Distância
Quando Mione e Gina chegaram ao dormitório, Hanna ainda estava aos prantos, chorando compulsivamente.
-Hanna! O que houve? – Perguntou Gina assustada, correndo para abraçar a amiga. Mione sentou-se ao seu lado acariciando seus cabelos negros.
Contou tudo que o Sonserino havia lhe dito. As amigas ouviram tudo sem interromper. No final, as duas tinham um olhar assassino no rosto, que se juntava com um de indignação.
-HANNA POTTER! – começou Gina – Se você derrubar mais uma lágrima sequer por esse..., esse cretino do Malfoy, não me considere mais sua amiga.
-GINA! – Falou Mione –Você não vê que ela está sofrendo, olha por tudo que ela passou!
-Justamente por isso que ela não deve mais chorar por causa daquele mentiroso, filho de uma p*** – Estava muito exaltada, caminhando de um lado para o outro do quarto.
-Calma Gina. – Pediu Mione ao ver a amiga ficando da cor dos cabelos.
-Mas eu vou agora mesmo azará-lo. Vou lançar a minha azaração para rebater bicho papão. Depois, vou estuporá-lo e colocar sobre aquele lindo rostinho o pó de urtiga concentrado de Fred e Jorge.
-Por favor Gina, tente ser racional. – Implorou Hermione – Como você vai explicar pro Harry e pro Rony essa raiva súbita pelo Malfoy?
-É MESMO!!! Posso pedir ajuda aos dois.
-NÃO! – Hanna parecia desesperada.
-Você ainda quer proteger ele Hanna? – A ruiva a olhou com -um tom de voz reprovador.
-Não é nada disso, Gina. Não quero que o Harry fique sabendo dessa história, ele jamais vai me perdoar por ter caído nisso. Ainda por cima, não quero perder ele e o Rony também! - Não conseguia conter as lágrimas, que caíam silenciosamente sem pedir licença, sobre seu belo rosto.
Gina pareceu cair em si. Não podia estar dizendo aquelas loucuras. Sua função como amiga era apoiar Hanna, não deixá-la pior. Voltou para perto da amiga e a abraçou novamente. Deixando que a morena de olhos verdes chorasse o quanto quisesse em seu ombro.
Mione e Gina já estavam prontas para irem tomar café. Hanna havia passado a noite em claro. Não conseguia fechar os olhos sem se lembrar das palavras de Draco.
-Hanna você ainda está na cama? Vamos logo ou vamos nos atrasar para as aulas. – Falou Mione.
-Eu não vou as aulas hoje.
-Como não vai?
-Simplesmente não indo. Se eu for vai ser só de corpo presente. Não vou conseguir me concentrar em nada mesmo. E hoje temos dois períodos de poções. Não vou conseguir dividir a mesma sala com ele. Só quero ficar quietinha aqui, na cama. - Viu que a amiga estava reprovando sua atitude de perder as aulas do dia e completou: - Por favor, Mione, é só hoje. E tenho certeza, que você vai poder me passar todas as suas anotações.
-Tudo bem, mas é só hoje.
-O que vamos dizer para os garotos? – Perguntou Gina.
-Digam que estou indisposta, porque estou com cólica.
-Ok. Mas, vê se descansa e recupera as energias. Nos vemos no almoço?
-Pode ser.
As duas se despediram da amiga e foram para o salão principal.
Ficou ali deitada em sua confortável e quentinha cama, perdida em seus pensamentos até que finalmente, adormeceu.
Draco pensou duas vezes antes de se levantar naquela manhã. Não podia despertar suspeitas. Vestiu-se como de costume e foi tomar seu café. No salão principal ficou preocupado ao não ver Hanna junto dos amigos. E pelo olhar fulminante que recebeu da Weasley e o de nojo da Granger, acreditou que as duas já sabiam de tudo. A morena estava inconsolável, não desceu para fazer nenhuma das refeições durante aquele dia.
Durante a semana, Gina e Hermione se esforçaram, ao máximo, para tentar animá-la, mas Hanna parecia que não estava presente. E procurava ficar sempre sozinha. Descia antes de todos para fazer as refeições, era a primeira a entrar e sair do salão principal. Não queria cruzar com Draco. Tinha falado isso às meninas e elas não pegaram no seu pé por estar fazendo as refeições sozinha. O que as amigas não perceberam era que ela mal tinha ânimo para se alimentar. Tudo que colocava no estômago parecia embrulhar. À noite, dava a desculpa que queria silêncio para estudar e se retirava para o seu dormitório. Harry havia notado que estava acontecendo algo de errado com a irmã e que isso não era devido aos problemas femininos de uma vez por mês. Deu uma prensa em Gina e Mione, querendo saber o que estava acontecendo. As duas disseram que a garota não estava acostumada com o ritmo das aulas de Hogwarts, e devido a isso estava estressada com as provas. Harry pareceu não acreditar muito nisso, mas não perguntou mais nada.
Draco estava preocupado com a ausência de Hanna durante as refeições. Ele a via de relance em alguns corredores mas logo que percebia a sua presença, ela se desviava. Parecia abatida e sem vontade. Mas, pensava consigo mesmo, logo ela se recuperaria. Não iria se deixar abater por um garoto que só tinha a usado. Ela teria que começar a reagir depois de algum tempo.
Fazia mais de uma semana desde que ouvira tudo aquilo da boca do Sonserino. Hanna estava se dirigindo ao seu dormitório, quando se deparou com o Harry.
-Hanna, nós precisamos conversar! – A olhou profundamente, como se dissesse "não adianta querer escapar, eu não vou deixar dessa vez".
-Claro Harry, o que foi? – Pediu sem conseguir encarar o irmão nos olhos.
-Eu é que te pergunto, o que aconteceu?
-Nada, eu só tenho andado um pouco cansada, por causa do ritmo da escola. – Falou olhando para os próprios pés.
-Eu não acredito que seja isso que está tirando o seu apetite e suas noites de sono. – O encarou admirada, por perceber que o irmão a conhecia tão bem. Mas mesmo quem não a conhecia poderia deduzir isso, pois tinha profundas olheiras e estava mais magra e abatida, – Hanna o que está te incomodando? Você sabe que pode confiar em mim, não sabe? Sabe que eu vou fazer de tudo pra te ajudar, não? – Os olhos da garota encheram-se de lágrimas e abraçou o irmão fortemente. Sentia-se horrível por estar escondendo tudo que estava se passando com ela.
-É claro que eu sei de tudo isso, Harry. Mas, se você não se importa esse é um assunto que só eu, meu coração e o tempo podemos resolver. – O irmão, retribuindo o abraço comentou:
-Se ele tá te fazendo sofrer dessa maneira é porque não te merece. Além de ser um louco por recusar o seu amor. Você não quer me dizer quem é? – Perguntou com esperança – Talvez, eu possa ter uma conversa séria com esse garoto idiota. – Sorriu fracamente para o irmão e deu um beijo em sua bochecha.
-Nem em sonho. E creio que você não conseguiria ter uma conversa com ele. Agora eu vou me deitar, ok?
-Ok. Mas me promete que você vai melhorar.
-Eu juro que estou tentando. Boa noite.
-Boa noite. – Deu um beijo na testa da irmã e a viu subindo para o dormitório. Harry queria muito saber quem era o idiota, cego e burro que estava fazendo Hanna sofrer daquela maneira. E era bom que ele tivesse uma boa razão para tudo aquilo quando ele descobrisse.
No outro dia pela manhã, Gina e Hermione não aceitaram que a morena de olhos verdes fosse tomar café sozinha. Ou ela iria com as duas, ou as duas passariam o dia inteiro grudadas nela.
Quando as três viraram um corredor do castelo para irem ao salão principal deram de cara com Malfoy e seus capangas. Draco pôde ver perfeitamente o estado que Hanna se encontrava. Resolveu dar mais uma forcinha para que ela conseguisse tirá-lo de uma vez por todas da cabeça:
-Deveriam proibir as garotas da grifinória de andarem pelos corredores antes do café da manhã. Elas exalam um cheiro horrível, fazem qualquer um perder o apetite. – Comentou, com sua voz desdenhosa, aos dois acompanhantes.
Hanna ao ouvir aquelas palavras não conseguiu se conter. Seus olhos marejaram de lágrimas e saiu correndo. Correu o mais rápido que pôde. Não daria a Malfoy a felicidade de a ver chorando.
Mione e Gina deram um olhar com um misto de desprezo e ódio a Draco e saíram correndo atrás da amiga. A alcançaram escorada em uma das paredes do corredor chorando dolorosamente.
-Não fique assim Hanna. – Falou Mione, preocupada ao ver a amiga naquele estado – Logo você vai encontrar alguém que te mereça.
-Eu não quero outra pessoa Mione. Eu quero ele, o meu coração implora por ele! – Ficou muito pálida e não estava mais sentindo o controle de suas pernas.
-Hanna você está bem? – Pediu Gina ao perceber o que estava acontecendo .
-Estou tonta. – Falou baixinho – Acho que preciso me sentar.
-Não, eu vou te levar pra enfermaria. Mione, vai chamar o Harry.
Hermione chegou correndo ao salão principal, pegou Harry pela mão, cochichou alguma coisa em seu ouvido e os dois saíram correndo.
Draco que percebeu toda a cena, saiu discretamente atrás dos dois. Presumiu que deveria ter acontecido alguma coisa com a morena.
Ao chegarem perto da enfermaria viram Madame Pomfrey colocando Gina para fora e barrando a sua entrada.
Draco se escondeu atrás de uma tapeçaria, a fim de ouvir o que eles diziam.
-A senhorita Potter precisa descansar agora. Ela está muito fraca, pode até estar com anemia. Acho que faz dias que não se alimenta direito.
-Ela é minha irmã. Quero vê-la AGORA!
-Sr. Potter não complique as coisas. Ela está dormindo e precisa mesmo descansar. Vão para as aulas e voltem no final da tarde.
Os três, sem nenhuma alternativa, fizeram o que a enfermeira estava pedindo.
Draco ficou por lá, atrás da tapeçaria. Depois de um longo tempo de espera, a enfermeira deu uma saída. Ele não raciocinava mais, só queria entrar e ver como Hanna estava.
N/A: Gostaria de desejar um Feliz Ano Novo a todos os leitores dessa fic... Que 2009 seja um ano repleto de realizações, amor e alegrias!!!
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