Capitulo 13: Desvendando Enigmas

Voltaram a andar, mas seus pensamentos estavam no que Firenze dissera. Entretanto, não compreendiam as palavras do centauro. Não faziam nenhum sentido para eles. De tempos em tempos, paravam para descansar ou tentavam se localizar. Na maioria das vezes, ficavam em silêncio. Era um silêncio opressor, eles sentiam o tempo se escoar e ainda nem sinal do Jardim. O nervosismo ia tomando conta de suas mentes cansadas. Ao se aproximarem de uma nova clareira, entretanto, começaram a conversar. Mas, seus ânimos estavam exaltados e a desavença começou sem ninguém saber, mais tarde, explicar como.

- Neste ritmo, vamos chegar no século que vem! - disse Rony irritado.

- Se você quiser pode continuar sozinho. Ah! Eu esqueci, você não sabe o caminho. - disse Draco.

- Se você não tivesse parado naquela clareira para descansar seus pezinhos, já estaríamos lá. - disse Rony ironicamente.

- Eu não lembro de ouvir você reclamar na hora. Na verdade, você foi o primeiro a se esparramar no chão.

- Ah, cala a boca, Malfoy.

- Será que dá para parar de brigar! Anda, Malfoy, vê se acerta esse caminho logo.

- E quem você pensa que é para mandar em mim, Potter?

- Você fica com essa panca toda e no final está mais perdido que a gente. - disse Rony.

- Cala a boca, Weasley. E o que você tá fazendo, além de me chatear?

- Estou tentando botar um pouco de juízo no Harry.

- Em vez de ficarem discutindo podiam tentar pensar no que Firenze nos disse. - disse Harry agora bastante irritado com a atitude de Draco e de Rony.

- Ah! É claro que você nunca presta atenção ao que eu falo, né, senhor Harry Potter?

- Talvez porque você só fale besteiras! - disse Draco.

- Cala a boca, Malfoy. E isso não é verdade, Rony. Eu só quero que vocês dois parem de brigar porque eu quero pensar!

- É isso o que você acha, né, Harry? Que eu atrapalho! Desculpe não ser o grande Harry Potter.

- Pare com isso, Rony.

- Porquê? Você não gosta de ouvir umas verdades? O grande Harry Potter não...

- Parem com isso, vocês três! - gritou Hermione.

- É claro que a dona sabe-tudo tinha que se meter!

- Rony! - disse Hermione chorosa.

- Você não precisava falar assim com ela, Rony!

- Ih, o Potter está caidinho pela Granger. Sangue ruim e Cicatriz., um casalzinho bem feliz. Cicatriz e Sangue ruim dão beijinhos e...

- Olha aqui, Malfoy, você está passando dos limites. - disse Hermione.

Os três rapazes apontam ameaçadoramente as varinhas uns para os outros.

- Retire o que você disse, Malfoy! - disse Harry vermelho de raiva.

- Não!

- Se você não retirar o que disse, eu lanço um feitiço em você! - Harry estava tremendo de ódio, não se lembrava de ter sentido tanta raiva assim.

- Sangue ruim e Cicatriz, um casalzinho bem feliz, Cicatriz e...

Harry esqueceu-se da varinha e partiu para cima de Draco e Rony. Os três rolaram pelo chão. Eram socos e pontapés para todo lado.

- Parem, será que vocês não perceberam? - gritou Hermione - Nós estamos sendo testados!!

Mas eles pareciam não escutar o que a garota dizia. Estavam descontrolados. Um ódio insano brilhava nos olhos deles, e eles só sentiam vontade de brigar, de destruir. Não raciocinavam; a fúria cega os comandava

- Nós não podemos brigar, lembra o que o Firenze disse, 'será preciso união'. É isso, devemos permanecer unidos. - gritava Hermione tentando a todo custo fazê-los voltarem à razão

Harry voltou sua atenção para Hermione. Sua mente pareceu desanuviar como quando acontece quando uma nuvem passa deixando o dia ensolarado novamente. Então, com um alívio na mente, controlou-se.

Harry e Hermione tentavam separar Draco e Rony que continuavam brigando. Os dois pareciam estar numa espécie de transe. Aos poucos, Rony foi parando de se debater, Olhava para Hermione num misto de espanto e confusão. Em compensação, Harry estava tendo mais trabalho com Draco. O rapaz estava completamente enlouquecido de ódio. Draco achou que Harry queria brigar com ele e derrubou-o no chão, estava em cima de Harry e batia nele com violência. Harry apenas se defendia. Rony e Hermione tiveram que interceder, antes que Draco matasse Harry a socos. Os dois precisaram segurar Draco, um de cada lado, e afastá-lo de Harry que estava todo machucado. Então, Draco pareceu voltar ao normal.

- Eu não sei o que aconteceu comigo!! - repetia Draco

- Tudo bem, Malfoy. Não foi culpa sua. Nós não entendemos o aviso de Firenze. Só quando começamos a brigar, eu entendi. Ele disse: 'primeiro, será preciso união. Depois, uma grande coragem deve aflorar. Sendo a lealdade a última provação, só então o Unicórnio Negro confiará a Chave de Cronos aos puros de coração'. Só depois da gente mostrar união, coragem e lealdade, é que o unicórnio se mostrará e entregará a Chave de Cronos. Só pode ser isso!!! - disse Hermione a três rapazes completamente atônitos.

- Isso é incrível, Mione!

- Mas nós brigamos. Isso quer dizer que não vamos conseguir chegar até a Chave? - perguntou Rony.

- Acho que nós estávamos sendo testados. Nós brigamos, tudo bem, mas conseguimos nos controlar. Acho que é isso que importa. - disse Hermione.

- Caramba, o Firenze podia ter falado que iriam testar a gente!

- De certa forma, ele falou. Nós que não entendemos.

- Peraí, então, vai ter mais desses testes, né? - disse Rony desolado

- Acho que sim!

- E se a gente não conseguir? A gente pode não ter tanta sorte da próxima vez. Aí, Voldemort, provavelmente, vai conseguir chegar até a Chave de Cronos, hum... ele vai conseguir desta vez - dizia Harry desanimado - Nós não vamos conseguir pará-lo. Dumbledore vai ficar decepcionado comigo. Eu sei que vai!

- Eu sei bem o que você está sentindo, Harry! - disse Hermione, - desta vez eu consegui entender e se na próxima eu não conseguir...nós vamos ficar encrencados. Vocês dependem de mim e se eu não conseguir...

- Isso seria a minha cara. Não conseguir fazer! Com certeza o Gui ou o Carlinhos iriam tirar isso de letra. Até o Percy! É, ele é inteligente, ia conseguir pensar em algo. Fred e o Jorge iam arrumar uma azaração e acabar com Você-Sabe-Quem. Mas, eu...eu não vou conseguir fazer nada. Nunca!

- Grande coisa, Weasley, seu pai não espera mesmo nada de você. Mas, se você quer saber o que é pressão, fique um dia perto do meu pai. Se eu não for o melhor, o mais rápido, o mais inteligente e mais em tudo não interessa a ele.. "Você deve manter a grandeza do nome Malfoy". Ele se preocupa mais com isso do que comigo.

- Mas, ninguém depende de você...se eu não detiver Voldemort, ele vai recuperar suas forças e aí...vai matar todos. Vocês sabem o que é carregar isso, todos que eu amo acabam morrendo ou seriamente encrencados. Essa é a minha maldição!

- Acontece que você é o menino que sobreviveu, Harry. Todos se preocupam com você. É incrível; as pessoas simplesmente gostam de você.

- É claro, ele é o grande Harry Potter! - disse Draco com ar de desdém.

- Só que todos esperam que eu faça coisas incríveis, e eu não sei se sempre vou conseguir. E quando eu falhar?

- Não é a mesma coisa. Eu nunca fiz nada especial e provavelmente nunca vou fazer. E mesmo se fizesse, será apenas mais uma, já que os meus irmãos já fizeram de tudo. - disse Rony mais para ele do que para Harry.

- Eu preciso entender os próximos testes, vocês dependem disso. - repetia Hermione baixinho.

Hermione sentou-se numa raiz de uma das árvores que circundavam o local. Sua figura pequenina e desprotegida figurava a desolação que os afligia neste momento. Sua cabeça girava, sentia uma sensação estranha. Havia algo no ar. Não estava apenas com medo, era algo muito maior, muito mais assustador, estava realmente apavorada. Tinha medo de não conseguir ajudar Harry. Com medo de não ser boa o suficiente para enfrentar essa situação. Medo... de não conseguir. Rony também sentia medo; um medo inexplicável. Pensava nos seus irmãos. Ele era o sexto irmão de uma família de sete filhos. Seus irmãos mais velhos já haviam feito tantas coisas e deixado seus pais orgulhosos de várias formas: Gui fora monitor chefe e agora trabalhava em Gringotes. Carlinhos fora ótimo jogador de Quadribol e agora lidava com dragões. Percy era com certeza o mais inteligente dos irmãos, sempre preocupado em tirar boas notas. Até mesmo Fred e Jorge eram especiais, todos em Hogwarts gostavam deles. Mas, ele, ele era apenas um adolescente com problemas de adolescentes, nem para o time da casa conseguira entrar! Além do mais o que mais ele poderia fazer que os irmãos já não tivessem feito?

Draco só pensava no pai. Nunca tivera um momento de carinho; para o pai, Draco era apenas o herdeiro que não deixaria o nome da família morrer. Não que despejasse em Draco grandes esperanças. Sempre deixava claro a decepção que tinha do filho; criticando-o sempre que possível, nunca estava satisfeito. Então, Draco jogava suas frustrações contra Harry. Porque ele tinha toda a atenção? Só por causa de uma cicatriz estúpida? Se Harry não existisse, talvez alguém mais o percebesse. Enquanto isso, Harry pensava em Dumbledore. Sentia medo, não queria desapontá-lo. E os amigos, eles estavam nesta enrascada por sua causa e ele não sabia como ajudá-los. Com certeza iria fracassar. Não que se importasse com o que aconteceria a ele. Já estava acostumado a enfrentar este tipo de problemas, na verdade, desde que chegou a Hogwarts enfrentara grandes perigos, mas não queria ver os amigos sofrendo. Não suportaria isso! Harry sentia que estavam em grande perigo e que contavam com ele e isso fazia o medo crescer em seu peito. Ia ser necessária uma coragem que ele não sabia se tinha.

E então, como se algo estalasse dentro dele, ele percebeu. Ele não podia deixar se levar pelo medo. Concentrou-se. Tinha que se controlar. Aos poucos a sensação de medo foi passando. Não sumiu totalmente, mas não era mais aquele medo irracional que sentia a momentos atrás. Levantou-se de um salto e virando-se para os outros disse:

- Mione, Rony, Malfoy e se tudo isto que estamos sentindo não for apenas mais um teste? Pode ser isso, não é Mione?

- Não sei, Harry. - disse Hermione confusa.

- Se acalme, Mione. Você precisa se controlar! Pense, isso é só mais um teste.

- Eu...estou...

- Isso não é real, Mione! Anda, você consegue.

- Eu acho...que posso...Sim. Pode ser um dos testes. - disse Hermione se acalmando lentamente.

- É isso, nós estamos sendo testados. Essa sensação que estamos sentindo é o nosso maior medo, o que mais nos aflige: para mim é fracassar e decepcionar Dumbledore ou machucar meus amigos; para você, Mione, é não conseguir entender os testes e com isso nos prejudicar; para Rony é nunca fazer nada que impressione seus pais e para Malfoy é decepcionar seu pai. É isso, temos que ter coragem para superar nossos maiores receios.

Todos olhavam uns para os outros. É, fazia sentido! E a partir do momento em que assim pensavam, o medo foi cedendo.

- Precisamos nos concentrar, ou estes testes vão acabar com a gente! - disse Rony.