Amanhã sextou! Ótimo final de semana! Será que sai realmente algum House Revival?
Capítulo 07 – Retorno ao planeta dos macacos
Uma embarcação estava vindo, mas não havia fogueira, nada para sinalizar. Então eles resolveram ir ate a praia e acenar. House pegou galhos de arvore para que pudesse ser notado com mais facilidade.
A embarcação buzinou e estava vindo na direção deles.
"É um sonho?".
"Ou morremos e estamos na outra dimensão?".
"Não, eu não acredito nisso...".
Cuddy o beliscou.
"Ai!".
"Então é real". Cuddy declarou.
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"Vocês estão bem?". Alguém gritou enquanto descia do barco recentemente atracado.
"Vocês são o casal que todos estão procurando? Dois médicos?". Outro sujeito desceu perguntando. Ele era um militar.
Aparentemente a marinha havia os encontrado por acaso, já que costumavam navegar por aquelas águas praticamente inabitadas.
Cuddy, que estava apenas com as roupas de baixo, se envergonhou. Correu para buscar o vestido que estava em um varal improvisado sobre as árvores.
"Onde ela foi?".
"Buscar a única peça de roupa que ela tem". House respondeu examinando o sujeito, ele não gostava de militares, mas aquela era uma situação atípica, não era?
"Vocês estão aqui há quantos dias?". Outro militar chegou perguntando.
"O suficiente". House respondeu sem ter certeza da data. "Deixamos de anotar, era muito chato ter calendários e compromissos na ilha deserta".
Cuddy voltou para o lado dele. House estava bem a vontade sem camisa e só com a roupa de baixo.
"Vamos tirá-los daqui". Um dos homens falou.
De repente Cuddy se viu agarrada a House. "Eu não sei se quero ir".
"Cuddy, claro que você quer ir. Nós iríamos morrer aqui eventualmente. E tem Rachel".
Os militares deram um tempo a eles notando o quão emocionalmente pesado seria aquilo.
"Você não gosta de crianças". Ela disse em tom nada acusador, apenas declarando um fato.
"Eu não gosto de crianças chatas, a sua filha será tudo menos isso".
Ela sorriu.
"No mais, eu quero um belo prato de comida, um chuveiro quente, uma cama confortável pra me deitar com você".
Ela sorriu novamente.
"Vamos!".
"Mas e Leonor?".
Cuddy estava ainda mais emotiva do que imaginava que ficaria.
"Ela é só uma fruta".
"Não...". De repente ela começou a chorar muito. House a abraçou e a direcionou até a pequena embarcação. "Vamos! Eu estou com você".
"Leonor!".
"Vamos Cuddy". Ela a conduziu.
Blythe havia chegado ao Havaí também, primeiro ela imaginou que seria um sumiço normal de seu filho, mas recentemente ela se convenceu de que realmente algo aconteceu.
"Oh James, querido. O que aconteceu?".
"Aparentemente eles foram sequestrados, mas deve estar tudo bem. É só um transtorno...".
"Essa é a mãe do Dr. Gregory House?". Arlene perguntou.
"Sim, eu sou Blythe".
"Mãe!". Julia tentou dissuadir sua mãe do pior.
"Então saiba que seu filho colocou a minha filha nessa situação".
Blythe olhou para Wilson confusa.
"Não sabemos o que de fato aconteceu". Wilson respondeu corando de vergonha alheia.
"Eu sei!". Arlene rebateu.
"Desculpe senhora House, minha mãe está nervosa". Julia disse envergonhada.
"Eu entendo". Blythe, que odiava confrontos, tentou atenuar a situação.
"A senhora não entende. Minha filha sempre foi responsável e até careta em alguns momentos".
"E gostosa". Lucas aparecendo dizendo.
Todos olharam pra ele.
"Desculpe, eu não quis...".
"Lucas, eu acho melhor você voltar para casa". Wilson disse. Ele já havia se arrependido há tempos de tê-lo envolvido nisso.
"Mas eu estou no meio...".
"Eu vou te pagar o que combinamos".
Deram roupas limpas para eles, quer dizer, camiseta e calça de moletom nos tons militares. Água e comida.
House e Cuddy estava sentados e ela havia se acalmado.
"Como vocês sobreviveram?". Um dos oficiais perguntou.
"Encontramos água e havia peixe. E frutas". House respondeu. "E sexo...".
Cuddy arregalou os olhos o encarando irritada.
"Enfim, o básico". House concluiu.
"Estão atrás de vocês, seremos heróis aparecendo com os dois". Outro sujeito falou.
"Ei, eu pensei que os heróis deveríamos ser nós que sobrevivemos a um sequestro e depois náufragos e sozinhos em uma ilha hostil". House contestou.
"O que vocês querem fazer agora?". Outro perguntou curioso.
"Isso é uma entrevista?". House perguntou incomodado com aquela roupa militar.
"Eu quero um banho. E ver minha filha". Cuddy respondeu.
"Claro que ela iria querer um banho". House zombou. "Eu quero comer, e álcool. E cama. E minhas roupas".
"Eu posso ter um tempo a sós pra falar com ele?". Cuddy pediu.
"Claro". Os homens os deixaram, apesar de olharem a distancia, afinal, eles eram a atração daquela pequena embarcação.
"O que nos espera lá fora?". Cuddy perguntou confusa e insegura.
"O mesmo de antes? Talvez algumas entrevistas, depoimentos à policia".
"O mesmo de antes? Depois de tudo?". Cuddy perguntou desanimada.
"Você vai para o seu emprego como reitora super poderosa, eu vou tomar meu lugar como o médico gênio. Você tem uma filha pequena pra ouvir chorar durante toda a noite, eu tenho Wilson para me abraçar nas noites frias...".
Ela não disse nada, mas o encarou com seriedade. "Você prefere Wilson?".
Ele riu alto. Ela continuou séria.
"Cuddy, eu já disse que eu quero ficar com você. Eu não sei como isso será. O que você vai dizer pras pessoas, porque pra mim é tranquilo: 'Ei, vejam só, eu transei repetidas vezes com Lisa Cuddy na ilha deserta. Eu a fiz gemer'".
Ela revirou os olhos, as vezes era irritante o tom juvenil, ela só queria conversar com um homem adulto agora. "O que eu digo é... Você está bem com isso? Com nós?".
"Se eu quero continuar isso?". E ele apontou para os dois. "Claro que sim!".
"Eu não me refiro ao sexo apenas, refiro-me a todo o pacote. Um relacionamento".
House engoliu seco.
"Porque se eu vou assumir isso, eu irei de cabeça". Ela falou resoluta.
"Você está esperando uma aliança ou algo assim?".
"Eu estou esperando alguém que queira fazer parte da minha vida e de Rachel".
"Wow!".
De repente eles foram interrompidos por um dos oficiais.
"Já avisamos as autoridades que os encontramos. Ótimas noticias, seus familiares estarão nos esperando".
Cuddy e House olharam um para o outro em desespero.
Levou horas para eles chegarem, mas quando desembarcaram ouviram Arlene gritando.
"Aconteça o que acontecer, minha mãe não é normal". Cuddy o avisou.
"Anotado".
Julia correu ao encontro da irmã e a abraçou. Wilson fez o mesmo com House que resistiu ao contato.
"E Rachel?". Foi a primeira pergunta de Cuddy.
"Ela está bem, com Marina".
"Graças a Deus!". Blythe veio dizendo atrás.
"Agora vamos descobrir a merda que esse idiota fez". Arlene decretou. "Nossa, como você está magra!". Em seguida ela disse examinando sua filha.
"Claro que sim, não é como se tivéssemos banquetes por lá". Cuddy respondeu irritada.
"Eu entendo que vocês estejam com saudades, mas precisamos levá-los ao hospital. Eles podem estar desnutridos e desidratados. Além da possibilidade de outras patologias". Uma pessoa de bom senso apareceu dizendo para os familiares.
"Claro que sim!". Wilson concordou.
"Wow, você é gostosa mesmo magrela". Lucas disse.
"Lucas?". House franziu a testa.
"O que você faz aqui?". Cuddy perguntou.
"Eu vim te salvar, deusa".
Todos olharam pra ele com cara de dúvida.
"E eu renasci das cinzas dos mortos tropicais para te matar, idiota". House falou e partiu para cima. Mas foi contido.
Cuddy mordeu o lábio feliz, afinal, era bom perceber que existia ciúmes nele.
"Vamos levá-los para o hospital e depois vocês poderão passar algum tempo com eles".
House revirou os olhos, ele não queria passar tempo com a mãe.
"Depois da policia, depois da impressa. A família sempre vem em último lugar". Arlene esbravejou. "Diga-nos o que houve?".
Cuddy estava se emocionando novamente.
"Nos sequestraram, mas eu só queria ir a um restaurante legal, não é minha culpa... Depois atiraram e eu pensei que House tinha morrido, foi horrível! Eu estava com medo de tubarão, mas tivemos que nadar até a praia, sorte que encontramos as maletas de primeiros socorros e barras de cereais. A ilha era linda, mas deserta. Porém havia água e House virou um pescador. E Leonor... Deixamos Leonor lá!". Cuddy estava falando coisas confusas para os presentes, exceto para House. "Deixamos Leonor pra trás!". Ela voltou a se emocionar.
"Espere... Havia uma mulher com vocês?". Wilson perguntou.
"Não". House respondeu. "Eu acho melhor nós irmos...". Ele só queria sair de lá e levar Cuddy junto.
"Quem é Leonor? Alguém vai responder?". Arlene perguntou indignada.
"Uma manga". Cuddy disse chorosa.
"O quê?". Arlene perguntou confusa.
"Senhores, precisamos examiná-los". O homem interveio novamente. "Eles passaram por períodos difíceis e não podemos postergar a tortura psicológica. Haverá tempo para tudo".
Cuddy pegou na mão de House para caminhar até o carro. Wilson não deixou de notar esse fato curioso.
Eles passaram por uma bateria de exames, coletaram sangue, muito sangue. Tanto que House reclamou que precisava comer o suficiente pelo tanto de sangue que perdeu. Fizeram avaliações diversas. E depois, finalmente, puderam tomar um banho, para a felicidade de Cuddy.
House se negou a tomar opióide para a perna, então começou com Ibuprofeno. Até que aliviou tendo em vista que ele não estava usando nenhuma medicação há dias.
Em um momento que estava sozinha e se alimentando, Wilson, Blythe, Julia e Arlene entraram no quarto.
"O que diabos aconteceu?".
"Ótima recepção, mãe". Cuddy disse enquanto devorava a refeição.
"Eu sou direta".
"Lisa, você está bem?". Wilson perguntou. "O que houve?".
"É assim que se faz. Aprenda!". Ela falou pra mãe.
"Corta essa porcaria. Quem é Leonor?".
Cuddy respirou fundo. Como ela explicaria aquilo?
"Não é ninguém, esquece!".
"Não é ninguém? Por que o mistério?".
"Não tem mistério nenhum. Eu preciso descansar e ver Rachel...".
"Ok, vamos deixa-la". Wilson falou.
"Eu não saio daqui até que saiba quem é Leonor". Arlene estava irredutível.
"Não é 'quem é', mas sim 'o que é'". Cuddy a corrigiu.
"O quê?".
"Leonor era uma manga – a fruta".
Ninguém falou nada, ficaram todos olhando pra ela tentando entender.
"House fez como Tom Hanks e nomeou uma manga. Colocou cabelos e fez um rosto".
"Ele é débil mental ou algo assim?". Arlene perguntou em choque.
Cuddy fechou a cara. "Não fale assim, você não sabe como é estar isolado, privado do básico e sem saber se um dia será resgatado".
"Eles passaram por um terrível estresse emocional". Blythe disse tentando conciliar a situação.
"Ok, vamos deixa-la descansar". Um médico interveio quando ouviu que o tom de voz da paciente aumentou.
Eles saíram, mas Arlene estava inconformada.
"Quem nomeia uma fruta? Coloca cabelo e rosto?".
"Mamãe, eles ficaram em uma situação limite, quem sabe o que você não faria". Julia disse.
"Certamente comeria a manga, e não faria dela um ser humano".
Wilson já estava se irritando com a senhora, afinal, ele ainda estava preocupado com os amigos. Ele sabia o risco da desnutrição e desidratação, além de doenças tropicais. Ele precisava falar com os médicos pra entender o quadro real.
"Me deem licença, por favor". E foi atrás de um médico.
Cuddy conversou com uma psicóloga. Ela pode finalmente chorar. Fez bem. House recusou a ajuda psicológica. Ele queria saber se Cuddy estava bem.
"Ei". Wilson entrou sozinho. "Como você está?".
"Você está sozinho?".
"Sim".
"Feche a porta então".
"Você está seguro, Arlene ainda está discutindo sobre Leonor".
"Ela soube?".
"Cuddy meio que deixou escapar".
House respirou profundamente imaginando a cena toda, "como ela está?".
"Bastante abalada. E magra. Você também...".
"Não, eu digo... Como estão os exames dela?".
"Devem sair em breve. Quer dizer que você agora é o homem caçador e pescador?".
"Só se for o manco pescador".
"Soube que você ascendeu a fogueira, pescou peixes, se desintoxicou, nomeou uma manga...".
"Eu sou bom assim. O que seria de Cuddy sem mim?".
"Deve ter sido... Assustador".
"Teve seus momentos". House falou lembrando-se de algumas cenas inesquecíveis.
"Você comeu?".
"Eles só me dão sopa, mais nada".
"Você sabe que a alimentação precisa ser introduzida novamente devagar".
"Eu quero um hambúrguer. Pizza".
Wilson riu. "Senti sua falta".
"E resolveu se aproximar de Lucas?".
"Eu o trouxe para me ajudar a encontra-los".
"E no entanto quem nos encontrou foi a marinha. E por acaso".
"Ok, eu me arrependi. Ele consegue ser mais grosseiro do que você, e sem noção".
"Nossa, isso deve ser um feito!".
Eles foram interrompidos pela chegada de um médico. "Eu preciso examiná-lo".
"Mas vocês já fizeram isso". House reclamou.
"Ok, eu vou...". Wilson saiu.
"Os seus exames estão saindo normais, exceto... O rim precisa de atenção".
"O rim?". House estranhou. "Deixe-me ver os exames".
"Você precisa descansar".
"Se não te disseram eu sou nefrologista".
O médico olhou surpreso. "Ok".
House analisou rapidamente os números. "Isso não é um problema, basta me dar eletrólitos e tudo voltará ao normal".
O médico teve que admitir que talvez ele estivesse certo.
Depois de examinar House o médico pegou o prontuário de Cuddy e foi falar com ela.
"Dra. Lisa Cuddy".
"Eu mesma".
"Seus exames mostram anemia. Leve mas ainda assim...".
"Esperado...".
"Sim".
Ele continuou olhando os papeis de exame.
"Dr. House está bem?". Ela quis saber.
"Ele não tem anemia. Mas perdeu peso demais e precisa de eletrólitos. Também faltam algumas vitaminas importantes, mas está sem protozoários, vermes ou vírus típicos das áreas tropicais".
"Tenho certeza de que a vitamina D está ok". Ela disse divertida.
"Sim, está". O médico respondeu sério olhando o prontuário dela.
"Algo errado, doutor?".
"Não só que... Eu preciso confirmar uma coisa. Já volto!". Cuddy ficou preocupada. O que o homem havia encontrado nos exames?
Alguns minutos depois o médico retornou. "Dra. Lisa, eu confirmei e está correto o resultado do exame".
"O que houve?". Ela estava preocupada.
"Existe alguma maneira de você estar grávida?".
Os olhos dela se arregalaram para fora das órbitas.
Continua...
