A Carta

Os dias estavam passando rapidamente. Hanna e Draco já estavam preocupados. Já havia se passado seis semanas que iniciaram o preparo da poção, seriam ao todo oito semanas. Estavam pensando em como fariam para se encontrar depois de concluírem o trabalho.

Draco estava deitado em sua cama, os raios de Sol invadiam o seu quarto naquela manhã de sábado. Pensava em qual desculpa Hanna e ele poderiam inventar para os amigos dela e o grupinho da Sonserina depois que terminassem o preparo da poção. Foi retirado dos seus pensamentos por uma coruja muito negra, que batia com o bico na reconheceu a coruja de seu pai. Sabia que não iria gostar nada do conteúdo que estaria na carta. As notícias nunca eram de casa ou de sua mãe, ou ainda, para saber como ele estava. Muito pelo contrário, eram notícias de como andavam os planos do mestre, se estavam se saindo bem e de como ele poderia ajudá-lo, já que ele tinha grandes planos para Draco. Suspirou fundo e abriu a carta.

"Draco,

As coisas não poderiam estar melhores. O Lorde está cada vez mais forte. Logo ele poderá acabar com o menino-que-sobreviveu, e ainda sobrarão forças para exterminar a menina-que-também-sobreviveu. Tenho ótimas notícias, dentro de pouco tempo você terá a sua iniciação e receberá a marca do Lorde das Trevas. Quando esse evento tão esperado por nós ficar mais próximo, eu mando avisá-lo. Contenha a sua felicidade e mantenha a discrição. Lembre-se ainda não é a hora de mostrar de que lado você é aliado. Sem mais nada, comporte-se.

Lúcio."

Ele não soube qual foi o sentimento que o invadiu ao ler a carta. Logo que terminou de ler a queimou. O Lorde estava recuperando os poderes e ele deveria ficar feliz. Seu pai realmente não sabia o que era a felicidade. Ele deveria ficar feliz, por um lunático querer matar Hanna, receber uma tatuagem terrível no braço e por ter de se tornar um Comensal da Morte, em outras palavras, um assassino. Um sentimento de raiva invadiu seu coração. Não, ele não aguardava ansioso por aquilo, como seu pai dissera. Ele não queria ter de servir a ninguém que não fosse a ele mesmo. Draco Malfoy não se sujeitaria a acatar ordens de um lunático de olhos vermelhos, que achava que o sangue era tudo, sendo ele próprio mestiço. E ele fizera uma promessa a uma certa morena de olhos verdes que estaria do lado dela quando a guerra explodisse e, por mais que tentasse, não conseguia imaginar Hanna com uma marca negra no braço, fazendo reverências a uma criatura horrenda como o grandioso Lorde de seu pai. Ele estava furioso com aquele que se dizia seu pai. Como um pai poderia querer um destino daqueles para seu próprio filho? Lúcio sabia muito bem que qualquer deslize de um Comensal era motivo para o Lorde das Trevas castigá-los e o melhor do castigo era receber um cruciatos. Não, definitivamente, ele não iria seguir os passos do pai. Estava realmente furioso com seu pai por ele lhe desejar um futuro daqueles. Vestiu-se e resolveu dar uma volta pelos jardins da escola. Sentiu que seu sangue estava fervendo, ainda por cima, seu pai falara na carta com a maior tranqüilidade de um assassinato, o que não o deixava nada tranqüilo. Se precisasse, ele mesmo enfrentaria o Lorde das Trevas, mas ele não iria exterminar coisa nenhuma a menina-que-sobreviveu! Não imaginava de onde tirava todo esse sentimento de proteção para com Hanna. Enquanto se dirigia para a porta do castelo avistou Harry, Gina, Rony e Hermione. Pensou para si mesmo: "Hoje, definitivamente, não é o meu dia!" Não agüentou ,tinha que extravasar um pouco da sua raiva em alguém e, infelizmente, Potter havia cruzado o seu caminho. Quando se aproximou do grupo falou:

-Vejam só, reuniãozinha de família, Potter! Você e a Granger estão fazendo as finanças de quanto vão doar por mês, para os Weasleys não passarem fome?

-Malfoy! – Falou Gina fingindo alegria ao ver o garoto. – Por que você não vai para a Floreta Negra se encontrar com as criaturas que vivem lá? Aí, você aproveita e pede se não tem espaço para se juntar a eles e lhes fazer companhia.

-Idéias na cabecinha vermelha Weasley? Sua casa é tão apertada, que você já pensou em ir morar na Floresta Negra? – Retrucou o garoto com um sorriso debochado.

-Você não acha que já está se passando Malfoy? – Pediu Rony visualmente alterado, com os punhos fechados e as orelhas vermelhas.

Draco fez uma cara de quem faz um esforço para se concentrar e respondeu:

-Hã..., eu acho que não Weasley!

-Sabe por que você faz isso Malfoy? – Harry começou a despejar as palavras, tamanha era a raiva que sentia. – Por que você tem inveja, é... inveja de nós. Você nunca conseguiria arranjar uma namorada que se interessasse por você. A não ser que fosse uma louca sem noção. As pessoas só se aproximam de você por medo, ou por interesse no seu dinheiro. Mas deixa eu te contar um segredo, dinheiro não traz felicidade. Ele não pode comprar o amor das pessoas. E as pessoas, Malfoy, não gostam de gente da sua espécie, que acham que por terem dinheiro estão acima dos outros ou que são melhores que os outros. As pessoas não gostam de gente superficial e mimada como você Malfoy! – Harry praticamente cuspiu as últimas palavras.

-Vocês se acham tão espertos para julgar os outros, mas são uns idiota, que não conseguem sequer enxergar o que se passa debaixo dos seus narizes. Seus tansos toupeiras! - Draco achou que iria explodir tamanha era a sua raiva naquele momento. Ele podia até jurar que sua pele, incrivelmente, pálida, ganhou um tom rosado. Virou as costas, para os garotos e foi embora.

O loiro foi direto para a sala onde se encontrava com Hanna. Sabia que ela só iria aparecer depois do almoço, mas ele precisava ficar um pouco sozinho para pensar. Ao chegar na sala, deitou na cama e pôs-se a pensar nas palavras de Harry, na carta de seu pai, e pensou em Hanna. Sempre que via a imagem da garota, seu coração se acalmava.

Hanna entrou na sala e ficou observando Draco por alguns minutos. O Sonserino estava tão sério, novamente com aquele olhar frio e sem expressão, que nem sequer notou a presença dela na sala. Foi se aproximando devagarzinho, perguntou:

-Draco, o que houve?

Ele levou um susto ao ouvir a voz dela e sentou-se rapidamente na cama.

-Há quanto tempo você está aí?

-Alguns minutos. – Sentou-se ao seu lado na cama, pegou sua mão e começou a acariciá-la. Elas eram sempre frias. – O que aconteceu?

-Você gosta de mim? – Perguntou-lhe, olhando profundamente com seus olhos azuis como se quisesse ler os seus pensamentos.

-Por que essa pergunta? É óbvio que eu gosto de você.

-Bastante ou pouco?

-Draco! – A garota estava começando a ficar incomodada com essas perguntas.

-Certo, mas então porque você foi gostar logo de mim? Quer dizer, eu não sou um santo bonzinho como os seus amiguinhos, não é mesmo?

-Por que dessas perguntas? O que aconteceu?

-Por favor, apenas me responda. – Havia súplica e desespero no olhar do loiro, coisa que Hanna nunca imaginaria ver naqueles olhos.

-Certo, deixa eu te falar umas coisas: eu gosto bastante de você, porque você é diferente de mim, você é inteligente, loucamente lindo e encantador quando quer. Gosto bastante de você porque eu adoro seus jeitos, manias e gestos. Gosto muito de você porque não consigo viver sem seus exageros, sem esse seu "bom humor" sarcástico que eu adoro e o seu mau humor que sempre acaba em risadas. Não sei porque fui gostar logo de você Draco, mas, há algum tempo, quando te conheci, não fazia idéia que você ia passar a ser tão importante para mim. Os sentimentos humanos não respeitam a nossa própria vontade e, muitas vezes, sem querer, nos mostram os caminhos nos fazendo apenas trilhá-los. Conhecer você foi uma das grandes surpresas que a vida me reservou. Meu coração simplesmente se rendeu ao encontro da sua presença. Eu fui transformando isso em um vício e fiz da minha vida uma necessidade de ter você. Eu preciso das suas perfeições e imperfeições, dos seus erros e acertos. Você passou a ser importante pra mim e é por isso que eu quero ter você sempre comigo, perto de mim.

Draco estava embriagado pelo som das palavras de Hanna. A cada palavra que ele ouvia tinha vontade de puxá-la para perto de si e nunca mais soltar. Aqueles olhos verdes o olhavam tão profundamente, a cada palavra pareciam querer estar penetrando em sua cabeça e em seu coração. Hanna parecia querer o olhar daquela maneira para que ele percebesse que tudo que ela dizia era verdade.

-E tem mais uma coisa Draco, – disse, finalizando a conversa – Eu não sou tão santa e boazinha como você pensa, ou eu não estaria aqui com você.

-É mesmo? – Disse o Sonserino com um olhar e sorriso maliciosos puxando a garota pela cintura para mais perto de si.

Ele a beijou, era um beijo lento e apaixonado no começo. Ficava completamente sem controle quando a beijava, e isso o assustava, o deixava sem rumo. Sabia que a partir daquele momento, em que ouviu as palavras de Hanna ele estava entregue a ela. Ela era a sua dona, era a dona de sua vida. Sabia que sua vida não pertenceria mais a ele e sim a ela. *A partir daquele momento os desejos dela seriam uma ordem, porque ela tinha uma certeza dentro do seu coração, a certeza de que gostava dele e que ele pertencia a ela. Um olhar podia atirá-lo ao chão, um beijo o fazia amar, ele não poderia fugir ou se esconder, pois sabia que ela era a sua dona. Draco, naquela hora, descobriu o que era amor, descobriu que realmente a amava, pois ela era dona, a dona de seus ideais, dos seus sonhos, não havia pedras no caminho de Hanna, nem ondas no seu mar, não havia vento ou tempestade que a impedissem de voar. Umas vezes sua amiga, outras sua perdição, o poder que podia levantá-lo, à força que podia o fazer cair. E ele tinha certeza que ela sabia, que tudo isso a fazia dona. Dona de seu corpo, alma e coração!*

(* adaptado música Dona – Roupa Nova)

O beijo estava se tornando mais intenso e sensual. Hanna também ficava fora de sua razão, quando estava nos braços do loiro. Só conseguiu sair daquele estado de êxtase quando sentiu as mãos frias de Draco acariciarem suas costas por baixo da sua blusa. Ela foi interrompendo o beijo carinhosamente.

-Draco, nós devemos ajeitar a poção.

Ele não gostou muito da interrupção da morena, mas logo acatou o seu pedido e juntos foram dar continuidade ao trabalho, que já estava chegando ao seu final.


N/A: tá ai mais dois capítulos betados e postados!

Desculpem a demora ok?

Gostaria de deixar um beijo molhado para quem está lendo a fic, e vários beijos estralados para quem está comentando! Bjokas, Bjokas e + Bjokas para: lais carmona e BaahH

E vários beijos e abraços para a minha beta querida Nex Potter!

Bjokas da Cuca Malfoy!