Capítulo 11
Juliene
Na manhã seguinte não foi ao menos preciso despertador para me acordar. Mal havia dormido por mais de três horas seguidas durante a noite. Meus pensamentos me mantiveram acordada por grande parte dela. As coisas acontecidas com Draco e a visita de minha família me deixaram muito ansiosa. Eles chegariam ainda pelo final da manhã e era melhor eu começar a cozinhar logo. Além do mais, eu tinha a maior missão do dia: Draco.
Vesti-me e fui logo para o quarto dele. Bati uma vez na porta e como não obtive resposta, entrei. Lá estava ele, dormindo esparramado pela cama apenas com uma cueca, de costas para cima. Ri silenciosamente. Como eu adorava observá-lo daquela forma. Cheguei mais perto e sentei ao lado de seu corpo com cuidado para não acordá-lo. Daria tudo para deitar ao lado dele e esquecer do mundo. Recordei da primeira noite que passamos juntos. Havia sido o momento mais emocionante de toda a minha vida. Nenhum homem conseguira me fazer sentir o que ele fazia, apenas me tocando ou ao menos me olhando. Distraída, mexi em seus cabelos, tirando-os da frente de seus olhos. Toquei seu rosto delicadamente e ele acabou por acordar. Surpresa, afastei minhas mãos dele e reclinei ligeiramente o corpo pra trás, mas ele apenas me encarou, sério e profundo. Levantou-se vagarosamente e se sentou de frente para mim, sem desviar o olhar. Fiquei sem reação ao percebê-lo se aproximar mais de meu rosto. Quando sua mão fria tocou meu rosto, estremeci.
- Seu namorado vem almoçar hoje aqui? – Ele perguntou, com sua voz grave e baixa, mas suficiente para preencher todo o quarto. Eu fechei os olhos, sabia o que minha resposta causaria.
- Sim... – falei num muxoxo, abaixando a cabeça.
Draco apenas tirou a mão de meu rosto e me encarou sério.
- Espero realmente que você continue sendo feliz com ele. – falou rapidamente e se levantou da cama, saindo do quarto.
Meu corpo caiu sobre a cama, extremamente pesado. Bati em minha cabeça, questionando-me o que eu estava fazendo.
●O●
Observei a sala cuidadosamente. Tudo estava arrumado como eu queria e a comida estava pronta na cozinha e cheirava muito bem. Virei-me para o sofá e me deparei com aquela figura sentada, com cara de quem mataria qualquer um que aparecesse na sua frente, verdadeiramente hostil. Não consegui conter a gargalhada e caí no chão. Com a mão sobre minha barriga que chegava a doer de tanto rir, virava-me de um lado para o outro com o corpo retorcido. Não ria tanto assim há muito tempo. Não conseguia acreditar no que eu tinha feito e em como ele estava.
- Weasley! – Draco levantou indignado. Tive a rápida impressão de que ele pularia em mim, mas por sua cara não seria nada agradável. – Por que você não vai caçar pufosos ou qualquer outra criatura idiota que combine com você?!
O loiro foi pisando duro em direção a cozinha, enfurecido, e eu permaneci ali no chão rindo por mais um tempo, até conseguir me controlar e ir atrás dele. Ele estava sentado sobre a bancada enquanto comia uma maçã, parecendo estar a cada minuto mais mal-humorado. Era realmente melhor eu me conter e parar de provocá-lo com minha risadas ou ele acabaria se revelando no meio do jantar e isso não seria nada agradável. Mas seria muito difícil fazê-lo. Dei uma última olhada detalhista em minha "obra", disfarçando um risinho incontrolável. Eu realmente havia feito um ótimo trabalho. Ele estava perfeito para assumir o papel de minha amiga.
Havia avisado para a família que uma antiga amiga minha viera me visitar e estaria conosco no domingo e lógico, eles com nada se importaram. Transformar a aparência de Draco é que não havia sido tarefa tão fácil. Qualquer coisa que eu começava a fazer em seu corpo para modificá-lo, ele não permitia e tínhamos uma pequena discussão. Por fim, consegui aumentar o tamanho de seus cabelos e escurecê-los razoavelmente; coloquei-lhe um bonito vestido meu e lhe acrescentei curvas femininas; por fim, pus nele um feitiço que tornou sua voz mais aguda e o maquiei de forma que disfarçasse suas feições e ninguém o reconhecesse. Ele mesmo havia feito questão de não mudar muito para, segundo ele, poder reconhecer-se pelo menos que por um momento e não confundir ainda mais sua mente. Não podendo deixar de fazer uma boa piada, o elogiei dizendo que havia ficado uma bela morena e que ele teria que ter cuidado com meus irmãos, o que o fizera ficar revoltadíssimo. Mas realmente não havia ficado mal e ele não seria reconhecido.
Quando ele me percebeu na cozinha, me lançou um olhar fuzilante. Eu segurei o riso mais uma vez e me aproximei. Peguei também uma maçã.
- Você não vai ser reconhecido, disso não tenho dúvidas. – comentei apenas para estabelecer uma comunicação que o fizesse relaxar.
- Isso é muito bom, não? – indagou irônico com um sorriso debochado. Sua expressão não se suavizava por nem um momento – Eu não acredito que estou assim... – Apontou para o próprio corpo e puxou a barra do vestido verde, encarando-o como se fosse um animal a devorá-lo.
- Relaxe, Draco. É só até eles irem embora. Lembra de tudo que tem que dizer?
- Sim, sim, não precisa repetir. – falou logo, impaciente. Desceu da bancada e jogou o restante da maçã fora. – Sou sua boa amiga! Sua melhor amiga! – terminou falando ainda mais agudo, fazendo pose de mulher e dando saltos pela cozinha. Não resisti e ri de sua imitação.
- Eu não tenho nenhuma amiga saltitante.
- Mas pode ter certeza que sou sua amiga mais bonita. – Deu uma piscadela e lançou um sorriso soberbo. – Será que terei que ter cuidado com seu namoradinho-perfeito-potter? Acho que não... ele deve ser muito fiel, – Tirou o sorriso soberbo e assumiu um olhar venenoso. Deu-me as costas e foi andando em direção a cozinha. – diferentemente de você.
Pude ouvir perfeitamente o que ele falou. Como ele não pôde ver minha cara de insatisfeita com seu comentário, joguei minha maçã em sua cabeça. Ele virou-se para mim rapidamente e me lançou um olhar também insatisfeito.
- É melhor você parar de falar certas coisas, Malfoy.
- Não se preocupe, Weasley. Não vou falar nada que ponha seu relacionamento em perigo.
Draco mostrou-se desanimado, quase triste, com o que acabara de falar e tomou seu rumo em direção a sala novamente, mexendo no cabelo cumprido que parecia lhe incomodar muito. Seu desânimo bateu em mim como um feitiço imperdoável e senti o ímpeto de ir atrás dele e lhe falar que sim, ele poderia acabar com meu relacionamento que eu ficaria com ele. Mas por sorte, ou não, ao tomar o primeiro passo até ele a campainha soou. Meu corpo se agitou instantaneamente. Eles haviam chegado. Draco me encarou com um olhar também ansioso. Corri até a porta e dei uma última olhada para Draco, que acenou com a cabeça e disse para eu abrir. Respirei fundo, coloquei um sorriso despreocupado no rosto e abri a porta.
Imediatamente a sensação de ver toda a minha família junta fez com que eu me sentisse mais aliviada. Por mais que estivesse preocupada com a presença de Draco, a presença de minha família sempre me fazia bem. E ver todos ali, em minha casa, me causara imensa alegria.
- Minha filha, que linda casa! – Minha mãe entrou em seus passos curtos e rápidos pela sala e olhou em volta, depois de me abraçar apertado e dar beijos em todo o meu rosto. – Linda, linda, é a sua cara!
- Ah sim, uma bela casa mesmo. – Meu pai entrou logo atrás, mais quieto. Observou a sala rapidamente e me abraçou, olhando fundo em meus olhos. – Como está?
- Bem, pai. – Sorri como ele. Seu sorriso me encheu de uma ainda maior paz.
Bastou meus pais entrarem, para irromperem sala adentro Percy ao lado de Audrey, que posava orgulhosa com sua gravidez que a deixava reluzente. Percy também se mostrava muito orgulhoso de ser pai. Logo atrás entraram Jorge com Angelina, sempre alegres e radiantes. Carlinhos me abraçou carinhoso e logo perguntou pela comida, dizendo que estava faminto. Fleur, de mãos dadas com a pequena Victore, me abraçou ternamente, como a filha, e as duas expressaram suas saudades, o que me deixou feliz. Havia tomado uma grande simpatia por Fleur e Victorie, que por ser minha primeira sobrinha, era muito querida. Guilherme veio até mim com um abraço ainda mais especial. Havia muito tempo que não nos víamos e eu o adorava muito. Parabenizou-me junto com a esposa muitas vezes pela casa e por meu emprego no time de quadribol, do qual ele se orgulhava muito. Rony e Hermione vieram atrás, discutindo sobre algo que não entendi, mas ao me verem me abraçaram e logo voltaram a sua discussão. Harry, por último, vinha rindo e revirando os olhos por causa dos amigos e duas discussões contínuas. Beijou-me rapidamente e entrou.
Quando todos já estavam ali dentro, fitei Draco que, sentado no sofá, permanecia estático, com os olhos arregalados e a boca semi-aberta encarando toda a minha família, que provocara uma enorme agitação e barulho na casa. Fui até ele e puxei-o pela mão. Mesmo com aparência de mulher, sua mão ainda era a mesma e apertou a minha com força.
- Essa é minha amiga, Juliene Bolton. – anunciei, apontando a morena ao meu lado. Encarei Juliene rapidamente que ainda estava com o mesmo olhar e ainda paralisada.
Minha mãe veio em sua direção e lhe abraçou num cumprimentando caloroso. Em seguida todos falaram com Draco amistosos. Por trás de todos, chamei atenção de Draco e lhe mandei que abrisse pelo menos um sorriso. Ele abriu falsamente os lábios e apenas dizia olá. Eu poderia rir de sua cara se ele não estivesse tão tenso. Pude vê-lo como um gato encurralado que estava prestes a colocar as garras pra fora para fugir da multidão e fugir. E eu adorava gatos. Resolvi afastá-lo. Aproximei-me e puxei-o para o sofá novamente. Havia espalhado pela sala muitas poltronas para que todos se sentassem e aumentado a mesa de jantar significamente para abrigar todas as 15 pessoas durante a refeição.
No sofá, sentei ao lado de Draco e Harry sentou-se ao meu lado. Meu constrangimento fora tamanho com a situação. Ainda mais quando Harry segurou minha mão e Draco remexeu-se inquieto no assento. Olhou de um lado para o outro e começo a mexer nas próprias mãos, sinal de que estava nervoso. Eu disfarcei e levantei-me para pegar umas bebidas.
- Ah, eu quero mesmo comer! – Carlinhos anunciou enquanto mexia nos meus livros na estante, curioso.
- Eu também estou com fome, tia. – Victorie falou mais contida, sentada no colo de Fleur.
- Victorie... – Gui repreendeu-a com um olhar e meu pai, avô coruja como era, se intrometeu, indo pegá-la no colo.
- A menina só está dizendo que está com fome, assim como eu, não é? – falou brincando com o nariz dela e lhe deu um beijo no rosto.
- Então está decidido, vamos comer! – Jorge ergueu de sua poltrona rapidamente e foi até mim. – Até porque Angelina deve estar com fome. – falou ao encarar a esposa com um olhar furtivo e ela arregalou os olhos, lançando ao marido um olhar duro. Não pude deixar de ficar intrigada. Angelina nunca ligara para as brincadeiras do meu irmão.
Levamos quase meia hora para decidirmos comer, entre risadas altas e vozes misturadas. Eu adorava aquilo. E sempre que podia, fitava Draco, que permanecia olhando para cada um que falava no momento com um olhar quase assustado. E quando falavam com ele, apenas abria um sorriso e concordava. Quase senti pena dele, se não fosse tão engraçado vê-lo quase encurralado entre minha família. Podia imaginar o que ele sentia. E mais do que imaginar, podia ver em sua expressão e sua postura dura o quanto ele estava tenso.
Fomos todos nos sentar à mesa, em meio ao nosso costumeiro barulho. Toda a comida já estava posta sobre a mesa e quando todos se afastaram, me aproximei de Draco, que apesar de todos terem se levantado, tinha ficado intacto no sofá.
- Vamos comer? – falei com a voz baixa e segurei sua mão firme. Ainda era o meu Draco, podia ver em seu olhar. Ele se levantou, olhando para minha família com um olhar meio enojado.
- Weasleys... – disse muito baixo e segurou minha mão mais firme, me encarando duro. – Ginevra Weasley, não acredito que está fazendo isso comigo. Você vai me pagar...
Ele voltou o olhar pra mesa e quase arrastei-o para se sentar ao meu lado, depois de soltar uma grande gargalhada e chamá-lo de Juliene.
N.A.: Não sei vocês leitores, mas eu consegui imaginar exatamente o Draquinho como Juliene. Coitadinho. Hahaha. Bem, muitos capítulos para lerem. Espero poder postar logo no próximo final de semana, mas se não for possivel postarei durante a semana que vem. Apreciem e espero comentários. Besous a todos :*
