Capítulo 19: Os Quatro Grandes

O Salão Comunal começou a se encher de alunos se preparando para as aulas do dia. Harry olhou para os amigos e disse:

- Vocês vão para o Salão Principal agora?

- Hã... vai descendo Harry, eu queria conversar com a Mione...

- Ah, tá. Entendi. - disse sorrindo de leve ao ver os dois corarem pra valer.

Rony olhou sem graça para Hermione. A garota contemplava seus sapatos com tanta atenção que Rony também olhou para eles.

- Hã... caham... Será que Dumbledore vai demorar muito para nos fazer voltar? - perguntou. Hermione olhou para ele.

- Não sei.

Mais alguns segundos de silêncio constrangedor.

- Ah, Mione... Você sabe que eu não sou bom com as palavras!!!! - Rony disse exasperado. - Eu queria poder te dizer o quanto eu gosto de você, o quanto a sua companhia me faz feliz, o quanto eu sonho com a chance de você sentir o mesmo por mim e... - ele estancou ao se dar conta do que acabara de falar e arregalou os olhos. Hermione sorria com os olhos cheios d'água.

- Eu também gosto de você! - sussurrou Hermione.

- Gosta? Jura? - disse estufando o peito. - Isso quer dizer que estamos... - a palavra não saiu de seus lábios.

- Estamos?

- Bom, se você quiser, é claro!

- Aham... Eu quero...

Rony se aproximou de Hermione e encostou seus lábios ao dela suavemente. Nem repararam nos dois rapazes que estavam vendo a cena quase rolando no chão de tanto rir.

- Ai, hein, Don Juan. - disse Sirius divertido. - Arrasando corações!!

- Nenhuma garota resiste ao charme um grifinório! - pronunciou Tiago solenemente como se estivesse lendo um lema.

Hermione e Rony estavam tão envergonhados que se pudessem desapareciam dali rapidinho.

- Como vocês dois são desagradáveis, hein? - disse Mary.

- Não liga pra eles, vocês formam um casal lindo, sabiam? - disse Lílian enquanto Sirius e Tiago ficavam atrás delas imitando-as. - Quer parar com isso? Que criancice.

- Vamos descer para o café... - disse Remo, antes que a brincadeira se transformasse em briga.

Draco entrou no Salão Principal e sentou-se à mesa da Grifinória perto do trio, que o aguardava ansioso.

- Então? - cochichou Hermione

- Acho que está tudo certo agora!

- Acha? Como assim acha? - perguntou Rony

- Eu falei com a Narcisa...

- Você o quê? - perguntaram os três ao mesmo tempo numa voz tão elevada que todos na mesa olharam para eles.

- Calma, será que posso falar? - perguntou irritado. - Eu contei para Narcisa que o meu pai está interessado na minha mãe. Ela ficou furiosa!

- E você acha que isso vai resolver tudo, Mal... Justino? - perguntou Hermione.

- Ah, você não conhece a Narcisa, os meus avós... quer dizer, os pais dela eram, ou melhor, são pobres. Meu pai que sustenta todos eles, por isso a Narcisa não vai perder a oportunidade de se tornar uma Malfoy.

Draco parou de falar quando viu que Mary havia deixado o Salão e que Lúcio estava indo atrás dela. Sem pensar apenas falou:

- Mas que droga! Vem, precisamos ir, agora!

- Nossa, ainda tá cedo para ir pro campo de quadribol. - disse Tiago.

Os três seguiam Draco sem entender o que acontecera. Ao chegar ao saguão, Draco olhou ao redor como que procurando algo ou alguém.

- O que foi, Malfoy? - perguntou Harry. Draco colocou o indicador nos lábios pedindo silêncio. Estava com uma expressão atenta, saiu correndo logo após ouvir uma voz vinda das escadarias.

Ao chegar ali, viram Lúcio Malfoy segurando o queixo de Mary, ele a olhava nos olhos e falava baixinho. Logo, aproximou-se e a beijou nos lábios. A moça tentou recuar, mas cedeu ao beijo. Draco suspirou irritado.

- Parece que você não conseguiu convencer a Narcisa, Malfoy! - disse Rony provocador. Quando Draco levantou os olhos para responder, viu Narcisa se aproximando, e com um sorriso malvado nos lábios, disse:

- Para variar, você está errado novamente, Weasley. - disse e andando até Narcisa, que tinha os olhos fixos em Mary e Lúcio e uma expressão de fúria desenhada no rosto, falou: - Eu avisei! É melhor você agir - e virando-se para o casal que ainda se beijava sem notar a presença deles ali, completou: - e bem rápido!

Narcisa virou-se e caminhou em direção às masmorras. Harry se aproximou de Draco.

- Você acha que funcionou? Quer dizer, ela está furiosa, será que ela não vai fazer nada contra a minha madrinha, assim, alguma coisa que a machuque?

- Não! Ela não vai machucá-la, não fisicamente. Talvez, ela apronte alguma e jogue a culpa na minha mãe. É, acho que isso seria mais a cara dela.

- Bom, precisamos avisar Dumbledore que está tudo ok. - disse Hermione - e outra coisa, eu estive conversando com o professor Binns sobre os objetos das trevas e eu perguntei sobre a Chave de Cronos - Rony olhou arregalado para a amiga - calma, eu não falei nada demais, e ele me recomendou um livro.

- E?

- E eu fui à biblioteca pegá-lo e encontrei algo muito interessante. Vocês precisam ver!

Os garotos acompanharam Hermione até a Biblioteca que estava vazia, devido ao jogo de Quadribol. Eles se sentaram numa mesa e Hermione leu:

- Chave de Cronos - esta chave abre um portal no tempo passado ou futuro possibilitando àquele que a obtiver a chance de se deslocar nele. Diferencia-se do Vira-Tempo, por este apenas permitir o deslocamento num intervalo curto no tempo. Criada por bruxos das trevas que não aceitavam o Destino e queriam controlá-lo, foi recuperado pelos quatro grandes bruxos de nosso tempo: Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal. Mas mesmo entre os grandes causou desavença...

- Hum... o que será que aconteceu, hein? - cortou Rony. Hermione olhou para ele e disse:

- Bom, eu perguntei para o professor Binns, parece que Sonserina desrespeitou o pacto que eles tinham feito e utilizou a Chave, depois disso ele mudou completamente... O professor Binns disse que talvez tenha sido nessa época que a discordância a respeito dos alunos não nascidos bruxos chegou ao extremo - e voltou a ler o que estava no livro - Seu atual paradeiro é desconhecido, sabe-se apenas que está bem protegida através de feitiços e encantamentos. O feitiço de reversão é simples - Hermione olhou para os amigos, esperançosa e continuou lendo - porém extremamente perigoso. A fórmula deve ser recitada após ser ingerida a poção. Só isso! - Hermione fechou o livro.

- Perigoso, como? - perguntou Rony engolindo seco. Hermione deu de ombros.

- Isso eu não sei. - disse. Os quatro se entreolharam apreensivos.

Alguns dias depois, Dumbledore os chamou ao seu escritório, olhou os garotos e falou:

- Está tudo pronto para o regresso de vocês! - os quatro soltaram um longo suspiro de alívio. - Se tudo ocorrer como espero, ninguém notará que vocês sumiram, vocês deverão aparecer alguns segundos após o momento em que desapareceram.

- Mas aí Você-Sabe-Quem irá nos... - disse Rony engolindo em seco - trucidar!

- Não, Rony. Vocês aparecerão aqui mesmo, no escritório, mas no seu tempo. - explicou Dumbledore.

- Mas aí quem estará em perigo é a minha madrinha! - disse Harry.

- Bom, quanto a isso, não posso fazer nada, pelo menos não agora - disse Dumbledore dando uma piscadinha para Harry. - Venham, vocês precisam se concentrar na época que desejam ir...

- Ah, isso é muito fácil! Eu quero voltar para o meu tempo, onde tudo o que eu conheço está... - disse Rony apressado.

- Sim, sim! Mas vocês não devem desviar seu pensamento ou então...

- Ou então? Porque sempre tem que ter um "ou então"? - reclamou Rony desconsolado.

- Ou então... - continuou Dumbledore não dando atenção ao comentário de Rony - Vocês podem parar em qualquer época e aí sim, estarão perdidos. Estão preparados?

- Porque ele falou isso? Agora como eu vou controlar meus pensamentos? - perguntava Rony angustiado.

- Porque você não fica quieto pelo menos uma vez, hein, Weasley?

- SHHHHHHH! - fez Hermione aos dois.

Dumbledore pegou um cálice e pediu que eles tomassem a poção que ele continha. Era uma poção amarga e não foi nada agradável engoli-la. Depois que os quatro haviam tomado a poção, Dumbledore entregou a Chave de Cronos a Harry e pediu que ele repetisse a seguinte fórmula:

- Reverti Tempus.

Harry soltou o cristal que começou a rodopiar em torno dos quatro garotos. Novamente a escuridão e o barulho os cercaram. Quando tudo cessou, eles se viram ainda no escritório.

- Será que deu certo? - perguntou Harry ansioso olhando para os lados. Rony deu de ombros.

- Glup... - Hermione engoliu em seco - Acho que não. - disse apontando para a parede onde deveriam estar os quadros de todos os diretores que Hogwarts já possuiu e que estava quase que vazia. - Onde será que viemos parar?

- Isso não significa nada. - disse Rony mal controlando o pânico - Dumbledore deve ter mandado tirar os quadros daí pra... pra... pra... - Rony olhava para Harry pedindo ajuda.

- O que pode ter dado errado, Mione? - perguntou Harry. Rony fez cara de desconsolo.

- Eu não sei... Algum de vocês não estava concentrado no nosso tempo?

As orelhas de Rony de repente ficaram muito vermelhas.

- Eu... acho... que...

- Ah não, Weasley! Não me diga que você... - começou Draco irritado. - Para onde você nos mandou?

- Eu não sei! Dumbledore não devia ter falado aquilo, eu não consegui controlar...

- Calma, Rony. - disse Hermione - o que foi exatamente que você pensou?

- O que eu pensei? Deixa eu ver... - disse Rony tentando se recordar. - Eu pensei que queria voltar, mas aí fiquei pensando que não podia pensar em outra coisa senão a gente podia parar no tempo de... glup.

- De quê?

- Dos quatro grandes de Hogwarts!

- O quê? - fizeram Harry e Draco ao mesmo tempo.

- Sim, faz sentido... por isso os quadros dos diretores não estão ali, eles ainda não existiram! - disse Hermione.

Eles se aproximaram da parede e passaram a observar os poucos quadros que retravam quase na sua totalidade quatro bruxos. Um quadro em especial chamou a atenção deles. Era um quadro enorme que figurava os quatro bruxos fundadores de Hogwarts juntos, um ao lado do outro. Eles observavam agora as fisionomias dos quatro bruxos com interesse. O primeiro deles, no canto esquerdo, era um homem jovem e bonito, de aproximadamente 40 anos. Possuía uma barba volumosa e um tanto longa que se misturava aos também longos cabelos loiros. Seus olhos claros transmitiam força. Carregava uma espada que Harry reconheceu.

- Grifinória! - disse.

Do lado deste homem havia uma mulher que aparentava a mesma idade deste, ela era baixa e "gordinha". Tinha os olhos pequeninos, mas perspicazes que os observava com atenção. Ao lado dela havia outra mulher, alta e esguia. Tinha uma postura elegante e seus traços aparentavam cordialidade e firmeza. Enfim, no canto direito do quadro estava o último deles, um homem forte, moreno e extremamente carrancudo.

- Esse aí só pode ser o Sonserina! - disse Rony.

- É... é ele mesmo! - disse Harry com um olhar sombrio.

Nisso, os quatro ouviram a porta se abrir e um bruxo acompanhado por duas mulheres adentram no escritório. Eles estão conversando calorosamente, mas se calam ao ver os quatro jovens ali.

- O que vós fazeis aqui? - perguntou o bruxo. As duas mulheres, que o acompanhavam, olhavam os quatro com curiosidade. Uma delas, a mais baixa, sorria simpaticamente para os jovens a sua frente, enquanto a outra detinha seus olhos escuros no cristal que Harry segurava.

- Hã... desculpe! - começou Harry sem saber como explicar a situação inusitada.

- Veja, Godric! Eles possuem a Chave de Cronos! - disse a mulher mais alta.

- Vós não precisais pedir desculpas, cara criança. Compreendo vosso assombro, mas posso explicar-vos tudo. Este objeto que carregais em vossas mãos é a causa desta surpreendente situação.

- Sim. Nós sabemos o que aconteceu! - disse Rony.

- Sabeis da maldição que ele liberta e mesmo assim o usaste? - disse Grifinória exaltado.

- Maldição? - perguntaram Draco e Rony ao mesmo tempo.

- Sim, maldição! Como vós nomeais um objeto que vos ofereceis à tentação de mudar o destino e o curso natural da vida... Eu o nomeio de maldito!

- Acalmai-te, Godric! Assim assustais as crianças... - disse a mulher baixa.

- Desculpai-me... vós precisareis de auxílio no preparo da poção...

Grifinória se retira. A bruxa mais baixa, olhando para os garotos, pergunta:

- Quais são os vossos nomes?

- Estes são Ronald Weasley, Hermione Granger, Draco Malfoy, e, eu sou Harry Potter. - as duas bruxas se entreolham.

- Eu sou Helga Lufa-Lufa (a mais baixa) e esta é Rowena Corvinal. Eu vejo que vós sois alunos de Hogwarts, não?

- Sim, estamos no 6o. ano! - disse Hermione.

- Também vejo que entre vós não há sequer um membro da minha casa - observa Helga.

- Ou da minha - completa Rowena.

- Entretanto, é gratificante ver que Grifinórios e Sonserinos se tornaram amigos.

- Nós não somos amigos! - disse Draco. Helga e Rowena novamente se entreolham.

- Mas vós precisareis estar unidos, senão Harry Potter não vencerá o descendente de Salaz...

- Helga! - cortou Rowena - Vós não deveis contar - disse séria. Foi a vez dos quatro jovens se entreolharem apreensivos, mas as bruxas não voltaram ao assunto. Passaram a conversar sobre a escola e outras coisas triviais...

Grifinória retornou algum tempo depois com a poção pronta. Dirigiu-se aos garotos:

- Vós precisais tomar a poção e retornar ao seu próprio tempo o quanto antes...

- Hum... Sr. Grifinória? - começou Harry sem jeito - nós lemos num livro que houve uma... hum... séria discordância... entre vocês por causa da Chave do Cronos, o que aconteceu? - Os olhos de Grifinória se tornaram sombrios.

- Como eu disse a tentação que cerca este objeto é poderosa demais. Quando nós o encontramos achamos que, ao termos o controle do tempo, seria possível consertar tudo o que estivesse errado... Como fomos tolos! Quem somos nós para decidir o que é errado? Ninguém! Simplesmente porque a noção de certo ou errado pode variar de pessoa para pessoa. E foi isso exatamente o que aconteceu. Eu sempre achei que a magia devia ser ensinada a todos, mas Salazar nunca aprovou isso.

- Ele acha que os bruxos nascidos trouxas não têm esse direito, né? - disse Hermione cabisbaixa.

- Sim, minha cara criança, é exatamente assim que Salazar pensa. - disse Rowena.

- Assim, consideramos que a seleção dos alunos para as casas seria o mais conveniente, cada qual escolheria os alunos cujas qualidades mais lhes aprouvessem. E eu acreditei que este assunto estivesse encerrado. Novamente estava enganado... Salazar, com a posse da Chave de Cronos, foi ao futuro. Ele queria certificar-se de que a escola funcionava como a planejamos. Mas o futuro comprovou a minha teoria, não há como nós existirmos sem nos misturarmos aos trouxas... Salazar ficou enraivecido e concedeu poderes extraordinários a um descendente que partilhava de seus ideais...

- Voldemort - disse Harry.

- Sim, é assim que vós o chamais.

- E porque nós devemos nos unir, quer dizer, nós quatro? - perguntou Harry. Grifinória olhou sério para as duas bruxas que se encolheram sem graça.

- Não sei sobre o que estais falando! - disse apenas.

Grifinória entregou a poção para eles tomarem e depois de se concentrarem, pediu que recitassem a fórmula mágica. Logo, os garotos desapareceram.

- Vós não devíeis ter falado sobre a luta! - disse Grifinória. - Vós sabeis que não devemos interferir no curso do destino.

- Mas são apenas crianças, Godric. - disse Helga.

- Eu sei! Mas eles encontrarão forças e a paz voltará a reinar.

- Mesmo com o sonserino entre eles? - perguntou Rowena.

- Eu diria que principalmente com a ajuda do sonserino... - conclui Grifinória.

- Esses quatro jovens me fizeram lembrar a nós quatro quando jovens... - suspirou Helga.

Assim que pronunciou a fórmula, Harry sentiu a Chave de Cronos vibrar em sua mão e antes que a pedra começasse a esquentar e conseqüentemente queimá-lo, Harry a largou. Novamente a pedra ficou flutuando em sua frente para logo a seguir rodopiar freneticamente. Eles já sabiam o que estava ocorrendo, mas de novo estavam ansiosos com o resultado. E se a pedra os levasse para outro tempo que não o deles, novamente? Alguns segundos depois, a Chave parou frente a Harry que olhou em volta. Continuavam no escritório de Dumbledore. Rony olhou desconsolado para Hermione, mas antes de dizer qualquer coisa ouviu uma voz familiar dizer atrás de si:

- Como vocês vieram parar aqui? - perguntou Snape visivelmente surpreso. Os quatro suspiraram aliviados, quando se viraram e viram o velho Snape de volta.

- Deu certo, Harry! - gritou Rony.

- Voltamos!!! - disse Hermione sorrindo.

- Professor, nós sabemos onde minha madrinha está - começou Harry.

- Como assim? - perguntou Snape olhando de um para outro.

- Não temos tempo para explicar agora, ela está correndo perigo de morte! Voldemort está com ela... - e virando-se para Dumbledore completou - no Jardim dos Unicórnios.

Dumbledore olhou para Snape e fez um gesto com a mão pedindo que o professor nada mais falasse.

- Agora não, Severo. Precisamos ajudar Mary!

- Sim, diretor.

- E vocês quatro fiquem aqui. Quero falar com vocês depois.

Os dois saíram da sala e se dirigiram imediatamente para a Floresta Proibida. Na borda da Floresta aparataram até a entrada do Jardim. Não havia mais ninguém por ali, apenas indícios de uma recente luta. Snape olhou em volta, nada.

- Eles devem ter desaparatado. - disse Dumbledore. Mas ouvindo um barulho, disse - o que foi isso?

Eles escutavam um ruído. Snape tomou a dianteira. Andou alguns metros e logo se deparou com a seguinte cena: dois bruxos caídos ao chão numa aparente luta. Snape reconheceu-os, eram Mary e Pedro Pettigrew.

Mas, Mary parecia não estar levando a melhor. Pedro estava sobre Mary apertando-lhe a garganta. Mary, desesperada, tentava se livrar, mas a mão de prata de Pedro a estava sufocando. Quase perdendo os sentidos, Mary apalpava a terra atrás de sua cabeça numa busca insana de encontrar algo que pudesse utilizar em sua defesa. Mas não havia nada com que se defender, Mary olhou para Pedro e viu em seus olhos a sua morte estampada. Lembrou-se, então, de Tiago e Lílian, eles devem ter sentido essa mesma dor, mais parecido com uma mágoa, ao saber que estavam sendo mortos, no caso deles indiretamente, por alguém em quem, um dia, confiaram. Mas o que mais desesperava Mary, era saber que ele, Pedro Pettigrew, sairia limpo mais uma vez. Viu, então, uma luz forte atingir Pedro e o bruxo caiu estuporado ao seu lado. Mary libertou-se da mão do antigo amigo e tossindo muito tentou levantar-se. Snape correu até ela para certificar-se de que a esposa estava bem.

- Mary!

- Eu...cof, cof... estou bem...cof, cof - respondeu com dificuldade. Ela sentou-se no chão recuperando o fôlego. - Severo, precisamos avisar Dumbledore, os meninos, eles...

- Calma, eles estão bem! Estão no castelo agora.

- Mas, como? Eu vi quando eles sumiram... E...

- Eles voltaram... e avisaram que você estava aqui - disse Dumbledore aparecendo por entre as árvores - Na verdade, estou muito curioso para saber o que aconteceu.

- E o que faremos com esse aí? - perguntou Snape olhando para Pedro Pettigrew.

- Vamos levá-lo, é claro. Sabe, Severo, estou devendo quase quinze anos de presentes para um grande amigo. Mas - disse analisando Pedro desacordado -, acho que esse traste vai servir direitinho...

Voltaram ao castelo levando Pedro ainda desacordado com eles. Foram direto para o escritório de Dumbledore, onde os quatro estavam ansiosos por notícias. Mal acreditaram quando viram Mary entrando sã e salva pela porta. Draco correu até ela e a abraçou.

- Oi, meu dragãozinho. - disse afagando-lhe o cabelo. - E vocês, estão todos bem? Ninguém está ferido! - disse olhando atentamente para eles.

- Não, madrinha, estamos bem. Quer dizer, tivemos tempo para nos recuperarmos.

- Como assim?

- Bom, é uma loooooooooooonga história. - disse Harry cansado. E vendo Pedro desacordado seu rosto se iluminou - Madrinha, esse é o Rabicho!!?

- Quando vocês sumiram, Voldemort ficou furioso... hehehe, vocês precisavam ver... foi Comensal voando para todo lado. É claro que alguns - disse olhando diretamente para Draco - foram mais rápidos e aparataram quando perceberam que tudo tinha dado errado, mas mesmo assim, foi divertido. Aí, foi só ir atrás do Pedro e... voilá.

- Acho que agora o meu padrinho consegue provar a inocência dele, né?

- Nem que a gente tenha que esfregar o Pedro na cara do Fudge. - disse Mary num tom divertido. - Nós precisamos avisar o Sirius, Harry. Você pode mandar a Edwiges para ele e...

- Eu tenho uma idéia melhor, Mary. - disse Dumbledore. A professora olhou para ele - Vocês podem avisá-lo pessoalmente, ele está em Hogsmeade.

- Então, vamos! - disse Harry ansioso.

- Hey, calma, será que dá para esperar amanhecer, hein? - disse Mary.

- Ah é, eu esqueci que ainda não tinha amanhecido, mas é que já faz tanto tempo!

- Ah, não! Eu não vou agüentar! O que foi que aconteceu com vocês? - perguntou Mary.

- Basicamente, Harry ativou a Chave de Cronos e nós fomos parar no passado. Quer dizer, no começo a gente não sabia que estava no passado, só quando chegamos aqui, no castelo, e vimos, bem, vimos o professor Snape jovem, quer dizer ele não era professor era um aluno ainda... foi só ai que percebemos. - disse Hermione

- É engraçado... - disse Dumbledore. Todos olharam para ele. - Eu me lembro, é uma nova lembrança... sim, me lembro de vocês quatro entrando aqui e dizendo que tinham encontrado a Chave de Cronos e tinham parado no passado... É engraçado essa lembrança aparecer agora...

- Vocês ficaram aqui?

- Ficamos, e acredite, professora, foi MUITO estranho. - disse Rony.

Sem conseguir mais se conter, Rony contou tudo o que passaram durante os dias que ficaram no passado. Com o amanhecer, Dumbledore liberou os quatro das aulas do dia para que pudessem descansar. Quando os jovens se retiraram, Mary perguntou ao diretor:

- O que faremos com Pedro, professor?

- Ele será entregue ao Ministério. Lá, ele deverá explicar porque não se apresentou antes, deixando Sirius ser preso por sua morte. Mas antes quero ter uma palavrinha a sós com ele e...

- O senhor não está pensando em ajudá-lo, está professor? - perguntou Mary incrédula.

- Se ele quiser ser ajudado...

- Professor! Como o senhor pode querer ajudá-lo, depois de tudo o que ele fez! Por causa dele Tiago e Lílian estão mortos e Sirius passou anos em Azkaban, preso por algo que não fez...

- Ele pode ter se arrependido!

- Ah, é claro! Eu senti o quão arrependido ele estava quando ele tentava me estrangular! A única coisa que ele merece é uma cela em Azkaban, ou quem sabe um beijo do dementador!

- Eu não estou dizendo que irei inocentá-lo dos crimes que ele cometeu, mas acredito piamente que todos merecem uma segunda chance. - disse Dumbledore.

- Dumbledore está certo, Mary. - disse Snape sombriamente - Eu mesmo cometi muitos erros e se não fosse por Dumbledore...

- É diferente, Severo. Você... Você não traiu aqueles que confiavam em você.

- Mas executei várias missões sob ordem direta do Lord das Trevas.

- Mas você voltou para nosso lado.

- Com o auxílio de Dumbledore! - finalizou Snape. Mary suspirou fundo, não gostava de ficar sem argumentos para protestar, mas não teve escolha, Dumbledore estava decidido.

- Pelo menos posso ir até Hogsmeade avisar Sirius? - perguntou emburrada.

- Claro. Ele gostará de ouvir as notícias de alguém querido. - Snape fechou a cara quando Dumbledore falou isso. Não gostava da idéia de Mary e Sirius juntos e... sozinhos.