Capítulo 9
Obrigada, Harry
Foi justamente numa noite de sábado. Draco e eu nos preparávamos para ficar acordados a noite toda já que no dia seguinte eu não teria treino. A garrafa de vinho com as duas taças estava sobre o tapete, a madeira na lareira começava a queimar e eu já estava envolvida pelos braços dele.
De repente a campainha tocou. Comecei a odiar aquele som a partir dali.
Nós dois, sentados ao chão, ficamos paralisados. Jamais imaginaríamos que pudesse aparaceer alguém àquela hora da noite. Só poderia ser alguém da minha família, e fosse quem fosse não poderia ver Draco. Levantamo-nos rapidamente e corremos em direção ao porão, sobre cuja entrada colocamos uma poltrona. Draco empurrou-a enquanto eu fui pegar minha varinha para abrir o porão. Em um segundo ele pulou para dentro e fechou a porta sobre si. Corri para a porta e respirei fundo antes de abri-la. Ao colocar a mão na maçaneta, olhei distraidamente para trás e vi a garrafa de vinho no chão e a poltrona fora do lugar. Bufando, peguei a bebida e as taças, abri a porta do porão e as entreguei a Draco. Ao fechá-la, empurrei a poltrona para o lugar correto e voltei para a porta, me sentindo uma estúpida aliviada. Seria uma bela cena Harry encontrando aquela bebida para dois e meu porão. Soltei um longo suspiro, ajeitei os cabelos e abri a porta. Não me surpreendi ao ver o rosto de Harry, sorrindo ao me ver. Não houve tempo de eu dizer nada e ele logo me agarrou em um forte abraço.
- Estava com saudades, Ginevra. – disse em meu ouvido e me beijou com carinho. A única coisa que consegui fazer naquele segundo foi compará-lo com Draco, desejando que ele se afastasse. Parecendo ouvir meus pensamentos, soltou-me e se sentou no sofá. – Se eu não venho, ficamos sem nos ver durante semanas.
- É, eu tenho treinado muito. Sempre chego em casa morta. – Sentei ao seu lado com um sorriso amarelo.
- Mas podia ter me chamado. Eu teria vindo para cá e poderíamos ter passado um tempo juntos. Te ajudaria a relaxar. – completou com um sorriso malicioso ao me beijar levemente.
- É verdade, me desculpe. – Não mesmo! Não mais! Nunca! Jamais!
- E a casa, já se adaptou?
- Perfeitamente bem... – respondi distraída e deixei um sorriso bobo surgir em meus lábios.
- Aquela poltrona está tão torta, Gina. – Ele falou ao apontar para a poltrona que deveria realmente estar mais bem alinhada. Meu queixo caiu e ao perceber que Harry se levantava para ir ajeitá-la, peguei minha varinha e coloquei-a no lugar certo.
- Ando meio descuidada com a arrumação da casa. – Sorri completamente sem graça, sentindo meu coração pular em meu peito apavorado.
Conversamos por um tempo sobre coisas triviais e como andavam nossos trabalhos. E sempre que ele tentava falar algo mais íntimo ou sobre nosso relacionamento, eu desviava. Não sabia o que dizer. Há alguns minutos atrás eu estava com um homem em minha casa e aquela sensação não era das mais agradáveis tendo Harry ao meu lado.
Ele era meu namorado e todos sabiam que iríamos nos casar logo. Harry apenas esperava uma aprovação minha para o pedido. Mas, naquele momento, eu estava com Draco. Estava traindo Harry, e aquele pensamento fez com que eu me sentisse uma péssima pessoa. Conhecia-o há tanto tempo, havíamos passado por tantas coisas juntas, ele fazia parte de minha família. E eu estava a caminho de magoá-lo. Estava me comportando como uma terrível mentirosa e traidora. Era horrível concluir isso.
Ficava tarde quando Harry decidiu ir embora e eu agradeci mentalmente. Notei que ele planejava passar a noite lá, mas percebeu que eu não queria e resolveu ir, mesmo que um pouco contrariado. Já começava a ficar preocupada com Draco dentro do porão. Provavelmente estava cansado e com fome, sem falar em irritado por saber que Harry estava ali comigo. Levantamos e fomos até a porta. Harry me abraçou de maneira muito terna e me beijou a fronte do rosto.
- Precisamos decidir o que vamos fazer. – Ele comentou segurando minha mão.
- O que vamos fazer sobre...? – indaguei confusa, sem entender onde ele queria chegar.
- Ora Gina, sobre nós dois. Quero falar com seus pais. Já tenho minha casa, você tem a sua. Podemos pensar agora em nos casarmos, formar uma família, como sempre sonhamos.
Permaneci a encará-lo sem reação. Ensaiei um sorriso mal sucedido e ele percebeu que aquilo me incomodara, só não imaginava o quanto e o motivo certo.
- Sei que tem medo, Gina, mas tudo dará certo, como sempre deu. – terminou com um sorriso confiante. Meu deu mais um beijo e se foi porta a fora me deixando ali, estática, sem saber a menos no que pensar a não ser que eu estava numa situação mais perigosa do que poderia suportar.
Logo que a porta se fechou escutei um barulho vindo do porão. Draco parecia bater na porta insistentemente tentando sair dali. Corri para tirar a poltrona e logo que pôde ele saltou de dentro, muito mais sério do que eu já havia visto. Colocou o vinho com as taças sobre a mesa de qualquer jeito e, sem ao menos me olhar, dirigiu-se ao andar de cima. Surpresa com sua atitude, fui atrás dele. Encontrei-o deitado na cama do quarto de hóspedes, onde ele não entrava há dias.
- O que houve, Draco? – perguntei com a voz baixa, sentando ao lado dele na cama.
- Nada. Só estou pensando. – respondeu frio, olhando para o teto.
- Pensando em...? – Cheguei mais perto e pousei minha mão sobre seu peito, desejando deitar ao seu lado.
- Me pergunto se no dia do seu casamento serei um convidado, ou terei que ficar escondido no porão todo o tempo para não ser visto por seu namorado, – Voltou o olhar duro para mim. – ou melhor, seu noivo. – terminou e voltou a encarar o teto enquanto jogava o corpo mais para o lado, se afastando de mim.
Abaixei a cabeça triste. Ele havia escutado tudo e com certeza estava chateado. Era óbvio, como não estaria?
- O que esperava que eu fizesse? Que eu terminasse com Harry naquele momento mesmo por causa desse tempo que passamos? – Fitei-o e tive como resposta um olhar misto de raiva e mágoa, que claramente representava uma resposta afirmativa. Estava com medo de magoar Harry e acabara magoando Draco. Eu tinha que aprender a escolher melhor minhas palavras. – Escuta, eu queria...
- Não, Ginevra. – interrompeu-me rapidamente. – Não precisa falar nada, eu entendo perfeitamente. E quer saber? Tudo bem. Sei que está fazendo muito por mim e eu agradeço, mas agradeceria muito mais se me deixasse sozinho agora.
Como se tivesse recebido um soco no estômago, levantei-me da cama e fui para o meu quarto. Aquela noite que tinha tudo para ser maravilhosa havia sido um completo desastre.
N.A.: Eu realmente gostaria de escrever um Harry mais ativo, mas não consigo! Em compensação adoro escrever esse Draco quase ressentido nas briguinhas com Gina. Imagino aquela carinha fofa *-* hahaha! Bom, apreciem e espero reviews! Besous :*
