Capítulo 5: A NOVA COMENSAL
Harry e Rony subiram para os quartos, eles iriam passar a noite ali, em Londres, para facilitar o embarque em King's Cross na manhã seguinte. Os dois garotos ficaram até tarde conversando sobre a nova Shooting Star. Quando, enfim dormiram, Harry começou a ter um sonho agradável. Sonhou que estava voando numa Shooting Star e jogando (e vencendo) Quadribol contra a Sonserina. Ele olhou para as arquibancadas e viu que Cho olhava para ele, maravilhada. Harry, para demonstrar suas habilidades, passou a fazer as manobras mais espetaculares, como a Finta de Wronsky e o Mergulho do Diabo. Olhou novamente para ela, mas já não era mais a Cho que estava ali, e sim Gina Weasley. Harry remexeu-se na cama. Onde estava Cho? Procurou-a, ela estava do outro lado das arquibancadas. Como foi parar lá tão rápido? Voou na sua direção, mas a garota não estava mais ali, novamente era Gina. A garota sorria para ele. Harry reparou que ela havia crescido, não era mais a menininha assustada que ajudara na Câmara Secreta. Seus cabelos ruivos brilhavam ao sol e seus olhos também verdes fitavam os de Harry. O garoto sentiu algo remexer no estômago. Mas antes que pudesse entender o que estava acontecendo, um balaço o acertou derrubando-o da vassoura. Ao cair, fechou os olhos esperando a dor que o baque do seu corpo batendo no chão provocaria. Mas nem o baque, muito menos a dor, vieram; Harry, então, abriu os olhos devagarzinho e percebeu que não estava mais no campo de Quadribol e sim flutuando no alto de um grande salão. O salão estava praticamente escuro, havia apenas uma pequena fonte de luz no centro, onde pareciam estarem reunidas algumas pessoas. Imediatamente, Harry se aproximou do grupo. Eram cerca de dez pessoas que estavam dispostas em círculo. Harry percebeu, apreensivo, que era uma reunião de Comensais. No centro do círculo estavam dois bruxos. O rapaz reconheceu na hora um deles, era Lord Voldemort, já o outro se destacava dentre os demais. Era o único que, ao invés de se vestir de preto, vestia-se de cinza. Estava de frente para Voldemort e de costas para Harry. O Lord das Trevas pegou sua varinha, o outro bruxo levantou uma das mangas e aguardou. Voldemort, então disse algo que Harry não sabia o significado:
- Convictum habere cum aligno.
- Consentire cum aligno - respondeu e só então Harry percebeu que se tratava de uma mulher.
Depois de pronunciar essas palavras, Voldemort tocou com a ponta de sua varinha no braço da bruxa que gritou e se contorceu de dor.
- Agora, como primeira missão, quero que você me traga Sirius Black - disse Voldemort.
- Considere feito, mestre.
Um dos Comensais entrou no círculo e se aproximou de Lord Voldemort, carregava roupas negras que entregou à bruxa; depois se afastou. Enquanto ela vestia a capa, Voldemort sorria friamente.
- Todos os meus inimigos serão aniquilados, um por um. E aí, o mundo sentirá meu poder!
Todos os Comensais riram com prazer. Harry sentiu uma dor insuportável. Sua cicatriz queimava como nunca. Sentiu, então, que alguém o sacudia. Acordou apavorado e olhou assustado para os lados. Os Weasley estavam todos ali, sonolentos e olhando apreensivos para Harry. O rapaz ofegava, estava coberto de suor.
- Você está se sentindo bem, querido? - perguntou a Sra. Weasley.
- Estou - mentiu Harry - desculpe, não queria acordá-los. - disse timidamente.
Hermione olhou para o amigo, sabia muito bem que ele havia mentido e se fez isso era porque, provavelmente, não queria preocupar ainda mais os Weasley. Talvez entendendo o desejo de Harry, a Sra. Weasley "carregou" os filhos para fora do quarto.
- Hã...Vamos, Hermione? - disse. Hermione olhou indecisa para a Sra. Weasley.
- Tá tudo bem, Mione! Amanhã a gente conversa, ok?
- O que foi, Harry? Foi outro daqueles sonhos? - perguntou Rony depois que todos saíram. Harry apenas concordou com a cabeça que ainda latejava de dor.
- Sonhei com Vol... quer dizer, Você-Sabe-Quem - consertou vendo a expressão de horror no rosto de Rony - Ele estava num salão e fez alguma coisa com uma bruxa e depois mandou que ela encontrasse o meu padrinho. Ele está reunindo os Comensais para um novo ataque, Rony!
Rony engoliu em seco.
- Você precisa avisá-lo, Harry!
- É o que vou fazer, agora! - Harry se levantou, pegou um pergaminho dentro de seu malão e começou a escrever todo o sonho (menos a parte da Gina, Harry simplesmente se esqueceu deste pequeno "detalhe"). Quando terminou, abriu a gaiola de Edwiges e prendeu a carta na pata da coruja. - Leve isto para o Sirius, Edwiges, é muito importante que você o encontre! - a coruja deu uma bicadinha no dedo do rapaz como para tranqüilizá-lo. Abriu suas longas asas brancas e partiu.
Harry voltou a remexeu no seu malão e pegou mais um pergaminho.
- Rony, você me empresta a Pichi?
- Claro!
Harry escreveu outra carta contando o sonho que teve. Foi bastante complicado amarrar a carta na patinha da Pichi. A corujinha parecia sentir a urgência da carta e estava completamente eufórica com a idéia de entregá-la.
- Pára quieta, Pichi! - disse Rony.
- Pichi, você precisa entregar essa carta para minha madrinha, ok? - a corujinha piou freneticamente em resposta.
Um pouco mais tranqüilo, Harry voltou a dormir. Foi um sono inquieto, mas pelo menos, sem pesadelos.
De manhãzinha, Pichi chegou em Hogwarts, exausta. Voara a noite toda e ao encontrar a janela do quarto da professora Mary fechada, pôs-se a piar alto. Snape abriu a janela, mal-humorado e se Mary não o impedisse a tempo, teria azarado a corujinha.
- Não, Severo. Esse é a Pichi, a coruja do Rony!
- E o que esse projeto de coruja quer a essa hora?- disse irritado.
- Vou saber, assim que conseguir desamarrar a carta. Pára, Pichi!
Quando, enfim, Mary conseguiu retirar a carta, leu apreensiva ao reconhecer a letra do afilhado.
- É de Harry. Parece que ele teve outro sonho.
- Ah, Mary. Por favor! Você não deve alimentar essas fantasias do Potter!
- Severo, isso não é fantasia! Harry tem uma ligação com Voldemort, ele já provou isso diversas vezes! Sei lá, acho que por causa da maldição que não deu certo... Lembra, no ano retrasado, ele viu Voldemort e Pedro planejando o ataque na final do Torneio Tribruxo; depois, no ano passado, com o Talismã. Acho que devemos acreditar!
- E o que é desta vez? - perguntou Snape não muito convencido.
- Parece que ele viu uma reunião de Comensais e Voldemort fez alguma coisa com uma bruxa que ele não entendeu o que era, um tipo de feitiço "convito habe alguma coisa"
- Convictum habere cum aligno - disse Snape, pálido - isso foi um ritual de iniciação - disse.
- O quê?
- O Lord das Trevas está recrutando novamente. Esta fórmula transforma um iniciado em Comensal, fazendo a marca no antebraço esquerdo.
- Eu pensei que nenhum outro Comensal presenciasse esse ritual.
- Só os que gozam da confiança do Lord das Trevas. O que mais o Potter viu?
- Ele diz que ouviu Voldemort dar uma tarefa à nova Comensal, quem será ela, hein? Ela tem que encontrar e entregar Sirius a ele. Droga; preciso avisá-lo.
Mary levantou-se e pegando tinta e pergaminho escreveu:
Almofadinhas,
Tome cuidado.
O perigo voltou a rondar. Há um novo Comensal (na verdade, uma Comensal) atrás de você. Não se arrisque!
Mary.
Harry,
Não se preocupe.
Estamos tomando providências.
Mary.
Pegou Pichi e amarrou uma das cartas, a que era para Harry, na sua pata e a soltou. Depois, foi até o corujal, escolheu uma coruja cinza e entregou-lhe a outra carta.
- Encontre Sirius Black e entregue esta carta a ele.
Soltou a coruja e ficou olhando-a até que sumisse no horizonte. A sorte de Sirius estava lançada.
Enquanto isso, Harry ia para King's Cross com os Weasley. No Expresso de Hogwarts, Harry, Rony e Hermione procuraram uma cabine vazia onde pudessem conversar tranqüilamente. Depois de devidamente instalados, Harry contou tudo a Hermione.
- Então, Snuffles está em perigo! A gente precisa fazer alguma coisa! - disse a garota.
- Eu já mandei Edwiges com uma carta contando todo o sonho para ele e a Pichi para minha madrinha.
- Bom, pelo menos agora você está voltando para Hogwarts e lá você vai estar seguro! - disse Hermione.
- Mas agora estou preocupado com meu padrinho. Faz muito tempo que ele não entra em contato, desde antes do meu aniversário!
Pararam de falar quando a bruxa do carrinho de doces chegou. Harry comprou vários sapos de chocolates e feijõezinhos de todos os sabores que os três detonaram no resto da viagem sem o mínimo esforço.
Ao se aproximarem de Hogsmeade, trocaram suas roupas pelo uniforme de Hogwarts e aguardaram a chegada. Ao descerem do Expresso, viram Hagrid se aproximar e chamar os alunos do primeiro ano.
- Oh, olá vocês três! - disse
- Olá Hagrid!
- Bom, nos vemos em Hogwarts! Alunos do primeiro ano por aqui!
Hagrid levou-os aos barquinhos para a travessia do lago, enquanto os outros alunos iam nas carruagens. Gina se reuniu ao trio. Harry olhou o castelo com saudades, as férias foram boas, pela primeira vez, mas também era muito bom voltar à Hogwarts e rever seus amigos e professores.
- Ai, vamos logo para o Salão Principal, eu estou morrendo de fome! - disse Rony.
Harry, Hermione e Gina riram e se dirigiram para o Salão, que estava todo enfeitado para recepcioná-los, o céu refletido no teto estava estrelado e sem nenhuma nuvem. Ao sentar à mesa da Grifinória, Harry reparou em Gina, viu que a garota estava ficando muito bonita. Ao pensar nisso, olhou instintivamente para a mesa da Corvinal procurando por Cho Chang. Ela estava conversando com as amigas, parecia mais animada que o ano anterior, mas ainda havia uma sombra em seus olhos. "Ela nunca vai esquecer o Cedrico", pensou Harry. Gina também olhava Cho, acompanhara os olhos de Harry, viu como o garoto a olhava e sentiu um nó na garganta. Sim, tinha que concordar, Cho era uma garota bonita, mas por um segundo, Gina achou que Harry demonstrara algum interesse nela.
Harry olhou a mesa dos professores. Dumbledore olhava a seleção dos novos alunos com interesse. Já Mary estava visivelmente preocupada. Ela olhou para Harry.
- Madrinha! - pensou Harry.
- Não se preocupe, querido. Está tudo bem! - respondeu, telepaticamente .
Depois que os alunos do primeiro ano foram selecionados para as casas, o banquete foi servido. Os elfos-domésticos se superavam a cada ano, o jantar estava simplesmente suntuoso. Quando estavam indo para os dormitórios, duas meninas (Vênus Moore e Afrodite Moore - gêmeas selecionadas para a Grifinória) passaram por Harry dando risadinhas.
- Mais duas para seu fã-clube, Harry! - disse Rony rindo.
Harry ficou extremamente constrangido. Mesmo depois de tanto tempo ainda não se acostumara com a fama, principalmente ao se lembrar porque se tornara "famoso". Trocaria tudo, toda essa fama, para poder ter seus pais ao seu lado. Com esses pensamentos, chegou ao quadro da Mulher Gorda e ouviu Hermione dizer a nova senha (Vísceras de Dragão). Os alunos entraram no Salão Comunal. Harry e Rony foram logo para o quarto, estavam cansados e ansiosos pelo início das aulas (Rony não estava assim tão entusiasmado, mas acompanhou o amigo).
Na manhã seguinte, Harry e Rony desceram para o Salão Principal cedo; lá já se encontravam alguns alunos, entre eles, Hermione Granger que distribuía, excitadamente, os novos horários a alunos sonolentos. Harry e Rony receberam os seus: primeira aula DCAT com... a Sonserina, depois Adivinhação (argh, disse Harry baixinho). Mas, o pior era o horário da sexta-feira: aula dupla de Poções com a Sonserina (argh, argh - disse Harry um pouco mais alto).
- Ah, não! Ninguém merece! - disse Rony reclamando - se não bastasse ter que aturar o Snape; temos que ficar junto com a Sonserina.
Harry olhou para Gina e sorriu. Gina retribuiu o sorriso corando violentamente. Harry lembrou-se do seu sonho, havia esquecido que no início sonhara com Gina. Mas, de repente, uma coruja muito branca entrou voando no Salão Principal e acabou desviando os pensamentos de Harry, que se empertigou todo. Não era comum ele receber cartas, mas sabia quem lhe escrevera e estava ansioso por notícias. Ficou extremamente desapontado quando leu a resposta do padrinho. Ele apenas dizia:
Harry,
Não se preocupe!
SIrius
Se, com isso, Sirius achou que tranqüilizaria Harry Potter, estava muito enganado. Com o coração saltando pela boca, o rapaz foi procurar a professora Mary, entregou a carta a ela e ficou observando-a.
- Bom, Harry... Almofadinhas está certo, não se preocupe! - respondeu, enfim, mas seus olhos pareciam não concordar com o que ela dizia.
