Capítulo 19
Como é ótimo receber visitas
Eles entraram e eu apenas fechei a porta e estendi o braço, indicando o sofá para que se sentassem, sem conseguir parar de olhar para a mulher. Era estranho encontrá-la depois de tantos anos.
- Fez um ótimo trabalho aqui. – Ela disse olhando em volta, com suas mãos displicentemente pousadas sobre suas pernas. – Este lugar estava detestavelmente destruído. – terminou com um sorriso ensaiado e voltou o olhar para o homem, indicando que era a vez dele de falar.
- Bom, senhorita Weasley, precisamos conversar sobre...
- Você é dona desta casa... – falei ainda absorta, interrompendo Teodoro. – Então é por isso que Draco...
- Falaremos sobre isso depois, senhorita Weasley. – Ela rapidamente me cortou, colocando uma expressão dura em seu rosto e com os olhos firmes sobre mim, deixando claro de que não deveríamos falar sobre aquilo na frente do homem. Eu só concordei com a cabeça e voltei o olhar distraido para o homem.
- Então, – Ele recomeçou impaciente, começando a ficar aborrecido por minha falta de atenção. – precisamos resolver essa situação. Eu me responsabilizei pela tentativa de um acordo entre as duas partes, considerando que houve um erro do ministério ao tentar localizar o proprietário desta casa no momento em que a senhorita quis efetuar a compra.
- Eu acho que seria um absurdo eu perder minha propriedade por tamanho engano do ministério. – Narcisa falou enérgica ao jogar seus cabelos para trás. – Eu exijo um ressarcimento, e imagino que a senhorita Weasley deseje o mesmo.
Uma breve e educada discussão se fez entre Teodoro e Narcisa. Ela exigia que alguma providência fosse tomada e ele tentando tranqüilizá-la, dizendo que com certeza algo seria feito. Enquanto isso eu olhava em volta, como se fosse gravar cada canto daquele cômodo em minha mente.
- Mas e a casa? – perguntei. Os dois voltaram o olhar para mim. – O que acontecerá?
- Bom, eu realmente gostaria de reaver este lugar. E nada mais justo do que eu oferecer uma compensação financeira a senhorita Weasley pela reforma feita. – falava para o homem com um olhar quase intimidador, e depois se voltou a mim. – E acho que o senhor Karkaroff encontrará uma outra casa para você, com todas as despesas pagas pelo ministério.
- Se este for o acordo, sim – concordou rapidamente, apertando seu chapéu com uma mão, e a outra passou pela careca, secando o suor nervoso. – Mas essa decisão foi tomada pelo senhor Malfoy? Afinal, ele é o verdadeiro proprietário do lugar e acho que a presença dele é necessária durante essa decisão.
- Lúcio Malfoy é dono da casa? – indaguei, enojada só por lembrar dele e do meu primeiro contato com Voldemort.
- Ele me encarregou de cuidar disso. – Ela falou num tom de voz elevado, sem dar oportunidade de Teodoro me responder. Encarei-a desconfiada. – Está muito ocupado e solicitou que eu tomasse todas as decisões. E ninguém melhor do que eu para fazê-lo.
- Lógico, senhora Malfoy, tem toda razão. Mas o senhor Malfoy terá que vir para assinar o contrato e realizar o ato contratual mágico.
- E eu não posso fazê-lo em seu lugar?
- Só se ele ainda não fosse de maioridade, o que definitivamente não é o caso.
- Daremos um jeito. – Ela falou rapidamente, desviando o olhar. – Então, senhorita Weasley, temos um acordo?
Encarei-a pensativa, enquanto ela tentava me lançar um olhar tão intimidador quanto fazia com Teodoro. Tínhamos um acordo? Seria justo eu ter que deixar minha casa e recomeçar a minha busca que não havia sido fácil. Aquela era a casa com a qual eu sempre sonhara. E jamais teria um outro lugar no qual eu poderia ter tão boas lembranças.
- Não. – respondi séria, olhando-a sem vacilar. – Não temos um acordo.
Teodoro soltou um longo suspiro e retirou os óculos, passando a mão por sua testa úmida novamente, dando sinais claros de nervosismo.
- Eu não compreendi muito bem. – Seu rosto tomou uma forma irritada, mas contida. Ela compreendera, mas não aceitaria.
- Eu não quero deixar esse lugar. Esta é minha casa. Teremos que fazer outro acordo. – falei firme e fiquei de pé. Não permitiria que ela chegasse em minha casa e tentasse se sobrepor a mim.
- Weasley, – Ela também ficou de pé e parou frente a mim, com uma postura superior, mas eu também ergui a cabeça. – escute. É melhor pensar novamente.
Eu levantei o dedo, pensando em meia dúzia de palavras grosseiras para convencê-la a baixar a guarda comigo, quando, com o canto do olho, vi algo surgir e se movimentar ao nosso lado. Viramos ambas para ver o que era e paralisei ao me deparar com aquela figura andando em nossa direção.
- Eu disse para não vir aqui! – Ele aproximou-se da mulher e a fitou com um olhar reprovador. Parecia muito irritado e não tentava disfarçar isso no tom de voz.
- Por Merlin! – Ela falava mais baixo, olhando em volta como se não quisesse que Teodoro ou eu víssemos a discussão. – E eu disse que resolveria isso...
- Não há nada a ser resolvido. Eu já disse! – Ele não permitia que ela falasse, elevando ainda mais a voz. Seus braços gesticulavam ferozes.
- Eu voltarei outro dia. – Teodoro se levantou apressado do sofá com seu chapéu em mãos. – Senhor e senhora Malfoy. – Acenou a cabeça para eles, sem que eles ao menos o ouvissem. – Senhorita Weasley. – Acenou para mim e pôs o chapéu na cabeça. Eu apenas concordei com a cabeça e o vi aparatar.
Eu observava a cena pasma. Não conseguia acreditar que era ele ali. Piscava muitas vezes, tentando me certificar de que não era um sonho. Eu mal podia ouvir o que eles discutiam e também não via o que Narcisa fazia. Eu só conseguia fitá-lo; seus braços se movimentando pelo ar; sua boca nervosa a gritar; seus olhos direcionados para Narcisa. Vê-lo discutindo com ela sem ao menos olhar para mim, como se não tivesse notado minha presença ou simplesmente como se eu não existisse, fez com que meu sangue circulasse por meu corpo com mais velocidade, assim como as batidas do meu coração. Senti dificuldade de respirar, meus olhos lacrimejaram e, indignada, puxei-o pelo braço para que ele se virasse em minha direção e me encarasse. Ele apenas me lançou um olhar profundo e em seguida abriu um pequeno sorriso.
- Olá, Ginevra. – Senti sua voz ecoar pela sala e o chão estremecer, como se a casa mesmo tivesse sentido sua falta e agora vibrasse por sua presença.
N.A.: Nossa, agora só faço capítulos pequenininhos rs. Pelo menos to postando mais rápido. E eeeis que ele surge! Espero que gostem do capítulo. Ana! Química e matemática? Meu deus, isso é um pesadelo, mas necessário ;/ Tá aí a fic nos momentos de relax, que são fundamentais! Fazendo cursinho? Já passei por essa fase, é complicado mesmo, mas quanto maior o esforço, a recompensa é sem tamanho, pode ter certeza ;) vai tentar vestibular pra quê? Te desejo muita sorte no seu vestibular e ótimos estudos, vai valer a pena, vc vai ver! E pode chamar de Li sim =) Ann Malfoy, obrigada pela review! E mais obrigada ainda pelos elogios! É porque eu sou uma pessoa apaixonada. É, viva ao mundo da fic que podemos escrever o que queremos. Fiquei trsite com o fim que a JK deu, 20 anos depois, como se tivesse bloqueado um pouco minhas ideias. E eu tenho que confessar, eu não gosto do harry! Hahahhaha! E obrigada mesmo, adorei seu comentário, espero o próximo! Até o próximo capítulo e besous a todos :*
