Capítulo 17
Inoportuno choro da pequena Molly
Alguns dias após eu receber a carta de Draco, o campeonato de quadribol começou, o que não aconteceu em momento inoportuno. Com as viagens, os jogos e os treinos intensivos, não tinha muito tempo para pensar no meu antigo hóspede e praticamente não ficava em casa. Era bom não ficar sozinha onde as lembranças me apavoravam. E naqueles dias eu começava a me mostrar mais resignada com o rumo de minha vida e como ela havia sido mordaz comigo. Colocar Draco escondido numa casa que futuramente eu escolheria como minha era demais. Agora ali estava eu: sem Harry, sem Draco e sem coração.
●O●
Semanas depois, quando o campeonato acabou com a vitória do Harpias de Holyhead, a qual não consegui comemorar com muita alegria por mais que eu quisesse, voltei para casa completamente esgotada. Minhas companheiras de time pretendiam viajar pela Europa para comemorar a vitória, e como notaram minha total falta de ânimo não insistiram muito quando agradeci pelo convite de ir com elas e recusei com veemência. Talvez fosse uma boa idéia viajar para espairecer, mas tinha medo de que algo acontecesse com Draco, as notícias chegassem e eu não estivesse aqui para ajudar.
Irrompi sala a dentro, joguei minha mala de lado e mergulhei com vontade no sofá, me aninhando entre minhas almofadas. Era a primeira vez em semanas em que eu conseguia relaxar todos os músculos do meu corpo sem me sentir culpada por não estar treinando. E era muito bom. Estava com fome e cobiçando uma boa bebida para relaxar ainda mais, mas eu não tive forças para levantar do sofá. Achei melhor tentar fazer qualquer coisa, desde de arrumar a casa ou cuidar de minhas necessidades fisiológicas, após descansar meu corpo e dormir um pouco. E não demorou muitos minutos antes que eu caísse em um sono profundo, do qual só despertaria horas depois.
E este momento foi o mais difícil. Quando despertei, ainda abraçada a uma almofada, direcionei meu rosto para a janela e pude notar uma grande claridade vinda do lado de fora. Já era de manhã. Fechei os olhos novamente e apertei a almofada contra meu peito, comprimindo-a mais; mas apesar da enorme preguiça que me dominava, não estava mais com sono.
Abri os olhos novamente, decidida a me levantar e agilizar minha vida. Meus olhos, então, encontraram distraídos a lareira. De repente, todos os momentos que passei com Draco invadiram minha mente. Seus abraços, seus beijos, nossas conversas, discussões, noites de amor; seu sorriso superior, seus passos arrastados pela casa, seus olhos. Cada parte minha sentia falta de cada parte dele, do corpo ao seu jeito. Já sentindo um pequeno nó se formar em meu estômago, dei um pulo do sofá, como se aquilo fosse afastar as lembranças, e corri para a cozinha. Olhei para a lata de biscoitos da prateleira e meu estômago soltou um gemido, implorando por comida. Peguei-a e acabei por achar a garrafa de uísque que Draco escondia sempre atrás da lata. Dizia que somente ele poderia saber onde estava para evitar que eu bebesse sem ele; e eu sempre soubera que ela ficava ali e nada dizia. Soltei um sorriso bobo ao me lembrar daquilo e olhei para a lata e da lata para a garrafa. Resolvi pegar a garrafa também. Coloquei uns biscoitos em um prato e servi uma pequena dose, que tomei em um único gole, soltando um bramido. Olhei em volta e pensando nas semanas que se seguiriam de férias e que eu estaria sozinha naquela casa o dia inteiro, peguei a garrafa com o copo e o prato de biscoitos e fui para o sofá, desanimada.
Meu espanto foi sem tamanho quando, de repente, em minha lareira, apareceu Hermione, correndo com vontade em minha direção. Assustada, apenas escondi a garrafa de uísque ao lado do sofá e me levantei. Enquanto ela me abraçava, Rony também apareceu com um pequeníssimo bebê no colo. Em poucos segundos Percy, Audrey e meus pais também estavam no cômodo. Disfarcei o susto em vê-los ali tão repentinamente e coloquei um sorriso no rosto.
- Olhe, Gina, olhe! – Rony falava ao se aproximar e me mostrar a criança em seu colo.
Ao ver a criança senti vontade de bater em minha cabeça, pensando no quanto eu era idiota. Como eu poderia ter esquecido? Após o último jogo do campeonato havia recebido uma carta de Percy anunciando o nascimento de sua filha. Mas em meio a comemoração do resto do time e minha cabeça tão distante, acabei me esquecendo de que ele tinha avisado que trariam a neném em minha casa naquele dia para que eu a conhecesse. Por isso já vieram, ansiosos, por pó de flú. Agradeci mentalmente por eles terem chegado antes de eu beber meu uísque todo.
Sorrindo, fitei atenciosamente a pequena ruivinha. Era simplesmente linda. Mesmo contrariado por ter que largar a sobrinha, Rony deu-a para que eu a segurasse um pouco. Pela primeira vez em semanas eu conseguia esquecer completamente Draco. Apenas vendo aquela pequena pessoa em meu colo, tão pacífica e angelical que me transmitiu uma enorme paz. A pequena dormia tranqüilamente, com as mãos juntas e soltava uns gemidos ao se mexer. Levantei os olhos para meu irmão, que nos encarava encantado, ao lado da esposa, que mantinha ainda um olhar cansado. Pedi que se sentassem ao contemplar a pequena mais um pouco.
- Não é parecida com Percy? – Audrey perguntou sorrindo, olhando para o marido. Ela parecia ainda mais serena que antes.
- É mais bonita! – Rony completou rindo, estendendo a mão para pegá-la novamente e eu lhe fiz uma careta, deixando-o aborrecido. Eu ri.
- Rony não a deixa por um único minuto. – Hermione falava, apertando a mão do marido e rindo para minha mãe.
- É que a pequena Molly é tão encantadora. – Ele falou não resistindo e se levantou, parando ao meu lado e fitando a sobrinha com carinho. Devíamos ser os tios mais bobos que existiam. – Além do mais tenho que praticar. – terminou com um sorriso maroto.
- Como? – indaguei confusa ao encarar Hermione, que apenas abriu um imenso sorriso e se levantou também, parando ao lado de Rony e lhe segurando a mão. Olhei para os meus pais, que riram cúmplices.
- Eu estou grávida! – Hermione soltou como se não aguentasse mais fazer força para esconder, com um grito eufórico.
- Oh, Merlin! – Coloquei a bebê sobre um braço e com o outro abracei Hermione, muito feliz. – Parabéns, Mione. Parabéns, Rony! – Abracei também meu irmão, que mantinha uma expressão feliz e assustada. Imaginei como ele devia estar apreensivo por ser pai. Ter filhos era diferente de ter sobrinhos, mas eu sabia que ele se sairia muito bem nessa nova aventura. – Você será um ótimo pai, Roniquito. – terminei, sorrindo companheira, e recebi um soquinho no braço de agradecimento, acompanhado de um sorriso.
- Tantos netos! – Meu pai falou se levantando e pegando a pequena Molly nos braços, antes de Rony, que fez uma discreta careta. – Imagino todos correndo pela Toca, fazendo bagunça.
- E minha mãe correndo atrás, tentando arrumar tudo e alimentá-los. – Percy completou e todos rimos imaginando perfeitamente a cena. Ela deu de ombros, sabendo que era verdade, sem deixar de rir.
Minha mãe e eu preparamos um rápido almoço para nós e, após a refeição, ficamos conversando durante horas, enquanto a mais nova integrante da família Weasley rodava de mão em mão, sempre ficando mais tempo no colo de Rony.
- Vocês não sabem a última do Ministério! – Rony começou animado com a fofoca que contaria, ao pegar a sobrinha e entregar a Audrey para a amamentação. A mulher se levantou e foi se sentar numa poltrona mais distante, fora do alcance direto de nossos olhos, mas podendo ouvir a conversa. – Parece que havia um inquérito sobre a morte de Dumbledore a pedido de Aberforth do qual quase ninguém tinha conhecimento.
Instintivamente ergui o olhar arregalado para Rony, dando-lhe total atenção. Somente Draco me veio em mente.
- Pensei que tudo já estivesse esclarecido... – disse, esperando mais informações e me aproximei dele.
- Pois é, mas Aberforth não se contentou. Queria que alguém fosse responsabilizado e penalizado. E o ministério andava abrindo inquéritos para poder colocar comensais que poderiam ainda oferecer algum perigo em Azkaban. Snape e Voldemort não poderiam responder. Quem restaria? – perguntava ele, como se estivesse apresentando um animado jogo de adivinhação.
- O filho de Lúcio Malfoy? – Meu pai perguntou, também se interessando mais pelo assunto.
- Exato! Ele estava desaparecido, mas há alguns dias apareceu no ministério para resolver sua situação.
Meu queixo caiu. Draco havia ido ao ministério? Estava preso?
- Por isso há alguns dias houve tanta agitação no ministério... – Percy mencionou com uma expressão de recordação.
- E o que houve com ele? – Obrigada, mamãe! Poupou-me de fazer aquela pergunta que se saísse de mim, teria um tom terrível de desespero.
- Bom, ele...
Um choro alto cortou a voz de Rony, enlouquecendo-me. Audrey nos olhou com um sorriso sem-graça, desculpando-se e voltou a amamentar a criança, voltando novamente sua atenção para o que o Rony contava.
- Espero que o Malfoy esteja preso em Azkaban agora. – Hermione disse sisuda.
- Bom, pelo que me disseram...
Novamente o choro alto da pequena Molly interrompeu Rony. Meu coração simplesmente congelou. Só poderia ser brincadeira comigo.
- Percy, ela está inquieta demais. É melhor irmos. – Audrey disse, levantando-se e indo até o marido com a filha no colo, que chorava enérgica.
- Está bem. – Meu irmão se levantou e pegou a filha no colo, tentando acalmá-la. Aproximou-a de mim. – Diga tchau para titia, Molly.
Inclinei a cabeça sobre a ruivinha, mexendo em suas mãos tão pequenas. Ela silenciou-se e esboçou um pequeno sorriso, olhando entre as fendas de seus olhos semi-cerrados. Dei um beijo em sua mãozinha.
- Até logo, pequena Molly. – falei sorrindo para ela.
Meus pais se levantaram, dando sinais de que iriam também. Olhei rápida para Rony, que falava algo com Hermione, ainda sentados. Ele definitivamente não poderia ir embora naquele momento.
- Vamos com Percy. – Minha mãe disse ao me abraçar forte e apertar minha cintura, provavelmente se certificando de que eu não emagrecera e estava me alimentando bem. – Até mais, Gina.
Meu pai despediu-se de mim também, seguido por Percy e Audrey. Quando nos aproximamos da lareira, Hermione e Rony vieram atrás. Encarei-os sem conseguir disfarçar o incomodo com a idéia deles irem embora.
- Vamos também. Estou um pouco enjoada e quero descansar. – Hermione falou ao me abraçar e seguir minha mãe.
- Mas... – balbuciei entre o abraço de Rony, vendo meus pais sumirem entre as labaredas verdes da lareira. – Não vai contar o que aconteceu com o Malfoy? – perguntei com um sorriso amarelo, torcendo para que ele não percebesse meu interesse, mas que ele me respondesse.
- Ele é um Malfoy, o que você acha? – Rony declarou, dando de ombros, como se sua última fala deliberadamente não fosse uma indagação, mas algo que levava à uma afirmação óbvia que não precisava ser dita. Quis agarrar seu pescoço e obrigá-lo a explicar as coisas de forma clara, mas me controlei, sentindo uma incomoda agitação.
Todos sumiram na lareira, cada um se despedindo com um aceno alegre. Eu permaneci estática olhando para a lareira vazia, sentindo as perguntas entaladas em minha garganta. Tomada de ódio por mim mesma e pela situação, bati o pé com força e voltei para o sofá, procurando novamente minha garrafa de uísque que havia ficado escondida ao lado do sofá durante todo o tempo.
Minha sobrinha era linda e eu estava encantada por ela, mas a única coisa na qual eu conseguia pensar era em Draco e aonde ele estaria naquele momento.
N.A.: Mais revelations. E quase ela sabe dele, rs. Espero os comentários que eu amo! Gih Malfoy, calma que ele volta. Eu não conseguiria escrever sem ele por muito tempo. A verdade é que eu não apenas gosto de detonar harry nas minhas fics, como gosto de colocar o draco no papel de praticamente um injustiçado. Eu não consigo controlar isso. Só sai. Hahahah Esse loiro é perfeito demais *-* valeu pelo comentário! Besous a todos :*
