Capítulo 12
Tranquilo jantar
- Ah, Gina querida. Está maravilhoso! – Minha mãe falou entusiasmada, batendo palmas e encarando as comidas sobre a mesa.
Vol-au-vents, empadão, rosbife e ensopados. Havia feito muita variedade para que todos se servissem de suas preferências. Para beber, vinho de flor de sabugueiro e sucos diversos. Sorri ao ver todos se servirem com rapidez. Realmente estava tudo muito bonito e com aparência apetitosa. Mal parecia sido feito por uma pessoa extremamente preocupada e desconcentrada.
Sorrindo orgulhosa, também me sentei e comecei a me servir.
- Ah Gina, Vol-au-vents! Eu adoro! – Fleur disse com seu sotaque mais suave, enquanto servia a filha. Eu apenas continuei com meu sorriso em agradecimento.
- Eu vou pegar um pouco de tudo. – Rony disse inclinando-se mais sobre a mesa e pegando uma fatia de empadão. – Vamos ver se você cozinha bem, irmãzinha.
Draco, que estava pegando alguns Vol-au-vents com muito cuidado para não chamar a atenção, apenas encarou Rony com o canto do olho e respirou fundo. Pareceu não ter gostado muito da atitude de meu irmão. Com certeza, em seu pensamento, estava xingando-o de morto de fome e sem-educação, tinha certeza. Disfarcei uma risadinha ao comer um pedaço de peixe que também havia preparado com batatas assadas.
- É claro que Gina cozinha maravilhosamente bem. – Hermione falou ao dar uma cotovelada em Rony e pegar um pedaço de seu empadão. – Harry que terá sorte, não é? – falou maliciosa, olhando para o amigo. Harry sorriu me encarando e eu, sem reação, esbocei um pequeno sorriso.
Draco, que havia acabado de colocar um pedaço de sua refeição na boca, encarou-nos com os olhos esbugalhados. Eu disfarcei, continuando a comer, e ele enfiou com vontade a comida na boca, sem tirar o olhar de Harry. Pude ver seus olhos se fechando de raiva, tornando-se pequenas fendas furiosas.
- Ah sim, Gina tem o talento da mãe, não é, Moliuóli? – Meu pai disse encarando minha mãe com um sorriso doce e pegou sua mão com uma carícia. Ela sempre derretia-se ao ser chamada assim por meu pai. – Com certeza Harry é um homem de sorte de estar com minha filha.
Draco enfiou mais um enorme pedaço de Vol-au-vents na boca e, mal terminou de engoli-lo, inclinou-se sobre a mesa para pegar mais dois, rapidamente. Bebeu um pouco de vinho que a garrafa havia acabado de colocar em sua taça e voltou a colocar mais um enorme pedaço da comida na boca. Isso em poucos segundos. Eu dei uma tossidinha, tentando disfarçar meu incomodo por seus modos, mas ele não notou e continuou a comer rapidamente, ignorando a todos na mesa.
- É, mas estão demorando demais para casar. – Rony falou distraido ao acabar de engolir um pedaço de empadão e beber um pouco de suco de amêndoa.
Eu fechei os olhos e abaixei a cabeça rapidamente, tomando um grande gole do vinho, torcendo para que ninguém houvesse notado o olhar furioso de Draco na direção de meu irmão.
- Eles têm todo o tempo do mundo. Quando estiverem preparados, tomarão a decisão. – Meu pai, sábio como sempre, disse e me encarou com um olhar quase consolador, como se houvesse notado meu nervosismo ao tocar no assunto.
- Mas que seja logo, não é? Victorie deve querer muitos primos. – Carlinhos disse encarando a sobrinha e lhe bagunçando o cabelo, entre um garfada e outra de rosbife. A menina acenou com a cabeça afirmativamente.
- O pequeno Percy está a caminho! – Percy disse acariciando a barriga da mulher e a encarando carinhosamente.
- Ou a pequena Molly. – Audrey disse sem desviar os olhos dos do meu irmão e minha mãe abafou um início de choro emocionado.
- E você, Carlinhos? Por que também não contribuí com Victorie? – Guilherme perguntou do outro lado da mesa para o irmão.
- Eu concordo plenamente. – Jorge declarou em tom sério e, olhando para frente, viu "minha amiga" com a boca cheia, como em todos os momentos do jantar, olhando de um lado para o outro, parecendo meio aborrecida com a conversa. – Acho que Juliene está solteira, não está, Juliene? – perguntou com um sorriso preso nos lábios. Draco, assustado por ouvir "seu nome", voltou seu olhar para Jorge.
- Como? – indagou distraído, engolindo rapidamente e pegando a taça para um gole de vinho.
- Ah, imagina! Juliene, a amiga de Gina, namorando com Carlinhos, seu irmão. – Harry disse sorrindo, provocando risos satisfeitos de minha mãe.
- O QUE?! – Draco, que estava bebericando o vinho, encarando Harry com rabo de olho, engasgou-se com a bebida.
- Pelo menos eles comem iguais. – Jorge falou mais para a esposa, que não conteve o riso, mas todos ouviram.
- Idiota... – Carlinhos disse ao jogar uma ervilha na cabeça dele. Voltou-se para Draco com certa gentileza. – Não que você não seja uma mulher bela, e você é, mas não tenho muito tempo pra isso. Todos sabem que sou dedicado demais ao meu trabalho e amo o que faço.
Draco deu um sorrisinho de agradecimento em meio a sua tosse histérica enquanto eu dava batidas em suas costas e lhe ofereci um copo d'água, que não foi suficiente. Meu pai rapidamente pegou sua varinha, apontou para ele e logo sua tosse cessou.
- Está melhor, querida? – Ele perguntou atencioso e Draco apenas acenou afirmativamente com a cabeça, forçando um sorriso de agradecimento.
- Parece que Juliene não quer mesmo entrar para família. – Gui falou tentando não rir e também jogou uma ervilha em Jorge.
- A amizade de Ginevra é suficiente para mim. – Draco falou com um sorriso que apenas eu parecia ter percebido ser falso, enquanto me encarava. Depois voltou a comer nervosamente. Eu apenas sorri e dei uma golada no vinho. A tensão dele antes havia passado toda para mim.
Em meio a conversas, terminamos a refeição e, batendo palmas, fiz com que as sobremesas aparecessem e o resto de comida desaparecesse. Todos comemoraram a presença dos pães de ló com calda de vinho, os doces de chocolate com cereja, pudim e sorvetes de coco. Victorie foi a primeira a pegar um pouco de cada coisa, com a permissão da mãe. Todos se serviram rapidamente e em poucos minutos se lambuzavam com os doces. Draco, dessa vez, foi tão afobado quanto os outros. Achei inacreditável como ele parecia estar mais descontraído com a situação, o que, definitivamente, eu não estava.
Depois de comermos, fomos nos sentar nas poltronas para conversar. Servi-lhes calda de cereja com soda e gelo, Hidromel e Xerez, a pedido de Rony, que afirmou estar definitivamente cansado de qualquer coisa parecida com cerveja amanteigada.
A conversa estava animada, mas uma inquietação ainda maior tomou conta de mim ao ver que Draco bebia mais do que deveria. Um copo atrás do outro, senti seu olhar e seus movimentos mais lentos e já não parecia estar disposto a ficar indiferente a conversa. Falava com todos e fazia comentários que arrancavam gargalhadas de todos sobre qualquer assunto.
De repente, para meu temporário alívio, Jorge pediu a atenção de todos. Até que todos ficassem em silêncio e eu fizesse Draco calar a boca com um secreto apertão em seu pulso, passaram-se alguns minutos. E depois de muitos rodeios, ele foi direto ao ponto:
- Bem, na verdade eu gostaria de comunicar que Angelina e eu vamos ter um bebê! – anunciou com um gigante sorrindo brotando em seus lábios, ao lado de sua mulher, que também sorria com lágrimas nos olhos.
Fora ele terminar de falar para que todos enlouquecessem de alegria e fossem parabenizar o casal. Todos, principalmente meus pais, ficaram extremamente emocionados e felizes.
- Agora precisamos nos apressar, Mione. – Rony disse sorrindo e deu um rápido beijo nela.
- Sim, assim só faltará a Ginevra! – Draco disse mais alto do que deveria e, andando em direção a todos que rodeavam Angelina e Jorge, levantou o copo. – Um brinde!
Todos, vibrantes, levantaram seus copos de bebida e eu, particularmente, levantei meu braço trêmulo, enquanto o outro era segurado por Harry, que parecia estar muito feliz pela noite em que todos falavam a todo momento de um futuro casamento entre nós.
- Aos Weasley! – Draco gritou e todos repetiram enérgicos com ele. – Que venham muitos e muitos Weasleyzinhos!
Todos brindaram eufóricos e apenas eu pareci notar o tom de ironia na voz embriagada de Juliene. Enquanto todos batiam suas taças e bebiam, ele me lançou um olhar sombrio e ergueu sua taça em minha direção.
- E Potters, por que não? – Harry falou também animado, de mãos dadas comigo, e todos também brindaram com ele e repetiram seu brinde.
- Absolutamente, Harry Potter! – Draco veio andando não-linearmente em direção de Harry. – Que venham muitos Potters ruivos por aí!
Harry brindou com a minha suposta amiga alegremente e depois voltou-se para Angelina. Eu encarei Draco duramente, percebendo que o sarcasmo ficava cada vez mais evidente em sua voz. Vi que tinha que acabar com aquilo antes que ele não conseguisse mais se controlar e acabasse por falar alguma besteira. Puxei-o para um canto mais afastado.
- É melhor parar, Draco! Você está bebendo demais. – Peguei a taça de suas mãos, ríspida, segurando seu outro braço com firmeza.
- Deixa eu comemorar com sua família, Weasley. – Encarou-me duro, pegou a taça de volta e bebeu todo o seu conteúdo de uma só vez. Entregou-me a taça vazia. – Não se preocupe, não entregarei sua pequena farsa. – terminou e foi andando em direção a minha família. – Bom, foi um prazer conhecê-los, – recomeçou falando em direção a eles, mais alto do que o necessário. – mas já vou me deitar. Espero reencontrá-los em breve.
Todos se despediram calorosamente dele. Quando Harry foi se despedir com um aperto de mão, Draco segurou-o forte, firme, encarando-o duramente. Percebendo que Harry começava a se incomodar com a atitude estranha, corri e puxei Draco. Fiz um sinal para Harry de que ela havia bebido muito e ele ignorou. Levei-o até as escadas e Draco, sem me olhar, subiu-as rapidamente, apoiando-se no corrimão. Fiquei aliviada ao ouvir ele entrando no quarto e fechando a porta. O perigo havia passado e tudo estava bem.
Bebemos por mais um tempo e, comemorando as notícias e contando as novidades de nossas vidas, ficamos até meados da noite. Apenas quando Victorie começava a cochilar no colo da mãe nos demos conta de que estava tarde. Gui, que não havia bebido nada de diferente da filha, pegou-a no colo e despediu-se de todos, como Fleur. Aos poucos todos foram embora, ficando por último meus pais, Rony, Hermione e Harry.
- Minha filha, foi maravilhoso esse dia. Temos que nos reunir assim mais vezes. – Minha mãe disse, esbanjando alegria. Imagino o que ela sentia ao ver todos os seu filhos reunidos.
- Com certeza, Molly. – Meu pai concordou e veio se despedir de mim com um forte abraço. – Fique bem, minha filha.
- Até mais, Gina. – Hermione também despediu-se de mim com um abraço caloroso e beijos em meu rosto. – Tudo foi ótimo.
- Com certeza, você está aprovada como uma boa cozinheira. – Rony brincou e bagunçou meus cabelos. – Até logo, irmãzinha.
- Tchau, Roniquinho. – disse também gozadora e lhe dei um tapinha no braço.
Por fim ficamos apenas Harry e eu. Aliás, Harry, eu e minha tensão. Depois daquele dia difícil e um teor alcoólico elevado em meu corpo, não estava preparada para encarar Harry. Eu fiquei perto da porta, com a mão na maçaneta, esperando que ele percebesse meu sinal de que queria que ele fosse embora.
- Temos que conversar, Gina – Ele começou, pegando minha mão.
- Ah não, Harry. – interrompi-o logo, sem paciência. – Sempre você fala isso.
Ele me encarou pasmo, quase magoado. Soltou minha mão rapidamente e abriu a porta em meu lugar, nervoso. Dei-me conta do que eu estava fazendo e do quão estúpida eu estava sendo.
- Desculpe-me, só estou cansada... – Tirei sua mão da maçaneta e a segurei, dando um sorriso para ele. – Acordei muito cedo e...
- Eu só acho que se você não quer mais estar comigo deve ser sincera. Pelo menos para eu não fazer mais papel de idiota. – disse firme, me encarando muito chateado, e saiu pela porta sem falar mais nada.
Viu-o passar pelo jardim rapidamente, sem olhar para trás. Fechei a porta com raiva, mas sabendo que ele estava certo. Era impossível não perceber minha frieza em relação a ele. Não tinha mais o que fazer. Eu já não tinha dúvidas de que eu não o amava mais e que se ficasse com ele, não seria feliz. Independente de como as coisas ficariam em relação a Draco, eu já não conseguia ver um futuro ao lado de Harry. Eu já havia mudado completamente por Draco e se havia alguém com quem eu gostaria de compartilhar minha vida, era ele. Mesmo que isso significasse um grande problema na minha vida. Porque, apesar de tudo, qualquer coisa que eu pudesse ter com Draco duraria apenas até ele se recuperar. E essa idéia aterrorizava.
N.A.: Definitivamente, adoro escrever os Weasley. Imagino-os como uma perfeita família alegre e sorridente. Adoro-os. E imaginar uma "Juliene" bêbada também foi bem divertido rs. Espero que gostem desse capítulo. Ana Coelho, ou melhor, Ana, minha primeira leitora, obrigada pela review! Imagino, eu também estou tentando encontrar um tempo para ir postando, mas que bom que está gostando. Juliene é ótimo mesmo né hahahhaa! E concordo plenamente, como titia JK nunca pensou nos dois juntos, são PERFEITOS! Lizaaa, obrigada! Espero que continue acompanhando a fic, e pode deixar. O banana do Potter (definição perfeita pra ele!) vai sair de jogo logo. Hahaha. Beijo à vocês meninas e a todo mundo que lê. Espero mais reviews. Besous :*
