Capítulo 18: Uma Interferência e Várias Conseqüências

Na manhã seguinte, Rony acordou e ficou algum tempo deitado olhando para o teto. Não conseguia acreditar no sonho maluco que tivera. Então, levantou-se e afastou as cortinas da cama de Harry. Sacudiu o amigo, que estava num sono profundo, algumas vezes.

- Harry, acorda. Já está na hora!

Harry abriu os olhos, mas estes estavam pesados. Dormira bem, mas sentia um cansaço, como se tivesse feito muito exercício físico no dia anterior. Rony falava ao seu lado, mas ele estava tão sonolento que não conseguia entender muito bem o que o amigo dizia. Parecia que estava contando-lhe uma espécie de sonho. Tentou se concentrar.

- ... Então, quando a tal Chave de Cronos parou de rodar, nós estávamos no passado, no passado, ouviu!! Aí, Dumbledore, porque ele já é o diretor, quer dizer, já era, ah sei lá, ele mandou que o Malfoy ficasse com a gente na Grifinória!! Você acred...

Um travesseiro acertou a cabeça de Rony, derrubando-o ao chão. O garoto levantou-se furioso, olhando para onde o travesseiro tinha vindo e viu um emaranhado loiro que para seu total espanto era nada mais nada menos que Draco Malfoy.

- Será que dá para você calar essa boca, Weasley? - disse Draco esfregando os olhos. - eu tô tentando dormir.

Rony olhava Draco e balbuciava alguma coisa incompreensível. Draco revirou os olhos e se levantou.

- É, parece que ninguém mais vai conseguir dormir, por aqui! - disse dirigindo-se ao banheiro.

- Harry - sussurrou Rony - isso não pode estar acontecendo, pode?

- Parece que pode.

Algum tempo depois, Draco saiu do banheiro, enxugando os cabelos molhados e enrolado numa toalha. Olhou os dois de maneira irritada e disse:

- Será que eu posso me trocar?

Harry e Rony deixaram Draco no quarto e foram para o banheiro, que estava uma bagunça.

- Ah, eu não acredito! Olha só, Harry. Ele usou todas as toalhas limpas.

Draco, depois de trocado, desceu para o Salão Comunal. Ficou ali, sentado numa das poltronas perto da lareira jogando feijõezinhos de todos os sabores dentro dela e vendo-os se consumir no fogo. Estava entediado. Então, alguém se sentou ao seu lado.

- Nossa, você deve odiar esses feijõezinhos, hein? - comentou Mary.

- É, nunca dou sorte com eles. - respondeu divertido - Sempre pego um com gosto de chulé, ou de trasgo suado.

- Eca! - fez Mary com cara de nojo. - e seus amigos? Ainda não acordaram?

- Eles não são meus amigos!! - disse e olhando para Mary completou: - eles não gostam de mim! E eu não gosto deles.

- Mas vocês estão juntos, agora!

- É! Estamos juntos. - Draco respirou fundo e disse - Você já sentiu que não faz parte de alguma coisa, pior, que não faz parte de nada? - Mary balançou a cabeça afirmativamente. - É assim que eu me sinto!

- Eu sei o que é isso, sabe? O único lugar em que me sinto a vontade é aqui, em Hogwarts. Lá fora, eu não tenho nada, nem ninguém.

- E se você pudesse mudar isso? Sei lá, se você por alguma razão pudesse mudar isso, você mudaria? - perguntou Draco.

- Sim, se existisse um modo de mudar meu passado, eu mudaria sem sombra de dúvidas!!! - respondeu Mary.

Lílian apareceu, a seguir, chamando Mary para descerem para o Salão Principal. Harry, Rony e Hermione estavam com ela. Ao se sentarem à mesa, Draco começou a observar o pai, na mesa da Sonserina. Sua cabeça estava fervilhando e nem notou quando o chamaram, só quando Harry deu uma cotovelada nas suas costelas que Draco "voltou":

- Justino!

- AI! - reclamou - Hã, o quê?

- Você pode me passar o suco de abóbora. Nossa, onde você estava? Em Marte? - perguntou Sirius dando risada.

Draco pediu licença e disse que os esperaria no saguão. Levantou-se e saiu. Harry acompanhou o rapaz com o olhar. Não estava gostando nada desta reação do Malfoy. E sem imaginar o que passava pela cabeça do rival, voltou sua atenção para os pais.

Draco foi para o saguão, precisava pensar. Queria colocar seu plano em ação o mais rápido possível, e isso significava que precisava se afastar um pouco do trio. Não demorou muito e viu Lúcio Malfoy acompanhado pelos amigos Crabbe e Goyle pais deixarem o salão. Era a oportunidade perfeita. Aproximou-se e esbarrou em Crabbe pai, que derrubou uma boa quantidade de creme de eléboros no chão. O rapaz olhou furiosamente para Draco.

- Você derrubou meu...

- Seu idiota - cortou Draco olhando para sua própria roupa como se certificando que ela não estava suja - sorte sua não ter me sujado!

- Há, olha só que petulância! Um grifinório se dirigindo desta maneira a um sonserino.

Draco olhou para o pai. Lúcio tinha desprezo no olhar, mas Draco não abaixou a cabeça, muito menos desviou os olhos. Encarou o pai e sustentou seu olhar. Era uma guerra de Titãs. Lúcio se surpreendeu com a firmeza do rapaz. Sentia algo familiar nele, uma certa pose aristocrática que só a família Malfoy carregava. Olhou o rapaz a sua frente com maior atenção.

- Você não é um daqueles alunos estrangeiros? De Durmstrang? - perguntou Lúcio.

- Sim! - respondeu Draco, sem desviar o olhar.

- Engraçado você ter ido para a Grifinória. Você não se parece com os alunos de lá. Se parece muito mais com um dos nossos.

- Foi o diretor quem me colocou lá, mas você está certo... Eu não pertenço à Grifinória.

- Esse diretor é mesmo a pior coisa que já aconteceu à Hogwarts!! - e estendendo a mão para Draco, disse: - Você já deve ter ouvido falar da minha família! Sou Lúcio Malfoy e posso te apresentar às pessoas certas por aqui.

Draco olhou para a mão estendida do pai, e sorriu com o canto dos lábios. Então, apertou a mão de Lúcio. O primeiro passo fora dado.

Quando o trio saiu do Salão Principal para as aulas do dia estranharam o sumiço de Draco.

- Onde será que ele se meteu? - perguntou Rony

Como não o encontraram, resolveram ir para a sala. Draco já estava lá, conversando com os sonserinos. Quando viu o trio se aproximando, achou melhor se sentar junto a eles, para não levantar suspeitas.

- O que você estava fazendo com eles? - perguntou Rony

- Não é da sua conta, Weasley.

Assim, Draco começou vez por outra escapulir do nosso trio e juntar-se ao grupo da Sonserina liderado por seu pai. Era engraçado para Draco conversar com o pai jovem. Começou notar como eram parecidos. Mas, Draco tinha um propósito e logo começou a ter certa influência sobre o pai. Lúcio passou a compartilhar certas confidências ao rapaz. Era exatamente tudo o que Draco queria.

- Não, Justino! É muito complicado arrumar uma esposa digna, por aqui. Veja ao redor... Dumbledore infestou Hogwarts com sangue-ruins. As moças de família totalmente bruxa como a nossa estão em vias de extinção, quer dizer, isso logo, logo vai mudar... - e olhando ao redor como para se certificar que estavam sozinhos, completou: - você já deve ter ouvido falar sobre um bruxo extremamente poderoso que quer colocar um basta nestes amantes de trouxas e...

- Sim, já ouvi - cortou Draco -, mas mesmo uma sangue ruim se bem trabalhada, quer dizer, se receber um certo, hum... digamos... treinamento, pode se tornar uma boa esposa. E até...

- O quê? E sujar o nome de uma família tradicional...

- Às vezes, com o "incentivo" correto pode-se transformar uma sangue ruim em...

- Não na minha família! Isso seria inadmissível!

- Veja, por exemplo, a monitora da Grifinória... como é mesmo o nome dela? - disse Draco displicentemente, mas muito atento às reações do pai.

- Mary. Mary Malía. O que tem ela? - perguntou Lúcio com um certo interesse.

- Ora, ela é muito bonita... e inteligente também. Repare só, ela tem até uma certa postura... ninguém diria assim, à primeira vista que se trata de uma sangue-ruim. E ela é esperta também, sabe o que é melhor para ela. Já pude constatar isso no pouco tempo em que estou aqui. Mas você já deve ter reparado. - Draco olhava para o pai. Sentia que estava no caminho certo.

- Sim, você tem razão, ela é muito bonita... mas se for por isso a Narcisa Anguinus também é e... é sangue puro!

- E também extremamente divertida! - disse Draco com ironia. Todos sabiam que o que mais despontava em Narcisa com certeza não era seu bom-humor. Lúcio riu.

Draco olhou em volta, "que engraçado estou em casa, como foi que voltei?" - pensou. Então ouviu uma gritaria num dos salões do andar de baixo. Ouvia a voz de seu pai, extremamente alterada. Ele simplesmente esbravejava, furioso, contra alguém. Draco, poucas vezes, vira o pai tão nervoso, a última que se lembrava foi quando soube que Harry Potter havia destruído o diário de Voldemort e isso já fazia alguns anos. Desceu as escadas devagar para o pai não ouvi-lo ali. "O que será que aconteceu?" - pensou - "Ele deve estar furioso comigo por causa da Chave de Cronos". Pensando assim e bastante amedrontado, Draco foi, lentamente, se aproximando do salão. De repente, estancou. Havia mais alguém ali, parado, frente à porta, ouvindo toda a discussão. Era uma criança. E então, Draco realmente ficou assustado, quando percebeu que a criança era ele.

Ele, criança, parado frente à porta, trêmulo, ouvia seu pai gritar e apenas chorava. Agora, ele sabia com quem Lúcio Malfoy estava gritando, era com a sua mãe. A sua doce mãe estava jogada ao chão também chorando, como sempre, e como sempre pedindo que o marido parasse de gritar para não assustar o pequeno filho. Ele, devagarzinho, abria a porta e via o pai se aproximar da mãe e levantar o braço.

- Não! - ele gritava e corria para os braços da mãe. - não machuca ela.

- Sai daqui, garoto.

Draco começou a revirar-se na cama. Sua mãe com os cabelos negros caídos sobre o rosto. "Não machuca ela". - Draco repetia em voz alta. Seu corpo todo tremia. Lembranças de algo que ele sabia que não havia vivido, "ou será que tinha?", agora voltavam à sua mente. A infância infeliz, sempre vendo o pai maltratando a mãe. A mãe sofrendo calada, e, a sua impotência diante de tudo aquilo. Mas era tudo sua culpa! Sim, ele sabia. Tudo era sua culpa, se ela sofria era por ele, por causa dele! Ele havia feito isso acontecer!

- Já mandei você sair daqui, moleque! - com um safanão, Lúcio atira o filho longe. E levantando a mão dá um tapa no rosto de Mary.

- NÃO!!!! - grita Draco acordando. Harry e Rony levantam-se e vão ver o que está acontecendo.

- O que foi, Malfoy? - perguntou Harry.

- N... nada - gaguejou Draco - nada. Foi só um sonho.

- Malfoy? - disse Rony

- O quê?

- Seu nariz. Está sangrando... - completou Rony.

Draco passou a mão pelo rosto. Sua cabeça rodopiava, estava cansado, assustado e tudo o que ele não queria agora era conversar, principalmente com os dois. Levantou-se sem dizer mais nada e foi para o banheiro. Abriu a torneira da pia e colocou a cabeça embaixo dela, deixando a água fria escorrer pelo seu rosto. Ficou assim bastante tempo. Harry, preocupado, entrou no banheiro para ver se Draco estava bem.

- Olha, Malfoy. Se você quiser conversar...

- Com certeza não vou te procurar. - disse bruscamente. E virando-se saiu do banheiro e do quarto. Desceu para o salão Comunal, precisava respirar um pouco de ar puro e, com certeza, precisava pensar.

Ao passar apressado pelo salão Comunal, nem viu Hermione cochilando no sofá. A garota desde que "chegara ao passado" voltara a ler o catálogo sobre os objetos das trevas, procurava alguma dica que os ajudasse a retornar ao seu tempo, mas como a leitura era cansativa e ela estava esgotada, acabou dormindo ali mesmo. Draco passou por ela feito um furacão. A garota acordou assustada e quando viu, Draco já estava saindo pelo buraco do quadro da Mulher Gorda, "aonde ele vai a essa hora?" - pensou. Imediatamente, se levantou e partiu no encalço dele. Conseguiu alcançá-lo próximo da escadaria.

- Malfoy, o que você está fazendo?

- Não te interessa, Granger.

- Por acaso, você está indo atrás do seu pai?

Draco olhou para Hermione, perscrutando.

- É, eu sei que você anda conversando com seu pai.

- E o que tem de mais, hein? - disse Draco com a voz trêmula. - por que não posso... Droga, eu só queria que ele ficasse com ela.

- Do que você tá falando, Malfoy?

Draco suspirou. Estava cansado e precisava falar com alguém senão explodiria.

- Eu mudei o meu futuro...

- Você fez o quê? - disse Hermione quase gritando - Ah, Malfoy, o professor Dumbledore disse que nós não poderíamos interferir...

- Eu sei, eu sei... Eu tive um sonho horrível. Quer dizer, não foi um sonho. Eu vi meu novo futuro. É estranho, eu lembro de quando eu pensava que a Narcisa era a minha mãe, mas também me lembro da minha mãe sendo a Mary.

- Isso é muito esquisito!

- Mas isso não é o pior. Ela não é feliz assim, sabe. Ele destruiu a minha mãe.

Ouviram alguém se aproximando.

- Shhh! Deve ser o zelador! E agora, se ele pega a gente aqui, estamos ferrados!

- Vem comigo, Malfoy. - disse Hermione puxando Draco pela camisa do pijama. Eles correram pelos corredores vazios do castelo até chegarem perto de um banheiro.

- Eu não vou entrar no banheiro feminino.

- Malfoy, anda logo. - e empurrou o garoto para dentro do banheiro.

Os dois fecharam a porta atrás de si e aguardaram. Ouviram os passos do zelador passando pelo andar. Quando o zelador se aproximou do banheiro os dois se olharam, mais um pouco e eles estariam perdidos. Hermione reparou, então, que os cabelos de Draco estavam molhados e pensou divertida que era a primeira vez que o via, assim, despenteado. Na verdade, ele estava extremamente bonito. Os cabelos loiros caíam sobre seu rosto dando-lhe um ar rebelde. Ele era mais alto do que ela, mas não tão alto quanto Rony. Tinha uma postura elegante, mesmo vestindo um simples pijama e seus ombros eram largos e protetores. Viu, então, seus olhos. Era a primeira vez que reparava nos olhos dele. Não eram apenas acinzentados como sempre pensara. Tinha uma tonalidade que variava entre um azul claro e o cinza, e agora estes olhos a fitavam.

- O que foi?

- Hã?

- Porque você está me olhando assim? - disse.

- Assim, como? - perguntou Hermione corando violentamente. Draco não respondeu apenas deu um leve sorriso com o canto do lábio.

- Porque ninguém entra aqui? - disse mudando de assunto e olhando ao redor.

- Ninguém gosta daqui. É o banheiro da Murta. - disse Hermione baixinho.

- O banheiro do quê?

- Da Murta. - disse quase sussurrando.

- Murta? O que é isso? - Sem Draco perceber a figura estranha de uma moça, usando enormes óculos grossos e marias-chiquinhas, apareceu atrás dele e gritou-lhe quase no ouvido numa voz chorosa.

- EU SOU A MURTA!. - Draco virou-se num salto e quase caiu sentado ao ver o fantasma da moça atrás dele. - Mas, é claro que ninguém sabe quem eu sou, não é mesmo? Ninguém liga para a feiosa da Murta. - continuava gritando o fantasma. E soltando sua última lamúria, enfiou-se no vaso sanitário, espalhando água para todos os lados.

- Eca! - fez Draco com cara de nojo - porque ela entrou ali?

- Ela vive ali, quer dizer, ela morreu aqui, neste banheiro, e agora passa o tempo aqui, ah, sei lá. Mas é melhor a gente ir embora, ela deve ter acordado o castelo inteiro com essa gritaria.

Saíram do banheiro e correram para a Torre da Grifinória, riam bastante, era a primeira vez que se arriscavam tanto, juntos e... sozinhos. Por sorte não encontraram com o zelador, novamente. Mas assim que puseram os pés no Salão Comunal, viram Harry e Rony parados e emburrados.

- Aonde você foi? Mione, você estava com ele? - perguntou Harry olhando de um para o outro. Os dois se entreolharam.

- Eu precisava esfriar a cabeça, então saí. Hermione veio atrás de mim.

- Hermione? - perguntou Rony.

- O que foi, Rony?

- Estou falando com o Malfoy, desde quando vocês se tratam pelo primeiro nome?

- Eu...- disse Draco - tanto faz como eu chamei a Granger. - corrigiu Draco visivelmente sem graça.

- Peraí, Rony. Você - Harry disse apontando para Draco - não deve sair daq...

- Não preciso dos seus conselhos, Potter! Sei me cuidar sozinho! - Hermione olhava séria para Draco. - o que foi?

- Você deve contar a eles.

- O quê? - perguntou Harry já sentindo um certo arrepio na espinha.

- Eu... - respirou fundo, cansado - eu tentei mudar o meu futuro, aproximando meu pai e minha mãe, mas eu tive um sonho onde mostrava como vai ser esse meu futuro e posso garantir que não é nada bom.

- Eu não acredito que você foi tão burro, quer dizer, acredito, acredito, em se tratando de você, Malfoy, eu acredito em tudo. - dizia Rony extremamente mal-humorado..

- Ah, é claro! Me desculpa por não ser o perfeito Potter! - disse Draco irritado.

- Não se trata disso, Malfoy. Você sabe o que você fez? O professor Dumbledore disse que poderia ser catastrófico se a gente falasse ou interferisse em algo aqui no passado. Você não devia ter feito isso!

- Ah, tá. É muito fácil falar. Mas, é claro que vocês não entendem, eu só queria que eles ficassem juntos, não tinha nada demais.

- Fácil falar!? Fácil falar?!!! Você sabe o que é saber que um dos melhores amigos dos seus pais vai trai-los e não poder contar isso a eles, você acha isso fácil, Malfoy? - Harry gritava descontrolado - Você acha que eu não queria contar pro meu pai e pra minha mãe que eles não devem confiar no Pettigrew, que ele vai entregar os meus pais para o Voldemort? Hein, Malfoy?

- Como foi que você o chamou, Colin? E porque você disse que o Pedro vai entregar seus pais a Voldemort?

Harry virou-se devagar. Mary estava parada na escada do dormitório das garotas olhando perplexa para eles.

- É... hum... não é nada disso que você está pensando... - começou Harry sem saber o que dizer. Olhou para Rony e Hermione buscando ajuda.

- Não, Colin. Eu ouvi muito bem! Você chamou o Justino de Malfoy.

- Desculpa, Mary. Eu realmente sinto muito fazer isso, mas é necessário... - disse Hermione apontando a varinha para Mary e dizendo: - Estupefaça!

Mary caiu desacordada ao chão antes de entender o que estava ocorrendo. Harry, Rony e Draco correram para ajudá-la.

- Porque você fez isso? - perguntou Draco.

- Porque agora precisamos da ajuda de Dumbledore! Só ele pode tirar a gente desta enrascada.

- Mas ainda é muito cedo! Ele deve estar dormindo!

- Eu sei. Vamos levá-la para o quarto de vocês. Se alguém aparecer por aqui, vai ser complicado explicar o que aconteceu com ela.

Harry pegou Mary no colo e levou-a ao quarto. Deitaram-na na cama de Harry e aguardaram o dia amanhecer. Harry e Rony logo cochilaram, sentados no chão. Draco estava parado frente à janela observando o lago lá embaixo e Hermione observava o rapaz.

- Sabe, Malfoy. Você ainda não explicou direito como descobriu que a professora Mary é a sua mãe. - disse Hermione curiosa. Draco olhou para a garota.

- Foi na noite de Natal. Eu saí de casa, escondido, e quando eu voltei, ouvi a Narcisa e uma amiga dela conversando. Não foi de propósito - completou rapidamente vendo a expressão de desaprovação de Hermione. - Elas estavam falando de mim. A mulher perguntou se eu era realmente um Malfoy. Fiquei curioso, era uma pergunta estranha, acho que qualquer um ficaria, né? - Hermione concordou com a cabeça - a Narcisa respondeu que sim e depois disse que teve que me aceitar, porque senão meu pai a largaria já que ela não podia lhe dar filhos.

- Nossa!

- É. Bom, aí eu somei dois mais dois. A lembrança de Mary no aniversário do Potter, o ataque que ela sofreu, o filho morto quase na mesma época em que eu nasci. Bom, tava óbvio demais. Quando meu pai descobriu que a Narcisa não podia ter filhos resolveu me tirar da minha mãe. Ele não aceitou que a única possibilidade dele ter um herdeiro fosse com uma sangue-ru... - Draco parou de falar e olhou para Hermione. - uma bruxa que não vinha de família tradicional como a dele. - consertou.

- E a professora sabe disso tudo?

- Aham. Eu contei tudo para ela. O diretor e o professor Snape também sabem.

- Mas porque você interferiu no passado?

- Eu queria que eles ficassem juntos. Eu achei que assim... Tá! Foi extremamente egoísta da minha parte, não precisa me olhar assim. Minha consciência já está bem pesada. - e sentou-se no chão, ao seu lado.

Era engraçado, Draco e Hermione conversando como velhos amigos. Draco encostou a cabeça na cama e ficou olhando atentamente para o teto. Hermione ficou observando seu rosto. O cabelo ainda estava desalinhado e molhado em alguns pontos. Hermione percebeu que ele tinha alguns fios perto dos olhos e instintivamente levantou a mão e tirou-os dali. Draco olhou para ela, que ao perceber o que tinha feito corou.

- Eu... tinha cabelo no seu olho.

Sem saber explicar mais tarde como aconteceu, Draco colocou a mão em volta da cabeça de Hermione, segurando-a pela nuca. Ficaram cara a cara. Olhos nos olhos. Então, suavemente, ele a puxou devagarzinho. Draco olhou-a nos olhos. Antes de perceber o que estava acontecendo, suas bocas roçaram de leve num beijo infantil.

- MIONE! - gritou Rony horrorizado com a cena. Harry acordou assustado.

- O que foi? O que foi? - perguntou sonolento.

Hermione estava extremamente encabulada. Draco olhava, divertido, à cena de ciúmes de Rony.

- Eles... Ela... tava... beijando o... o... o Malfoy!!! - dizia Rony fazendo caretas. Harry olhou boquiaberto de um para o outro. Hermione levantou-se e disse:

- Eu vou chamar o professor Dumbledore! - e saiu quase correndo do quarto dos garotos. Rony virou-se para Draco.

- Você é mesmo um safado, hein, Malfoy!

- Não sei porque tanto escândalo, só por que a gente quase se beijou! Ou... será que você tá a fim da Hermione, Weasley? - disse Draco sarcástico. - É isso, não é? Você tá a fim da Hermione, mas não tem coragem de chegar nela.

Rony perdeu, com isso, a paciência e partiu para cima de Draco, dando-lhe um soco no rosto. Draco caiu ao chão, mas levantou-se rapidamente e voou em cima de Rony. Harry tentava a todo custo separar os dois. Dumbledore chegou no quarto e viu o caos instaurado.

- Meninos! Meninos! Parem com isso, agora!

Rony ficou encarando Draco com raiva e a recíproca era verdadeira. Dumbledore se aproximou dos dois e disse:

- Acho que vocês estão muito encrencados para ficar procurando mais confusão!

- Desculpe, professor! - disse Rony. Draco olhou para Dumbledore, mas não disse nada.

- Agora, vejamos o que temos aqui. A senhorita Granger me informou que o senhor - disse olhando para Malfoy - não seguiu minhas recomendações. - Draco olhou o diretor e depois abaixou a cabeça - bem, você terá que consertar isso!

Draco concordou com a cabeça.

- Eu já sei o que fazer, diretor.

- Bom, bom. Agora vejamos o que aconteceu a senhorita Malía.

- Ela me escutou falando com o Malfoy sobre... sobre algumas coisas que irão acontecer. E ela me ouviu chamando ele de Malfoy. Aí, a Mione a estuporou.

- Tudo bem, isso é mais simples! - e virando-se para Mary, disse - Enervate!

Mary acordou, ficou sem saber onde estava a princípio, olhou ao redor e assustou-se ao ver Hermione. Sentou-se na cama, encarando-a apreensiva.

- Professor, ela - disse apontando para Hermione - ela me estuporou! E ele - disse apontando para Harry - ele...

- Calma, calma. Eles já me contaram o que aconteceu. Calma! - dizia Dumbledore.

Mary olhava sem entender para Dumbledore, esperando uma explicação.

- Preste atenção, Mary. - A moça olhou Dumbledore nos olhos. Dumbledore sem que ela percebesse levantou, novamente, sua varinha e disse: - Obliviate!

Mary olhava agora sem demonstrar nenhuma emoção ou reação. Era como se sua mente fosse esvaziada de toda e qualquer lembrança. Os garotos olhavam sem compreender, então Harry, sem se conter mais, perguntou:

- O que o senhor fez com ela, professor?

- Eu apaguei a memória dela, quer dizer, vou apagar apenas o que ela ouviu e viu hoje à noite. - e virando-se para Mary - você irá para seu quarto agora e irá voltar a dormir. Você teve um sonho engraçado, mas ao acordar não se lembrará direito do que sonhou. Apenas que eram coisas absurdas. Não se lembrará de nada que do que aconteceu após o horário em que foi dormir. Agora vá!

Mary levantou-se, caminhou até a porta e saiu, sem dizer nada.

- Só isso? - perguntou Draco.

- Não, senhor Malfoy. O feitiço da memória não é tão simples assim, se não se tiver a medida certa pode se destruir a memória do bruxo. Só é utilizado em casos extremos.

Dumbledore se retirou do quarto. Rony encarava Hermione e Draco. O rapaz revirou os olhos. Olhou divertido para Rony quando passou por este ao sair do quarto. O trio ficou um bom tempo sem falar nada, era um silêncio constrangedor. Enfim, Rony explodiu:

- Onde você estava com a cabeça, Mione? - dizia andando de um lado para outro, como uma fera enjaulada.

- Não quero falar disso!

- Como não? Eu acordo e vejo você e o Malfoy se... se... - não conseguiu terminar a frase.

- Francamente, Rony. Nós temos outras coisas com que nos preocuparmos agora, ok? - disse muito corada e nervosa.

- Mione está certa, Rony! Nós temos que achar um meio de consertar o que o Malfoy fez. - disse Harry tentando colocar panos quentes antes que o amigo terminasse falando alguma grosseria para a amiga.

- E porque nós temos que nos preocuparmos com ele, foi ele quem fez a burrada, ele que conserte, sozinho! - disparou.

- Só que ele envolveu outras pessoas nessa! Temos que saber primeiro como foi que ele fez para mudar o futuro, o que foi que ele falou, essas coisas

- Bom, então, eu acho que a Mione pode fazer isso, já que ela agora é a nova amiguinha dele. - disse sarcástico

Hermione olhou ofendida para Rony e saiu do quarto. Rony olhou desesperado para Harry, o amigo apenas deu de ombros, não sabia o que fazer.

- MIONE! - Rony gritou.

- Vai conversar com ela, Rony, mas vai com calma, e vê se não você estraga tudo, hein? - disse Harry.

- Tudo o quê? - disse Rony já ficando completamente vermelho. Harry não disse nada, apenas olhou o amigo com uma expressão de "você sabe muito bem sobre o que estou falando!!"

Rony saiu do quarto e encontrou Hermione sentada numa poltrona no salão Comunal. Quando ela o viu ali, virou o rosto, não queria que ele a visse chorando. Rony se aproximou dela e disse:

- Já amanheceu, né? - "Que coisa mais idiota para se falar, Rony", ele pensou. Hermione deu de ombros. - Hum... você acha que o Malf...

- Eu não quero falar disso, ok? - cortou Hermione.

- Disso o quê? - começou Rony. - Ahhhh... - fez depois. - Eu não estava falando disso.

- Ah! Eu não sei onde eu estava com a cabeça, afinal, é o Malfoy, né?

- É... é isso que eu tava tentando te dizer... - e respirando fundo, Rony se aproximou de Hermione. - desculpa, eu fiquei com...

Hermione olhou para Rony. O rapaz estava vermelho e olhava para o chão.

- Eu fiquei com...

Antes de completar, levantou os olhos e viu Hermione chorando.

- Porque você está chorando, Mione? É por minha causa?

- É, é por sua causa sim, seu... seu... - e o abraçou forte, não conseguindo mais controlar as lágrimas.

- O que foi que eu fiz, Mione?

Hermione olhou séria para ele e sorriu.

- É mais fácil você me perguntar o que você não fez!!! - ela disse extremamente corada.

- AHH! - Rony então pegou no queixo de Hermione e aproximou seus lábios do dela. Hermione fechou os olhos e correspondeu ao beijo. Mas foram interrompidos por uma gritaria nas escadas.

- Olha aqui Mal... - disse Harry gritando e depois olhando ao redor e abaixando o tom de voz continuou - Olha aqui, Malfoy, será que dá para você parar com isso e começar a pensar num jeito de arrumar a burrada que VOCÊ fez???

- Eu já disse que já sei o que vou fazer!

- E será que dá para você falar o que é?

- Não!

- Como assim, não?

- Como você mesmo disse, Potter, EU fiz a burrada, então, EU conserto. - disse saindo do Salão Comunal e deixando os três se entreolhando.