Cap. 3 – A Ameaça Lilá Brown

Quem estava entrando para o Salão Comunal da Grifinória, em meio à tantas risadas escandalosas,algumas às vezes abafada por uma mão colocada em frente à boca, eram Lilá Brown e Parvati Patil, que haviam voltado do café-da-manhã para colocarem mais um casaco devido ao frio intenso que fazia em Hogwarts essa época do ano. As paredes de pedra do castelo, frias por natureza, ficavam ainda mais gélidas em dezembro, mesmo dentro das salas comunais com suas lareiras acesas e as chamas do fogo dançando na madeira que queimava bonita aos olhos. As duas pararam, estáticas, ao mirarem Hermione: a colega, que tinha antes um cabelo armado e cor de água suja, estava agora com cabelos lisos e longos, graças à um truque de alongamento capilar ensinado por Tonks, além de ter mechas claras por todo seu comprimento. Gina também havia caprichado no make de Mione, passando um blush rosado em suas bochechas, lápis preto e rímel em seus olhos e um gloss rosinha em seus lábios, além de um perfumezinho suave (mas marcante) em seu pescoço. Voltando de seu estado de choque e percebendo o clima que rolava entre Rony e Hermione, Lilá foi tomada por um acesso de ciúmes descomunal, pois ainda cultivava um sentimento intenso sobre Rony, apesar de o garoto nunca ter, de fato, gostado dela. Para Rony, Lilá sempre foi mais um passatempo, um jeito de fazer as horas passarem mais rápido, e, embora ele nunca tenha admitido, um jeito de provocar à Hermione, ao passo que Parvati ainda admirava o cabelo de Mione e sua nova aparência. Era de se surpreender que Granger, a menina esquisita, que passava três quartos de seu tempo livre cumprindo a suas tarefas e estudando, de repente, com um simples escova e um pouco de maquiagem pudesse atrair tantos olhares quanto Lilá não conseguiria nem que passasse dias no salão de beleza. Irada, Lilá atacou Mione, com uma vozinha nojenta que lembrava muito o tom usado por Umbridge quando se gabava ou quando castigava os alunos "Nossa, Granger, o que aconteceu com seu cabelo? Parece que passou um ferro nele! E todo esse perfume, então? Parece que tomou um banho de colônia só para fazer igual ao seu gato e escapar do chuveiro...", insulto que foi seguido por risadinhas abafadas mas muito irritantes de Parvati. Mione ficou quase tão vermelha quando a rosa que Rony segurava, puxou Gina pela manga e disse "Vamos sair daqui" em um tom melancólico, que para Lilá parecia ser à beira das lágrimas. Enquanto subia as escadas, sua raiva aumentava, e ao invés de vermelha, já estava quase escarlate de vergonha, de raiva, de qualquer sentimento ruim que alguém pode sentir por uma pessoa.. Rony também estava quase estourando de raiva de Lilá, e ainda não compreendia por quê todos aqueles insultos maldosos e que fizeram Hermione ficar extremamente envergonhada (vai entender as mulheres, pensou o ruivo), mas se ele defendesse Mione ficaria bem claro para todos os presentes naquela sala seus sentimentos por ela. Entretanto, ele não podia ver sua amiga sendo tratada assim, então falou bem alto, em um tom que até Filch, do outro lado do corredor, quem sabe Snape, em sua masmorra escura e úmida, cheirando a mofo ou talvez até Dumbledore, em seu escritório salpicado de coisas (pelo menos assim parecera a Harry e Gina, que se entreolharam fazendo algumas caretas mas depois expressões de aprovação) escutara: "Quer saber, Mione? Você está a maior gata com esse cabelo liso e toda essa produção, se bem que você nem precisava disso para ser a beldade de Hogwarts!". Essas palavras nocautearam Lilá Brown como um soco invisível na boca do estômago, então ela e Parvati subiram para o dormitório das meninas, esbarrando violenta e propositalmente em Gina e Hermione. Neste momento, a raiva de lilá por Hermione e por Rony ficou tão grande quanto a elegância de Grope, irmão de Hagrid. Gina ainda não acreditava que aquele era seu irmão, o Rony inseguro que nunca falava de seus sentimentos; Mione se sentia imensamente grata por ter sido defendida tão ardorosamente por Rony. Ela não podia se conter, então foi correndo dar um abraço nele. Naquele momento, Rony sentiu um calor imenso por dentro, talvez um vazio seu que estivesse finalmente se preenchendo. Lembrava-se de ter se sentido assim raras vezes, mas nunca com aquela intensidade. Talvez o beijo na bochecha de tia Muriel ou de Fleur não tivessem o mesmo valor do que o abraço tão sincero de Hermione, que o fez se sentir muito mais feliz. Um formigamento intenso cobriu Rony do primeiro fio vermelho de sua cabeleira ruiva até a ponta de seus pés confortavelmente aconchegados em suas botas surradas e, naquele momento, ele não podia pensar em mais nada que não fosse Hermione. Ele retribuiu o gesto com carinho, e ambos desceram para o café-da-manhã.

Gina ficou pelo Salão Comunal, a fim de deixar seu irmão e Mione descerem à sós para o café-da-manhã, só para poderem compartilhar de um momento juntos, e também por que ela queria descer com Harry até o refeitório para poderem desfrutar de um momento onde só estivessem eles. "Ah, o amor é um sentimento precioso, lindo, lindo!" pensava a sonhadora Gina. Quando ela foi conferir as horas em seu relógio de pulso, notou que o havia deixado no dormitório das garotas. Subiu silenciosamente até lá, sua juba ruiva balançando a cada degrau subido, quando notou vozes histéricas e chorosas vindas do dormitório. Resolveu dar uma espiada para ver à quem pertenciam aqueles ruídos, e lá estavam Lilá e Parvati. Lilá estava chorando, toda desolada, sentada em sua cama, com Parvati lhe fazendo carinho no cabelo, numa tentativa de consolar a amiga. Lilá dizia: "Ai, amiga, o que vai ser de mim agora? Ficou bem claro que o Rony gosta da Granger...mas...o que eu posso fazer? Eu gosto tanto dele..queria tanto ficar com ele...!", e Parvati, para tranqüilizar Lilá, ficava dizendo que Rony não a merecia, que ela era boa demais para ele e que ela arranjaria coisa muito melhor. Parvati, no entanto, não era uma consoladora muito convincente. Para Lilá ficou claro que aquilo que ela havia falado ela já havia visto em algum programa de TV, ou lido em algum lugar, pois pareciam palavras de Rita Skeeter, mas ela ignorou este fato e deixou-se levar pelas palavras macias que Parvati pronunciava. Afinal, do que adiantaria ouvir tudo aquilo sabendo que era mentira? Então Lilá resolveu fingir que acreditava naquelas palavras e deixou Patil continuar com seu pronunciamento totalmente clichê. Lilá, tomada pelo calor da paixão, disse, muito séria, "Podem haver meninos muito melhores por aí, mas o que eu quero se chama Ronald Weasley! Aquela nerd da Granger acha que tá podendo com aquele cabelo liso e tudo o mais, mas ela vai aprender a não roubar o que é dos outros, muito menos o que é meu, ou não me chamo Lilárápia Yellow-Brown!". Parvati, com cara de quem gostou do que ouviu, fez com a mão um sinal de aprovação e em seu rosto abriu-se um sorriso um tanto perturbador, mas que Lilá interpretou como sendo algo do tipo "Muito bom!", e perguntou à amiga quando seria sua vingança. Lilá respondeu, com a cara lambuzada de lágrimas e um meio sorrisinho maldoso, "Muito brevemente.". À esta cena, poderia ser acrescentada uma risada maligna tipo "Muauahahahah", porém não se sabe o que aconteceu depois, porque Gina ficou estupefata com o que ouviu e imediatamente abandonou o local. A vontade real de Gina era nunca ter esquecido o relógio, ter descido as escadas vagarosamente proseando sobre qualquer coisa inútil com Harry. Na verdade, a ruiva não queria conversas, ela queria a companhia de seu amado. Porém, por um momento, sentiu-se agradecida por aquela infeliz obra do destino. Afinal, se ela não tivesse ouvido aquilo, o que aconteceria com Hermione? Não tinha tempo para pensar nessas hipóteses. Ela teria que proteger Mione se quisesse que a amiga não sofresse algum tipo de atentado ou humilhação. Descendo as escadas que levavam ao dormitório das meninas, Gina se esbarrou em Harry, que estava voltando do café. Ele perguntou, com um sorriso "Por quê você não apareceu para o café-da-manhã? Esperei você até agora. Todos nós sentimos sua falta, principalmente eu..." e Gina disse "Sinto muito, mas tive que tratar de uns assuntos pendentes", e acrescentou, com um sorriso "mas também senti falta de tomar o café com você..." e um sorriso meio de lado, quase sumindo, apareceu em sua face, meio como um sinal de vergonha, meio como um sinal de desculpa. Os dois ficaram em silêncio, olhando um nos olhos do outro, mas Gina se lembrou da gravidade da situação e interrompeu o momento mágico dizendo que precisaria da ajuda de Harry para proteger Mione. Ele perguntou "Do que é que você está falando??" e ela explicou-lhe a história inteira, desde o que acontecera na Sala Precisa, da declaração de Rony e a fuga de Mione até o momento em que escutara a promessa de vingança de Lilá Brown. Harry, brincalhão, disse, com um tom de falsa preocupação "Caramba! Não sabia que o nome de Lilá era, na verdade, Lilarápia!". Gina riu bem alto, deliciando-se com o momento, e disse que eles precisavam agir rápido. Estava preocupada com Hermione. Harry, com uma voz de galanteador, disse "Vá com calma, baby! Eu tenho meus contatos. Contra esses dois ninguém pode, e, melhor do que ninguém, você já deveria saber disso, pois, afinal, foi criada com eles" . Gina semicerrou os olhos e, com um sorrisão, disse "Acho que já sei de quem você está falando, ou melhor, de 'quens' você está falando". É isso aí. Ponto para você, leitor, se você pensou em Fred e Jorge Weasley.