Capítulo 12: Passeio na Floresta

Seguiram para a Floresta Proibida apressadamente, não queriam mais nenhuma surpresa esta noite. Iam em silêncio. Andaram por quase uma hora sem nenhum sinal.

- O que devemos procurar? - disse Rony

- Qualquer coisa diferente! - respondeu Harry

- Aqui tudo é diferente! - disse Draco.

Então, ouviram algo. Parecia algumas pessoas conversando. Harry achou prudente se cobrirem com a capa. Foi difícil se locomoverem, todos os quatro, embaixo de uma única capa, mas era mais seguro assim. Eles não sabiam quem eram aquelas pessoas. E deram sorte por estarem com a capa, porque ao se aproximarem, perceberam que era uma reunião de Comensais da Morte.

Os quatro se abaixaram, perto de uma árvore, para poderem escutar o que eles falavam. Harry reconheceu alguns e ficou um pouco preocupado. Viu entre os Comensais, Lúcio Malfoy. E se Hermione estivesse certa e tudo não passasse de uma armação de Draco? Afinal, foi idéia dele irem procurar a professora na Floresta. E se ele os trouxera até ali de propósito, para entregá-lo aos Comensais, eles estariam sem defesa, seriam presas fáceis. Harry olhou para Draco que também o observava, talvez adivinhando o que Harry pensava. Os olhos claros de Draco se estreitaram e seu lábio fino se contraiu num sorriso frio

- Preocupado, Potter? Sabe; eu poderia entregá-lo.

Rony se movimentou.

- Seu...

- Calma, Weasley. Eu não vou fazer isso. - Draco voltou a atenção para que os Comensais falavam.

- Como nós iremos tirá-lo dele? - disse uma voz masculina extremamente grossa.

- Se for necessário, podemos matá-lo. O unicórnio não nos interessa. Mas, precisamos da Chave de Cronos. Meu mestre precisa dela para ter sua vingança. - disse uma vozinha que Harry reconheceu como sendo de Pedro Pettigrew.

- E o que nós faremos com Mary? - perguntou Lúcio Malfoy.

- Acho que o Lord das Trevas gostaria de cuidar dela pessoalmente, quando for a hora. Vamos, temos muito trabalho para fazer.

Os quatro garotos resolveram se afastar um pouco, pois precisavam conversar sobre o que acabaram de ver e escutar.

- Eles estão com a professora, o que faremos? - perguntou Rony.

- Por enquanto, não podemos fazer nada. - disse Hermione

- Como não? Não podemos deixá-la com eles!! - disse Draco

- Primeiro, nós não sabemos onde eles a esconderam. Depois, eles estão procurando uma Chave, lembra... deve ser a tal chave que a mãe do Neville falou, e enquanto não a encontrarem, minha madrinha estará bem.

- Mas, o que é essa Chave de Cronos? - perguntou Rony. Harry e Draco deram de ombros. Rony virou-se, então, para Hermione. Se alguém sabia o que era, era ela.

- Eu li tudo sobre isso!

- Novidade! - disse Rony. Hermione olhou feio para Rony desaprovando o comentário do amigo.

- A Chave de Cronos é uma espécie de chave que abre um portal no tempo, passado ou futuro. Provavelmente, Você-Sabe-Quem quer a Chave de Cronos para voltar ao passado e... - Hermione olhou tristemente para Harry

- Matar Harry! - concluiu Rony. Hermione concordou com a cabeça.

- E porque ele se daria ao trabalho de procurar essa tal Chave de Cronos, ou sei lá que nome tem esse troço, só para acabar com o Potter? - disse Draco incrédulo.

- Talvez porque matar Harry seja uma obsessão de Você-Sabe-Quem! - disse Rony irritado.

- E porque voltar ao passado, se ele pode matar o Potter aqui mesmo?!

- Porque, agora, Harry está protegido. E Você-Sabe-Quem sabe que foi o sacrifício da mãe do Harry que o salvou daquela vez. Se ele voltar, não cometerá o mesmo erro e Harry pode não esc... - Hermione não conseguiu terminar de falar. Seus olhos estavam cheios d'água.

- Precisamos achar essa Chave de Cronos antes dos Comensais! - disse Rony

- E porque eu perderia o meu tempo com isso? Só para salvar a pele do Potter?

- Não! Você não precisa fazer por mim, mas pela professora Mary. Se eles encontrarem a Chave vão entregá-la para Voldemort e aí ele com certeza irá matar a minha madrinha.

- Mas como nós vamos encontrar essa chave? Não temos nem idéia por onde começar! - disse Draco

- Vocês não ouviram eles falando sobre poder matar um unicórnio? - falou Hermione.

- E o que isso quer dizer? - perguntou Rony

- Quer dizer que você é um tapado! - respondeu Draco.

- Cala a boca, Malfoy. Isso pode ser uma pista, Rony. - retorquiu Harry.

- Eles matarem um unicórnio? - continuou Rony sem entender nada. Draco revirou os olhos.

- Se eles querem matar o tal unicórnio deve ser porque ele deve estar com a Chave de Cronos - disse Hermione.

- E como vamos encontrar esse unicórnio aqui? - perguntou Rony virando-se e olhando para a Floresta, indicando com isso a dificuldade da tarefa.

- Por acaso, eu sei onde - todos olharam para Draco.

- Como assim?

- Acho que foi por isso que pegaram a professora Mary. - continuou Draco, como se estivesse pensando alto.

- Fala logo, Malfoy.

- Existe aqui na Floresta um local onde os unicórnios costumam se reunir. A professora Mary sabe onde fica. Ela chama este lugar de Jardim dos Unicórnios. Ela já me levou lá algumas vezes.

- Então, você pode nos levar até lá! - disse Harry esperançoso

- Eu não sei não, Harry! - disse Hermione desconfiada.

- O que foi, Mione? - Hermione não respondeu, apenas olhou para Draco.

- Ela não confia em mim, Potter! Não é isso, Granger?

- Hum, pode ser perigoso, Harry.

- Mas não tem outra solução, se quisermos chegar até a Chave de Cronos antes de Voldemort teremos que confiar no Malfoy.

Harry olhou para os amigos. Rony e Hermione não estavam assim tão certos das intenções de Draco. Ele mesmo não sabia se devia confiar, afinal, Draco Malfoy nunca escondeu de ninguém que não gostava dele. Mas, uma coisa Harry não podia negar: Draco se importava com Mary. E ela estava em perigo.

- Olha; eu estou pouco me lixando para o que vai acontecer com o Potter. Mas, em compensação se eu não ajudar, a professora Mary é quem se ferra. E é só por causa dela que eu ajudo.

- Bom, é melhor a gente ir logo, senão não vai adiantar nada! Esse Jardim fica muito longe?

- Mais ou menos.

Os quatro partiram para o Jardim dos Unicórnios. Já estavam andando há algum tempo, quando se aproximando de uma depressão, ouviram um barulho forte, como se dezenas de cascos estivessem batendo em madeira. Ficaram apavorados, a Floresta Proibida era permeada de animais e seres perigosos. Ficaram em alerta, esperando o que quer que estivesse ali. Com as varinhas em mãos, aproximaram-se lentamente. Ao entrarem na depressão, depararam-se com um grupo de centauros. Firenze, um centauro de cabelos louros prateados, aproximou-se deles.

- Harry Potter! Eu sabia que iria encontrá-lo hoje!

- Firenze; não devemos nos meter, essa guerra não é nossa! - disse Agouro, outro centauro, bem menos amistoso que Firenze.

- Agouro, este é o garoto Potter e você sabe o que está acontecendo hoje na Floresta...

- Nós não podemos nos intrometer nisso!

- Não só podemos como devemos. Há vidas inocentes envolvidas. Só nós temos esse conhecimento e eles irão precisar de toda ajuda possível.

Agouro olhou para Firenze como se estivesse em frente a uma criança que não sabe o que faz. Virou-se para o grupo de centauros e partiu.

- Eles não gostam de nós, não é mesmo? - perguntou Harry.

- Não é isso, Harry Potter. Eles acham que não devemos nos intrometer. Sabem o que está para ocorrer, mas mesmo assim acreditam que isso não nos afetará. Como estão enganados!

- Hum...Firenze, você pode dizer para a gente como encontrar a Chave de Cronos?

Firenze ficou subitamente sério. Olhou as estrelas e disse:

- Esta será uma dura missão
a Chave de Cronos a qualquer um não se revelará.
Primeiro, será preciso união.
Depois, uma grande coragem deve aflorar.
Sendo a lealdade a última provação,
só então o Unicórnio Negro confiará
a Chave de Cronos aos puros de coração..

- O quê? - perguntaram os quatro atônitos.

- Será que você pode falar a nossa língua? - disse Rony.

- Só isto posso dizer. - Firenze virou-se e partiu - Boa Sorte, vocês irão precisar. Saturno e Marte estão alinhados no mesmo quadrante lunar!

- Mione, diga que você entendeu alguma coisa!!! - disse Harry angustiado.

- Não, desculpe!

- A história tá complicando... Será que é esse tal de unicórnio negro que eles vão matar?

- Eu nunca vi um unicórnio negro no Jardim, só vi unicórnios brancos. - disse Draco completamente atordoado.

- Eu também nunca li nada sobre unicórnios negros. - disse Hermione.

- Acho melhor a gente tentar chegar nesse Jardim e lá nós procuramos um.

- Não, Harry, você não entendeu. Nunca li nada sobre a existência de um unicórnio negro. Que eu saiba só existem unicórnios brancos.