Capítulo 7
A lareira
Voltei para casa quando o céu já estava escuro, depois de avisar a todos que os esperaria em minha casa. Minha mãe se animara muito e até mesmo mandou uma coruja para Gui vir com Fleur. Acima de tudo, eu pretendia com aquilo não permitir que qualquer desconfiança pudesse surgir sobre o que estava acontecendo em minha vida. E ainda teria que pensar no que fazer com Draco para que pudesse recebe-los em casa.
Irrompi pela porta de entrada mais ansiosa do que devia para encontrar meu protegido e perguntei-me se por acaso aquilo era saudade. Mal pensei numa resposta e encontrei-o sentado sobre o tapete, em frente a lareira que mantinha as chamas altas. Aproximei-me em silêncio percebendo que ele não havia notado minha presença na sala. Ele estava com o olhar perdido nas chamas próximas a ele e parecia imerso em seus pensamentos que eu jamais poderia entender. E enquanto ele permanecia imerso em sua própria mente, eu estava imersa no delírio causado por sua figura moldada pela luz da lareira, a única fonte de luminosidade de toda a sala naquele momento. Só desejei ter o poder de entrar em sua mente e entender seu mais íntimo pensamento, suas confusões, seus devaneios. Jamais poderia saber o que ele sentia sem ter memória, sem saber quem era.
Eu, logo atrás dele, apenas o fitava com um sorriso bobo nos lábios. De repente, ele esticou o corpo jogando os braços para o alto e, cruzando-os em seguida atrás da cabeça, deitou, com os olhos fechados e a expressão séria. Meu olhar permaneceu fixo sobre ele por um tempo indeterminável. Somente quando ele abriu os olhos, que foram ao encontro do meu, dei-me conta do que estava fazendo. Ele levantou-se abruptamente e eu disfarcei dando uns passos para trás e colocando minha bolsa sobre o sofá.
- Pensei que estivesse dormindo. – falei com um sorriso amarelo sem conseguir encará-lo.
- Não, não. Apenas descansava depois do meu longo dia repleto de atividades. – Ele falou com um sorriso irônico e sentou-se novamente onde estava antes. – Li alguns livros que estavam em sua estante, mas tive a impressão de os já ter lido antes.
Olhei para estante, onde eu guardava, entre outros, os livros que usava em Hogwarts.
- Com certeza já os leu.
Não pareceu dar muita importância ao meu comentário e voltou a observar a lareira. Joguei meu corpo sobre o sofá e, sentindo a exaustão do dia abater-me, fechei os olhos.
- Disse que voltaria depois do almoço... – Sua voz ecoou em meus ouvidos sonolentos e me fez abrir os olhos rapidamente e erguer a cabeça.
- É verdade, mas havia tanto tempo que não via minha família... Acabei ficando mais do que planejava.
- E o namorado? – Continuava com as costas viradas para mim. Sua voz perdeu qualquer expressão que poderia ter.
- Encontrei também... – respondi sem muito ânimo ao me dirigir a cozinha. – Quer comer alguma coisa? – gritei de lá e obtive apenas um não como resposta.
Preferi ignorá-lo e preparei dois chocolates quentes com alguns biscoitos e levei para a sala, surpresa por ainda pensar em comer algo depois do dia repleto de delícias culinárias da minha mãe.
- Pegue. – ordenei ao me aproximar com a grande bandeja e me sentar ao seu lado perto da lareira. Entendi o motivo dele estar ali, colocando a bandeja sobre o tapete. Realmente era muito agradável o calor que emanava do fogo.
- Eu disse que não queria, Ginevra. – disse em tom malcriado me olhando de rabo de olho.
- Ah, pare! Não deve ter comido nada durante o dia, a cozinha está intacta. Pegue, vamos! – falei pegando uma xícara e lhe entregando. Ele me lançou um olhar superior e me ignorou. Perdi todo o controle e gentileza que estava tendo com ele. – Como você consegue ser tão nojento?! – bufei ao colocar a xícara de volta na bandeja, irritada por agir como uma idiota tentando agradá-lo.
- Você não é minha mãe, Weasley... – falou, me olhando com uma sobrancelha arqueada e um sorriso mordaz nos lábios ao pegar a xícara que eu lhe acabara de oferecer e levá-la a boca com apetite. Percebendo meu olhar confuso, se pôs a rir no seu jeito altivo, satisfeito em me provocar.
- Você...! – Não encontrei as palavras, tomada de raiva, e ele riu ainda mais. Radiante por conseguir novamente me tirar do sério, coisa que parecia ser a atividade que mais lhe dava prazer nas últimas semanas. Acabei por rir junto com ele, não sem antes lhe dar um soco no braço. – Você é indescritível!
- Eu sei. – Sorriu ainda mais, vaidoso, com sua pose arrogante ao pegar um biscoito e enfiá-lo na boca por inteiro, deixando seus modos contrariar a postura.
O homem bebeu e comeu com vontade, enquanto me falava algumas coisas soltas sobre o que lera nos livros durante o dia. E assim que nosso lanche chegou ao fim, junto com ele o assunto. O silêncio nos envolveu de um minuto para o outro e percebi Draco mergulhar a feição em seriedade e voltar o olhar para as chamas, enquanto se ouvia a madeira da lareira estalar.
- Gina, você tem me ajudado, é muito atenciosa comigo e me divirto com você, mas sabe que essa situação tem que ser resolvida. – terminou de falar e me encarou com os olhos profundos. – Não posso continuar aqui com você, vivendo como se tudo fosse normal, porque não é. Preciso saber o que fazer, para onde ir, quem eu sou. Ainda mais sabendo que você tem sua vida e eu estou atrapalhando. E sei que se estou aqui com você, é porque se sente culpada... o que de fato é. – Um sorriso se fez no canto de sua boca com o olhar debochado e riu com minha expressão envergonhada. – Mas não pode mais ficar assim... – Voltou sua seriedade com rapidez. – Meu orgulho me mata e não me deixa ficar acomodado com a situação. A sensação de ser um desabrigado vivendo de caridade me trás ódio de mim mesmo, não posso aceitar.
Eu escutei suas palavras sinceras com atenção e surpresa. Vi como confessar aquilo lhe causava dor, talvez tanta dor quanto a própria situação parecia provocar nele. Sem saber o que dizer, apenas abaixei a cabeça, peguei a louça e a levei para a cozinha. Quis voltar logo para a sala, mas não consegui. As palavras dele estavam em minha mente como se me amarrassem ali. Haviam soado como um balde de água fria que me acordara para a realidade. Eu deveria saber que ele não se contentaria em viver ali sobre meus cuidados, como uma criança desprotegida. Ele era um Malfoy e seu orgulho não permitiria, ele mesmo havia dito. Mas não sei o que me incomodara de fato. Pela manhã eu havia pensado a mesma coisa: tinha que resolver a situação. E agora, no entanto, o que dominava minha mente era o pensamento de que ele queria me deixar. Era tão estranho. Pensar que ele tinha que se recuperar e sair de minha casa era diferente de pensar que ele queria aquilo. Bebi um copo de água e, reunindo forças, voltei para minha posição de antes, sentada ao seu lado. Ele pareceu perceber que eu estava abalada e se aproximou ainda mais.
- Não quero que me entenda mal, Gina. Eu disse, sou muito grato e gosto de estar com você, mas sei que estou atrapalhando...
- Isso não é verdade... – interrompi-o logo, mas sem olhá-lo. Meu olhar permanecia sobre minha mão que torcia nervosamente a bainha de minha blusa. – Você não me atrapalha, me faz companhia.
- Sei que isso é mentira, mas entenda, não é o único motivo. Gina, não me sinto bem em estar aqui, perdido, como se fosse uma criança sem dignidade, sem honra.
- Entendo que precisamos resolver essa situação e vou te ajudar. – Levantei o olhar triste para ele, que segurou minha mão também com um sorriso na boca. – Preciso contar algo que descobri hoje.
- O que? O que descobriu? – perguntou ansioso, apertando minha mão.
Acabei por ter que contar, ainda que sem detalhes, sobre a guerra e o seu envolvimento e de sua família com Voldemort. Ele em nenhum momento pareceu ficar surpreso ou espantado por eu ter dito que ele havia apoiado Voldemort, mesmo eu tendo frisado a todos os momentos o quanto ele fora um monstro. Disse que haviam sido perdoados devido suas ações nos últimos momentos e, no final de minha curta narração, ele apenas abaixou a cabeça e soltou um longo suspiro.
- Então estamos na mesma, sem saber porque eu estava aqui.
- Pelo menos sabemos que você não estava fugindo do Ministério. Tentarei descobrir onde seus pais estão. Eles podem ajudar.
- Por que então eu não estou com eles? – indagou mais para si mesmo. Eu não soube o que dizer.
Ele apenas meneou a cabeça, pensativo, sem parecer nada feliz com as últimas notícias. E no fundo eu o entendia. Aquela situação não poderia ser fácil. Sem saber muito o que fazer para animá-lo, apenas me aproximei mais dele e peguei sua mão com carinho. Comecei a brincar com seus dedos distraidamente e pude vê-lo me encarar com um pequeno sorriso. Ficamos assim por um tempo, absortos. Ele quieto e eu em minha brincadeira sem propósito com sua mão, entrelaçando seus dedos compridos e ásperos nos meus. Quando levantei a cabeça para fitá-lo, me deparei com seu rosto muito próximo ao meu. Seu olhar fixo penetrando em minha alma, sua respiração se misturando a minha e meus dedos imóveis entre os seus fizeram meu coração acelerar instantaneamente. Abri a boca para dizer algo, mas não tive capacidade de articular uma palavra sequer. Um arrepio incontrolável percorreu todo o meu corpo. E antes que eu pudesse argumentar qualquer coisa para escapar da situação, ele aproximou sua boca de meu ouvido e pousou uma de suas mãos delicadamente em meu pescoço. Estremeci ao seu toque e fechei os olhos, sem conseguir resistir, sentindo-me cálida, totalmente vulnerável.
- Tem certeza de que eu não gostava de você? – Ele perguntou com um sussurro em meu ouvido e uma nova onda quente correu por meu corpo.
- Por que? – perguntei de forma quase inaudível, sem conseguir abrir meus olhos.
- Porque eu adoro você...
O ar quente saído de sua boca penetrava por meus ouvidos e me fez encará-lo, estarrecida. Nossos olhares ficaram mergulhados um no outro por um momento infinito e, deixando que a irracionalidade e o calor da lareira me envolvesse por completo, segurei seu rosto e beijei o canto de sua boca. Ele me agarrou pela cintura de maneira firme e senti-o cheio de desejo, me puxando para ainda mais perto. Não havia mais o que fazer, por onde escapar. Ali estávamos, totalmente absortos em nosso contato sem conseguir pensar em mais nada. Sua mão excitada percorreu minhas costas lentamente e seus lábios acariciaram meu pescoço fazendo todo o meu corpo corresponder ao toque, cheia de volúpia. Ainda com nossos olhos a se encarar sem ao menos um pestanejo, peguei sua mão e entrelacei na minha.
- Eu quero você... – Ele falou firme. Sua voz rouca inundando minha alma de lascívia enquanto seus lábios brincaram com minha orelha.
Eu soube ali que estava perdida. Perdidamente apaixonada por ele.
N.A.: Isso aí, um capítulo hot, huhuhu. Ah, como eles formam um casal lindo *-* Eu sou DG eterna hahahaha. Espero que gostem. Capítulo que vem mais hot! Mas, para quem não quer ler, acho que colocarei uma marcação para avisar da cena, mas garanto que vai ficar bonita rs. Bom, espero mesmo que gostem. E espero reviews e comentários. Besous :*
