Capítulo 6: SIBILA?
- Acho melhor irmos ou iremos nos atrasar para a aula! - disse Mary procurando mudar de assunto.
Saíram da sala dos professores e já estavam a caminho da sala de aula, quando Mary se lembrou de que havia esquecido o tinteiro e voltou para buscá-lo. Ao entrar na sala encontrou Sibila. Ela estava com um pergaminho que Mary reconheceu. Tratava-se da carta de Sirius. Sibila tentou disfarçar:
- É uma carta para o menino Harry Potter, acho que ele deixou cair.
Mary lembrou-se das suspeitas que Harry alimentava contra a Professora de Adivinhação . Na época, não dera importância. Olhou atentamente para Sibila. Será que é ela a nova Comensal? - pensou Mary.
- Pode deixar que eu entrego a ele! - disse estendendo a mão. Sibila olhava para Mary, mas não tinha outra alternativa senão entregar a carta.
- Essas crianças são tão distraídas, né? Mas eu as entendo, também não me ligo em coisas materiais quando há tanto com que se preocupar no mundo transcendental... - disse tentando desviar o assunto, mas seus olhos faiscavam. Saiu da sala esbarrando em Snape. Mary acompanhava com o olhar a bruxa, bastante desconfiada.
- Mary, você não está atrasada?
- Severo, você não vai acreditar! Encontrei Sibila com isto - e entregou o bilhete de Sirius a Snape.
- Você acha que pode ser...Não, Mary, ela não tem utilidade para o Lord das Trevas!
- É claro que tem, Severo! Ela está aqui dentro, não está? Pode observar cada passo que Harry der e saber tudo o que Dumbledore estiver planejando. Ela está estrategicamente bem colocada, como todo espião de Voldemort.
- Só porque Potter não toma cuidado com suas coisas, não é motivo para suspeitar de... de Sibila! - disse Snape incrédulo.
- Acontece que eu pedi para Harry destruir essa carta. E ele não iria se descuidar. Não se tratando da segurança de Sirius. Além do mais, tudo encaixa! Você mesmo achava que existia um espião aqui, lembra? Quando nós discutimos sobre o Talismã das Sombras, você disse que tinha alguém escutando a conversa. Podia ter sido ela, não podia?
Snape ficou pensando. Realmente na época ele suspeitara que alguém os ouvia escondido, e só um professor poderia ter subido ao escritório de Dumbledore para espionar. Afinal, só os professores conheciam as senhas. Mas, Sibila?
- Bom, melhor eu ir para a aula, antes que eles coloquem o castelo abaixo - disse Mary, deixando Snape com seus pensamentos.
- Bom dia, Sonserina; bom dia, Grifinória! - disse Mary ao entrar na sala - desculpe-me pelo atraso. Hoje vamos estudar os dementadores - alguns alunos soltaram exclamações de pânico. - Acho que vocês já tiveram algumas experiências com eles há alguns anos atrás, não foi?
Draco olhou para Harry.
- Huuuuuu! - disse, levantando os braços como um fantasma - vê se não vai desmaiar, hein, Potter?
Os alunos da Sonserina riram com gosto. Mary olhou para Draco, que sorriu para a professora.
- Alguém sabe o que são os dementadores? - perguntou. Hermione levantou a mão num salto quase derrubando o material de Rony, que estava sentado ao seu lado. - Sim, Srta. Granger.
- Dementadores são criaturas das trevas que se alimentam de nossas esperanças e felicidade, deixando-nos apenas com desilusão e tristeza.
- Ótimo, Srta. Granger. 10 pontos para a Grifinória. E alguém mais sabe como lidar com eles?
Novamente, Hermione levantou a mão.
- Eles são afastados quando o bruxo conjura um Patrono, mas isso é magia avançada, é feito de felicidade, só que eles não podem sugá-la.
- Mais 10 pontos para a Grifinória. Bom, um Patrono é basicamente "feito de felicidade" como Hermione brilhantemente definiu - a garota corou de prazer com o elogio -, mas, por não possuir um corpo físico, os dementadores não conseguem sugá-la, ao contrário, são repelidos por ela. Mas não é tão simples conjurar um Patrono, mesmo para bruxos experientes. Primeiro; vocês devem se concentrar numa lembrança feliz e depois proferir a fórmula "Expecto Patronum". Potter, venha cá.
Harry foi pego de surpresa, não estava prestando atenção na aula, só conseguia pensar no padrinho e numa maneira de ajudá-lo.
- Eu soube pelo professor Lupin que você teve algumas aulas particulares sobre Patronos. E aprendeu a conjurar um, não é?
- Aham!
- Harry, venha aqui na frente, por favor, para uma demonstração para a classe.
Os alunos se assustaram. O que a professora queria dizer com uma demonstração? Ela não estava pensando em trazer um dementador para a sala, estava? -, pensaram os alunos. Mary, como que lendo o que eles estavam pensando, e Harry ficou se perguntando se a madrinha realmente não lia as mentes deles, disse:
- Calma! Calma, foi por isso que escolhi o Harry, o professor Lupin me contou que vocês dois treinavam com um bicho-papão. É isso o que vamos usar, pelo menos por agora. Preparado, Harry?
O rapaz não estava nem um pouco preparado, mas fazer o quê? Tentou pensar em alguma coisa feliz, porém estava preocupado demais com Sirius para se concentrar no que quer que fosse. O bicho-papão começou a sair da caixa onde estava escondido e tomou o aspecto de um horrendo dementador. Logo, Harry começou a sentir aquela sensação estranha, era um frio intenso e uma tontura. "Lílian, leve Harry e vá! É ele! Vá! Corra! Eu o atraso". - Harry escutou esta frase ressoar dentro de sua cabeça. Precisava se concentrar! "O Harry não, o Harry não, por favor, o Harry não! Afaste-se, sua tola... Afaste-se agora... O Harry não, por favor não, me leve, me mate no lugar dele... Harry não! Por favor... Tenha piedade... Tenha piedade... Afaste-se. Afaste-se menina!". Não podia deixar se levar pela emoção de ouvir sua mãe. Não, precisava se concentrar e rápido!
Pensou, então, no "presente" que Mary havia lhe dado este ano. Ver seus pais, ver o amor que o cercava, era realmente reconfortante. Abriu os olhos, apontou a varinha e gritou forte:
- Expecto Patronum!
Um enorme cervo prateado saiu de sua varinha e afastou o dementador, que se virou na direção dos demais alunos. Mary se postou na sua frente, o falso dementador com um "claque" assumiu a forma da professora. Então, a bicho-Mary-papão começou a girar a cabeça e com um Riddikulus, Mary aprisionou o bicho-papão novamente na caixa.
- Ótimo; Harry. Foi um excelente Patrono - e somente para Harry disse, bagunçando o cabelo nada alinhado do rapaz - foi maravilhoso rever Pontas. -, e paara a turma, - Vocês agora vão tentar o feitiço. Não se decepcionem; a maioria, senão todos, não irá conseguir nem uma fagulha, mas isso é natural.
Harry voltou ao seu lugar, Rony comentou com ele:
- Engraçado, o bicho-papão assumiu a forma dela! Será que o maior medo dela é ela mesmo? - Harry deu de ombros.
Enquanto isso, Hermione pegava rapidamente a varinha, tentava se concentrar; queria provar que não estava entre aqueles que não conseguiriam. Era só se concentrar. Mas o resultado foi o previsto pela professora: Hermione conseguiu umas fagulhas; já Simmas Finnigan conseguiu colocar fogo no cabelo de Neville que saiu gritando e pulando pela sala com todos os alunos da Sonserina rindo atrás dele. Enquanto, Mary tentava consertar o "estrago", Hagrid bateu à porta.
- Com licen... Opa! - disse ao abrir a porta e quase ser derrubado por Neville.
- Neville, por favor, fique parado, senão não consigo fazer o feitiço! - e virando-se para Hagrid - Ele já chegou, Hagrid?
- Já, está lá no portão, o professor Dumbledore não o quer dentro da escola.
- Sim, eu sei - e disse aos alunos - por favor, deixem seus materiais e tragam apenas as varinhas. Vocês agora vão praticar com um dementador verdadeiro!
Os alunos da Sonserina pararam de rir no mesmo instante. Foram para os jardins, pararam próximos ao portão, não tão perto, pois lá estava um enorme dementador. Mesmo afastados, eles sentiam um pouco de frio e mal estar. Madame Pomfrey também estava ali, carregava uma gigantesca caixa. Mary tomou a frente dos alunos e disse:
- Bem, eu sei que a presença de um dementador não é nada agradável, mas vocês precisam saber como lidar com essa situação. Lembrem-se, concentração, isso é fundamental em toda e qualquer situação de perigo. Vocês devem estar sempre concentrados, para não serem pegos de surpresa, ok? Quem quer ser o primeiro?
Os alunos se olhavam, mas ninguém se mexia.
- Fiquem tranqüilos; eu estarei do lado de vocês.
Hermione levantou o braço, corajosamente.
- Vamos, então, Srta. Granger. - As duas se aproximaram do dementador. A garota levantou a varinha, mas novamente apenas fagulhas saíram dela. O dementador se movimentou, tirou as mãos podres para fora da capa. Mary entrou na frente dele e gritou:
- Expecto Patronum! - uma luz prateada saiu de sua varinha, tomou a forma de um imenso unicórnio e avançou sobre o dementador que recuou. Depois, virando-se para Hermione perguntou: - Tudo bem com você?
- Aham - sussurrou Hermione.
As duas voltaram para onde os alunos estavam aglomerados, Mary pegou um pedaço de chocolate da caixa que Madame Pomfrey segurava e deu à garota.
- Quem é o próximo? - Crabbe e Goyle, que olhavam gulosamente para o pedaço de chocolate que Hermione comia, levantaram as mãos. - Tudo bem; temos dois candidatos, vamos Sr. Crabbe.
Um a um, os alunos "enfrentaram" o dementador. Quem mais se aproximou de conseguir conjurar um Patrono, foi Draco Malfoy. O rapaz conseguiu uma projeção disforme que ninguém soube dizer o que era, a conclusão foi de que era uma mistura de hipogrifo com esfinge (se é que existe uma coisa assim).
Quando voltavam ao castelo, a maioria deles comentando excitados sobre a aparência de seus Patronos (?); uma coruja voou até a professora e lhe entregou uma carta. Mary a leu e logo depois saiu correndo. Virou-se para a classe já quase no fim do corredor e disse:
- Vocês estão dispensados!
- O que será que aconteceu? - perguntou Harry preocupado a Rony e a Hermione.
