Capítulo 2: UMA VISITA AO PASSADO

Infelizmente o dia terminou e eles tiveram que regressar. Ao entrarem, excitados, ainda comentando sobre as coisas incríveis que fizeram, nem repararam que Mary havia ido buscar algo. Logo a seguir, voltou carregando uma espécie de bacia de prata, objeto que Harry logo reconheceu.

- Você não achou que tinha terminado, né? - perguntou - Ainda falta a minha vez. Mas nós vamos precisar disto aqui para nos levar até lá. - completou apontando para o objeto.

- O que é isso? - perguntou Rony.

- Isso é uma penseira. - respondeu Harry e virando-se para a madrinha - eu vi, uma vez, uma no escritório do Prof. Dumbledore.

- Bom, então você sabe o que ela faz - disse Mary. Harry assentiu. Mas, Rony continuava com uma expressão curiosa no rosto.

- A penseira guarda pensamentos e lembranças - explicou Hermione - eu já li tudo sobre elas.

- Ah, agora eu lembro sobre o que você viu, Harry. - disse Rony estremecendo de leve.

- Bom. Eu quero levá-los a uma de minhas recordações - disse Mary e retirando a varinha das vestes, apontou-a para a têmpora e logo a seguir puxou algo que depositou na penseira. O conteúdo movimentou-se ali dentro até assumir uma consistência engraçada.

Então, Mary pediu que eles dessem as mãos e se aproximassem da bacia. Quando eles se aproximaram, repararam que havia algo dentro da penseira. Aquilo que Mary havia depositado nela se transformara numa espécie de imagem refletida exatamente como uma fotografia. Eles conseguiam ver uma casa e um pequeno jardim. De repente, todos sentiram como se um gancho os puxassem para dentro, tudo a sua volta começou a rodar e eles se sentiram como se estivessem caindo. Harry olhou para Rony, o amigo estava com os olhos fechados e apertados, estava com um aspecto doentio. Hermione, em compensação, estava com os olhos abertos, mas parecia arrependida disso, as voltas a deixaram enjoada. Quando enfim o rodopio parou, o grupo percebeu que estava no jardim da casa que estavam observando anteriormente. Não tinham a menor idéia de onde estavam ou quem eram os donos dela. A casa estava bastante iluminada, mas a iluminação não se estendia para o jardim. A rua era deserta e não havia sinais de outras casas ali por perto.

- Onde estamos? - perguntou Rony inseguro.

- Em uma de minhas lembranças, Rony - respondeu Mary. - Aqui nós poderemos vê-los, mas eles não...

- SHHHH! Vem vindo alguém aí! - exclamou Rony

- Não precisa fazer silêncio, Rony, como eu estava dizendo, eles não nos vêem nem nos ouvem.

O grupo viu um vulto se aproximar do portão. A pessoa vestia uma longa capa negra, mas devido à escuridão da rua, não conseguiram vislumbrar suas feições. A pessoa parou em frente da casa e ficou observando-a com cuidado. Olhou para a rua. Não havia ninguém. Abriu o portão e entrou. Conforme foi se aproximando da casa, o grupo conseguiu ver quem era. Era Mary, uma Mary mais jovem, mas não muito diferente da que estava com eles agora. A diferença era que a jovem não tinha uma tristeza no olhar. Havia apenas uma certa preocupação. Mary se dirigiu à porta e tocou a campainha. Então, de repente, estancou. Puxou a varinha e virou-se devagar. Olhava desconfiada para a rua.

- Quem está aí? - falou

Um bruxo alto apareceu, ou melhor, pulou na frente dela dando-lhe um tremendo susto.

- Sirius! Quase que eu azaro você. Se você fizer isso de novo, eu juro que te enfeitiço.

- HáHáHá! - gargalhou Sirius - Calma, linda Mary. Pode abaixar a varinha! Você precisava ver a sua cara, HáHáHá!

A porta se abriu. E parada frente a ela estava uma mulher muito bonita, de cabelos acaju e incríveis olhos verdes.

- Caramba! Vocês dois já estão brigando?

- Ai, Lili, é esse amigo do seu marido. Eu ainda azaro ele.

- Como vai, Sra. Potter?

Harry olhava a cena sem acreditar. Aquela era sua mãe! Aquela era a sua casa!

Sirius entrou fazendo algazarra e deixou Lílian e Mary no beiral da porta, conversando.

- Então, Lili, já contou pro Tiago?

- Ainda não. Vou fazer uma surpresa, hoje.

- Ele vai ter um treco! - disse Mary se aproximando de Lílian e colocando a mão na barriga da amiga. Harry olhou para a madrinha que sorriu para o garoto.

- E você vai se preparando porque já está convocada para ser a madrinha do bebê!

- É claro que eu vou, mas você precisa falar com Tiago.

- O que é que as dondocas estão fofocando, hein? - perguntou Tiago aparecendo na porta - E cadê o seu namorado, Mary? Ah é, esqueci que o Sr. Puro Sangue Sonserino não se mistura com a ralé grifinória.

- Ah, Tiago, ele já melhorou bastante, vai! Ele até já lembra do nome de todos vocês!!

- O quê?? É, realmente, se tratando de Lúcio Malfoy, isso é um grande avanço. Viu só, Sirius, o Malfoy sabe os nossos nomes...

Draco e Harry olharam espantados para Mary. Rony parecia chocado com o que acabara de ouvir.

- Você namorou o pai do Malfoy? - perguntou Harry sem pensar.

- Namorei.

- Eu já falei que ela tem uma queda pelos sonserinos - cochichou Rony para Harry. Draco olhava surpreso para Mary.

- Na verdade, não faço a mínima questão que o Malfoy ou qualquer um daquele bando saiba meu nome. Se eles quiserem podem até esquecer o meu sobrenome, não, melhor, eles podem esquecer que eu existo - dizia Sirius com ligeira irritação na voz - Acho que essa é a única coisa boa em não precisar voltar à Hogwarts: ficar livre do Malfoy, do seboso do Snape, do tapado do Lestrange, do... - Sirius continuou a listar os sonserinos de que não gostava (ou seja, todos).

Ouviram, então, alguém se aproximando. Lílian olhou apreensiva para a rua. Felizmente, o visitante era amigo. Remo Lupin estava parado ao portão. Tiago fez um sinal e o amigo entrou cumprimentando a todos. Entraram.

Harry passou a reparar na casa. Era simples, mas bem arrumada. Não havia luxo, esse fora substituído pelo aconchego. Harry gostou do que viu, tinha cara de um lar feliz.

Estavam conversando animadamente, quando a campainha tocou mais uma vez.

- Deixa; Lili, eu atendo. - disse Remo já se levantando.

Voltou logo a seguir acompanhado por Pedro Pettigrew. Harry se movimentou ao ver o 'rato traidor'.

- Olá, Rabicho! Pronto, agora todos os marotos estão aqui! - disse Tiago com um sorriso no rosto. Harry reparou que Pedro parecia nervoso e deslocado, mas não conseguiu decidir se a impressão era real ou se era uma certa implicância com o homenzinho.

- Ih, agora eles vão passar a próxima hora se vangloriando de como são espertos - começou Mary.

- De como são os bons - disse Lílian

- E como são insuperáveis - continuou Mary. As duas caíram na risada.

- Acontece que nós somos espertos, bons e insuperáveis. - disse Sirius.

- E extremamente modestos - concluiu Lílian.

- Isso, Sra Potter, vai brincando - disse Tiago num tom falsamente reprovador.

As duas se encaminharam para a cozinha, rindo bastante.

- Esses quatro são impossíveis, né? - disse Mary.

- Parecem aqueles adolescentes encrenqueiros que conhecemos em Hogwarts. - Lílian, então, ficou séria - Sabe, Mary, foi muito bom vocês estarem aqui hoje. Está sendo muito difícil. Tiago não consegue se acostumar com a idéia de vivermos escondidos, longe de vocês, da nossa casa.

- Mas é necessário, Lili. Pelo menos por enquanto. Dumbledore é um bruxo sábio, logo ele vai descobrir quem está nos traindo. Além do mais, ele não vai permitir que nada aconteça a vocês.

- Eu sei, Mary. Mas, eu estou com medo! Não por mim, não, não me importa o que vai acontecer comigo, mas tenho medo pelo meu bebê!

- É por isso que temos que confiar em Dumbledore, ele saberá o que fazer. Não se preocupe, Lili, isso pode fazer mal ao bebê.

- O que é que vocês duas tanto falam, hein? - perguntou Tiago entrando na cozinha de repente.

- Estamos preparando o jantar e saia já da minha cozinha, Sr. Potter! - disse Lílian tentando aliviar a tensão.

Com o jantar posto na mesa, o grupo de amigos se aproximou. Lílian tomou a palavra antes que Sirius atacasse a comida

- Quero fazer um brinde e um anúncio!

- Ih, lá vem discurso! - disse Sirius fazendo uma careta

- Sirius! - repreendeu Mary.

- Bom, eu não vou fazer um discurso, não se preocupe, Sr. Black. Em primeiro lugar quero agradecer a vocês por estarem aqui, vocês mostraram que são verdadeiros amigos. E, por isso, eu quero dividir esse momento super importante na minha vida com vocês...

- Isso tá parecendo um discurso!

- Quieto! - disse Mary.

- Que momento importante? - perguntou Tiago.

- Tiago, eu estou esperando um bebê!

Tiago ficou olhando a esposa com uma expressão de incredulidade no rosto.

- Um...bebê...nosso? - balbuciou Tiago que se levantou e aproximando de Lílian, tocou em sua barriga, completamente emocionado.

- Quem diria, hein? Você, Tiago Potter, ser o primeiro a ter um marotinho... - começou Sirius.

- Ou uma marotinha - continuou Lílian rindo.

- E você, Sr. Black, pode desengavetar o terno e a gravata porque você será o padrinho do nenê. - disse Tiago.

- Terno e gravata? O que é isso?

- Roupas de trouxas que fazem eles parecerem mais trouxas ainda! - respondeu Mary.

- E você, será a madrinha, viu? - completou Tiago.

- Já pensou Tiago, o seu filho, ou filha, em Hogwarts. Nós vamos ter que ensinar tudo o que um verdadeiro maroto deve saber para 'sobreviver' no castelo. - dizia Sirius com uma expressão sonhadora no olhar.

- Eu estava pensando Tiago, se for menina, podemos colocar o nome de sua mãe, Clara. - disse Lílian já fazendo planos para o bebê.

- É um nome muito bonito. Se for menino, vocês podem colocar um nome que eu gosto muito, Verne - disse Sirius - que foi, Mary? - completou ao ver a expressão de desgosto no rosto da amiga.

- O que foi??? O que você quer fazer com esse coitadinho!! Verne!!!

- O que é que tem, é um nome muito bonito!

- Só se for pros panacas!! Tá bom. Imagina o menino chegando em Hogwarts, descendo do expresso com todos os 'adoráveis' alunos da Sonserina gritando atrás dele: Verne, o Verme... - Tiago, Lílian, Pedro e Remo riam gostosamente, enquanto Sirius fazia caretas e tentando retrucar, disse:

- Ah, mas é um nome tão bonito...

- Depois, vão chamá-lo de "o Verme Potter" pro resto da vida e ele vai te odiar por isso. Eu odiaria. Ele vai aprender todas as azarações possíveis e impossíveis, talvez até alguma maldição e na primeira oportunidade...

- Bom, Sirius Black, tenho que concordar com Mary. Esse nome é pavoroso - dizia Tiago rindo da piada da amiga. Até mesmo Sirius já tinha entrado na brincadeira.

Harry olhou para a madrinha e sorriu:

- Obrigado, madrinha. - falou bastante aliviado. Rony se contorcia de tanto rir ao lado do amigo.

- Verme Potter. Este nome é a sua cara, Potter! - disse Draco rindo.

- Tá legal, ô sabichona! Que nome você acha bonito pro nenê?

Mary ficou pensando durante um tempo.

- Tem que ser um nome simples, se for muito rebuscado, ele pode ficar com fama de afeminado.

- Eu gosto de Harry! - disse Lílian.

- Ah; agora quero ver você criticar!! - disse Sirius.

- E porque eu criticaria? Harry é um nome simples, sonoro e forte. Harry Potter! - disse em voz alta, e concluiu: - Acho que é perfeito.

- Eu também gosto. - disse Tiago.

De repente, tudo começou a rodar. E logo o grupo se viu numa ampla sala. O lugar era claro e lembrava uma sala de hospital. Tiago andava de um lado para o outro, ansioso.

- Tiago; pára com isso, daqui a pouco você fura o chão. - disse Mary que estava sentada numa confortável cadeira.

- Eu não consigo! Porque é que demora tanto?

- Calma, Tiago.

Mary se levantou com dificuldade. Só então o grupo reparou, espantado, que ela estava grávida.

- Você está grávida? - perguntou Harry perplexo.

- Não, Potter. Ela comeu um trasgo inteiro, não está vendo?

- Cala a boca, Malfoy. Onde está seu filho, madrinha?

- Meu bebê morreu ao nascer...

- E o pai, quem era?

Mary não respondeu, continuou olhando a lembrança.

- Fique aqui, Tiago. Vou ver se descubro como Lílian está.

Mary andou pelo corredor e quando chegava próximo do quarto em que Lílian estava, ouviu um chorinho de bebê. Bateu na porta e abriu-a devagarinho.

- Posso entrar?

- Claro, vem cá ver seu afilhado!

- Eu vou avisar ao Sr. Potter que o menino nasceu e é saudável. - disse o médico se retirando.

- Isso, Dr. Adams, Tiago está subindo pelas paredes de tanta ansiedade.

Mary se aproximou da cama e olhou para o embrulhinho que Lílian segurava no colo.

- Olá, Harry Potter. - Mary pegou o bebê com cuidado e continuou conversando com ele. - Oi, sabe, eu sou sua madrinha, quer dizer, vou ser. Então, é melhor você já ir se acostumando comigo porque eu vou ficar do seu lado para sempre. Ouviu?

Uma mãozinha saiu do embrulhinho como que querendo fazer um carinho. Nesse momento, a porta se abriu e Tiago entrou. De repente, estancou.

- Ih, olha só, Harry. Tá vendo aquele moço ali parado perto da porta? É o seu pai! Ele tem essa cara de bobo, mas ele é legal, viu?

Mary se aproximou de Tiago.

- Vai no colo do papai. - e passando o bebê para Tiago, disse: - Cuidado, Tiago, cuidado com a cabeça dele.

Tiago olhava o bebê numa mistura deespanto e emoção. Corriam lágrimas de seus olhos.

- Meu bebê!! Acho melhor você voltar para o colo da mamãe.

Tiago se aproximou da esposa e lhe entregou Harry, depois deu um leve beijo nela. Com a imagem do casal segurando Harry, o grupo sentiu o rodopio, estavam sendo sugados para fora da penseira. A viagem às recordações acabara.

N/A: Queria agradecer demais ao Death (miguxo, sei que sempre posso contar com você), a So e a Aline pelos reviews. Gente, vocês não imaginam como é gostoso receber esse carinho Obrigadão...