Capítulo 8: O BAILE E O SEQÜESTRO

Mary regressou à Hogwarts levando o triplo do tempo necessário, mas não podia abusar. Tinha conseguido com um feitiço básico (Asclépio) minimizar os ferimentos, mas mesmo assim, ainda estava bastante debilitada. Foi muito bom rever as torres do castelo, ali sim, Mary se sentia segura e em casa. Foi direto à ala hospitalar, Madame Pomfrey se assustou ao ver os ferimentos de Mary, mas evitou perguntar onde os tinha conseguido, para alívio da professora. Enquanto era atendida pela enfermeira, Mary entrou em contato telepático com Dumbledore, avisando-o que já regressara. O diretor, Snape e Lupin desceram à ala, imediatamente, ao seu encontro.

- Professor, foi uma armadilha, mas... Lupin? O que você faz aqui? - perguntou Mary.

- Snape descobriu a farsa da carta e com Dumbledore foram até Londres, mas chegaram tarde. Nós ficamos preocupados com você, e, Almofadinhas como está?

Mary olhou em volta certificando-se de que ninguém mais os ouvia.

- Ele está a salvo - e sussurrando completou - deixei-o com a professora Figg.

- Você está ferida? - perguntou Snape preocupado com a esposa.

- Foi por pouco, Severo. Conseguimos escapar por muito pouco! - e virando-se para Lupin disse - desculpe, eu os levei até lá e eles destruíram sua casa, desculpe minha tolice.

Remo se aproximou da amiga e deu-lhe um abraço. Snape fez cara de quem não gostou nadinha desta história de Mary ser abraçada por outro bruxo.

- O que importa é que vocês dois estão bem!

Snape contou a seguir que desconfiou da carta quando encontrou Harry e Rony e eles disseram que Sibila não daria aula alegando estar passando mal.

- Mas, ela estava muito bem poucas horas antes, quando Mary a encontrou bisbilhotando o bilhete do Black. Achei isso muito suspeito e ao verificar a letra da carta, bem... descobri que não era do Black.

- Então, eu estava certa, quer dizer, Harry! Sibila é a nova Comensal, que falsa miserável!

- Calma, Mary. Você não pode julgar uma pessoa sem provas. - disse Dumbledore.

- Mas professor, quem mais...

- Não podemos condená-la, não sem provas concretas de que ela esteja realmente espionando para Voldemort.

Na manhã seguinte, o nosso trio favorito acordou muito cedo. Eles precisavam saber o que tinha ocorrido a Sirius antes que as aulas começassem. A curiosidade estava corroendo-os por dentro. Assim que se aproximaram da sala da professora, porém, ouviram-na rindo alto. Bateram à porta e aguardaram. Mary abriu a porta logo em seguida, tinha os olhos cheios d'água, mas não estava chorando, ao contrário, estava chorando de tanto rir. Assim que Harry entrou na sala, viu sentado sobre a mesa da professora e também rindo bastante, Draco Malfoy.

- Er...madrinha eu queria falar com você - disse Harry olhando incisivamente para Malfoy. O garoto revirou os olhos, irritado e disse:

- Pode deixar, Potter, entendi a deixa. - e virando-se para a professora disse: - "Té" mais.

- Até, dragãozinho.

Draco estacou ao ouvir Mary chamá-lo desta forma. Rony arregalou os olhos. Virando-se para a professora, Draco disse:

- Você sabe que eu odeio quando você me chama assim?

- Sei! - respondeu a professora mandando um beijinho de longe para ele. O rapaz sorriu e deixou a sala. - Hum...que ruguinha é essa na sua testa, Harry? - perguntou virando-se para o afilhado.

- Como está meu padrinho, madrinha?

- Caramba, eu sei que o castelo tem um monte de passagens secretas, mas que as paredes têm ouvido, é novo para mim! - disse brincando, mas constatando a seriedade do trio, disse tranqüilizando-os: - Agora ele está bem!

Mary contou tudo o que aconteceu. Os garotos ouviam com atenção e ao final concordaram com Mary sobre as suspeitas de Sibila ser a nova Comensal.

O tempo passou, e vários acontecimentos estranhos continuaram ocorrendo. Nenhum deles recebeu destaque na imprensa mágica. Alguns apareceram nos jornais trouxas como casos misteriosos e sem solução. O ministro da magia, Cornélio Fudge, continuava negando, com todo fervor possível, o ressurgimento de Voldemort; mas suas tentativas se tornavam frustradas a cada dia como se tentasse esconder o sol com a peneira, pois todos sabiam o que estava ocorrendo. O partido das Trevas estava voltando e estava cada dia mais forte.

Casos como o desaparecimento de bruxos, muitos deles não residentes na Inglaterra, mas notoriamente conhecidos como antigos seguidores do Lord das Trevas pipocavam; sem nunca serem confirmados. Entre eles: Igor Karkaroff, Klauss Grausamkiet e Hans der Tod Schmerz. . O pânico aumentava entre os "traidores" de Voldemort, todos sabiam que estavam marcados. Então, um dia, Snape recebeu uma carta misteriosa. Estava colocada em cima de sua mesa, sem remetente, mas nem precisava! Snape reconheceu na hora a marca que trazia como selo. A Marca Negra! Não abriu a carta, sabia do que se tratava, jogou-a ao fogo da lareira e ficou observando-a queimar.

Algum tempo depois, recebeu outra. Esta teve o mesmo destino da primeira: atirada ao fogo sem ao menos ser aberta. E assim, ocorreu com a série de cartas que passou a receber com bastante freqüência. Não contou a ninguém sobre as cartas, nem mesmo a Dumbledore. Não que estivesse com medo, só não queria tocar neste assunto.

Porém, no meio de outubro, outra carta chegou, teria o mesmo destino se não tivesse uma advertência no envelope. "Como ele sabe o que tenho feito com as demais cartas?" - pensou. Curioso, Snape a abriu e a leu, não esperava por isso, com o coração aos saltos releu a carta. Ainda a relia quando Mary entrou na sala. Percebeu um certo nervosismo no marido, mas antes que pudesse ou tivesse a chance de lhe perguntar o que sentia, Snape pegou a carta e a aproximou de uma vela. A carta logo foi tomada pelo fogo. Snape ficou ali, olhando-a se consumir inteiramente. Virou-se, encarou Mary que estava espantada com aquela reação, e com uma sombra nos olhos negros, perguntou tentando parecer o mais natural possível:

- Alguma coisa, Mary?

- Não! - disse - O que foi isso?

- O quê? Ah, era uma carta sem importância - mentiu Snape. O professor se aproximou da esposa e tocou-lhe no rosto com carinho e... com as mãos trêmulas. Deu-lhe um leve beijo nos lábios e completou: - bom, tenho que dar uma aula. - e rapidamente saiu.

Mary se aproximou da mesa de Snape e olhou, intrigada, para o que tinha sido a carta.

A partir deste dia, Mary começou a sentir o marido bastante tenso, o professor explodia com qualquer coisa. Bom, isso até seria bastante natural em se tratando de Snape, não fosse a tentativa (quase uma promessa) dele se tornar um pouco mais tolerante com os alunos. Claro que a maioria dos alunos duvidava que isso fosse realmente acontecer, mas já tinham notado uma significativa melhora. Atualmente, os alunos tremiam ao ver o professor despontar. Qualquer motivo, desde um simples olhar em sua direção poderia significar uma detenção e a perda de vários pontos. Snape chegou, inclusive, a descontar pontos de sua própria casa, mesmo depois tentando anular o que tinha feito (quando percebeu que se tratavam de sonserinos), como não conseguiu, ficou extremamente irritado e descontou nos alunos da sua próxima aula... que eram os do sexto ano da Grifinória. Assim, que viu Neville seus olhos brilharam insanamente.

Para ajudar, Neville estava o mais desastrado possível. Conseguiu numa só aula derreter três caldeirões espalhando a poção fumegante que preparava por toda a masmorra, quebrar quatro frascos de pó de osso de unicórnio (ingrediente caríssimo) do estoque particular de Snape numa tentativa desastrosa de salvar os caldeirões e ainda explodir oito amostras de insitopo de hipotersoso infestando a sala (e os alunos) com o forte e terrível odor do ingrediente, todos tiveram que tomar vários banhos até que o cheiro de gambá podre saísse de suas narinas. Ao final da aula, Neville contabilizou 50 pontos perdidos e uma detenção de doze dias.

Mas, não era apenas Snape e suas implicâncias que estavam "torturando" Harry Potter. A proximidade do Dia das Bruxas, e, conseqüentemente o Baile das Bruxas (substituto do Baile de Inverno) estava deixando o nosso bruxinho com os cabelos arrepiados (quer dizer, mais arrepiados que o costume). Toda aquela angústia de encontrar um par começou a aflorar em sua mente. O pior era que nem podia contar com a cumplicidade de Rony. O amigo reunira toda coragem que tinha e convidou Hermione Granger rapidamente. Harry praticava todos os dias (sem ninguém ver, é claro) diante de um espelho. Imaginava Cho Chang saindo do Salão Principal, então ele a chamava num canto e falava:

- Hum... gasp... hum... você quer... Droga, isso é ridículo...

E ia em direção à porta, mas logo voltava para frente do espelho, desanimado.

- Cho, tudo bem? Você vai ao baile? - disse fazendo caras e bocas para o espelho - é claro que ela vai, né, seu burro! Peraí, relaxa. Vamos de novo. Oi, Cho! Vamos ao baile, juntos? Ai! Não, está muito brusco - e virando-se para o espelho fazendo uma pose de conquistador barato, disse - Você quer ir ao baile comigo?

- Só se você prometer que não vai tentar me beijar - disse Rony que entrara no banheiro e se contorcia de tanto rir.

Extremamente sem graça e vermelho até a raiz dos cabelos, Harry saiu do banheiro. Esbarrou em Gina na escada e desastradamente, derrubou todo o material da garota no chão. Inclinou-se para ajuntá-la.

- Algum problema, Harry? - perguntou Gina timidamente.

- Não! - respondeu Harry muito brusco, mas logo depois consertou a indelicadeza: - na verdade, tenho um, sim. Estou sem par para o baile.

- Nossa, eu nunca pensei que você tivesse este tipo de problema, quer dizer, tem um monte de garotas que gostaria de ir com você... - disse extremamente corada, pensando que ela própria era uma delas.

- É que... bom... eu... queria...

- Ah, entendi, você que ir com uma em especial - disse Gina lembrando-se da maneira como Harry olhava para a apanhadora da Corvinal.- por que você não a convida? - disse sem nenhuma emoção na voz.

- Eu...hã...- era estranho para Harry estar tendo esta conversa com Gina e então sem pensar, disparou: - quer ir ao baile comigo?

Gina ficou olhando abobada para Harry. Ela não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir e apenas balbuciou:

- Hã?

- Eu... quer ir ao baile... com... comigo?

- Eu não sei... - "Como não sei? Sua burra! Diga sim, sim, SIM!", pensou Gina - Acho...q...que...s...sim - gaguejou baixinho.

- Ótimo - disse Harry realmente aliviado. Gina estava nas nuvens, Harry havia convidado ela, não Cho, ela para ir ao baile com ele. E correu para escrever isso no seu diário.

Na semana do baile, todos os alunos estavam super animados. Enquanto as garotas descreviam as roupas que usariam ou comentavam quem eram seus pares, os rapazes tentavam descobrir quem seria a banda convidada para o show da noite. Nos anos passados havia sido As Esquisitonas, mas neste ano elas não haviam emplacado nenhum sucesso na rádio bruxa. A disputa de melhor banda estava entre The Charmed , três irmãs bruxas que faziam muito sucesso contando suas histórias para os trouxas e, Yippee, banda composta por quatro veelas, esta era a favorita dos rapazes e que possuía grandes sucessos como "Sua vassoura pode voar mais alto do que isso" e "A varinha dele não é maior que a sua, meu amor".

Quando enfim o dia das bruxas chegou, os alunos foram dispensados mais cedo das aulas para se arrumarem. Hermione ajudou Gina com seu vestido, a garota tinha ficado tão contente na hora do convite de Harry que nem se lembrou que não tinha roupas para usar. Quer dizer, a Sra. Weasley havia comprado um vestido de gala para ela, mas o vestido estava tão velho e tão fora de moda que Gina entrou em desespero, quase pensou em desistir de ir ao baile. Mas com algum esforço e muita magia, Hermione conseguiu deixar o vestido da amiga bem bonito. Naquela noite, ao descer as escadas do dormitório, Harry se surpreendeu com o que viu. Gina estava simplesmente maravilhosa. O vestido vermelho que usava destacava os cabelos ruivos da garota.

- Gina, é você? - perguntou Rony.

- É claro que sou eu!

- Onde você arranjou um vestido desses! - disse Rony. - Mamãe jamais compraria...isto...para você! - dizia horrorizado vendo que o vestido assentava-se em seu corpo, revelando que a garota não era mais uma menininha.

- Quer parar com isso, Ronald Weasley. - disse Hermione. - Francamente, Gina está linda.

- Mas ela não pode ir vestida assim!

- Porque não?

- Porque... porque... porque não.

- Eu acho que ela está muito bem - disse Harry. Gina ficou vermelhissima..

- Ë claro que está! - disse Rony bravo. - Olha lá, hein, Harry? Ela é minha irmãzinha!

- Eu não sou sua "irmãzinha" - retrucou Gina irritada - e pode deixar que eu sei me cuidar muito bem, viu Rony? Não sou nenhum bebezinho!

- Eu vou escrever para a mamãe contando tudo isso, viu?

- Ah é? Acho que eu também posso contar muitas coisas para ela, coisas que você anda fazendo pelo castelo... ela vai adorar saber, quem sabe você não ganha outro berrador!

- Será que a gente pode ir para o baile? Ou vamos ficar aqui no salão comunal a noite toda? - disse Harry tentando terminar a "briga" entre os irmãos..

- É, vamos! - disse Hermione, já se dirigindo para o retrato da Mulher Gorda.

Quando chegaram ao Salão Principal, viram que eles eram os únicos que ainda não estavam ali. O salão estava lotado, as mesas das casas haviam sido substituídas por mesas menores. A mesa dos professores também não estava lá, o lugar fora destinado à banda que tocava freneticamente. Alguns alunos arriscavam passos descoordenados na pista de dança.

Os quatro se entreolharam e resolveram procurar uma mesa desocupada. A única que viram, ficava exatamente do lado da de Draco Malfoy e seus "amiguinhos de estimação", Crabbe e Goyle. Draco olhou divertido para Gina e comentou em voz alta:

- Nossa, não sabia que era para usar roupas de época!

Gina ficou roxa de vergonha e Rony quase partiu para cima de Draco, se não fosse a intervenção de Hermione, bem a tempo. O baile não estava tão divertido, principalmente por terem que agüentar os comentários maldosos de Draco a cada segundo. Não melhorou muito quando eles se arriscaram a dançar. A não ser para Gina, ela simplesmente não conseguia lembrar-se de quando tinha sido tão feliz na sua vida. Ficar tão próxima de Harry estava deixando-a inebriada. Dançar com ele, mesmo com ele pisando em seus pés, era fabuloso (coisas de pessoa apaixonada).

O baile prosseguia tranqüilamente até que Hagrid entrou no Salão e chegando próximo ao diretor, cochichou algo ao seu ouvido. O diretor que sorria, de repente ficou sério e saiu apressadamente do Salão. Harry acompanhou essa movimentação toda, perguntando-se o que teria acontecido. A resposta veio na manhã seguinte, Neville Longbottom, foi chamado ao escritório de Dumbledore e voltou com os olhos cheios de lágrimas. Começou a arrumar seu malão, tristemente.

- O que aconteceu, Neville? - perguntou Harry ao ver o amigo chorando.

- Minha mãe, Harry. Foi seqüestrada!