Capítulo 11: Uma Estranha Amizade

Os três correram para as masmorras. Snape estava simplesmente insuportável, não do modo costumeiro. Hoje, estava muito pior. Já tirara 30 pontos da Grifinória porque Neville Longbottom havia esbarrado, sem querer, numa prateleira cheia de frascos e derrubado uma coisa bastante gosmenta na cabeça de Malfoy. Retirou outros 10 pontos porque todos tinham rido. O único problema é que apenas a Grifinória perdera pontos, mas ninguém ousou reclamar. Quando os três entraram, Snape falou:

- Onde vocês estavam? Estão atrasados!

- Nós fomos até... - começou Harry.

- É claro que o famoso Harry Potter não se importa com os horários. Afinal, regras não foram feitas para o famoso Harry Potter. Menos 10 pontos para a Grifinória.

Os três se sentaram, antes que perdessem mais pontos. Ao final da aula, a Grifinória contabilizou 80 pontos perdidos. Os grifinórios saíram cabisbaixos e estourando de raiva, enquanto os sonserinos riam descaradamente. Harry tomou coragem e se aproximou do professor.

- Professor, o que aconteceu com a minha madrinha?

Snape pareceu ter levado um choque com a pergunta de Harry, seus olhos negros e frios se fixaram nos olhos verdes de Harry perscrutando, tentando adivinhar as verdadeiras intenções do rapaz. Enfim, respondeu:

- Ela não está se sentindo bem e está descansando.

- Está acontecendo alguma coisa! - disse Harry para Rony e Hermione assim que saíram da sala - E acho que Malfoy sabe. Vamos atrás dele.

Logo após a aula, Draco foi treinar Quadribol, e os três tiveram que esperar o treino acabar. O time estava furioso com ele depois da nova derrota para a Grifinória e estavam deixando-o exausto. Quando estavam voltando para o castelo, Harry, Rony e Hermione foram em direção a eles.

- Malfoy; precisamos falar com você!

Crabbe e Goyle correram e se postaram ao lado de Draco, esperando as ordens do rapaz. Mas, Draco disse:

- Eu vou conversar com eles, sozinho!

Crabbe e Goyle se olharam indecisos, sem saber o que fazer.

- Está tudo bem. - disse Draco nervoso. - Saiam daqui!

Eles se afastaram, boquiabertos. Mas, não tão espantados quanto o resto da escola que pela primeira vez via Draco Malfoy e Harry Potter conversando, em vez de brigando.

- O que o trio-parada-dura quer?

- Queremos saber o que você sabe sobre a minha madrinha!

- Parece que ela está indisposta - disse Draco displicentemente.

- Mas você sabe que isso é mentira, senão não teria vindo falar com a gente no almoço.

- Brilhante dedução, Potter. Você descobriu tudo isso sozinho ou recebeu ajuda da CDF Granger?

- Anda, Malfoy, desembucha - disse Rony. Draco olhou para Rony com total desprezo, estava cogitando a idéia de ir embora e deixá-los ali, sem resposta. Mas, também estava curioso e eles talvez ajudassem.

- Eu não sei o que aconteceu. O que sei é que ela sumiu! - disse, enfim.

- Como assim, sumiu? - perguntou Harry

- Sumiu, desapareceu. Não está em lugar algum.

- Eu sei o que significa sumir!! - disse Harry irritado. Draco olhou para Harry e então disse:

- Eu fui procurar na ala hospitalar, não estava lá. Depois, fui ao quarto dela e...

- Você foi ao quarto dela? - perguntou Rony incrédulo.

- Fui! Porque?

- Não, nada. Como você sabe onde é o quarto dela? - perguntou Rony.

Draco não respondeu. Contou que foi procurá-la na noite anterior e que ela tinha ido andar pelo castelo.

- E você concluiu, por causa disso, que a professora Mary sumiu. Para mim, parece que ela tá te evitando. - disse Rony

- Cala a boca, Weasley.

- Peraí, Rony. O Malfoy está certo! Se ela estivesse realmente indisposta, porque não está na ala hospitalar, ou no quarto? Onde mais ela pode estar?

- Você acha que aconteceu alguma coisa ontem à noite?

- Só pode! Mas...

- O que foi, Harry?

- Como nós vamos descobrir isso?

- Procurando! - disse Draco.

- Ah, é muito fácil! Procurar alguém num castelo deste tamanho! - ironizou Rony.

- E quem disse que é para procurar no castelo! Isso eu já fiz. - retorquiu Draco.

Todos olharam para ele.

- Acontece que eu sei que a professora Mary gosta de andar pela Floresta Proibida quando quer ficar sozinha.

- Na Floresta Proibida! - sussurrou Rony desanimado.

- Mas nós não podemos ir lá. Alguém pode ver a gente.

- Não se a gente for à noite! - disse Draco desafiador.

- Na Floresta Proibida! - disse Rony aflito.

- Mas não pode! Quer dizer, é proibido! - retrucou Hermione - E além do mais... - olhou para Draco.

- Bom, não me importa o que vocês vão fazer, eu vou!

- Na Floresta Proibida! - disse Rony mal contendo o pavor.

- Tudo bem, Malfoy. Eu vou com você! - disse Harry.

- NÓS vamos - completou Hermione, olhando sério de Draco a Rony.

- Na Floresta Proibida!! - sussurrou Rony completamente apavorado.

- Tá bom. Mas, como vamos sair sem ninguém ver? - perguntou Draco.

- Pode deixar isso comigo. Às onze horas nos espere na entrada do Salão Comunal da Sonserina. Se você não estiver lá, nós vamos sozinhos. - disse Harry.

- Sabe, Harry. Eu acho que você não devia confiar no Malfoy. Ele pode estar aprontando alguma! - disse Hermione preocupada.

- Não, ele está preocupado com a professora Mary. - Hermione parecia não estar tão convencida disso - e além do mais, nós vamos com a capa do meu pai. Se for armação do Malfoy, nós voltamos para cá, sem ninguém perceber.

- Se é assim...

Perto da hora combinada, Harry pegou a capa de invisibilidade e com Rony e Hermione desceram para a entrada de Sonserina. Enquanto isso, Draco levantava-se silenciosamente. Seus colegas de quarto estavam completamente adormecidos. Crabbe estava roncando e Goyle agarrado ao travesseiro falava palavras sem nexo. Antes de sair do salão Comunal, Draco deu uma espiada para ver se não havia ninguém por ali. Olhou o corredor. Nada! "Onde estão aqueles três?", pensou. Então, Draco viu. Harry tirou a capa e os três ficaram visíveis novamente.

- Hum! Uma capa de invisibilidade! Então, foi assim que sua cabeça ficou flutu...isso é realmente útil. Vou pedir uma para o meu pai.

- Cala a boca, Malfoy. Vamos logo, antes que o Filch apare...

Nem acabou de falar, ouviram passos vindo na direção deles.

- Anda, para baixo da capa!

Os quatros se espremeram sob a capa no tempo exato em que Filch apareceu no fim do corredor. Madame Nor-r-ra vinha na frente e parecia saber exatamente onde os quatro estavam. Parou perto deles e pôs-se a miar.

- O que foi, minha querida? Não há ninguém aqui.

Filch olhava cada canto com desconfiança, ansioso por pegar algum aluno fora da cama. Mas, para sua decepção, não via ninguém. Sem saber, ia se aproximando do grupo que estava em pânico. Hermione olhava desconfiada para Draco. Se por acaso ele puxasse a capa, eles estariam encrencados. Provavelmente pegariam uma detenção de um ano. Mas, Draco estava pálido. Filch estava a centímetros dele e o rapaz se encolheu o mais que pôde para evitar que o zelador esbarrasse nele. A cena seria cômica se a situação não fosse tão séria. Filch foi, enfim, afastando-se. Draco fez menção de tirar a capa, mas Harry falou:

- Espere um pouco, Malfoy - pegou, então um pergaminho velho, pelo menos foi o que Draco achou, desenrolou-o e para surpresa de Draco, viu um pontinho com o nome Filch subindo as escadas para as salas dos professores, onde, pelo que mostrava o pergaminho, Pirraça estava zanzando - Tudo bem, podemos sair.

- O que é isso, Potter? - perguntou Malfoy apontando para o pergaminho que Harry dobrava e guardava na mochila.

- É só um...um...- Harry não sabia o que inventar.

- Um mapa. Onde você arruma essas coisas legais, Potter?

- Acho melhor a gente ir logo. - cortou Hermione. Harry agradeceu, mentalmente, à amiga, ia ser muito complicado contar a Draco onde arranjara o Mapa do Maroto.