Preparativos para o início da Poção

Hanna acordou pela manhã com uma sensação de peso no estômago. Logo que abriu os olhos não lembrou porque estava se sentindo assim. Depois de alguns segundos, a imagem de um garoto loiro de olhos muito azuis e misteriosos, surgiu em sua cabeça. Lembrou exactamente porque estava com aquela sensação e agora ela estava piorando. Percebeu que Hermione e Gina já haviam se levantado. Apressou-se em se arrumar e desceu para o salão comunal, onde se encontrou com todos.

-Então pronta para enfrentar o dia? – Pediu Rony.

-Hanna se ele fizer qualquer coisa que você não goste, saia de perto dele e me chame na mesma hora, certo? Então, eu terei uma conversa com ele. – Harry disse a irmã com uma cara de preocupado.

E não era só a cara, Harry estava preocupado mesmo. Conhecia o gênio da irmã, e o de Malfoy também. Além disso, os dois eram orgulhosos por de mais. Ele tinha medo que começassem a discutir, e isso com certeza, não acabaria nada bem.

-Tá Harry pode deixar. – Falou isso mais pra tranqüilizar o irmão, não fugiria de uma briga com Malfoy, e muito menos iria chamar o Harry para defendê-la.

A manhã passou num piscar de olhos. Hanna nunca tinha tido uma manhã que houvesse passado tão rápida. Na hora do almoço, a sensação de peso no estômago ainda não havia passado. Ela não conseguiu comer muito bem, estava muito nervosa, pelo o que teria de enfrentar a noite. Passaria a ter, por dois meses inteiros, noites desagradáveis na companhia de Malfoy. Pensou que jamais conseguiriam fazer aquela maldita poção, pois sempre que os dois se encontravam era briga na certa. Passou o resto do dia assim, preocupada.

Durante o jantar também não consegui comer quase nada. Depois de um tempo na mesa da Grifinória, resolveu sair.

-Já vou indo. – Disse se levantando

-Hanna, – Harry a olhou preocupado. – Lembre-se do que nós conversamos.

-Pode deixar.

-Você não acha que está meio cedo? A Sonserina não está nem na sobremesa, ainda. – Disse Gina à amiga

-Não, eu vou dar uma passada no banheiro antes. – E foi saindo, deu uma rápida olhada para a mesa de Malfoy e constatou que ele não estava por lá.

Saiu do salão principal, andando distraidamente, até achar um banheiro. Entrou e foi a um box para fazer xixi. Logo depois, ouviu que mais algumas garotas entraram no banheiro. Hanna não pode deixar de ouvir que uma delas estava chorando. Enquanto outras duas a tentavam consolar.

-Calma Suzi, não fique assim!

-Como eu não vou ficar assim?! Aquele idiota começa a me dar a maior trela. Daí eu me rendo e fico com ele, faz três semanas que estamos juntos. Aí, eu pego ele lá no corredor aos amassos com a Parkisson. E quando peço uma explicação, vocês ouviram o que ele disse, não? Que não me devia explicação alguma, e o que eu estava pensando, para o atrapalhar em uma hora daquelas!

-Suzi, não foi por falta de aviso. – Falou a outra menina. – Você sabe a fama de conquistador e galinha que ele tem. E, mesmo assim, você se deixou envolver.

-É, eu sei, eu sei...

-Então pare de chorar e não demonstre que você ficou chateada, isso só vai deixar ele com a moral lá em cima.

-É isso, pare de chorar, lave o rosto e vamos logo, que eu estou com fome.

Hanna ouviu a porta do banheiro abrir e se fechar. Saiu do banheiro pensando qual seria o cretino que havia feito uma coisa daquelas, com aquela garota. Ah se fosse com ela, o garoto poderia se considerar morto. Pegou um atalho que Harry havia a ensinado, para ir à biblioteca. Era bastante calmo, já que muitos não conheciam aquele corredor. Ele tinha uma iluminação fraca e bruxuleante. Estava andando distraída pelo corredor, quando viu um vulto à sua frente. Começou a se aproximar silenciosamente. Quando estava bem próxima, pode perceber que, o vulto era duas pessoas entrelaçadas se beijando, de forma um tanto caliente. Ao chegar bem perto, sentiu sua respiração parar. Era Malfoy e a Parkisson, estavam praticamente se devorando. Hanna não conseguia explicar o que estava sentindo naquele momento, mas com certeza, estava com nojo e raiva, muita raiva, da Parkisson. Como ela poderia se sujeitar a ficar se agarrando pelos corredores com aquele egoísta, metido a gostoso do Malfoy? E, ele, não poderia ter pego uma garota um pouco mais bonita? Sinceramente, aquela garota tinha uma cara horrível, lembrava a cara de um cachorro bochechudo. Gostaria de pular na garota e lhe dar uns bons tapas. Saiu correndo, não suportaria olhar nem mais um segundo para aquela cena deprimente. Não conseguia entender porque estava tão raivosa, afinal, os dois que fizessem o que bem entendessem. Deve ser porque eu fiquei com pena da garota do banheiro, se acalmou Hanna, dizendo isso para si mesmo, ao chegar na biblioteca.

Draco ouviu passos de alguém correndo e parou de beijar Pansy.

-O que houve gatinho?

-Shiiii...! Fique quieta, alguém acabou de passar por aqui. E não me chame de gatinho!

-E daí que alguém passou, isso nunca nos impediu de continuar. Agora há pouco, passou aquela sua amiguinha chamada Suzi. – Comentou Pansy tentando puxar o garoto para mais um beijo.

Ele se desvencilhou, tinha certeza que quem havia passado por ali era a Potter. Não sabia explicar o que sentia, mas não queria que ela tivesse visto ele dando uns amassos na Pansy. Talvez ela não tenha me reconhecido, pensou. Mas que bobagem, não devo satisfações nenhuma aquela Grifinória idiota.

-Eu tenho que ir!

Saiu, deixando Pansy resmungando alguma coisa, para trás.

Ao chegar na biblioteca, viu a Potter sentada em uma mesa revirando alguns livros. Aproximou-se dela silenciosamente e disse:

-Então, Potter, você me acha tão irresistível assim? – Abriu um sorriso malicioso

Hanna não pode deixar de perceber como ele ficava bonito, quando sorria daquela maneira. Mas fez uma cara de desentendida.

-Estava contando as horas para me ver é? Não se agüentou e chegou aqui uma hora antes?

-Sonhar às vezes faz bem Malfoy! Mas, acho que você deveria ir a enfermaria, está delirando. – Respondeu com os olhos faiscando de raiva.

Ele se sentou na frente dela, e ficou a olhando revirar as páginas dos livros.

-Você não vai me ajudar?

-Não estou com vontade.

-Ótimo! – Ela respondeu cruzando os braços e encarando aqueles olhos frios e azuis intensos.

Não conseguia não ficar atraída por aquele olhar. Aqueles olhos eram tão misteriosos, e os cabelos muito lisos e loiros caindo por cima deles. Agora sabia exatamente, porque ele era considerado um dos mais bonitos da escola. Era, irresistivelmente, belo.

Draco, também não pode deixar de reparar os olhos esmeralda, que o olhavam tão profundamente. Embora ele não admitisse, achava aquela menina muito atraente. O olhar dela era tão profundo que parecia estar penetrando em sua mente. Já estava ficando sem graça, mas sem deixar transparecer falou:

-O que foi Potter?

-Se você não me ajudar, eu é que não vou fazer o trabalho sozinha, Malfoy!

Ficaram mais algum tempo se encarando em silêncio quando Hanna, finalmente, falou:

-Olha você não me suporta, e eu não te aturo. Mas, nós gostando ou não, ficamos juntos para fazer essa maldita poção! E vamos ter que nos ajudar, porque ela é bem complicada mesmo.

-Como é que você sabe?

-Porque eu já dei uma olhada na receita, está aqui nesse livro. – Apontou o livro que estava na sua frente. – Então, eu acho melhor colocarmos as diferenças de lado e começar a fazer o que temos de fazer, afinal, são apenas dois longos meses. Concorda?

-Tá que seja. – Falou puxando o livro e dando uma boa olhada na receita. - É bastante complicada.

-Acho que a primeira coisa que devemos fazer é achar um local apropriado para preparar a poção. Aqui na biblioteca, com certeza, não vai dar.

-Conheço um lugar. Me encontre aqui amanhã depois do jantar. -

Saiu, deixando Hanna sozinha na biblioteca.

Draco ia se dirigindo para as masmorras. Mas, uma coisa o estava incomodando. Não conseguia tirar aquela maldita morena de olhos verdes dos pensamentos. Percebeu que estava sentindo uma forte atração por ela. Como isso poderia ter acontecido? Como poderia estar sentindo desejos pela a irmã gêmea do santo e famoso Potter? Deveria ser isso, era porque ela era a irmã do Potter, e além de tudo, não demonstrava nem um pouco sequer, uma queda por ele. Estava acostumado que todas as garotas se derretiam, e fariam qualquer coisa por ele. Hanna era diferente, ela o enfrentava, não tinha medo de suas reações. E isso, nenhuma outra garota jamais tentara fazer antes. Estava ficando incomodado com aquela situação. Já estava deitado em sua cama e não conseguia dormir, pois aqueles olhos não abandonavam os seus pensamentos. Nunca havia perdido o sono pensando em outras garotas. Um Malfoy jamais faria isso. Pensou "vou dar um jeito nisso amanhã".

Hanna estava voltando para o salão comunal. Seus pensamentos, também estavam voltados para um certo Sonserino. Percebeu que já não sentia raiva do garoto, gostava apenas de implicar com ele, e o ver respondendo as suas provocações. Ele ficava lindo quando dava aquele sorriso desdenhoso. Acordou de seus pensamentos quando estava de frente para o quadro da Mulher Gorda, disse a senha e a porta se abriu.

Ao entrar, ouviu Hermione exclamar:

-Graças a Merlim! Se você demorasse mais um minuto não conseguiríamos segurar o Harry. Ele estava muito preocupado, já estava querendo ir te procurar.

-Você está bem? Como foi? – Pediu ele com cara de alívio ao constatar que sua irmã estava inteira.

-Tô bem sim. – Falou ela lhe dando um abraço que ele retribuiu. -Não precisa se preocupar comigo, eu sei me defender.

Todos ficaram mais um tempo no salão comunal, conversando, até a hora de irem dormir.

Pela manhã, Harry e Rony estavam esperando as garotas no salão comunal, para irem tomar café.

-O que você tem Harry?

-Estou um pouco preocupado com essa história da Hanna ter ficado de dupla com o Malfoy! Não dormi direito à noite. Você sabe como ela é Rony, estourada. Ela não vai ficar quieta para as provocações dele. Não sei se isso vai dar certo, sem um dos dois ir parar na enfermaria. E não sei o que poderia fazer com ele, se acabasse machucando ela.

-Não acho que ele seria estúpido a ponto de machucar a Hanna. Todos saberiam que foi ele.

-É, mas não podemos nos esquecer de que ele é um Malfoy.

Quando as meninas apareceram, se dirigiram para o salão principal. Ao passarem pela porta, Hanna viu que várias meninas estavam olhando para eles, com cara de poucos amigos.

-Harry o que foi que você fez? – Pediu Rony admirado – Todas as garotas da escola estão olhando de cara feia pra você!

-Não foi o Harry que fez Rony, foi a Hanna. – Disse Hermione calmamente.

-O que eu fiz? – Perguntou apavorada

-Bom, é que Draco Malfoy é muito cobiçado pelas meninas. Ouvi dizer que algumas garotas semana passada brigaram por causa dele. E, a essa hora, todo mundo já deve estar sabendo que você é a dupla dele para o trabalho de Snape.

-Nossa, eu sabia que ele era popular, mas não tanto assim. - Comentou Gina

-Na Grifinória nem tanto, mas nas outras casas ele, é tão popular quanto o Harry. – Terminou Mione

-Ele é um baita de um galinha, isso sim! – Falou Hanna com raiva – Trocaria de lugar agora mesmo com elas, se eu pudesse!

Draco havia acordado aquela manhã decidido a se livrar das lembranças que invadiam sua cabeça a toda hora. Aquela garota estúpida, não iria ficar perturbando os seus pensamentos. Resolveu se sentar ao lado de Camille, uma colega da Sonserina que dava mole pra qualquer um que se aproximasse dela.

A manhã passou de forma normal. Durante o horário do almoço, se encontrou com a garota e a levou para seu dormitório. Estavam dando uns amassos bem quentes. Mas, de repente, o garoto parou.

-O que foi?

-Nada. Temos que ir almoçar, ou vão dar por nossa falta.

-Mas não estou com fome agora, o que estamos fazendo está bem melhor.

-Já chega, pegue suas coisas e vamos almoçar. – Falou o loiro com um olhar ameaçador pra garota.

Enquanto se dirigiam pro salão principal, Draco estava pensativo. Embora negasse, sabia que não era com Camille que queria ficar. Por mais que a idéia de almoço da garota fosse prazerosa, não era o que ele queria, ou melhor, não era aquela menina que ele queria.

Hanna percebeu que Malfoy chegou atrasado para almoçar, com uma garota em seu calcanhar, eles estavam um tanto desarrumados. Ela sentiu seu sangue ferver, aquele galinha não perdia tempo mesmo. Ontem a Parkisson, hoje essa daí. Como é que o cretino consegue? Estava furiosa, só de pensar no que eles poderiam estar fazendo antes de irem almoçar. Ela passou o resto do dia mal-humorada.

Hanna ficou no salão principal o máximo que pode. Só se levantou para ir ao encontro de Malfoy, quando todos estavam se retirando. Estava muito mal-humorada com aquele Sonserino galinha, e teria de se segurar para não dizer umas verdades pra ele. Chegando à porta da biblioteca avistou o loiro escorado na parede com os braços cruzados e cara amarrada.

-Está atrasada Potter! Ficou brincando com seus amiguinhos, foi?

-E se estivesse? Isso não é da sua conta, Malfoy!

-Vamos, quero lhe mostrar a sala.

Ela o seguiu em direção às masmorras. Sabia que os dormitórios da Sonserina ficavam por ali. De repente, ele parou em frente a uma estátua enferrujada, puxou a varinha, e tocando na estátua disse:

-"Revelus"

A armadura se transformou em uma porta, por onde ele entrou e foi seguido por Hanna. A sala parecia um quarto de hotel de luxo. Era tudo muito bonito e de bom gosto. Em um canto havia uma mesa com doces e frutas, ao centro uma pequena sala de estar com um belo conjunto de poltronas de frente a uma lareira. No outro canto, próxima a uma janela, uma cama de casal muito bonita, e parecia bastante confortável.

-Ali naquela porta fica o banheiro. – Falou Draco apontando para uma porta perto da mesa.

-Que lugar é esse? – Pediu, admirada

-Era uma sala de aula caindo aos pedaços quando a descobri. Mas está aceitável agora.

-E pra que você precisa de um lugar como esse aqui na escola?

-Potter, é difícil você encontrar privacidade aqui em Hogwarts. Eu divido o dormitório com mais três caras. Posso fazer o que eu quiser aqui, e trazer quem eu bem entender. – Disse com um olhar um tanto malicioso para Hanna

Como ele ficava lindo com aquela expressão. Mas não deixou de sentir seu sangue esquentar e disse:

-Poupe-me de suas aventuras amorosas Malfoy! Eu não estou nem um pouco interessada.

-E nas do seu irmão, você está? – Perguntou olhando pela janela em um tom irônico.

Hanna se dirigiu a janela para ver do que ele estava falando, ela tinha vista para os jardins de Hogwarts. Viu Harry beijando uma garota de maneira um pouco picante.

-Deprimente. A Bonnes vai ter que lavar a boca com uma poção purificante, para se livrar de todos os germes que está contraindo dele.

-Ah! Cala boca! – Disse, bastante irritada

-Está com ciúmes do maninho, é? Acha que ele vai te deixar de lado, por causa de um rabo de saia?

-Harry nunca faria isso! – Retrucou Hanna o olhando fixamente.

Draco observou Hanna, que estava banhada pela luz do luar, como ela era bonita e para desviar seus pensamentos falou a primeira coisa que veio a sua cabeça:

-Potter não tem tão mau gosto para escolher garotas, como para amigos. Bonnes é muito atraente e muito boa...

Ele iria falar mais alguma coisa, quando seu olhar encontrou com os olhos ameaçadores dela e resolveu se calar.

-Então, faremos a poção aqui? – Pediu ele.

-Pode ser.

-Você tem a lista dos ingredientes Potter?

-Sim. – Passou a lista para ele dar uma olhada.

-Então aqui, às 20h amanhã, e traga todos os ingredientes que você tiver.

-Malfoy, não quero desperdiçar todas as noites dessa semana com você. Não podemos começar depois de amanhã?

-Você é quem sabe Potter. É bom tirar uma folga de você também. Mas depois que começarmos, vamos ter que fazer esse sacrifício para a poção não saturar.

-É, eu sei. – Respondeu Hanna e foi saindo da sala.