer coisa que não foi encontrado antes, detetive." Respondeu Aemond com um olhar incerto, mas mudou rapidamente para olhar determinado para o detetive. "Me informe se algo for encontrado."

"Sim, senhor! Com licença, Capitão." Se despediu Erryk apressadamente, correndo para o grupo de investigadores para cumprir as ordens.

Se voltando para Luke, Aemond dá um aperto firme nas mãos entrelaçada dos dois, enquanto andam lentamente até os outros investidores.

"Você está bem?" Perguntou Aemond calmamente, olhando para longe.

"Já estive melhor." Respondeu Luke com um sorriso divertido.

Aemond se vira para Luke com um olhar preocupado, fazendo o sorriso do mais jovem cair.

"Quero dizer... você está se lembrando de algo?"

"Não. Mas o cheiro de fumaça e morte sobre o lugar está me deixando enjoado e com mal pressentimento." Admitiu Luke com um olhar afetado.

Sentindo o aperto de suas mãos unidas ficarem mais forte, Luke percebe que não é o único se sentindo assim.

Todo o lugar foi destruídos pelas chamas, deixando cinzas e morte pelo lugar. As árvores que continuaram em pé estavam escuras, queimadas e com galhos tortos sem folhas. Cinzas predominava onde uma vez era grama verde e alta. Todo o lugar parecia que foi devorado até que restasse cinzas e agora ossos que as paredes escondiam.

E como um flash de memória subindo, Luke se lembra das palavras do primeiro encontro que ele teve com sua tia Alys Rivers.

"O fogo sempre nos levam nas verdades que todos tentam esconder."

Um calafrio subiu na espinha de Luke, finalmente entendendo o significado das palavras de Alys.

"Aemond, Alys é uma vidente igual a tia Helaena?" Perguntou Luke de repente, pegando o mais velho desprevenido.

"Ela me disse uma vez que a mãe dela era uma cigana conhecida por ser descendente de bruxas que vieram para cá das Terras Fluviais." Comentou Aemond calmamente, mas o olhar agitado que ele olhava para o mais jovem desmentia essa calma. "Foi... graças a ela que eu descobri que você estava em Harrenhal."

Surpreso, Luke puxa Aemond para parar no meio do caminho de terra e cinzas.

"Ela sabia que eu estava aqui?!" Perguntou Luke, surpreendido.

"Não exatamente." Aemond suspirou sem jeito, voltando a olhar Luke com preocupação. "Eu fui atrás dela para perguntar se você estava na casa dela e ela simplesmente olhou para o fogo da lareira dela e disse que você estava prestes a ser consumido em Harrenhal."

Luke abriu a boca para falar, mas fechou rapidamente quando viu que não sabia responder de uma forma que não parecesse ofender Alys.

"Eu sei, foi estranho. Mas graças a essa dica, soube que você estava sendo levado as pressas para o hospital dessa região e pude chegar até você." Contou Aemond olhando com um sorriso cansado. "Mas acredito que ela tenha sua própria forma de ver o futuro. Helaena me informou que você iria ficar comigo antes mesmo que eu soubesse."

Acenando com a cabeça em concordância, os dois voltam a andar para o grupo que os esperavam.


Se juntando com o grupo que iriam procurar pela montanha, Luke e Aemond se encontravam olhando ao redor da mata queimada, com outros investigadores á vista ao longe fazendo o mesmo. Ao subir mais para cima, eles começam a se deparar com alguns insetos mortos sobre as cinzas.

"Então essa é a centopeia com carapaça grossa que Helaena me disse antes..." Murmurou Luke, olhando curioso para uma centopeia queimada.

Estando á poucos passos do mais jovem, Aemond o ouve e se aproxima.

"Quando éramos pequenos, nos procurávamos insetos no quintal da mansão para darmos á Helaena de presente." Contou Aemond com um sorriso nostálgico. "Minha irmã sempre nos enchia de elogios por isso."

Voltando seu olhar para Aemond, Luke sente uma tristeza em si por não ter essas lembranças para compartilhar com seu tio.

"Acho que ela ficaria feliz em ganhar uma dessas centopeia, mesmo que não esteja viva." Comentou Luke com um sorriso gentil.

Concordando, Aemond se levanta para olhar em volta.

"Se você encontrar uma mais conservada e menos queimada, me avise." Pediu Aemond, andando para o lado enquanto olha em volta.

Com um sorriso animado, Luke olha em volta, agora procurando uma centopeia mais intacta no meio das cinzas.

Talvez esse presente faça sua tia Helaena ficar feliz. Uma tristeza e luto tenta se libertar de seu coração ao lembrar como as perdas dos filhos deixou a doce Helaena tão vulnerável e abatida. Ele espera que ela aprecie o presente em meio ao luto.

Vendo algo em cima das cinzas mais acima na montanha, Luke caminha até chegar no objeto no chão.

Ele encontra uma centopeia manchada de cinzas, mas intacta, comparada com a que eles encontraram antes.

"Olha, Aemond!" Gritou Luke animado, pegando o inseto e levantando para seu tio ver o que ele tinha na mão. "Achei uma que não está queimada-"

Luke não pôde terminar de dizer, com o inseto em sua mão do nada se contorceu no aperto do mais jovem. O garoto de cabelo castanho soltou um grito assustado, jogando o inseto de sua mão e se afastando para trás em meio ao pânico.

"Luke!" Gritou Aemond ao longe, assustado que o inseto tenha picado Luke e correu em direção ao mais jovem.

Quando Luke iria respondê-lo, o mais jovem sente a terra abaixo de seus pés sumir e aterrorizado, ele solta um grito na queda.

Luke tentou se agarrar em algo, mas não tinha nada além de ar e escuridão ao cair dentro de um buraco escuro. Quando ele sentiu o chão sobre seu corpo, ele bateu a perna esquerda e ombro no impacto, fazendo um grito e choro sair de seus lábios.

"Merda! Luke! Cadê você?!" Gritou Aemond desesperado, acima com o eco da voz do mais velho sendo ouvido no lugar que o mais jovem tinha caído.

"E-Estou aqui!" Gaguejou Luke em dor, sentindo sua coxa enfaixada queimar em dor profunda.

Ele deve ter aberto os pontos mais uma vez.

Aemond gritou por ajuda. Não demorou muito para os investigadores ao redor se aproximarem para ajudar.

Uma luz é vista pelo buraco que ele caiu, se movendo ao redor até encontrar a figura caída de Luke.

"Espera, eu irei descer!" Gritou Aemond, segurando com mais força seu celular para passar o flash de luz sobre a passagem.

"Senhor, você não pode descer! É alto demais a queda!" Gritou alguém de fora.

Rosnando em aborrecimento, Aemond olha pela fenda, percebendo que o lugar escuro é um dos caminhos subterrâneo da mina principal.

"Eu não vou deixa-lo ferido lá! Chamem a enfermeira policial Nettles e consiga para mim a cópia da planta subterrâneo da mina! Agora!" Berrou Aemond apressadamente, voltando seu olhar tenso e inquieto para o buraco. "Luke, não saia daí, irei te buscar!"

"Eu vou esperar!" Gritou Luke de volta, enquanto mordia os lábios para não gemer de dor.

Quando viu que todos desapareceram do buraco com a única luz entrando na caverna, Luke olha em volta, percebendo que não irá conseguir muita visão sem uma luz para guiá-lo.

Levantando com dor, Luke se agacha ao sentir uma dor intensa no pé esquerdo. Ele percebe com desânimo e desamparado que seu tornozelo estava torcido.

Se encostando numa parede de pedra, Luke pega seu celular que agora se encontrava com a tela quebrada. Quando ele liga, ele suspira aliviado ao ver que ainda funcionava.

Sem sinal para fazer ligação, ele liga a lanterna do celular e olha em volta. A área que ele se encontrava era pequena, mas com fácil acesso para se locomover. Havia três corredores escuros á sua frente, fazendo Luke olhar com desamparo sobre esse labirinto de pedra que se encontrava.

Usando as paredes para se manter de pé, Luke se aproxima dos corredores, percebendo surpreso que o caminho do meio tinha tochas mais recentes presas nas paredes.

"Talvez seja um caminho usado..." Sussurrou Luke com esperança.

Olhando para trás, Luke reflete se irá ficar ou vai seguir o caminho. Voltando seu olhar para frente, Luke escolhe seguir e checar o caminho. Se ele se encontrar preso em mais de um caminho pela frente, ele irá voltar e esperar perto da abertura. Ele sabe que em uma hora irá começar a anoitecer e será mais difícil de ser resgatado, mas pelo menos ele terá algo para dar como referência se ele encontrar algo.

Mas logo a esperança do mais jovem se esvai ao perceber que o caminho que pegou era sem saída. Olhando com tristeza e perdido, Luke se vira para voltar pelo caminho que veio, mas algo brilhando o faz parar e voltar a luz para o canto brilhante.

Se aproximando, ele percebe que é uma pedra presa nas paredes das cavernas que brilhava na luz da lanterna de seu celular, acima do pedregulhos cavados, espalhados pelo chão. Observando o minério, Luke bate nele e percebe perplexo que não era uma rocha. Não poderia ser uma simples rocha, já que era bastante brilhante. O jovem castanho se move de lado ao sentir o reflexo brilhante bater em seus olhos.

"Por que eu sinto que já vi esse minério..." Se perguntou Luke, tentando lembrar de onde tinha visto.

Mas um reflexo batendo na parede faz Luke perceber que o tal brilho não estava vindo da parede com esse minério.

Estava vindo do pescoço dele.

Pegando rapidamente o colar que ele usava, o mais jovem percebe, espantado, que o material do colar era o mesmo material do minério na parede.

O minério nas paredes das cavernas que Luke se encontrava preso era aço.

Aço Valiriano.

O aço extinto após o terremoto que destruiu a antiga cidade Valíria. Que agora se encontrava em baixo do mar com vários metros de profundidade.

E agora, sendo o aço mais caro do mundo.

Luke soltou um suspiro horrorizado, finalmente entendendo por que a família Strong foi morta e Alys o pediu para procurar pistas aqui.

Olhando em volta, Luke percebeu que a caverna onde se encontrava foi cavada recentemente, então a mineração do Aço Valiriano foi encontrada á pouco meses.

E a descoberta disso faria não só a família Strong se tornar a mais rica e poderosa em dinheiro, mas também iria fazer uma guerra com todas as casas poderosas de Westeros tentando conseguir colocar as mãos nessa mina de ouro encontrada.

Os Strong claramente esconderam esse lugar, tentando não permitir que o mundo descobrisse esse segredo devastador. Mas sempre terá alguém na família ou que saiba que irá querer manter essa fortuna só para si.

E foi por isso que Larys, sem remorso ou culpa, conseguiu as bombas caseiras de Addam Velaryon e explodiu a própria casa enquanto estava numa reunião na empresa Muralha Vermelha.

No final, sendo o único sobrevivente e o único membro de sangue Strong vivo, toda a fortuna e dinheiro em aço Valiriano seria só dele.

Mas, como uma peça macabra do destino, Luke não morreu na explosão em Harrenhal e nem Alys morreu na explosão em seu próprio apartamento.

E Larys irá corrigir isso indo atrás dos dois.

Não. Não só dos dois. Seu irmão mais novo, Joffrey, é filho biológico de Harwin Strong como o próprio Luke.

E ele deve estar indo agora atrás do seu irmão mais novo.

Com as pernas trêmulas de ansiedade e pânico, Luke dá alguns passos para trás, se apoiando nas paredes escuras á sua volta.

Ele precisa avisar alguém! Precisa avisar seus pais do perigo!

Um barulho ao longe faz Luke pular assustado e sair de seu estado em pânico, mais alerta do que nunca.

"Tem alguém aí?!" Gritou Luke com uma voz aflita.

Ele ouve mais uma vez uma voz ao longe. Se levantando e afastando da parede, Luke ilumina seu caminho e começa andar mancando com urgência de volta pelo caminho que veio.

"Aemond, é você?" Gritou Luke esperançoso, ignorando a dor que subia de sua perna e corpo.

Ao chegar na parede que ele havia caído, o mais jovem levanta a luz para cima, percebendo com ansiedade e medo que já era noite, por isso nenhuma iluminação vinha do buraco que ele havia caído.

Voltando seu olhar em volta, Luke ouve outro grito e percebe que era uma voz feminina familiar gritando por socorro ao longe.

A cor foge do rosto de Luke ao perceber que a voz era de Alys.

Ouvindo de novo o grito, Luke entra no corredor direito, assustado e preocupado enquanto marcava com pressa pelo caminho.

"Alys, é você?! Onde você esta?!" Gritou Luke, tentando ouvir o grito de sua tia grávida.

Ele ouve mais perto um grito aterrorizado, e se força a andar com mais pressa, mesmo sentindo a agonia que subia de sua perna.

Ao chegar mais ao fundo, Luke percebe uma iluminação de tocha ao fundo. Quando chega no final, ele encontra um espaço maior com duas entradas ao lado. Ao redor se encontrava caixotes grandes, com um carrinho cheio de Aço Valiriano.

Ele percebe que os caixotes estava cheio do minério Valiriano.

"Saia de perto de mim, assassino de parentes!" Gritou Alys atrás de alguns caixotes, fazendo Luke pular de susto.

Ele se aproxima devagar, tentando não fazer barulho.

"Minha querida meia-irmã, se você se comportasse e seguisse o meu plano, eu não precisaria me livrar de você também." Disse uma voz, suspirando de decepção enquanto mancava até a mulher grávida que se encontrava amarrada em uma cadeira. "Mas agora tenho um boa utilidade para você... e seu bebê."

Ao se aproximar o suficiente, Luke percebe um homem perto de uma Alys presa e percebe chocado que o dito homem que usava uma bengala era ninguém menos que Larys Strong.

Um desgosto e raiva antiga começou a dominar Luke ao observar o homem, finalmente vendo aquele que orquestrou a morte dele e de sua família.

"Seu desgraçado! Você acha mesmo que conseguirá fugir me usando como refém?!" Perguntou Alys com lágrimas antigas manchada em seu rosto furioso.

Larys olhou desinteressado para o chão, como se já tivesse pensando nisso mas não achou relevante.

"Bem provável que não. Mas usarei o seu filho como o único herdeiro vivo com sangue Targaryen." Informou Larys calmamente, com um sorriso que escondia uma piada cruel. "Você já deve ter ouvido que os Targaryen estão morrendo tragicamente nesses últimos dias. Com a facção dos negros e os verdes se matando pela cadeira de ferro, temos que ter nosso próprio Targaryen para comandar Westeros sobre o nosso comando quando não sobrar mais ninguém, você não acha?"

Horror e medo se apodera em Luke, entendendo o plano de Larys.

Tendo começado essa guerra com as mortes em Harrenhal, ele irá acusar os Targaryen de ser o mandante dos ataques terroristas sobre intensão de conseguir as minas com Aço Valiriano. E continuando explodindo os Targaryen e a cidade de Porto Real, a guerra entre as facções irão fazer tanto os verdes como os negros se matarem por vingança e retaliação até sobrar ninguém vivo para ter a cadeira de ferro.

Com a população colocando pressão, será reeleito o novo Chefe da família Targaryen e o novo 'Rei'. E Larys pretende usar o filho ainda não nascido de Alys para conseguir o controle de Westeros, nomeando a criança como o único herdeiro vivo sobre seu controle.

Raiva e ódio fez as mãos de Luke tremerem, com um desejo implacável de roubar a bengala de Larys e quebrar a cara dele com ela.

Com esses pensamentos, Luke se aproximou de Larys por trás como um animal prestes a atacar sua presa. Mas uma voz cantarolando em discordância o assusta, fazendo Luke se virar para trás e se deparar com um homem forte e musculoso, encostado de costa para uma fileira de caixotes com os braços cruzados, balançando a cabeça em discordância para Luke.

"Achei que você fosse mais esperto como seu pai adotivo, garoto." Comentou Hugo Martelo com uma voz decepcionada.

Luke olha assombrado para o homem mais velho e alto que claramente sabia que Luke estava ali, mas não fez nada além de observá-lo por trás.

"Luke!" Gritou Alys atrás dele, desesperada.

Quando Luke iria levantar sua perna para pegar a adaga que ele escondeu na bota, ele sente algo bater com força ao lado de sua cabeça fazendo o jovem Velaryon perder o equilíbrio e cair duro no chão cheio de pedras. Várias luzes passaram por seus olhos, sentindo a dor surda e insuportável ao lado de sua cabeça latejante.

"Parece que temos companhia á partir de agora." Comentou Larys calmamente, enquanto baixava sua bengala para o chão e se agachava com dificuldade para encontrar os olhos do jovem caído. "Se seus pais saírem vivos da comitiva de imprensa, usarei você como isca para acabar com eles de uma vez."

Sentindo lágrimas caindo de seus olhos que revirava em dor, Luke começou sentir uma escuridão chegando em sua visão, o puxando para a inconsciência.

"Isso até parece nostálgico, você não acha, sobrinho?" Perguntou Larys antes que tudo ficasse preto.


Sentindo seus sentindo voltando aos poucos, Otto acorda com uma dor infernal em seu rosto, sentindo particularmente em seu nariz que escorria sangue. Abrindo os olhos com uma agonia que passava por seu corpo, ele percebe que se encontrava amarrado na poltrona do grande escritório que já foi do falecido Chefe da Casa Targaryen, Viserys I. Atrás de Otto, as enormes janelas estavam abertas com a luz das estrelas iluminando pouco o lugar escuro na noite com um clima suave. Levantando a cabeça, ele percebe a mesa que ele estava organizando os documentos validando a reivindicação de Aemond como o novo Chefe e herdeiro Targaryen, preparado para o resultado claramente orquestrado da comitiva de amanhã. Ao lado dos documentos, está a taça com a bebida que ele se serviu mas não experimentou, enviado para ele por seu lacaio Ulf, antes que Otto mandar ele e Hugh Martelo saírem para matar Daemon e Rhaenyra Targaryen.

Ou era para ter acontecido. Mas vendo os dois alvos em pé, observando cada movimento dele, como dragões observando sua presa antes do abate, Otto sabe que seus mercenários não cumpriram o acordo.

E agora ele irá pagar por isso.

"Finalmente a buceta acordou. Achei que teria que socar a sua cara nojenta de novo para ver se reagia." Comentou Daemon com uma voz que região fúria e luto, montando seu revolve com uma experiência prática.

Ele parecia desordenado, com o terno bagunçado e manchado de sangue seco.

"O que vocês estão fazendo aqui?! Me soltem agora!" Exigiu Otto com um olhar inabalável, levantando o queixo com arrogância.

"Você matou meus filhos, meus pais e meus irmãos no processo! Você acha mesmo que está no seu lugar para exigir algo?!" Perguntou Rhaenyra com uma voz rouca e vulnerável, se aproximando até esta em frente á Otto.

Olhando para a filha mais velha e prostituta de Viserys, Otto faz uma careta de desinteresse, escondendo seu olhar enojado. Rhaenyra se encontrava uma bagunça de sangue e cinzas, com o cabelo descabelado com as pontas queimada. O terno que ela usava estava imundo de sangue seco e terra. Uma tipoia segurava o braço esquerdo que claramente estava quebrado.

"Vejo que isso é um mal entendido." Mentiu Otto com um olhar confuso.

"Você explodiu a minha casa, matou minhas filhas Baela e Rhaena, sua boceta miserável! Você vai sair dessa sala em uma porra de saco para corpos!" Contou Daemon com ódio puro em seus olhos, terminando de colocar o cartucho de balas na arma.

Daemon se aproximou de Otto, apontando o revólver no meio da testa do homem amarrado.

"Abaixa essa arma, garoto! Você não sabe se foi eu que matou seus filhos! Eu nem sabia que tinha uma bomba na sua mansão!" Rebateu Otto implacável para Daemon, voltando seus olhos urgentes e inteligentes para Rhaenyra. "O que vai acontecer se eu morrer agora, Rhaenyra? Todos vão saber que você declarou guerra contra a facção Verde!"

"Declaramos guerra?! Nós?!" Perguntou Daemon com um olhar incrédulo e maníaco. "Vocês mataram nossos filhos primeiro! Vocês declararam guerra no momento que mataram meu irmão, porra!"

"Daemon." Disse Rhaenyra, ainda olhando intensamente para Otto. Ela estende uma mão, pedindo silenciosamente pela arma.

Um sorriso satisfeito aparece no rosto de Otto, sabendo que Rhaenyra é a única racional do casal Targaryen e não matará ele de primeira.

Daemon olha descrente e indignado para a esposa.

"Nyra, que porra-"

"Daemon! Eu não vou pedir de novo!" Exigiu Rhaenyra com uma voz que não aceitaria discordância.

Olhando brevemente para a esposa, Daemon coloca a arma na mão menor e delicada.

Otto olhou com um ar de arrogância e um sorriso triunfante, mas rapidamente o sorriso morre, ao ver Rhaenyra pegando a arma e apontando para o joelho esquerdo dele.

Um tiro é ouvido junto com um grito desesperado e angustiado.

"Eu não irei perguntar de novo, Hightower. Então me ouça com atenção ou diga adeus para a perna direita também." Disse Rhaenyra com uma voz fria e cruel. "Onde está Larys Strong?"

Agachado e estremecendo de dor, Otto levanta o rosto em agonia.

"Eu não sei! Rhaenyra, o que você fez?!" Gritou Otto em dor, soltando grunhidos de agonia. "Você foi a melhor amiga da minha filha! Eu vi você crescer!"

Ignorando os apelos do homem mais velho amarrado, Rhaenyra aponta a arma no joelho direito e atira.

Mais gritos são ouvidos na sala, com o choro sendo ouvido em seguida.

"Eu não irei perguntar o por quê você tirou os meus filhos de mim. O poder e dinheiro sempre falou mais alto quando está na sua frente, Hightower. Você me mostrou que tipo de homem nojento e ganancioso que era no momento que casou sua filha Alicent de quinze anos ao meu pai que possuía a sua idade." Comentou Rhaenyra com uma voz vazia, mas seu olhar furioso e insano mostrava como as perdas dessa semana a destruiu. "Meu único erro foi não ter tirado meus irmãos e irmãs da sua manipulação. Agora tenho o sangue de Helaena nas minhas mãos."

Otto levantou o rosto, com dor e incomodado.

"Helaena não pode está morta! Alicent me disse que minha neta estaria com ela no hospital!" Gritou Otto com um olhar infeliz.

Negando com a cabeça, Rhaenyra olha melancólica para Otto.

"Ela ficou na mansão, com Baela e Rhaena fazendo companhia á ela. Helaena... ela pediu para ser trazido para a mansão as roupas e brinquedos da Jaehaera do apartamento que ela possuía no centro. Meu filho Joffrey, levou o pequeno Aegon e a filha de Helaena, Jaehaera, para ir buscar naquela manhã com a empregada da família." Informou Rhaenyra com um olhar de dor e luto. "Eles foram os únicos sobreviventes da explosão na mansão Muralha Vermelha."

Uma pausa se seguiu, com os grunhidos de dor de Otto sendo ouvido no ambiente escuro do escritório. Mas uma risada seca e amarga fez Rhaenyra levantar a arma com desgosto e raiva para Otto.

Rindo com desamparo, Otto se vira para Rhaenyra com olhos vermelhos e marejados.

"Então esse era o plano de Larys." Comentou Otto com uma raiva em sua voz grossa e forte, sem explicar nada.

"Você vai falar, ou terei que te rasgar para isso?" Perguntou Daemon, se aproximando com ódio em sua voz.

Otto não deu atenção ao príncipe rebelde, ainda encarando Rhaenyra.

"Estava sempre na nossa frente, mas nenhum de nós percebemos até que fosse tarde demais." Murmurou Otto, cansado pela perda de sangue e dolorido.

Antes que Daemon se aproximasse e socasse o rosto de Otto, o homem amarrado continuou.

"Ele irá nos fazer nos matar, até que não sobre ninguém além do bastardo que a meia-irmã dele carrega de Aemond." Contou Otto com uma raiva fria. "E nós estamos fazendo exatamente o que ele planejou."

Antes que qualquer um pudesse abrir a boca, o barulho da porta do escritório se abrindo e batendo com força na parede assusta os três que se vira rapidamente para os recém chegados.

Um suspiro chocado sai dos lábios de Rhaenyra, reconhecendo a pessoa que entrou primeiro como seu meio-irmão, Aegon II. Com o corpo fortemente enfaixado e possivelmente drogado, Aegon entra mancando, vestindo um terno vermelho sangue sobre o corpo ferido. A queimadura em seu rosto direito, subindo até a área agora queimada com pouco cabelo capilar, estava á mostra, fazendo Rhaenyra estremecer em horror e tristeza.

Aegon entrou com um galão de gasolina em uma das mãos e um cigarro na boca.

Logo atrás de Aegon, um Criston Cole com hematomas no rosto e também mancando entrava com uma arma em mãos.

Daemon e Rhaenyra ficaram logo em alerta com a nova situação encontrada.

"Perece que cheguei atrasado na festa." Comentou Aegon com uma voz grossa pela falta de uso.

"Aegon, você deveria está no hospital-"

"Eu estou bem o suficiente, irmã. Vim ver meu avô, mas parece que já estão ocupados." Dispensou Aegon, soltando fumaças de seu cigarro pela boca.

"Você não parece bem, garoto." Comentou Daemon para Aegon, mas sem tirar os olhos de Cole.

"Sim, eu já estive melhor antes." Comentou Aegon sarcasticamente, pegando uma arma de sua cintura e apontando para Otto. "Então, eu estava certo? Você armou a explosão no carro?"

Otto olhou com uma cara indignada e decepcionada para Aegon.

"Vire essa arma para lá, garoto! Não sou eu que matou seus irmãos e filhos! Foi Rhaenyra e sua arrogância em tomar o trono que era para ser seu, Aegon!"

Aegon fez uma careta de desagrado, enquanto refletia.

"Egg, você não deveria está aqui." Disse Rhaenyra com um olhar preocupado. "Por favor, volte para o hospital."

Com um olhar intenso, Aegon se vira para Rhaenyra, apontando a arma para ela no processo. Daemon se aproxima ao ver a arma, mas Cole entra no caminho dele apontando uma arma para Daemon, fazendo o Diretor dos Mantos Dourados parar em seu caminho, rosnando em advertência.

"Você pegou todos os envolvidos?" Perguntou Aegon com um olhar vazio.

Rhaenyra olhou entre Otto e Aegon, finalmente desviando para o chão.

"Não. Mas já pegamos Vaemond e Ulf. Estou tentando pegar de Otto onde estão Larys e Hugh Martelo." Informou Rhaenyra com um olhar culpado.

Olhando por um momento para Rhaenyra, Aegon acena, como se já esperasse por essa resposta. Otto não perdeu tempo em usar isso á seu favor.

"Ela matou Helaena, Aegon! Sua esposa e seus filhos! Você vai permitir que eles saiam impune?! Faça alguma coisa e proteja sua mãe e Aemond deles!"

Suspirando de cansaço, Aegon baixou a arma e pegou o galão de gasolina e abriu, deixando o cheiro forte e pesado do líquido preencher o escritório.

Otto parou de tagarelar, olhando confuso para seu neto mais velho.

"O que você vai fazer com isso?" Perguntou Otto, receoso.

Aegon não respondeu. Ele simplesmente levantou o galão com as duas mãos e jogou a gasolina sobre o corpo amarrado de Otto. O homem começou a se agitar desesperado com o cheiro e o líquido grudento forte em seu corpo. Otto começou a tossir e cuspir, sufocando com o cheiro forte.

Rhaenyra e Daemon se afastaram, fugindo do líquido forte e perigoso.

"O que você está fazendo?!" Gritou Otto desesperado enquanto tossia forte, não conseguindo abrir os olhos.

Suspirando em decepção, Aegon tirou o cigarro da boca e segurou descuidadamente, fazendo Rhaenyra, Daemon e Otto se afastarem temerosos.

"Eu achava que você fosse mais esperto do que isso, vovô." Comentou Aegon com ironia, se aproximando do homem molhado de gasolina. "Você não disse que os Targaryen resolvem as coisas com fogo e sangue? Irei te mostrar como foi para mim ser queimado vivo pela sua ganância."

"Aegon, por favor, se afaste dele e venha aqui." Implorou Rhaenyra, preocupada que seu irmão esteja perto demais da gasolina com um cigarro na mão.

"Seu garoto idiota! Você não sabe mais quem é o seu verdadeiro inimigo!" Gritou Otto indignado e entre as tosses forte.

Aegon se virou para a irmã, tragando profundamente o cigarro e abaixando mais uma vez o palito perigoso.

"Achei que você ficaria feliz se eu sumisse do mapa, irmã. Assim você não teria ninguém para se impor à sua herança." Comentou Aegon com um sorriso fraco e deprimido.

Negando com a cabeça, Rhaenyra começa a se aproximar de Aegon até pegar a mão livre dele. Ela ignora o chamado tenso de seu marido e olha para Aegon com um olhar marejado e triste.

"Não, Egg. Eu nunca quis perder nenhum de vocês. Eu perdi a minha mãe cedo e me senti tão sozinha diante de todos que me queriam morta. Vocês foram os meus primeiros pilares que me mantiveram em pé lutando, junto com os meus filhos..." Lembrar daqueles que morreram, Jace, Baela, Rhaena e pequeno Viserys faz as lágrimas que tanto segurava, cair dos olhos de Rhaenyra. Aegon não ficou atrás, sentindo o luto e dor caído como lágrimas de seus olhos. "Jace não iria querer isso. Nenhum dos meus filhos que te amaram iria querer isso, Egg. Precisamos de você aqui, vivo e ao nosso lado."

Desviando o rosto triste e manchado de lágrimas, Aegon olhou para mesa e encarou a garrafa de vinho e a taça ainda cheia do líquido.

Ele lambeu os lábios secos, se virando para Rhaenyra.

"Tudo bem então." Disse Aegon, fazendo os ombros tensos de Rhaenyra diminuir em alívio.

"Você é um idiota, garoto! E sua mãe e seu irmão?! Como eles irão-"

Otto não terminou de falar. Aegon jogou seu cigarro nele, fazendo o homem amarrado queimar em chamas rápidas. Gritos são ouvidos enquanto Aegon empurra Rhaenyra para trás, longe das chamas brilhantes.

"Isso que eu chamo de resolver as coisas com fogo e sangue." Respondeu Daemon que pegou um dos braços de Rhaenyra e a puxou para ele.

Sentindo uma raiva ainda em suas veias com os gritos de Otto, Rhaenyra levanta sua arma e atira sem parar no corpo em chamas na sua frente. Aegon a seguiu, atirando em seu avô até todo o cartucho da arma está vazio.

Quando eles terminaram, o extintor de incêndio do teto ligou, molhando a sala e provavelmente todo o prédio com os gritos que eram ouvido por todo o edifício.

"Então é isso." Comentou Aegon com uma voz cansada.

"Aegon, você precisa aparecer na comitiva de amanhã e passar sua herança para Rhaenyra." Disse Daemon com uma voz séria.

"Daemon! Agora não é hora pra isso!" Reclamou Rhaenyra, voltando um olhar de desculpas para Aegon. "Você precisa voltar ao hospital, Aegon. Não podemos nos arriscar que você pegue uma infecção."

Ignorando a irmã, Aegon pega a taça de vinho de cima da mesa e cheira o conteúdo, sentindo uma sede por está dias sem tomar álcool. Seu corpo também se encontrava trêmulo por conta da falta das drogas que ele sempre tomava.

Ele estava com uma porra de abstinência, e preso num hospital ele não conseguiu alívio.

Bebendo o copo de vinho, Aegon olha molhado pela água que caia dos extintores do teto. Ele deu um sorriso satisfeito, sabendo que poderá beber a garrafa de vinho até esquecer essa realidade triste e cruel.

"Não se preocupe, Nyra. Irei aonde você quiser." Disse Aegon, começando a tossir. Ele bebe o copo por completo para aliviar a garganta. "Mas me deixe aproveitar esse doce vinho."

Aegon fez uma careta de dor por um momento.

"Aegon, o que foi?!" Perguntou Rhaenyra, preocupada.

Tossindo, Aegon percebe o que está acontecendo e olha para Rhaenyra com um olhar de desculpa.

"Eu... sinto muito." Comentou Aegon com sangue vazando de seu nariz e seus olhos revirando.

O corpo de Aegon caiu sobre Rhaenyra, fazendo ela gritar histérica.

"Chamem ajuda! Por favor!"

Cole saiu pela porta, seguido por Daemon.

Rhaenyra se virou para um Aegon que começou a ter convulsão nos braços de Rhaenyra.

Entre choro e pânico, Rhaenyra não percebeu que Aegon só parou de se contorcer quando o veneno que estava no vinho, chegou no coração de seu irmão.