Separação
Hanna estava tomando café da manhã ao lado de Harry quando sentiu uma forte dor na cicatriz. Harry levou a mão à testa, sinal que também estava sentindo.
-Hanna, tá tudo bem com você? – Pediu Gina ao ver a amiga perdendo a cor.
-Não, a minha cabeça... – Começou a enxergar tudo branco e desmaiou sem terminar a frase. Se não fosse por Rony, que estava sentado ao seu lado, teria caído de cabeça no chão. Harry imediatamente ajudou o amigo a levá-la para a enfermaria.
De longe havia dois olhos azuis que acompanhavam toda a cena. Draco teve o impulso de correr até a garota e ver o que tinha acontecido, mas achou melhor se segurar. Ainda não estava pronto para assumir o seu relacionamento com a Hanna. Principalmente por causa de seu pai, e suas idéias idiotas. Daria um jeito de ficar sabendo o estado dela mais tarde.
Hanna acordou, algum tempo depois, na Ala Hospitalar. Viu que dois olhos verdes a fitavam preocupados.
-O que aconteceu Harry?
-Você desmaiou, o que você sentiu?
-Senti uma forte dor na minha cicatriz, e a dor foi aumentando, aumentando, até que não agüentei mais. O que isso significa?
-Quer dizer que Voldemort está se fortalecendo e está por perto.
-Você também sentiu, não sentiu?
-Sim.
-Mas, você não desmaiou?
-Não. Também fiquei preocupado com isso. O professor Dumbledore esteve aqui e perguntei pra ele por que isso aconteceu. Ele disse que é por que você nunca havia sentido o poder das trevas, como eu, antes na sua cicatriz. Meu corpo já está acostumado com isso, mas, para o seu é novidade. Então, o seu corpo está mais fraco que o meu por isso. Mas não precisa se preocupar, você e seu corpo vão acabar se acostumando.
Draco já estava impaciente e muito preocupado com o que poderia ter acontecido com sua namorada. Ficou a tarde toda no final do corredor da enfermaria, esperando a Weasley, ou a Granger passarem, para perguntar como ela estava. Afinal, não queria despertar suspeitas sobre o seu relacionamento. Mas, já estava quase desistindo da idéia, quando viu as duas.
-Até que enfim! – Puxou Gina pela mão para trás de uma estátua e Hermione a acompanhou sendo puxada pela amiga.
-Nossa! Que susto Malfoy! – Falou Gina exasperada.
-O que houve com a Hanna? – Pediu sem dar bola ao que Gina tinha dito.
-Ela desmaiou, mas já está se sentindo melhor.
-Me diga o que eu não sei Granger! – Falou impaciente.
-Ela sentiu uma forte dor na cicatriz, não agüentou, daí desmaiou. – Completou Gina.
-Quando ela vai poder sair?
-Ainda hoje. – Respondeu Mione.
O loiro estava aliviado por ter notícias de sua adorável morena. Foi até seu dormitório tomar um banho. Mas, quando chegou teve uma surpresa, não muito agradável, uma coruja muito negra o esperava em cima de sua cama. Já sabendo de quem era, retirou a carta.
"Draco,
O lorde já está quase totalmente recuperado. Já está na hora de assumirmos de que lado você está. Fique preparado, a qualquer momento iremos buscá-lo para que você tenha a sua iniciação e receba a marca negra.
Lúcio."
O Sonserino sentiu suas pernas tremerem e o ar faltar em seus pulmões. Seu pai queria que se tornasse um comensal e ainda por cima, iria até a escola buscá-lo para isso. Não, ele não iria permitir isso. Não seria o capacho de nenhum maluco das trevas homicida.
"Pai,
Não precisa se dar ao trabalho de vir me buscar. Eu vou assumir o meu lado, de agora em diante sim, mas não será ao seu lado e muito menos ao lado do seu mestre.
Draco."
Sabia que tinha acabado de assinar a sua sentença quando a coruja saiu pela janela. Lúcio jamais aceitaria aquela resposta. E conhecia muito bem o seu pai, sabia que não seria poupado da sua ira, muito menos a Potter: o motivo da sua desistência. Pensou em Hanna. Ela não estaria a salvo se continuasse ao lado dele. Não que Voldemort não a quisesse morta, mas ela sofreria as conseqüências por ter feito Draco Malfoy, desistir de servir ao Lorde das Trevas. O loiro pensou, pensou, revirou seus pensamentos e pensou novamente. Ele não achou alternativa. Teria de acabar com esse namoro! Mas como faria isso? Como poderia se afastar da pessoa com que ele mais se importava, da pessoa que ele amava?! Sim, embora não tivesse admitido isso pra ela, ele a amava.
Draco estava distante nos seus encontros com Hanna. Ela o interrogou várias vezes pedindo o que estava acontecendo, mas ele sempre se esquivava dessas perguntas. Andava fazendo um plano de como iria pôr um fim naqueles encontros. Não sabia se ia conseguir chegar até o fim, mas tinha que conseguir, tinha que a manter em segurança!
Era a última noite que iriam se encontrar para terminarem a poção. Seria a noite perfeita para Draco afastar Hanna de si, para poder protegê-la. Ao entrar na sala, a garota foi lhe dar um abraço. Estranhou que ele não retribuiu e nem ao menos perguntou como ela estava. Tentou, por várias vezes, conversar com Draco, mas suas respostas eram todas monossilábicas. Estava com aquele olhar indecifrável, ela não conseguia perceber, por mais que tentasse, o que ele estava sentindo.
-Então, Potter! Acabamos a poção. – Começou ele, com um tom de indiferença na voz, o mesmo que usava quando conheceu a garota.
-É, finalmente.
-Então, não precisamos mais nos ver.
-Draco do que você está falando? Como assim não precisamos mais nos ver? Eu não estou gostando dessa sua brincadeira! – Falou um pouco irritada.
-Você é tão ingênua Potter! – A cada palavra que o loiro dizia, era preciso muito esforço. Isso estava o deixando com o coração despedaçado. Sentia cada vez mais vontade de abraçá-la, mas não poderia se entregar. Tinha que terminar isso, por ela. – Você, realmente, achou que eu poderia gostar de você? Você não passou de um passatempo agradável durante esses dois meses!
-Por que você está fazendo uma brincadeira dessas Draco?! – Hanna o olhava com lágrimas nos olhos, não conseguia acreditar no que estava ouvindo.
-Agora, enjoei de brincar com você, Potter! A diversão acabou, perdeu a graça. Não me procure mais. Vá embora!
As lágrimas escorriam pelo rosto da garota. Não sabia o que dizer:
-Draco...
-VÁ EMBORA! – Gritou cortando o que ela iria dizer, não agüentaria se manter firme daquele jeito, por muito mais tempo – E, por favor, me chame de Malfoy!!
A garota se assustou com a atitude do Sonserino, ele nunca havia gritado com ela antes. Mas a máscara dele tinha caído, então voltou a ser o velho Malfoy. O garoto mimado, manipulador e egoísta. Ela reuniu toda a força que tinha, falando com toda dor e raiva que estava sentindo naquele momento e disse:
-Pois muito bem! EU O ODEIO MALFOY! – Gritou a última palavra com nojo em sua voz, saindo aos prantos da sala.
Draco caiu, ali mesmo, sentado no chão. Não acreditava que havia conseguido falar todas aquelas coisas horríveis. Mas, fez isso para o bem dela. Achou que seria mais fácil para ela esquecê-lo, se pensasse que ele só a tinha usado.
Hanna correu, correu o máximo que pode pra longe dalí. Chegou ao seu dormitório aos prantos. Atirou-se na cama e chorou. Chorou tudo que pode, chorou por lembrar dos momentos incríveis de felicidade que tinha passado ao lado dele. Pelas palavras que havia dito a ele, que ela não conseguia viver sua vida longe dele. E, mais ainda, chorou por ter entregado, totalmente, seu coração aquele loiro, que estava fazendo questão de parti-lo em mais de mil pedaços.
