Capitulo 15: A Última Prova

Sem perder tempo, Hermione abaixou-se e passou a examinar a inscrição:

- Isto parece latim! - disse, enfim. - Iunctio confirma, não, confirmare. Acho que significa A união... hum... fortalece. - voltou sua atenção para o que estava escrito no chão - Animus nobilitat, a coragem enobrece...hum... et fi...fides uin...cit. É isso: "a união fortalece, a coragem enobrece e a lealdade vence"!

- Você tem certeza, Mione? - perguntou Rony.

- É claro que tenho. - Hermione olhou indignada para Rony. Harry, então, deu um grito.

- Ai! - e colocou a mão na testa - Ai! A minha cicatriz está queimando!

- Isso significa... - Rony olhou apreensivo para os lados e engoliu em seco.

- O quê? - perguntou Draco.

- Que Você-Sabe-Quem está por perto! - sussurrou Hermione. Draco arregalou os olhos e também engoliu em seco.

- O Lord das Trevas! - murmurou com medo.

- Nós não temos muito tempo! Mione, você conseguiu ler a inscrição e agora o que acontece? - perguntou Harry.

- Não sei. Mas, Harry, se Você-Sabe-Quem está vindo para cá, você deve se esconder! - disse Hermione.

- Eu não vou me esconder!

- Mas ele... - começou Hermione

- O que é que vocês acham que Voldemort vai fazer quando chegar e encontrá-los aqui, sozinhos? - cortou Harry.

Os três se entreolharam.

- E o que você acha que Você-Sabe-Quem vai fazer se encontrar VOCÊ aqui? - disse Hermione.

- Mione está certa, Harry, você precisa se esconder - disse Rony

- Não!

- Desculpe, Harry, é para o seu próprio bem - e apontando a varinha para o garoto, disse: - Petrificus Totalis!

Harry, pego de surpresa, não teve tempo de tentar um contra-feitiço. Sentiu uma dormência percorrer seu corpo. Tentou pegar sua varinha, mas não conseguiu mexer o braço. Reparou que não conseguia mexer o corpo todo, estava paralisado, ou melhor, petrificado.

- Desculpe, Harry. Venham me ajudar a escondê-lo ali atrás daquelas pedras.

Draco e Rony arrastaram Harry, enquanto Hermione tentava entender o que fazer com a inscrição.

- Aqui você estará seguro! - disse Rony.

Ouviram então um estrondo, e, bem perto de Hermione aparataram alguns Comensais. Os dois garotos correram para junto da amiga, ambos com as varinhas nas mãos, prontos para atacar se fosse necessário. Então, entre os Comensais, surgiu um bruxo alto, que deslizava entre os Comensais, e estes abriam passagem quando ele se aproximava. Vestia uma longa capa que cobria seu rosto. Mesmo assim, os garotos sabiam de quem se tratava. O bruxo lentamente se aproximou deles e retirou a capa do rosto. Viram um rosto que não lembrava o de um homem, mas o de uma cobra. Hermione soltou um grito abafado. Rony e Draco estavam assustados demais para isso.

O bruxo examinou-os atentamente. Sentiu o medo que percorria os jovens corpos e sorriu. Era um sorriso aterrorizador. Gostava de sentir o medo que despertava nos outros bruxos, isso aumentava suas forças.

- Onde está Harry Potter? - perguntou numa voz sibilante.

Ninguém respondeu.

- Mestre, esse garoto, o ruivo, é Ronald Weasley, o meu antigo dono, quer dizer, quando eu era um rato. - disse Pedro Pettigrew.

O bruxo olhou para ele e disse:

- Não sei de onde você tirou a idéia de que essa informação me interessaria, Rabicho.

- Oh, desculpe, mestre. Mas é que ele é o melhor amigo de Harry Potter. E se ele está aqui, o menino Potter também está. - concluiu o homenzinho.

Os lábios (se é que aquilo eram lábios) se contorceram no que era para ser um sorriso.

- Então, quer dizer que o grande Harry Potter está se escondendo de mim? - perguntou sarcástico aos garotos.

Neste instante, Lúcio Malfoy aparatou trazendo consigo, Mary. A professora estava desacordada. Voldemort virou-se para ela e com a varinha apontada em sua direção, disse:

- Enervate!

Mary despertou lentamente e assustou-se ao ver onde estava e quem estava ali.

- Ora, bom dia, Bela Adormecida. - ironizou Voldemort - Achei que você gostaria de presenciar a minha vitória!

- Do que você está falando, Voldemort? Você e vitória são coisas opostas.

Pedro Pettigrew se aproximou de Mary e lhe deu um tapa no rosto com a mão de prata. Um filete de sangue escorreu do supercílio de Mary.

- Como você ousa se dirigir desta forma ao Lord das Trevas?

- Ah, cala a boca, seu traidor miserável!

- Rabicho, afaste-se! Quero que Mary me veja acabar com o último Potter. Assim que ele tiver coragem de aparecer.

Mary olhou apreensiva para os garotos.

- Deixe-os ir, Voldemort, são apenas crianças! - pediu Mary.

- Não, Mary, você não entendeu. Eles sabem onde está Harry Potter e vão me dizer por bem ou por mal. - e virou-se para os três garotos.

Rony arregalou os olhos. Mary levantou-se com o que lhe restava de forças e se colocou em frente a eles.

- Você não vai machucar essas crianças, Voldemort. Eu não vou permitir.

- E quem é você para desafiar Lord Voldemort?

Voldemort apenas apontou a varinha para Mary e disse:

- Criança tola! Expellimagus .

Mary foi atirada longe. Draco gritou e tentou se aproximar da professora, mas Lúcio Malfoy entrou em sua frente.

- Ora, ora. Esse não é seu filho, Lúcio?

- É sim, mestre. - e se dirigindo a Draco - O que você está fazendo aqui, e com eles?

Draco olhou para a professora caída e desacordada.

- Estou falando com você, garoto!

Draco não respondeu, seus olhos fitaram os do pai, cheios de rancor.

- Está na hora de você decidir, Draco, a quem você é fiel? - disse Voldemort com um falso tom amistoso na voz.

Lúcio encarou o filho e disse:

- É claro que ele é fiel a nós, mestre. Não é mesmo, meu filho? - Draco pensou na ironia do destino, sempre quis que o pai mostrasse que o queria por perto, mas justamente no momento em que o faz, não era mais o que deseja...

Hermione e Rony ouviam tudo apreensivos. Hermione não conseguia acreditar que Draco os trouxera ali para entregá-los. Draco parecia estar em ebulição, seus olhos iam de Mary ao pai. Quando encontrou os olhos de Hermione, tomou coragem e falou:

- Não, pai. Desta vez, não.

Lúcio encarou o filho.

- O que foi que você disse, moleque?

Reunindo mais coragem do que parecia ter, Draco enfrentou o pai:

- Isso mesmo o que o senhor ouviu. Eu não vou deixar o senhor machucar minha mãe, mais uma vez!

Hermione e Rony arregalaram os olhos. "Do que ele está falando?" - pensaram.

- É, eu sei o seu segredinho sórdido, papai! - disse Draco frente à expressão de espanto de Lúcio.

- O quê? - balbuciou Lúcio pego de surpresa.

- No dia do aniversário do Potter, nós vimos uma lembrança da professora Mary através de uma penseira e lá descobri que vocês namoraram por um tempo. E descobri que ela tinha tido um filho seu. Depois, na noite de Natal, quando eu estava voltando da casa dela, ouvi a Narcisa conversando com uma amiga dela, a Miss Carry, e contando toda a verdade. Sobre como você tramou uma armadilha para minha mãe e, por isso, ela foi parar no hospital. Depois, você comprou o médico, ele disse que o bebê havia morrido, mas ele me entregou para você. Ela acreditou no médico e alguns meses depois, você e Narcisa anunciaram meu nascimento.

- Foi ela - Lúcio disse apontando com a cabeça para Mary - que colocou essas caraminholas na sua cabeça, não foi?

- É claro que não, eu já disse, ouvi tudo da boca da Narcisa, ouvi-a dizer que não podia ter filhos e me aceitou porque senão o senhor a trocaria por outra que pudesse lhe dar um herdeiro. É só isso que eu sou para o senhor, não é? Apenas um herdeiro! Mas foi um belo presente de Natal, na verdade, o melhor da minha vida! Ela - disse apontando para Mary - mesmo sem saber que era minha mãe sempre mostrou que gostava de mim.

- Você está enganado! Mary não é sua mãe! - dizia Lúcio descontrolado.

- Não adianta negar, o garoto é inteligente, Lúcio. Não duvide disso! - disse Voldemort - O que me interessa agora é como ele vai utilizar essa informação.

- Da única forma possível - disse Draco e se ajoelhou ao lado de Mary.

- Muito comovente, - ironizou Voldemort - mas seus problemas familiares não me interessam, cuido de vocês dois mais tarde - e virando-se para Hermione e Rony, disse: - E agora vocês! Eu posso ser muito gentil com aqueles que colaboram e extremamente duro com aqueles que me desafiam. Então, onde está Harry Potter?

Os dois não responderam.

- Sim, vocês são leais, mas de que isso adianta a vocês, hein? - e então, disse, apontando a varinha para Rony: - Crucio!

Rony caiu ao chão gritando de dor, Hermione também gritava pedindo para Voldemort parar. Os Comensais riam ao redor deles. Voldemort abaixou a varinha um instante, Rony sentiu a dor dilacerante cessar para ouvir a voz do pior bruxo que já existiu:

- Isso dói, não é mesmo? É só você me dizer e a dor pára.

Rony olhou para Voldemort, seus olhos lacrimejavam de dor, mas não respondeu. Não iria entregar Harry de forma nenhuma, nem que pagasse com a própria vida. Voldemort levantou a varinha novamente. Rony voltou a gritar e se contorcer de tanta dor. Era como se milhares de espadas incandescentes perfurassem seu corpo. Harry, atrás das pedras, ouvia a tudo e tentava, em vão, libertar-se do feitiço de Hermione. Quando Rony não mais suportava tamanha dor e estando prestes a desmaiar, Voldemort abaixou a varinha mais uma vez.

- Garoto tolo! Você acha que Harry Potter se importa com você? Se ele se importasse estaria aqui, não é mesmo?

Rony não conseguia falar. Estava trêmulo, enfim, não suportando mais, desmaiou. Voldemort, então olhou para Hermione.

- E você, garota, sua lealdade a Harry Potter é grande o bastante?

Hermione olhou assustada para os lados, mas respondeu numa voz segura:

- Se for necessário, eu morro por Harry! - disse corajosamente.