Capitulo 16: A Chave de Cronos
Mary continuava caída no chão. Olhava Lord Voldemort cercados por seus Comensais conversando com Hermione, Draco e Rony. Tentava se levantar, os garotos estavam em perigo, precisava ajudá-los. Voldemort andava em círculos, falando alto aos garotos:
- Vocês viram, esse é o famoso Harry Potter! Sempre se escondendo atrás de alguém! Não é isso? Seus amigos se mostraram leais a você, e você? Irá deixá-los sofrer mais no seu lugar?
Harry se mexia, estava quase conseguindo se livrar do feitiço de Hermione. Enquanto isso, Voldemort apontando a varinha para a garota, disse:
- Viu o que você me 'obriga' a fazer!!!! Avada Ke...
Hermione olhou assustada para Voldemort. Sabia que não havia contra-feitiço para a pior das maldições imperdoáveis. Via Rony caído ao seu lado, mas parecia tão longe... Olhou para Draco, o rapaz estava pálido e parecia realmente assustado. Então, antes que Voldemort terminasse de proferir a maldição da morte, Harry saltou na frente de Hermione.
- Eu estou aqui, Voldemort!
O Lord das Trevas sorriu e abaixou a varinha.
- Corajoso, sim, você se mostrou muito corajoso e leal, mas também extremamente tolo.
Levantou a varinha na direção de Harry, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, algo começou a ocorrer. Como um terremoto, o chão começou a tremer. E uma fenda abriu-se no local da inscrição. Harry olhou apreensivo para os amigos, mas nenhum deles parecia ter idéia sobre o que podia estar acontecendo. Labaredas de fogo começaram a sair da fenda e circundavam os quatro garotos. Eles tinham a impressão de que se fizessem qualquer movimento, cairiam na fenda, o que não parecia nada agradável. E então, eles viram... dentro da fenda, bem no meio do fogo, eles viram um unicórnio. Ele era tão negro quanto uma noite sem luar. O animal se aproximou dos garotos e Harry sentiu, sem saber mais tarde explicar como, que ele não faria mal a eles. Era um animal magnífico, seu pêlo brilhava contra o fogo, mas seus olhos transmitiam extrema tranqüilidade. Depois de fitar cada um dos garotos atentamente, transformou-se numa imensa bola de fogo. Os quatro gritaram, não estavam preparados para isso. Ao olharem para o que restou do unicórnio negro, viram uma grande pedra, parecida com uma bola de cristal, mas ao invés de ser translúcida, era negra como a escuridão. Harry olhou para os outros três e eles como que incentivaram-no a pegar a pedra. Harry abaixou-se e tomou-a em suas mãos. Era incrivelmente fria.
- A Chave de Cronos! - murmurou.
- Isto mesmo, Harry Potter! Esta é a Chave de Cronos. E agora que ela se revelou posso matá-los. Acredite, Harry, não foi nada fácil me controlar e não matá-lo durante toda esta noite!
- Como assim? - perguntou Harry sem entender.
- Ora, vocês realmente acreditaram que eu, Lord Voldemort, não sabia que vocês estavam atrás de Mary? - Voldemort olhou para os Comensais que riam alto. - Mas era necessário alguém de alma pura para o maldito unicórnio confiar a Chave. É inacreditável a sorte que Rabicho tem, mesmo sendo tão estúpido ao deixar-se ser seguido.
Pedro chorava baixinho murmurando:
- Perdoe-me, milorde, perdoe este seu servo.
Voldemort, porém não prestava atenção.
- Eu sabia que você seria tolo o bastante para tentar salvar Mary e então preparei aquela ceninha que vocês viram - e ao reparar a expressão de espanto no rosto de Harry, disse - Como eu sabia que vocês estavam ali? Vocês acham que uma capa de invisibilidade impediria Lord Voldemort e além do mais, vocês são tão silenciosos quanto quatro trasgos. Só foi preciso falar algumas palavras, coisas que eu queria que soubessem, que seriam úteis para vocês encontrarem a Chave de Cronos, para mim!
- E para que você a quer? Não precisa voltar ao passado para me matar! Eu estou aqui!
- Ah não! Realmente não preciso voltar no tempo, mas eu quero! Vou matá-lo agora e depois vou voltar até aquela noite e matá-lo novamente. Assim, não perderei meus poderes e você não existirá. Diga adeus a sua vida e a sua existência, Harry Potter!
Os Comensais riram alto. Hermione gritou para Harry:
- Use a Chave, Harry, agora!
Harry olhou para o cristal que tinha nas mãos. Não sabia o que fazer. Pensou nos pais, queria tanto que eles estivessem ali, com ele. Hermione, Rony e Draco se aproximaram de Harry.
- Faz alguma coisa, Potter! - disse Draco visivelmente amedrontado.
- O quê?
- Sei lá! O que estava escrito no chão, Granger?
- Iunctio confirmare, animus nobilitat et fides uincit.
Ao ouvir Hermione pronunciar estas palavras, Harry soltou o cristal com um grito.
- Está fervendo!
Mas, ao invés de cair ao chão, a pedra ficou flutuando na frente dos garotos.
- Pegue-a, Rabicho - ordenou Lord Voldemort.
- Mas mestre...
- Pegue-a agora, antes que seja tarde!
Pedro Pettigrew, hesitante, avançou para a Chave de Cronos, mas ao tentar pegá-la com a mão de prata (para não se queimar) foi repelido violentamente e atirado longe. O cristal começou a girar vertiginosamente ao redor dos quatro garotos. Nenhum deles sabia o que isto significava, mas sentiam que estavam protegidos. Conforme rodeava os garotos, a Chave de Cronos inundava-os com uma luz negra. Dali a instantes eles não conseguiam vislumbrar um palmo frente ao rosto. Só escutavam um zunido alto como uma chaleira com água fervendo. Então o barulho ensurdecedor e a escuridão começaram a diminuir até sumir completamente. A Chave de Cronos foi parando e estacionou frente a Harry, flutuando. Harry, apreensivo, esticou as mãos com cuidado e tocou levemente no cristal, estava novamente frio. Olhou para os amigos.
- Está gelado!
Hermione olhando em volta, falou:
- Onde estão todos? Onde eles foram parar?
Harry olhou para os lados. Estavam sozinhos. Não havia sinal de Voldemort ou dos Comensais.
- Vai ver que eles fugiram! - disse esperançoso.
- Onde está a professora Mary? - perguntou Rony
- Eu não sei! Será que eles a levaram? - disse Hermione
- Isso é culpa sua, Potter!
- Calma aí, Malfoy - disse Rony.
- Nós precisamos voltar para o castelo, - disse Hermione e olhando para Draco - agora só Dumbledore pode ajudar a professora - sentenciou.
Harry e Rony concordaram com a amiga. Draco, ainda não totalmente convencido, seguiu o trio. Estava amanhecendo, o que facilitava, e muito, a caminhada. Andaram cerca de duas horas (desta vez, não ficaram andando em círculos) e logo chegaram ao castelo. A maioria dos alunos ainda devia estar dormindo. Os quatro se dirigiram para o escritório de Dumbledore. Ao parar frente ao gárgula, Harry disse:
- Sorvete de Pistache! - essa era a senha atual. Mas, ao invés do gárgula dar passagem a eles, não se moveu um milímetro.
- Sorvete de Pistache! - repetiu Harry mais alto, mas novamente o gárgula não se mexeu.
- Acho que Dumbledore mudou a senha, Harry. - concluiu Rony.
- Nossa, Weasley, você realmente é um gênio! Eu nunca iria suspeitar uma coisa dessas! - ironizou Draco.
- Cala a boca, Malfoy.
- E agora, o que vamos fazer? - perguntou Hermione. Rony se aproximou do gárgula.
- Cerveja amanteigada! Bala gosmenta! Creme de eléboros doce! - disse numa tentativa frustrada e desesperada de adivinhar a senha.
- O que vocês estão fazendo? - os quatro ouviram alguém perguntar e quase caíram para trás quando se viraram e viram Snape parado frente a eles.
