Capitulo 17: Mais Uma Visita Ao Passado
Eles se viraram para explicar que queriam e precisavam falar com Dumbledore, mas não estavam preparados para o que viram. Parado frente a eles, estava nada mais que Snape. Mas, não o Professor Snape e sim um Snape jovem, vestido com o uniforme da Sonserina e ostentando no peito um vistoso distintivo de monitor-chefe.
- O que vocês estão fazendo? - repetiu irritado.
- Professor Snape - murmurou Rony, atordoado. Hermione pisou no pé de Rony e olhou feio para ele.
- O quê? - perguntou Snape sem entender o que o garoto dissera.
- Hã, nós precisamos falar com o professor Dumbledore, é urgente! - disse Harry tentando consertar a "indiscrição" de Rony..
- E o que é tão urgente para vocês incomodarem o diretor à essa hora?
- Você não iria acreditar se a gente contasse. - respondeu Harry francamente.
- É melhor vocês voltarem para o Salão Principal ou vou ter que descontar pontos das suas casas.
- Você não entendeu, nós PRECISAMOS falar com Dumbledore - insistiu Harry veementemente.
- Acho que quem não entendeu foi VOCÊ, e vou falar com a monitora da sua casa, qual é o seu nome?
Harry olhou indeciso para os amigos, e agora o que faria? Não podia dizer seu nome. Por sorte, neste momento uma bruxa se aproximou, era a senhora Figg.
- O que vocês estão fazendo aqui?
- É exatamente isso que estou perguntando a eles, professora - respondeu Snape.
- E nós já dissemos a ele, professora, nós precisamos falar com o professor Dumbledore, urgente.
A professora Figg olhou detidamente para os quatro, analisando-os. Harry ficou nervoso. Não poderia explicar, não na frente de Snape, o que tinha acontecido a eles. Enfim, a senhora falou:
- Sigam-me.
- Mas, professora. Assim eles vão se atrasar e...
- Pode deixar, Sr. Snape. Depois converso com o professor deles pessoalmente.
Snape olhou para os garotos com desprezo e foi embora.
- Grãos de âmbar cinzento! - disse a professora ao gárgula que ao ouvir a senha correta, saiu da frente da passagem.
Subiram em silêncio atrás da professora. Entraram no escritório e Harry percebeu que não havia muitas diferenças entre esse e o atual escritório. Dumbledore estava sentado à sua mesa analisando alguns pergaminhos. Fawkes estava perto dele, a fênix estava radiante, sua plumagem vermelha brilhava ao reflexo do lampião que iluminava o escritório. Dumbledore apenas levantou os olhos para os garotos.
- Com licença, professor. Estes alunos queriam falar com o senhor. E pela insistência, deve ser realmente importante.
Dumbledore olhou os quatro novamente e então perguntou intrigado:
- Quem são vocês?
Harry respirou fundo e disse:
- Esta é Hermione Granger, e estes são Ronald Weasley e Draco Malfoy. Eu sou Harry Potter! - Dumbledore e a professora Figg se olharam sem entender, mas Harry continuou - nós estávamos tentando impedir que Voldemort pegasse a Chave de Cronos e aí aconteceu algo e nós viemos parar aqui. NO PASSADO!
A professora Figg caiu sentada numa cadeira ao ouvir Harry pronunciar o nome d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Dumbledore piscou várias vezes antes de perguntar:
- A Chave de Cronos? Vocês estão com... a Chave de Cronos??
Harry abriu a mochila e retirou o cristal de lá. Depois, entregou-o a Dumbledore. O diretor passou a examiná-la com cuidado.
- É, esta realmente é a Chave de Cronos! Vocês disseram que Voldemort estava atrás dela?
- Sim, ele a queria para voltar no tempo e ma...
- Não, não me conte o que acontecerá no futuro. Eu não devo saber!!
- Tá bom! Bem, Voldemort a queria e nós resolvemos encontrá-la antes, mas quando a pegamos, ele apareceu e tentou tomá-la de nós. Aí, ela começou a flutuar e a rodar em nossa volta e quando parou, estávamos aqui. Não entendo porque ela nos trouxe para cá. - concluiu Harry.
- Você estava com medo, não é, Harry?
- Aham!
- E você por acaso pensou em alguém querido, que te transmite segurança, como por exemplo, seu pai?
- É. Pensei nos meus pais.
- Ao projetar uma fonte de segurança em seus pais, a Chave de Cronos deve ter interpretado essa projeção como uma real vontade de estar com eles e assim o enviou até uma época em que eles estão. Por alguma razão, que não posso explicar, a Chave de Cronos mandou vocês para o passado, mas poderia ter sido para o futuro.
Harry olhou para Rony e Hermione. Ele sabia muito bem o porquê, mas antes que falasse qualquer coisa Dumbledore continuou:
- Tem uma coisa muito importante que vocês precisam saber: enquanto estiverem aqui, vocês jamais devem falar o que acontecerá no futuro. Vocês devem tomar muito cuidado! Qualquer coisa, qualquer palavra e vocês podem desencadear algum problema, alguma alteração no futuro, ou seja, no seu presente. E isso pode ser catastrófico! Entenderam?
- Aham.
- Não sei quanto tempo vocês ficarão aqui, mas vou começar a trabalhar nisso imediatamente. Arabella, você pode levá-los até o Salão Principal. Hum... Senhor Malfoy, não é? Acho melhor o senhor trocar esse uniforme por um da Grifinória.
Draco arregalou os olhos, horrorizado.
- Mas, eu sou da Sonserina!!!!
- Sim, eu sei. Mas, vocês precisam ficar juntos, para não se distraírem e comentar algo que não devem.
- E por que eles não vêm para a Sonserina?
- Porque eu quero assim! - disse Dumbledore encerrando a discussão. Draco revirou os olhos, irritado.
- Professor; acho que devemos regressar o mais rápido possível, antes que Voldemort mate minha... - Dumbledore fez um sinal com a mão e Harry se calou.
- Não se preocupe com isso agora. Temos outro problema além de Voldemort, temos que descobrir COMO mandá-los de volta. E vocês, cuidado com o que dizem ou fazem.
A professora Figg retornou com as novas roupas de Draco que as colocou, contrariado. Deixaram o escritório.
- O que vai acontecer quando descobrirem que nós não estamos no castelo, quer dizer, no nosso tempo? - perguntou Hermione.
- Não sei, Mione! - respondeu Harry - mas, acho que vão ficar preocupados.
- Não se preocupem. Dumbledore dará um jeito. Agora precisamos encontrar um outro nome para vocês, Sr. Potter e Sr. Malfoy. Seria muito difícil explicar aos seus pais porque vocês têm o mesmo sobrenome deles.
Harry pensou um pouco. E então, disse:
- Creevey. Posso usar o nome do Colin, os pais deles são trouxas e ninguém deve conhecê-los por aqui.
- Ótimo. E você, Sr. Malfoy?
Draco deu de ombros, não conhecia nenhum trouxa de que pudesse utilizar o nome.
- Você pode usar o nome do Justino Finch-Fletchley, ele também vem de família trouxa, não sei se é o pai dele ou a mãe!
- Pode ser - disse dando de ombros
Ao se aproximarem do saguão, viram um aglomerado de alunos se dirigindo para o Salão Principal. A professora Figg, então, chamou alguém:
- Senhorita Malía! - os quatro se entreolharam. Viram uma adolescente muito bonita se aproximar deles. - Ela é a monitora da Grifinória. Senhorita Malía, esses garotos estão nos visitando e gostaria que você os auxiliasse enquanto estiverem aqui, está bem?
- Claro; professora.
Snape se aproximou.
- Algum problema com eles, professora?
- Não, Sr. Snape; está tudo bem! A Senhorita Malía se encarregará deles.
Snape olhou para Malía e seus olhos brilharam.
- Não sei se a Senhorita Malía está...
- Foi muito bom te encontrar, Snape - cortou Mary - conversei com o professor Dumbledore sobre aqueles acontecimentos da semana passada e o professor Dumbledore decidiu não retirar os pontos da Grifinória - Snape ficou pálido - e ainda concedeu 60 pontos a Tiago por ter salvado sua vida.
O rosto pálido de Snape contraiu-se, uma expressão de ódio desenhou-se em seu rosto.
- Eu não acredito! Não pode ser verdade!
- Mas é! Se você duvida pode perguntar a Dumbledore. Bom, acho melhor levá-los para o Salão Principal senão nos atrasaremos, com licença.
Mary virou-se e dirigiu-se ao Salão. Os quatro acompanharam-na deixando atrás de si, Snape boquiaberto e furioso.
- Não liguem para o Snape - disse Mary - ele é um chato! Vive se intrometendo no que não é da conta dele. Bom, chegamos! Este é o Salão Principal! Cada uma dessas mesas corresponde a uma casa em Hogwarts. Como vocês podem ver, temos quatro casas - e passou a apontar cada mesa - aquela na ponta é a Sonserina, aqui no meio estão a Corvinal e a Lufa-Lufa e aquela ali, na outra ponta é a Grifinória. É ali que nós ficaremos. Vamos?
Dirigiram-se para a mesa. Mary indicou um local onde havia um espaço. Harry reparou, então, numa garota que estava sentada ali. Era quase da idade dele, talvez um pouco mais nova, era linda e sorria para um garoto (que estava de costas para Harry) com quem conversava animadamente. Mary parou em frente a eles.
- Oi; cheguei! - e virando-se para o "grupo do futuro" apresentou seus amigos - estes são os meus melhores amigos: Lílian Evans e Tiago Potter. Cadê o Sirius, o Remo e o Pedro?
- Vêm vindo aí!
- Caramba! Não sei o que aconteceu, mas o Snape está espumando de raiva. Háháhá! - disse Sirius se sentando à mesa.
- Ah, é que eu dei uma ótima notícia para ele! Eu contei que Dumbledore retirou a detenção que ele tinha dado E que tinha concedido 60 pontos para o Tiago. Eu pensei que ele fosse explodir, hehehe.
- Bem feito! - e olhando para Remo, completou: - Quer dizer, ele não tinha nada que se intrometer, né? - Só então, Sirius percebeu o "grupo". - Quem são vocês?
- Ah, eles são... de onde vocês são? - perguntou Mary.
- Durmstrang! - disse Harry sem pensar. - Eu sou Colin Creevey, e estes são Ronald Weasley, Hermione Granger e Justino Finch-Fletchley.
- O que vocês estão fazendo aqui, em Hogwarts? Vão estudar aqui?
- Aham. - disse Harry sem querer prolongar o assunto - pode me passar o suco de abóbora, por favor?
- É verdade que lá, na Durmstrang, vocês aprendem as Artes das Trevas? - perguntou Pedro.
- Porque a curiosidade, Pedro? - perguntou Lílian.
- Nada. Só queria saber. - respondeu nervoso.
Passaram o resto do desjejum conversando sobre amenidades e Quadribol. Harry não conseguia tirar os olhos dos pais. Mas logo, precisaram se despedir, pois teriam aulas.
- Olha, vocês podem acompanhar esses quatro bagunceiros, aqui. Depois a gente se vê! Tchau! - disse Mary.
- Tchau! Até mais! - disse Lílian.
- Você reparou o garoto moreno, como é mesmo o nome dele? - perguntou Mary, assim que saíram do Salão.
- Colin
- Isso, Colin. Você reparou como ele parece o Tiago - disse Mary.
- Você viu? Se eu não soubesse que Tiago é filho único diria que eram irmãos. Ele é bem bonitinho, né?
- É, sim. Mas, eu achei o loirinho mais.
- Ah, você e os loirinhos, hein? Bom, pelo menos esse é da Grifinória. - brincou Lílian.
Mary olhou feio para a amiga, mas acabou sorrindo. Porém o sorriso morreu em seus lábios quando ao entrarem para a aula de DCAT deram de cara com uma moça muito loira que se não fosse pela expressão de pouco caso que tinha no rosto, seria muito bonita.
- Evans e Malía, a dupla dinâmica - disse Narcisa. Várias garotas da Sonserina riram.
- Anguinus , a cobra albina - respondeu Mary. Narcisa puxou a varinha e disse:
- Ventriosus !
Ao mesmo tempo, Mary com a varinha também em mãos, gritou:
- Nasutus !
O ventre de Mary cresceu tanto que a jovem parecia uma mulher prestas à dar a luz. Enquanto isso, o nariz de Narcisa crescia dando-lhe um aspecto engraçado. A partir desse dia, Narcisa passou a ser conhecida como "Pinóquio Loiro", para sua irritação. A professora Figg que acabara de entrar na sala, olhou severamente para as duas adolescentes e disse:
- Anguinus e Malía! Acho que não preciso falar o quanto estou decepcionada com vocês. Principalmente, você, Senhorita Malía. Você é uma monitora e deve dar exemplo e não sair lançando feitiços nas colegas. 30 pontos serão descontados, das duas. E preparem-se para uma detenção de uma semana. Agora, vão! Vão para a ala hospitalar.
Enquanto isso, o nosso outro grupo se dirigia para a aula de Poções, a aula era até interessante, mas eles não estavam nada animados em aturar os alunos da Sonserina. Harry, Rony, Mione e Draco sentaram-se no fundo da sala, atrás dos marotos.
- O Prof. Sulivan é bem legal, mas a companhia... - disse Sirius aos quatro.
Ao terminar de falar, Sirius apontou para a porta, estavam entrando Lúcio Malfoy, Severo Snape, os jovens Crabbe e Goyle pais e Lestrange. Eles passaram pelo grupo e Snape olhou para Sirius com uma expressão de ódio.
- Viu só, Snape? Tiago recebeu 60 pontos por... - começou Sirius.
- A única explicação para isso, é que Dumbledore enlouqueceu de vez! Onde já se viu, aceitar esse tipo - e olhou para Remo como se estivesse frente a um verme - em Hogwarts. Isto é inadmissível!
O professor Sulivan entrou na sala e o início de uma briga cessou. Snape não queria brigar na frente de um professor, isso poderia lhe dar uma detenção o que seria prejudicial a sua reputação de monitor-chefe. Sentou-se ao lado de Malfoy e os dois começaram a cochichar algo e a olharem para os marotos. Durante a aula, quando o professor se virou para anotar os ingredientes de uma poção na lousa, Snape pegou a varinha e sussurrou:
- Fluctuare . - um dos frascos que estava em cima da mesa flutuou em direção a mesa dos marotos. Parou sob a cabeça de Sirius, e antes que Harry pudesse avisá-lo, Snape disse: - Invergere aliquid . - o conteúdo caiu sobre os cabelos de Sirius, ensopando-o e a Tiago que estava sentado ao seu lado.
- O que está acontecendo? - perguntou o professor
- Foram eles - disse Sirius furioso apontando para Snape e seus amigos - eles jogaram isto em mim.
- Prove! - disse Snape.
- Quem mais faria isso?
- Não tenho idéia. Quem sabe não foi você mesmo?
- E porque eu despejaria este troço em cima de mim?
- E você acha que eu sei o que se passa na cabeça de um grifinório?
- Chega! - disse o professor tentando colocar ordem na classe - Sr. Black e Sr. Potter; acho melhor vocês darem uma passada na ala hospitalar, isso é leite de urtiga verde, logo, logo vocês vão começar a sentir o efeito dele e não vão conseguir parar de se coçar.
- Isso vai ter volta, Snape - disse Sirius furioso.
- Sr. Black, por favor?
O pior foi ter que agüentar as risadinhas dos sonserinos quando eles passavam por eles.
