Capítulo 7: A CARTA DE SIRIUS
Mary correu até o escritório de Dumbledore, o diretor precisava ler a carta que Sirius mandara. O diretor ficou surpreso, não era do costume de Sirius ser dramático em cartas, mas nessa o bruxo parecia estar realmente enrascado e solicitava a ajuda da amiga.
Mary
Estou
encrencado!
Não posso mais
me esconder aqui, acho que estou sendo vigiado. Preciso de ajuda para
me esconder em outro lugar.
Venha
me ver, urgente!
Sirius
- Você acha que a nova Comensal o localizou na casa de Remo, Mary? - perguntou Dumbledore.
- Parece que sim. Então a tal Comensal não é a Sibila como eu pensava... O senhor permite que eu vá até ele, professor?
- Claro, claro que sim! Mas onde podemos escondê-lo?
- Posso levá-lo até a casa de Sophia e de John ; eles não vão se importar!
- Isso, leve-o para lá. Eu escreverei à Sophia pedindo que ela retorne à Londres o mais rápido possível. Tome cuidado, Mary.
- Sim, professor.
Mary saiu do escritório de Dumbledore e foi procurar Snape nas masmorras, o professor estava dando aula para o quinto ano da Grifinória. Mary bateu à porta e entrou.
- Com licença, posso falar um instantinho com você, Severo?
O professor fez que sim com a cabeça e Mary entrou na sala.
- Sirius - disse baixinho tentando evitar que os alunos escutassem o nome do fugitivo de Azkaban - escreveu pedindo ajuda, eu estou indo para Londres, agora.
- Você não pode ir sozinha, Mary.
- Está tudo bem, só vou levá-lo para um lugar seguro.
- Não sei, não. Pode ser uma armadilha. Espere eu terminar a aula e eu vou com você.
- Não precisa, Severo. Vou num pulo e volto noutro. - disse e sorriu.
Mary saiu da sala de Snape deixando o professor bastante preocupado. Foi procurar Harry, encontrou-o na saída do Salão Principal, o rapaz estava indo para a aula de Adivinhação.
- Harry, você poderia me emprestar a capa de seu pai?
- Claro! Vou buscá-la.
- Para que será que a professora quer sua capa, hein, Harry?
- Não sei. Mas acho que é por causa da carta que ela recebeu! Ela estava preocupada, não estava?
- Aham.
Os dois se encaminharam apressadamente para a Torre Norte, estavam atrasados, mas ao chegarem lá, Lilá Brown estava parada na porta, amuada.
- Hoje não vai ter aula. A professora Sibila está passando mal!
- Que bom! - exclamou Rony. Lilá olhou furiosamente para ele e comentou com Parvati.
- Certas pessoas não têm a aura desenvolvida, jamais irão desenvolver a visão do plano superior. - e com a amiga desceram as escadas em direção à biblioteca.
- Caramba, ela já tá até falando igual à professora!
Os dois, sem aula de Adivinhação, decidiram ir visitar Hagrid. Enquanto se encaminhavam para a cabana do amigo, encontraram Snape, o professor olhou-os irritado.
- O que vocês dois estão fazendo aqui, não deveriam estar em aula?
- A professora Sibila não vai dar aula hoje, está passando mal e nos dispensou! - respondeu Harry. O professor Snape ficou pálido, e sem falar nada deixou os dois ali sem entender o que havia ocorrido.
- O que será que deu nele?
- Rony, está acontecendo algo estranho. Primeiro, minha madrinha recebe uma carta e sai correndo, depois me pede a capa do meu pai. A professora Sibila dispensando a gente e agora essa reação do Snape.
Ao chegarem na cabana do gigante, encontraram Gina ali, conversando animadamente com Hagrid. Os dois meninos entraram.
- Onde está Hermione? - perguntou Hagrid.
- Está na aula de Aritmancia. - disse Rony.
- E vocês, não têm aula?
- Não, a professora Sibila nos dispensou, tá passando mal. - disse Harry.
- Que estranho, acabo de ver ela indo em direção à Hogsmeade. Não parecia mal, estranho!
- Ih, hoje tá todo mundo esquisito. No fim da aula de DCAT, a professora Mary recebeu uma carta e saiu correndo, depois ela vem pedir a capa de inv... uma coisa para Harry - disse olhando para Gina - e aí quando nós falamos para o Snape que a professora Sibila tinha nos dispensado ele ficou branco. Sei lá, a esquisitice está à solta em Hogwarts.
- Foi porque você não ouviu o que a professora Mary falou com Snape, quase agora. - começou Gina fazendo cara séria como se soubesse de algum segredo importantíssimo.
Enquanto isso, Hagrid foi buscar um pouco mais de chá e quadradinhos de chocolate para os garotos.
- O que você ouviu? - perguntou Harry quando Hagrid se afastou.
- Bom, eu não queria ouvir, mas eles estavam conversando do meu lado, não deu para evitar...
- Tá, Gina - disse Rony roendo as unhas de tanta curiosidade - fala logo!
- Ela disse que ia à Londres ajudar alguém... - e olhou para Harry - alguém muito importante que precisava de ajuda urgente.
- Quem, Gina?
- Sirius. Sirius Black!
- Meu padrinho! O que mais ela disse, Gina? - perguntou Harry preocupado
- Só isso. Que precisava ir ajudá-lo.
- Eu sabia que eles estavam me escondendo alguma coisa! Ele está em perigo, Rony, eu sei!
Ao deixar Harry e Rony ali parados sem nada entender, Snape correu até o escritório de Dumbledore.
- Diretor, eu poderia ver novamente a carta que o Black mandou para Mary?
- Claro, Severo. Algum problema?
- Espero que não, mas... tem uma coisa me incomodando.
Dumbledore entregou a carta para Snape. O professor leu a carta, depois ficou observando-a atentamente.
- Parece perfeita. Gostaria de analisá-la melhor. Posso levá-la?
- Claro.
O professor foi para sua sala, estava cismado, e quando isso ocorria... Pegou um de seus vários frascos, um que continha um líquido roxo e viscoso. Desenrolou o pergaminho e derramou várias gotas do conteúdo do frasco em cima da carta. As letras começaram a dançar frente aos olhos de Snape, a caligrafia de Sirius foi mudando até se transformar completamente. Snape soltou uma exclamação de raiva. Quem mandara a carta não fora Sirius, e, isso significava que Mary tinha caído numa armadilha.
Enquanto isso, Mary aparatava no subúrbio de Londres. Fora até lá o mais rápido possível, em auxílio de Sirius, sem desconfiar que se tratava de uma armadilha. Sirius estava escondido no apartamento de Remo Lupin. O prédio era antigo, sem elevador. Lupin morava no quinto andar, e, Mary precisou subir as escadas para chegar até lá. Bateu à porta e esperou, ansiosa. Então, Sirius abriu a porta, surpreso, ao constatar que era a amiga quem estava ali.
- O que você está fazendo aqui, Mary?
- Como assim? Você não me chamou? - perguntou Mary, e já constatando a armadilha. - Droga!
Sem perder tempo, Mary agarrou o braço de Sirius e o puxou para fora da casa, no exato momento em que via pela janela uma bola de fogo se aproximando rapidamente do apartamento. A bola de fogo quebrou o vidro da janela e levou pelos ares tudo o que se encontrava ali perto. Inclusive Mary e Sirius, que foram jogados escada abaixo. Rolaram vários degraus até se estatelarem no chão; bastante feridos. Mary olhou para cima e viu que o andar em que Remo morava estava completamente destruído. Virou-se para Sirius, o amigo estava muito machucado, Mary se arrastou até ele.
- Sirius! - o amigo não respondeu. Mary virou-o e percebeu, aliviada, que ele estava vivo. - Sirius! - repetiu dando-lhe alguns tapinhas no rosto para despertá-lo. Sirius abriu os olhos e tentou levantar-se, porém era impossível, estava com a perna quebrada e reclamando de dor, disse:
- Mary, você precisa sair daqui! Logo, os Comensais vão aparatar!
- Não vou deixar você aqui! Foi minha culpa, eu os trouxe até você. Vamos, você consegue, só precisamos aparatar num lugar seguro, vamos.
Aparataram num beco próximo, não podiam aparatar mais longe devido aos ferimentos, estavam fracos demais.
- Não podemos ficar aqui, estamos muito perto, ainda. Eles podem nos localizar.
- Eu sei, Sirius. Mas vamos ter que fugir de outro jeito! - Mary viu uma casa onde havia algumas roupas penduradas no varal e teve uma idéia. Usando a capa de invisibilidade de Harry, foi até lá e pegou algumas, "emprestado" (como ela mesma disse mais tarde). Voltou para perto de Sirius e mostrou o que conseguiu.
- Eu não vou vestir isso, são roupas de mulher! - disse Sirius escandalizado.
- Não temos muitas opções, Sirius. Foi tudo o que consegui! Com estas roupas de trouxas podemos passar desapercebidos por um tempo e achar um lugar para te esconder.
- Eu não vou colocar roupas de mulher! Prefiro ir como cachorro! - sentenciou Sirius.
- Tá! Tudo bem! Mas que você ia ficar bonitinho, ia. - disse Mary brincando e depois falando sério, disse: - Acho que sei onde você pode ficar.
- Onde?
- Logo, logo você vai saber. É melhor você fechar os olhos para eu me trocar. E nem tente espiar, hein? - disse olhando para Sirius que fazia a maior cara de inocente.
Cinco minutos depois, uma moça saía de um beco, mancando, e carregando (ou melhor, sendo carregada) por um gigantesco cão negro. Iam andando tentando não chamar muito a atenção dos transeuntes. Pararam próximos a uma esquina e pegaram um táxi.
- Surrey, Little Whinging, por favor. Rua dos Alfeneiros, n°. 06. - falou a moça.
Enquanto que um táxi levava uma moça e um cão negro até o outro lado da cidade, dois bruxos aparatavam ali perto. O primeiro deles era bastante idoso, usava uma longa capa púrpura e óclinhos meia lua frente aos olhos extremamente azuis. O outro era bem mais jovem e alto, vestia-se com uma capa negra que acentuava a palidez de seu rosto sério, ambos tinham o semblante carregado e estavam visivelmente aflitos. Sem ação, olhavam agora para um prédio em chamas. Bombeiros e policiais evitavam que as pessoas, curiosas, se aproximassem do local.
Quando viram um homem se aproximar dos policiais, sentiram a esperança crescer novamente dentro de seus peitos angustiados. O homem bastante jovem, apesar do cabelo levemente grisalho, estava nervoso. Os policiais tentavam acalmá-lo, em vão.
- Meu irmão estava lá dentro, como ele está? - repetia o homem.
- Desculpe, não encontramos ninguém. Ele deve ter saído!
O homem continuava preocupado. Os policiais não entendiam a reação do homem, nem poderiam. Como explicar que o "irmão" era na verdade um fugitivo da polícia e que não poderia simplesmente sair do apartamento tranqüilamente? Então ele viu os dois bruxos que estavam um pouco afastados do tumulto. Aproximou-se deles discretamente.
- Professor Dumbledore, eu não sei...
- Calma, Remo! O que os policiais disseram?
- Que Sirius não estava lá. Será que foi apanhado?
- Pode ser, mas também pode ser que tenha conseguido fugir a tempo. Precisamos aguardar as notícias.
- Como o senhor soube?
- Foi uma armadilha - disse Snape friamente - Mary recebeu uma carta supostamente de Sirius pedindo ajuda.
- Mary? Ela também estava aqui?
- Sim. Venha, vamos até a casa de Sophia White. Lá poderemos conversar melhor, e talvez os dois estejam lá.
Mas, ao chegarem lá, constataram que a casa estava vazia. Novamente, a preocupação tomou conta de Remo e Snape. Dumbledore, porém, parecia mais tranqüilo. Colocaram Remo a par do acontecido e então o ex-professor falou a Dumbledore:
- Professor, desculpe, mas não consigo entender como o senhor consegue manter-se calmo!
- Remo; eu estou calmo porque tenho certeza que eles estão bem. Eles não estavam no apartamento na hora do ataque, ou pelo menos, conseguiram fugir a tempo
- Mas, mesmo assim não sabemos o que aconteceu a eles! - disse Snape aflito.
- As notícias ruins são sempre as primeiras a chegar! - sentenciou o sábio professor. - Só nos resta aguardar as boas novidades.
Sem mais o que fazer em Londres, voltaram para Hogwarts ainda sem notícias.
Enquanto isso, Mary chegava à Rua dos Alfeneiros. O táxi estacionou frente a uma das casas.
- O senhor pode aguardar um minutinho, vou chamar minha... hum... tia, para ela pagar a corrida.
- Por acaso, você vai deixar esse cachorrão aqui? - perguntou o motorista em pânico com a possibilidade de ficar sozinho com o imenso cão, que não lhe aparentava ser nada amigável.
- Não, claro que não. Venha; Almofadinhas!
A moça olhou apreensiva a vizinhança, sabia a curiosidade que despertaria nos vizinhos, especialmente os que moravam no número 4, se soubessem que se encontrava ali. Mas, felizmente, a casa vizinha parecia deserta. Tocou a campainha e aguardou, ansiosa. Uma velha senhora atendeu a porta e se espantou ao reconhecer a jovem parada a sua frente.
- Mary? O que faz aqui? - perguntou a Sra. Figg.
- Olá, professora. Nós precisamos de ajuda. - disse indicando com a cabeça o imenso cão. - a senhora poderia pagar o táxi?
- Claro, querida, entre, entre!
A professora voltou a seguir muito curiosa. Mary contou-lhe tudo o que aconteceu, desde o sonho de Harry até o ataque ao apartamento de Remo.
- Desculpe por procurá-la, mas não me lembrei de ninguém mais de confiança que poderia nos ajudar.
- Não, imagina. Vocês fizeram muito bem em me procurar. Aqui, Sirius, você estará seguro.
- Obrigado por confiar e acreditar na minha inocência, professora.
- Não tem de quê, querido! - disse a velha professora - Só mesmo o imprestável do Fudge para acreditar que você é culpado. Não, ele não viu você e Tiago juntos, se tivesse visto, saberia que você jamais o trairia.
Sentindo-se mais tranqüila, Mary disse:
- Preciso voltar à Hogwarts. Tenho duas aulas para dar amanhã cedinho! E Dumbledore deve querer saber das novidades.
- Mas, você está muito machucada, para aparatar. Precisa de cuidados médicos!
- Pode deixar, professora. A madame Pomfrey me conserta! - disse Mary sorrindo.
