Capítulo 13
Uísque de Fogo Ogdenm
Mesmo me sentindo completamente exausta e só desejando cair em minha cama para dormir, levei todas as louças para a cozinha, tirei os móveis em excesso da sala e deixei tudo conforme o normal. Preferia ir dormir sabendo que tudo estava arrumado.
Vendo que ainda era cedo, pensei em como seria bom relaxar, aproveitando que Draco já estava dormindo. Ascendi a lareira, liguei o rádio e fui pegar um pouco de suco. Sentei-me então de frente para o fogo enquanto ouvia a suave música. Percebi que não conseguiria dormir tão cedo mesmo estando cansada fisicamente e peguei um livro para tentar ajudar com o sono. Fiquei por um bom tempo lendo ali até que ouvi passos vindos da escada. Olhei rapidamente e encontrei Draco, com uma terrível cara de sono, no pé da escada, vindo em minha direção. Dei de ombros e voltei o olhar para o livro, distraída. Ele parou ao meu lado, entre a lareira e eu, fazendo sombra sobre as páginas que eu lia. Levantei o olhar impaciente para ele.
- O que é? – perguntei encarando-o séria, vendo que já havia trocado de roupa. Era engraçado ver Juliene com as roupas de Draco.
- O que você acha? – indagou irritado, parecendo óbvio demais. Mexeu nos cabelos compridos. – Onde está minha varinha? Quero tirar essas porcarias de mim!
Eu peguei minha varinha que estava ao meu lado e, antes que ele falasse mais qualquer coisa, tirei todas as mudanças que havia feito. Voltei para o livro.
- Sua varinha está escondida na gaveta do seu quarto. – falei enquanto vi pelo canto do olho ele se examinar em frente ao espelho.
Eu tentava ignorá-lo e ele, para me ajudar ainda mais, sentou-se ao meu lado e ficou me encarando. Fechei o livro violentamente e o encarei também.
- O que você quer, Malfoy? – Realmente era bom vê-lo como homem de novo. Achei-o ainda mais bonito.
- Está de mau humor, Weasley? – perguntou com um sorriso debochado no canto da boca.
- O que você acha?! – Irritei-me logo e joguei o livro sobre ele. – Você quase pôs tudo a perder falando suas besteiras de bêbado! Droga, Draco! Minha sorte é que minha família não é maliciosa e não percebeu suas provocações!
- E você realmente acha que eu só fiz isso porque estava bêbado? Ora, Weasley, por favor! Não sou um garoto que faz as coisas inconscientemente. – disse como se eu fosse o ser mais inocente do mundo e deitou-se no chão. Eu permaneci a fitá-lo, ainda mais irritada. – Eu precisava relaxar e me divertir um pouco, não acha? E até que foi divertido, considerando o fato de eu estar como uma mulher e terem insinuado que eu poderia virar sua cunhada. No final pude me divertir. Principalmente por poder rir do seu namorado, mesmo estando eu no papel mais ridículo. – disse rindo de si mesmo e me fitou.
Eu escutei-o séria e, lembrando de algumas cenas do jantar, não pude me segurar e caí na gargalhada com ele. Não havia como não rir lembrando dele se engasgando com a idéia de ser minha cunhada e toda a situação em si. Ele tinha razão. Apesar das provocações que ele fizera e do risco que corremos, havia dado tudo certo e realmente havia sido divertido.
- Espere. – Ele falou ao dar um salto e correr até a cozinha. Voltou segundos depois com uma garrafa de Uísque de Fogo Ogdenm e dois copos. Sentou-se novamente.
- Onde estava isso? Eu procurei por toda a parte para servir hoje!
- Ah, já tinha bebida demais. E além do mais esse é especial, se fosse servir pra sua família iria acabar muito rápido. Nunca vi tanta gente junta! – Ele dizia rindo enquanto servia os copos.
- Minha família é grande, eu tinha dito. – Peguei meu copo e encarei a bebida, me perguntando se eu deveria beber mais.
- Grande e barulhenta. – Draco pôs a garrafa de lado e levantou seu copo. – À Juliene!
- À Juliene! – repeti rindo e bebi um gole. Mais um pouco de bebida não me faria mal já que eu só desejava relaxar. Aquela sensação quente invadiu meu corpo, muito mais forte do que o calor da lareira. Encarei Draco que, após uma golada, fechou os olhos e voltou a se deitar.
- Sabe, – O homem recomeçou, fitando profundamente a lareira. – sua família não é de todo ruim. Quer dizer, não são muito educados, são numerosos e barulhentos, mas não parecem ser ruins como eu imaginei.
Eu apenas fitava-o, quase encantada. Mesmo em sua forma rude, era bom ouvir aquele elogio.
- Se você não gostava de nós, era apenas uma questão de origem e ideais. Estávamos em lados opostos. – Abaixei a cabeça, lembrando-me da guerra. Era impossível não lembrar. Não depois de ter minha família toda reunida e a ausência de Fred não passar despercebida.
- Isso não importa mais. – Ele levantou-se e me lançou um sorriso, jogando uma mecha de cabelo que caía sobre meus olhos para trás. Mas, percebendo o que estava fazendo, hesitou e voltou-se para a lareira. Eu acabei por me retrair também, sem jeito.
Ele ficou lembrando de alguns fatos engraçados durante o jantar e ficamos rindo, comentando sobre o que havia acontecido, principalmente sobre sua delicadeza com Harry. Ríamos juntos como há muito tempo não fazíamos e estava sendo maravilhoso.
- Até seu namorado gostou de mim. Ele é patético. Dá pra ver que é uma boa pessoa afinal. De caráter. Mas não percebe nada, não é? – disse distraidamente, deitado com a cabeça sobre uma almofada, com um sorriso quase malicioso e eu disfarcei. – Quer dizer, sua família é muito elétrica e ele se apaga com facilidade diante de vocês. Não sei porque tamanha fama. Por ele ser um grifinório nato? Ele foi corajoso realmente? Afinal, ele sempre fez tudo com a ajuda dos amigos. – Ele dizia rapidamente, sem tirar os olhos do fogo, em tom de desabafo. – No final das contas ele não deve ser tão nobre assim e nem todo mundo deve ser tão agradecido a ele. – terminou com um longo suspiro. Ao me encarar, continuou com a expressão mais suave. – Lógico, digo isso pelo que li e pelo que você me contou.
Eu apenas lhe lancei um sorriso, sem saber bem o motivo. Talvez por ver que ele não se incomodava em falar o que sentia perto de mim. Eu adorava a idéia de que ele confiava em mim e de que poderíamos nos reaproximar. Mas ainda uma pequena culpa surgiu em meu interior. Ele estava ali, falando de Harry, meu namorado. E a única coisa em que eu conseguia pensar era na possibilidade de nossos lábios se tocarem. Quando ele percebeu que eu o fitava fixamente, sorriu e eu desviei o olhar, encabulada. De repente ele se levantou.
- Acho que você não pode ao menos suportar a idéia de decepcionar sua família. Estou errado? – lançou sua pergunta como um raio, me encarando sério. Intrigou-me.
- De certa forma não. Realmente não quero decepcioná-los. Mas por que pergunta isso?
- Você deve se casar logo então, Weasley. Eles esperam isso com ansiedade, e o Potter também. – disse agora sem me olhar, e deu um longo gole em sua bebida. Senti suas palavras me atravessarem como uma faca em minha carne. Virei todo o conteúdo de meu copo para dentro e senti meu corpo queimar e minha cabeça rodar. Peguei a garrafa que estava ao lado dele e enchi meu copo mais do que deveria, como se aquilo fosse me tirar alguma angústia.
- E você deve não se meter na minha vida, Malfoy. – Levantei bruscamente com meu copo na mão e fui em direção as escadas. Ele levantou logo em seguida e veio atrás de mim. Puxou-me pelo braço para que eu ficasse de frente para ele, o encarando. – Pode me soltar? Vou dormir, estou cansada.
- Precisa ser tão grossa? – perguntou com um sorrisinho irritante em tom debochado. – Estamos só conversando.
- Precisa ser tão idiota?! – disse mais alto do que era necessário e me soltei de suas mãos.
- Peraí, não estou entendendo. Quando isso virou uma discussão?
- A partir do momento em que você se mete na minha vida! – falava irritava, enfiando o dedo indicador em seu peito. – Como você diz que eu devo me casar logo? – Definitivamente o uísque já tinha subido para minha cabeça e eu estava exaltada demais. Ele deu um passo para trás e se pôs a me encarar com os braços cruzados e uma sobrancelha arqueada.
- Eu só falei que...
- Pois não fale! – gritei, interrompendo-o logo. Não queria ouvir mais nada. Principalmente por ele se mostrar tão indiferente ao seu próprio comentário, como se não fosse nada ele falar para me casar com Harry depois do que vínhamos vivendo.
- Eu falo! – também gritou ao me agarrar pelos braços, como se eu fosse uma adolescente. Encarou-me muito sério. – Eu falo sim! A culpa não é minha se você não gosta que eu fale de seu noivo e do seu casamentinho.
Naquele momento arrependi-me de ter sentado naquela sala e começado a beber com ele. Já estava fora de meu controle e senti que se continuássemos a discutir meus olhos se encheriam de lágrimas e a última coisa que eu poderia fazer naquele momento era chorar.
- Não gosto mesmo que você fale sobre isso! Não quero que fale sobre isso!
Ele afastou-se mais e virou-se para o lado. Passou a mão pelos cabelos, nervoso, dando passos de um lado para o outro. Voltou-se para mim com o olhar raivoso .
- Você é louca, Weasley? Por que não posso falar? A culpa não é minha se você não gosta dele! Eu falo porque eu não consigo entender. Todo mundo vê que você não gosta do idiota do Potter, você sabe disso. Você não gosta quando ele te toca, quando ele te olha, quando ele está perto. Porra, pra mim isso ficou bem claro nessa merda desse jantar. E todo mundo fica falando dessa porra desse casamento e você odeia isso, mas não fala nada. Concorda, sorri, muito falsamente, mas não fala nada. E eu não posso falar nada? Você me chutou pra ficar com ele, não assimilou isso ainda? A escolha foi sua, ninguém está te obrigando a nada! E eu não posso falar nada? Eu não entendo, Weasley. Você não o ama, não gosta dele. Então por que você quer casar com ele?! Por que insiste nessa história?!
Eu permaneci estática, encarando-o boquiaberta. Não pude conter e meus olhos lacrimejaram. Eu não sabia o que dizer. A idéia de que eu estava me comportando como uma idiota me devolveu a razão. Do que eu estava reclamando se tudo era conseqüência de minhas decisões como ele mesmo falara? Sentei ao pé da escada e abaixei a cabeça, me segurando para não chorar. Por que ele havia sido tão sincero naquele momento? E como aquilo me machucava... Ele estava certo e eu era uma imbecil. Quando as lágrimas teimosas oscilavam por meus olhos, senti uma mão sobre minha cabeça, acariciando meus cabelos. Levantei o olhar e encontrei-o me fitando, muito sério. Sentou ao meu lado.
- Não vou me desculpar por ter sido sincero, mesmo que meio rude. – Enlaçou os dedos, encarando a lareira.
- Tudo bem. – Minha voz quase falhou e não consegui olhá-lo novamente. – Você tem razão, mas as coisas não são fáceis.
De repente senti sua mão em meu rosto, levantando meu queixo para eu encará-lo. Aproximou seu rosto do meu e meu coração acelerou-se de imediato. E como se aquele momento simplesmente não houvesse existido, ele me beijou delicadamente, de uma forma que nunca havia feito. Seus lábios me tocaram como o mar tocava a areia, lentamente. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas era a melhor sensação que eu poderia sentir. Minha mente esvaziou-se de imediato e a única coisa em mim encontrada era o que eu estava sentindo por ele. Quando ele afastou-se do beijo, me encarou com um sorriso.
- As coisas são mais fáceis do que você imagina, Ginevra. – anunciou e voltou a me beijar, apaixonado.
Quando pensei que aquela noite terminaria muito mais tarde, com nossos corpos unidos novamente, ele deu fim ao beijo, levantou-se e seguiu pelas escadas para o seu quarto.
Naquele momento tive certeza do que eu deveria fazer.
N.A.: Queria ter postado antes ;/ enfim, espero que todos gostem do capítulo. Ana, obrigada pela review. É verdade, weasleys! Todos temos um pouco, são lindos! Minha vida tá uma loucura, muita coisa pra fazer, e queria tanto escrever uma outra fic. Quem sabe eu consiga nas férias. Beijão pra vc, ana! E beijão pra tds que leem. Ah, e obrigada as pessoas que adicionam a fic como favorita e eu como autora. Agradeço imensamente e escreve por vcs. Espero reviews. Besous :*
