Cap. 4 – O Ataque dos Grifinórios

Hogmeade estava mais cheia do que nunca. A véspera do Natal havia feito com que a cidade adquirisse um clima mágico, de festa, e todos os transeuntes se deliciavam com passeios sob a alva neve que caía do céu, ou apenas saboreavam uma deliciosa cerveja amanteigada no Três Vassouras. Um sentimento acolhedor tomava conta daqueles que espiavam o interior iluminado e aconchegante das lojas e bares da vila, com suas chaminés soltando fumaça proveniente de estufas e lareiras.

O Três Vassouras estava mais apinhado do que nunca. Estavam reunidos no humilde bar da Madame Rosmerta bruxos e bruxas de todos os tipos e tamanhos; haviam aqueles que estavam lá só para passar o tempo, outros que estavam descansando após exaustivas procuras por presentes natalinos adequados, além dos que estavam lá para tomar uma bebida ou para se reunir com os amigos. O caso do grupo que estava sentado em uma mesa excluída, no cantinho do aposento, era excepcional: estavam lá para bolar um plano extraordinário, que ajudaria dois corações apaixonados, e os livraria das garras malignas de uma certa larápia. Sim, naquela mesa estavam reunidos os gêmeos Fred e Jorge Weasley, Harry, Gina, e até Neville, Luna, Dino e Simas, que também entraram na dança, mesmo sem saber muito bem do que se tratava o assunto. Cada membro do grupo já estava, pelo menos, na segunda garrafa de cerveja amanteigada, mergulhados em silêncio. Os cérebros dos bruxinhos estavam tentando processar aquele mar de informações: a declaração inesperada na Sala Precisa de Rony para Mione, o porquê da transformação no "visu" da garota, a troca de farpas entre ela e Lilá Brown e a promessa de vingança pela parte da srta. Lilarápia. Fred, para quebrar o clima, exclamou, com falsa seriedade: "Putz! Não sabia que a Lilá se chamava Lilarápia!", ao que todos os presentes caíram na risada, até Gina, que olhou para Harry com uma cara de "Já ouvi esse comentário de alguém antes". Neville, com uma expressão de ponto de interrogação, tentou organizar as idéias: "Então você nos conta, Gina, que a relação entre Rony e Mione está ameaçada por uma menina chamada Lilarápia, que, malignamente, jurou vingança e que não descansará até ter Rony em seus braços?", e Jorge exclamou: "Isso até parece novela mexicana! E olha que nem é isso que acontece em novelas mexicanas, porque o mocinho geralmente é um galã que tem o elenco feminino inteiro caindo aos seus pés, e a única mulher que já caiu aos pés de Rony foi nossa tia-avó Nigella, que estava olhando para o chão à procura do aparelho de surdez que havia caído e tropeçou no tapete, caindo nos sapatos do nosso 'Roniquinho, bilu, bilu, bilu!'", terminou Jorge, imitando a voz da tia-avó Nigella quando se referia à seu sobrinho-neto favorito, Roniquinho. A mesa inteira caiu de novo em gargalhas, mas Gina, tomando as rédeas da situação, disse que a reunião era coisa séria, e que era para eles se concentrarem em manter Lilarápia longe de Mione. Tomando a liderança, Gina deu as coordenadas: "Certo, nós devemos estar preparados para qualquer tipo de atentado que a Lilá deva estar armando; eu sugiro que cada um de nós fique de plantão nos pontos do castelo frequentados por Mione, e com Rony não precisamos nos preocupar, porque ele é o amado da terrorista e já é grandinho o suficiente para se cuidar. Devemos também ter ouvidos aguçados e olhos em tudo o que é canto, porque não duvido nada que Lilá já tenha mexido seus pausinhos, e à essa altura do campeonato ela já arquitetou pelo menos dois planos para prejudicar Hermione..." nesse momento foi interrompida por Simas, que disse: "Bom, está tudo muito claro: teremos que nos arriscar para o bem-estar do relacionamento de duas pessoas que se pegam tanto como gato e rato...eu não sei se isso faz muito sentido." Todos olharam para um Simas inseguro, até Fred tomar a vez: "Cara, você entrou nessa porque quis, estamos ajudando uma amiga, que concerteza já te ajudou muitas vezes a terminar tarefas do Snape e muitas outras coisas...só te digo que, se você não está disposto a dar o seu sangue nisso, você pode se sentir à vontade e se retirar." Simas ficou calado, parecendo digerir cada palavra e pesando os prós e contras de embarcar naquilo. Resolveu seguir em frente e ajudar no que fosse possível. Então a reunião prosseguiu, com Gina e Harry dirigindo o assunto para os pontos principais.

Enquanto isso, no castelo de Hogwarts, Mione, que estava meio febril, se encontrava no Salão Comunal da Grifinória, alisando Bichento e olhando para o fogo que crepitava na lareira. Ela podia estar ali, mas seus pensamentos estavam longe...Na mente da quintanista, estava passando um flashback de todos os acontecimentos recentes. Se recordava de Rony cantando para ela, de Rony a defendendo e de seu abraço quente; vez ou outra, dava um sorrisinho, lembrando das brigas constantes dos dois e de como Rony ficava engraçadinho com suas orelhas pegando fogo de vermelhas quando ficava com raiva; lembrou também de quando conheceu o ruivo, éramos tão pequenos e inocentes!, pensou Mione; já com um friozinho na barriga, lembrou-se de como o ruivo ficava bonito sorrindo, de como seus lábios pareciam tão..."beijáveis", de como seus olhos se estreitavam quando estava com a mente a mil, inventado uma resposta para as tarefas malucas que a Profª Trelawney dava; agora, mais do que nunca, sorriu abertamente, lembrando-se de como Rony havia ficado com ciúmes de Krum, quando este dançou com Mione no baile. A garota suspirou, e não pôde deixar de pensar que os melhores momentos de sua vida, ela havia passado com Rony. Teve medo de que algum dia pudesse perder ele, ou ele simplesmente podia parar de gostar dela...se, em um segundo, todo aquele sonho acabasse, ela não teria como fugir. Já estava muito envolvida. Aliás, onde estava Rony naquele momento? No mesmo tempo em que pensou isso, o quadro que dava entrada ao Salão Comunal se escancarou, e de lá saiu Rony, SURPREENDENTEMENTE, com um pergaminho na mão. Ele pareceu surpreso de encontrar Mione no Salão Comunal, e, com os olhos arregalados e a face corada, escondeu o papel nas costas. Mione, percebendo o nervosismo do garoto, resolveu não dar bola, mas disse oi para Rony. O menino, com a cara pálida de frio, respondeu o oi e se sentou em frente à lareira, quase ao lado de Hermione. A menina, sentindo um calafrio em resposta à aproximação do amado, perguntou, "Hum...sem querer ser intrometida, mas o que você andou fazendo?" ao que Rony respondeu "Er...umas coisas pendentes...sabe, né? Fui ao corujal pegar um pergaminho...eu tinha pedido para mamãe anotar uma coisa que eu achei interessante, daí ela me mandou e..." Nesse momento, o ruivo percebeu que Hermione tinha os olhos fixos no pergaminho que ele segurava. Numa tentativa desajeitada, ele dobrou o papel e colocou no bolso; Mione, muito curiosa, pensava, teve haver algo importante escrito nesse pergaminho. Na verdade, havia mesmo. Rony perguntou "E você, como vai? Fiquei sabendo que estava meio febril, a Lilá me disse que..." foi aí que ele percebeu que havia entrado em zona perigosa; havia tocado no nome de Lilá, o que já deixou Mione cega de ciúmes. Ela atacou: "O que a Lilá disse pra você dessa vez, Ron? Que focinho de porco não é tomada, ou foi algo mais substancioso, como o capítulo final da novela das oito dos trouxas?". Rony indagou-se, o que que há de errado com Mione? A febre deve ter fervido seus miolos...mas como sou burro também! Tinha que citar o nome de Lilá, Ronald! Agora é que o circo vai pegar fogo! E quem gostava de ver o circo pegar fogo é o próprio palhaço, no caso, Lilá Brown, que estava escutando tudo do topo da escadaria que levava ao dormitório feminino. Ela e Parvati estavam abafando a risada, mas puderam ouvir Rony dizendo: "Bom, Mione, não vejo porque ficou tão esquentada. A Lilá só me disse que você mal dormiu à noite por estar tão febril, e, no pouco tempo que dormiu, não deixou ela dormir, porque...PORQUE O QUÊ, RONALD! (gritou Mione)..porque..porque você ronca muito." Mione, estourando de raiva, pulou do sofá em direção às escadas, gritando "Vamos ver quem ronca mais, Lilá, acho que a Madame Pomfrey vai poder me dizer a resposta quando você estiver uma das macas da enfermaria, após ser quebrada por mim!". Rony, prevendo uma catástrofe de escala internacional, se adiantou a tempo de segurar Mione. A menina, surpresa, esqueceu toda sua raiva, todo seu rancor, tudo que iria fazer, ao sentir os braços que Ronald a enlaçando; Rony, por sua vez, foi só se dar conta do que havia feito ao olhar para cara de Mione, e perceber que a morena estava olhando fixamente em seus lindos olhos verdes. A menina também pôde sentir o perfume que Rony usava, e, nesse momento, conduziu seus braços ao pescoço do ruivo, e não desejava sair de lá jamais. Os dois compartilhavam desse sentimento de fusão, no qual Rony percebeu que nunca havia se sentido tão bem em toda sua vida; ele puxou o pergaminho que estava em seu bolso, e, vendo que aquele seria o momento certo para o que queria fazer, uniu todas as partículas de coragem que haviam em seu corpo e ajoelhou-se no chão, para a surpresa de Mione e de Lilá e Parvati, que estavam assistindo à cena de camarote. Mione perguntou: "Rony, o que está fazendo..." , e o ruivo começou:

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração para de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida

Mione sorriu com ternura, encorajando Rony a continuar.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

A cena de seu primeiro encontro no trem com Rony voltou à tona em sua memória.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Ou até roncando...imaginou Hermione.

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.

Hermione recordou-se do Sr. e Sra. Weasley nesse momento. Aquele sim era um amor verdadeiro.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

Nesse momento, não tinha como segurar: Mione estava à beira de lágrimas. Ela pegou nas mãos de Rony, que estava surpreso pela reação "lacrimejante" de Mione, e levantou-o do chão. Por um momento, fitou seus olhos, fitou sua boca. Uma lágrima rolou por sua fase rosada, e contornou o canto de seu lábio, que estava em forma de um sorriso. O ruivo começou: "Mione, o que é que está...". Não conseguiu terminar. A morena colocou o dedo indicador sobre os lábios do menino, e, com a outra mão fez um carinho em sua face. Ele foi se aproximando de Mione, lentamente, até que os lábios de ambos se tocaram, se uniram, se fundiram em um beijo cheio de romance...um beijo esperado...Rony não entendia por que, mas se emocionou tanto na hora que seus olhos também se lacrimejaram. Ele soltou o pergaminho onde o poema estava escrito, e pôde-se ler um pedaço do poema que ele não havia lido por timidez, que dizia:

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.