Mágoas
Hanna estava ali, no meio do corredor, sentindo-se desesperada pelas palavras que havia acabado de ouvir do seu irmão. Gina chegou perto da amiga e a abraçou, Mione fez o mesmo.
-Vem Hanna, vamos sair daqui. Ele não falou sério. Vocês dois devem conversar, quando se acalmarem. – Falou Mione docemente.
As duas amigas a conduziram para o dormitório. Hanna se atirou na cama. Chorou até não ter mais lágrimas e, ao ser vencida pelo cansaço, acabou adormecendo.
No outro dia pela manhã, Gina e Hermione insistiram para que ela descesse para tomar café, juntamente com elas. A garota ficou relutante, mas foi convencida pela insistência das duas.
-Como ele está Gina? – Perguntou, chorosa, enquanto iam em direção ao salão principal
-Está arrasado Hanna! Mas, vai passar. Você vai ver, não vai demorar muito para que vocês se acertem.
No caminho, Draco estava à espera de Hanna. Estava muito preocupado com a namorada. Quando ela o viu, não se agüentou e foi correndo até ele. Lhe deu um forte abraço e começou a chorar.
-Ah, Draco! – Falou ela aos soluços. – Ele me odeia, nunca vai me perdoar.
-Calma, tudo vai se resolver. Eu prometo. – Disse limpando as lágrimas do seu rosto.
Não perceberam que Harry e Rony se aproximavam deles.
Harry ao ver aquela cena, se enfureceu ainda mais. Não entendia o que Malfoy poderia ter dado para Hanna beber, fazendo ela dizer a ele, em alto e bom som, que os dois estavam namorando. E além de tudo isso, ela tinha enlouquecido, só podia ter enlouquecido, "estou apaixonada por ele", essas palavras foram à gota d'água.
Mione e Gina, ao verem os dois se aproximando, empalideceram. Harry vinha à frente. Passou pela irmã e o namorado como se fossem dois desconhecidos, sequer olhou para ela. Foi reto falar com Gina, dando um oi displicente para Mione. Estava fingindo muito bem que Hanna não existia.
-Vamos logo tomar café, Gina. Senão vamos nos atrasar.
-Vamos nos atrasar pra quê, Harry? Hoje é sábado. – Respondeu indignada pela atitude dele ao ignorar a irmã.
-Sim, mas vamos de uma vez, estou morrendo de fome! – Falou ríspido a puxando pela mão.
-Calma aí! Desci para tomar café com a Mione e a sua irmã. Vai na frente e já nos encontramos lá.
-Eu não tenho mais irmã Gina. – Falou num tom raivoso, encarando friamente a namorada.
-Pois que eu saiba, você tem sim! Uma irmã que adora você e passou a noite inteira chorando, porque vocês dois brigaram! – Ela estava quase gritando.
-Não, eu não tenho irmã! Principalmente se for uma que passou metade do ano me enganando. E se você insistir com esse assunto eu não vou mais ter namorada também!
Gina arregalou os olhos, nunca o tinha visto furioso daquela maneira.
-HARRY! Eu não admito que você fale assim com a Gina. – Gritou Hanna se separando do abraço de Draco e indo em direção a ele. – Você está bravo comigo e, não com ela, com a Mione ou com o Rony. Não fique descontando nos seus amigos as suas amarguras.
-E você acha que está em posição de admitir ou não alguma coisa que eu faça? Que eu saiba, foi você que não quis nem saber a minha opinião sobre namorar esse traste aí!
-Fique quieto Potter! – Falou o Sonserino sem mudar seu, tradicional, jeito frio. – Você não tem nada a ver com esse assunto. – Agora Draco estava frente a frente com Harry – Isso é um assunto particular meu e dela.
-Como não tenho nada a ver com esse assunto? Ela é a MINHA irmã. Mentiu para mim e, além de tudo, não poderia ter escolhido um namorado pior!
-Pare de falar tantas besteiras! Ela mentiu pra você porque eu pedi. E ainda por cima, ela tem o direito de fazer as próprias escolhas. Mesmo que você seja o irmão, a vida é dela!
-Vem Harry, vamos tomar café. – Falou Gina o puxando para longe dali
Quando os dois se afastaram, Hanna se jogou nos braços de Draco aos soluços. Ela não sabia quanto tempo poderia agüentar aquela situação.
Rony que estava puxando Mione para seguirem o amigo, não pode deixar de falar com a garota. Afinal, por mais que ele não suportasse ficar nem na mesma sala que Malfoy, tinha um grande carinho pela garota.
-Não se preocupe Hanna, tudo vai se resolver. Só dê um tempo pra ele se acalmar. – Falou sem nem olhar para o loiro.
-É Hanna, ele vai acabar entendendo. – Disse Mione a olhando com carinho. Tente se acalmar um pouco.
Depois dessas palavras, os dois foram se juntar com os outros Grifinórios no salão principal para tomarem café.
Draco viu que Hanna não estava nada bem e resolveu levá-la para a sala onde sempre ficavam. Ela foi com ele sem dizer uma só palavra durante todo o caminho.
-Me desculpe. – Ele falou quando entraram na sala. – Eu não devia ter feito aquilo no corredor da biblioteca.
-Você não tem que se desculpar por nada, não. Cedo ou tarde eu teria de contar para ele, e tenho certeza que seria essa a mesma reação.
-Mas...
-Shiiii....- ela colocou seu dedo sobre a boca dele e encarou seus profundos olhos azuis - Eu só quero ficar aqui com você, sem lembrar que tem um mundo lá fora que não vai gostar do nosso namoro.
-E desde quando eu me importo com que o mundo lá fora pensa? – Respondeu num tom divertido.
-É me esqueci que me apaixonei por um Malfoy.
Os dois passaram o dia inteiro juntos. Por mais que tentasse, Hanna não conseguia esconder a tristeza que estava sentindo. O domingo também foi assim, o passou com o loiro, indo para a torre da Grifinória somente no horário de dormir.
No sábado à tarde Harry tinha pedido desculpas a Gina pelo modo que a havia tratado. Ela o desculpou, dizendo que não faria se aquilo ocorresse novamente. Os dois estavam sentados no jardim da escola com Rony e Hermione.
-Harry, você não pode magoar a Hanna dessa maneira. Ela gosta muito de você e está desesperada com essa situação. – Comentou Gina.
-Porque todo mundo tenta entender ela e ninguém tenta me entender? Eu sempre fui sincero, sempre confiei nela até falei de você para ela, Gina. E de que tudo isso me serviu? Serviu pra eu ouvir "me apaixonei por ele, aconteceu".
-Harry... - Começou Mione. – No começo eu e a Gina também ficamos relutantes, com essa história. Mas, ele foi demonstrando, durante esse tempo que estão juntos, que ele gosta dela.
-É verdade. – Completou Gina. – Lembra aquela vez que ela estava doente? Por causa de um garoto. Ele se afastou dela, porque ficou com medo que se o comensal mor descobrisse sobre eles, poderia querer fazer muito mal a Hanna.
-Isso, e ele ficou com medo do pai descobrir, porque não quer se tornar um deles. É, acredite. – Falou ao ver a cara de incrédulo do amigo. – Ele até mandou uma carta falando isso.
-Harry eu sei que é difícil de acreditar, mas eles se amam e eu e a Gina apoiamos a nossa amiga por causa disso.
-Desculpem! Mas eu não consigo acreditar em uma só palavra do que vocês estão me dizendo. Se eles realmente se amam, por que ela não abriu o jogo comigo? E ele, por que não assume esse relacionamento de uma vez?
-Francamente Harry! – Mione falou um pouco brava. – Ela não te falou nada porque achou que você iria agir exatamente como você está agindo agora. E acho que o Malfoy não quer que o pai maluco que ele tem fique sabendo disso!
-Por favor, tente entendê-la. Dê uma chance para ela se explicar, converse com ela e não brigue. Não a deixe mais machucada. – Replicou a ruiva.
