Capítulo 20: A Justiça Tarda, Mas Não Falha
Depois do café da manhã, Draco andava pelo castelo, com a cabeça ainda em polvorosa, até que viu Mary e um enorme cão se aproximando do castelo. Achou aquilo muito estranho e se aproximou para conversar com ela.
- Eu queria conversar com você. - disse.
- Claro, querido. Eu só vou levar Almofadinhas para Dumbledore e...
- Almofadinhas? - perguntou num tom divertido - É um nome estranho para um cachorro deste tamanho, não?
Antes de responder, porém, a passagem que levava ao escritório do diretor se abriu e de lá saíram Snape acompanhado de Cornélio Fudge. O cão ao ver os dois bruxos começou a latir ameaçadoramente. O ministro ficou muito assustado e se escondeu atrás do professor, enquanto Snape olhava furioso para o cão.
- Quieto, Almofadinhas, quieto! - Mary tentava acalmar o cachorro em vão.
- O que um cão deste faz numa escola? - perguntou Cornélio. - Ele pode machucar algum aluno.
- Ah, não, isso não, senhor ministro. Não precisa se preocupar. Almofadinhas jamais atacaria um aluno...
- Mas ele não parece muito digno de confiança, não? - completou Cornélio vendo os enormes caninos que o cão deixava amostra.
- Novamente errado, senhor ministro. Eu confiaria minha vida a Almofadinhas. Ele é um amigo fiel, muito fiel. - Snape revirava os olhos, irritado.
- SNUFFLES!!!!!! - gritaram Harry, Rony e Hermione juntos. O trio correu em direção ao cão que se desvencilhou de Mary e pulou em cima de Harry, fazendo algazarra.
- Snuffles????? - perguntou Draco - O nome dele não é Almofadinhas?
Os três se entreolharam. Mas Mary falou antes.
- Ah... É... Mas você sabe, né, esses três adotaram o Almofadinhas e acabaram dando outro nome para ele. Então, ele agora tem dois nomes. - disse Mary torcendo para que eles engolissem essa desculpa esfarrapada.
- É, é isso. - disse Harry.
- Bom, eu acho melhor levá-lo logo para Dumbledore. Com licença, Ministro. - disse.
- Ah, claro, claro. Hã, sra. Snape... A senhora era muito amiga do fugitivo Black, não era? - Mary não respondeu, então Cornélio continuou: - A senhora poderia avisá-lo que ele deve se entregar para o novo julgamento.
- Novo julgamento? - perguntou Mary sarcástica. - Acho que o senhor quer dizer que agora ele terá um julgamento.
- É claro, sra. Snape. Com a evidência que Dumbledore tem... Como poderíamos imaginar, hein? - dizia Cornélio Fudge extasiado - Pedro Pettigrew vivo!!
- Talvez se vocês tivessem escutado o meu padrinho antes de jogá-lo em Azkaban... - começou Harry.
Mas o ministro simplesmente fingiu não ouvir o comentário de Harry e se afastou com Snape. Mary se aproximou do gárgula e disse a senha. O gárgula deu passagem e eles entraram. Quando estavam longe das vistas de todos, o cão se transformou em um homem alto e forte, seu olhar era duro e sombrio e era impossível saber se era de tristeza ou de raiva. Draco estava boquiaberto. Harry correu ao homem e o abraçou. A fisionomia do homem se abrandou.
- Padrinho!!!!
- Ele... ele é... Sirius Black??? - Draco conseguiu dizer depois de alguns segundos - E você o escondeu do ministro...
- Claro! Você queria que eu entregasse meu amigo? Para aquele idiota??
- Ele é um fugitivo, tem feito o pessoal do Ministério de bobo e com certeza é um animago ilegal, já que o ministro não o reconheceu... - Draco começou a enumerar - ... eu estou impressionado!!
- Impressionado? - perguntaram Mary e Hermione ao mesmo tempo.
- É... eu jamais pensei que um grifinório fosse capaz de quebrar regras...
- Só por uma boa razão! - Harry completou.
- Esse menino... é o filho do... Malfoy? - Sirius perguntou, pronunciando Malfoy como se estivesse falando de algo asqueroso. - O que ele...
- Ele é de confiança, Sirius.
Sirius olhou para Harry, que deu de ombros.
- É, padrinho, ele ajudou a gente com a Chave de Cronos...
- Mas ele é um sonserino... e pior, um Malfoy! - disse Sirius novamente fazendo caretas. Draco revirava os olhos irritado.
- Vamos logo falar com Dumbledore antes que alguém veja você aqui? - disse Mary - Lá, nós te explicaremos tudo...
Ao entrarem no escritório Sirius cruzou o olhar com Pedro. O amigo traidor se encolheu num canto e ficou murmurando baixinho algo incompreensível.
- Olá Sirius, é bom revê-lo. - disse Dumbledore.
- Olá, professor. Também é muito bom revê-lo. Infelizmente o mesmo não se aplica ao resto - disse olhando nos olhos de Pedro que se encolheu mais um pouco - Cadê toda sua coragem agora, Rabicho?
- Sirius! - disse Dumbledore. - Eu dei minha palavra a Pedro que nada de mal lhe aconteceria. E desejo cumprir tal promessa, entendido?
- Mas, profes... - começou Sirius
- Entendido?
- Sim.
- Pedro ficará sob minha custódia até a data de seu julgamento, Sirius. Pedi, pessoalmente, para que Cornélio agilizasse o seu processo e ele me garantiu que no máximo em duas semanas você receberá a chance de provar sua inocência.
- Duas semanas!! - Sirius suspirou ao pronunciar isto. - só mais duas semanas.
- Tomei a liberdade de chamar o Dr. Augustus Veritas para defendê-lo.
- Muito obrigado, professor.
- Sim, sim. Ele deverá chegar a Hogwarts ainda hoje, Augustus vai te instruir sobre a melhor linha para sua defesa.
Snape entra, então, no escritório acompanhado por um homem alto e extremamente magro. Tinha os movimentos lentos, mas ao contrário do que se podia esperar era extremamente ágil. As suas vestes eram de um azul muito escuro, bem próximo do negro, exatamente como sua capa que se arrastava pelo chão. O cabelo claro, mal penteado, ficava em parte escondido embaixo de um chapeuzinho engraçado. Sua figura seria cômica, se não fosse a fisionomia do homem. Os lábios finos e quase inexistentes jamais sorriam, apenas se comprimiam deixando-lhe com um aspecto bizarro, como se seu rosto não fosse projetado para sorrir. Seus olhos azuis vasculhavam cada centímetro ao seu redor e as mãos eram finas e extremamente brancas, e terminavam em longos dedos. Quando ele entrou, instintivamente, Harry recuou um passo.
- Alvo. - ele disse com uma voz muito agradável para surpresa de todos ali.
- Augustus, obrigado por me atender tão prontamente! - disse Dumbledore.
- Devemos começar a trabalhar o quanto antes neste caso. Bem, - disse virando-se para Sirius - podemos começar agora? Preciso saber de tudo, entendeu? Não quero que você me esconda uma vírgula ou não poderei ajudá-lo.
Sirius apenas concordou com a cabeça e começou a contar sua versão, Augustus sentou-se numa poltrona e fechou os olhos. Em determinados momentos do relato, Sirius olhava apreensivo para Dumbledore, como que perguntando se o homem ainda o estaria ouvindo ou se tinha adormecido. Augustus, sem abrir os olhos, fazia um gesto impaciente com a mão para que ele continuasse. Quando Sirius terminou, ele apenas suspirou fundo. Sirius estava exasperado.
- Sua história é realmente impressionante, meu caro rapaz... - disse enfim - sim, realmente é... Se tudo o que me diz é verdade, e eu acredito que seja, temos um caso incrível nas mãos! - e voltou à sua posição "adormecida" de instantes atrás.
- E o senhor acha que com isso vou conseguir provar minha inocência, Doutor? - perguntou Sirius aflito. - Acha que irão acreditar na minha história?
- Não importa se acreditam ou não...
- Como assim?
- O que importa, meu caro, é que você prove que sua história é verdadeira!
- E não é a mesma coisa? - perguntou Harry.
- Não, é claro que não. Eu posso inventar uma história e todos acreditarem que ela é verdadeira, como seu amigo ali fez - disse apontando para Pedro - e eu posso contar uma história aparentemente absurda como a sua e provar que ela é a mais pura verdade... Não importa o quão absurda ela for, se você tiver argumentos que a sustentem... É nisso que devemos nos deter, nos argumentos e nas provas.
- Ele é bom! - sussurrou Hermione para Harry.
- O advogado de acusação irá tentar derrubar todos os nossos argumentos, por isso, acho que devemos guardar o testemunho de Pedro Pettigrew para o grande final. Ele será o nosso Ás escondido nas mangas.
- Não entendo. - disse Sirius.
- Vou precisar da ajuda de vocês três - disse Augustus virando-se para o trio - Vocês estão dispostos a contar o que ocorreu naquela noite na Casa dos Gritos no julgamento?
- Claro que sim! - disseram os três ao mesmo tempo.
- Ótimo! Agora, gostaria de me acomodar e fazer uma refeição decente como há dias não faço. - disse esfregando as mãos.
- Eu achei que iríamos trabalhar no meu caso o máximo de tempo possível! - disse Sirius.
- Ah, meu caro, acalme-se! Às vezes precisamos adiar uma ação para não agir precipitadamente. E nada me irrita mais do que estar faminto. - disse dando uma risada sinistra.
Duas semanas depois...
O dia estava claro e ensolarado. Era um lindo dia de primavera, mas ninguém parecia notar. As pessoas corriam pelas ruas londrinas consumidas por suas preocupações e afazeres. Ou seja, era um dia perfeitamente normal. Mas apenas para os trouxas... Sim, porque no mundo mágico a situação era muito diferente; todos os bruxos estavam em polvorosa. Hoje, seria o dia do julgamento do único fugitivo de Azkaban: Sirius Black.
O prédio onde se localizava o Ministério da Magia tinha um aspecto austero, pelo menos para os bruxos. A segurança estava com sérios problemas hoje, várias pessoas queriam entrar no prédio e a rua estava apinhada de repórteres dos mais diversos jornais mágicos do mundo todo, além de curiosos em geral. E isso estava despertando a curiosidade... Entre os trouxas. Vários deles se aproximavam do casarão em ruínas e se perguntavam o que poderia estar acontecendo ali de tão interessante. Mal paravam e logo se lembravam de um compromisso urgente que os afastava dali.
Dentro do prédio a confusão não era menor. Praticamente todos os departamentos estavam parados porque seus funcionários discutiam o único assunto permitido ali, no momento: o julgamento! Entretanto, um desses funcionários estava muito irritado, Percy Weasley. Ele fora deslocado de sua função para manter todas as testemunhas em segurança numa sala escondida e protegida no Ministério. Era uma função que ele pretendia cumprir. Eficiente como sempre, Percy passou os olhos mais uma vez pela sala. Já havia inspecionado a sala diversas vezes, mas, meticuloso, nunca achava demais inspecioná-la novamente. E a cada vistoria encontrava uma nova falha. E isso o estava deixando extremamente irritado. Reunia mais uma vez seus subordinados e mandava que refizessem o esquema de segurança.
Dentro da sala destinada ao julgamento, bruxos influentes na sociedade mágica, alguns repórteres e outros tantos curiosos começavam a ocupar os seus lugares. Snape, ao entrar naquela sala, sentiu um leve arrepio... Já fazia tantos anos, mas mesmo assim ainda se lembrava claramente do seu inquérito. Não fora julgado graças a Dumbledore. Porém, Alastor Moody não facilitou em seu interrogatório, parecia querer que Snape caísse em contradição, queira mandá-lo para Azkaban a qualquer custo. O auror não acreditava em seu arrependimento, mas Dumbledore acreditava. E Snape seria grato e estaria em dívida com o velho professor para todo sempre. Olhou ao redor, a sala parecia continuar a mesma, mesmo depois de tanto tempo...
Seus olhos percorreram pelos rostos das pessoas que ali se encontravam. Conhecia grande parte deles. E não suportava a maioria. Foi andando entre eles, cumprimentando-os apenas com um aceno de cabeça. Sentou-se na primeira fila do lado esquerdo e teve sua atenção despertada por uma movimentação quase ao seu lado. Lúcio Malfoy vinha em sua direção.
- Severo! - disse sorrindo de uma maneira que não agradou Snape.
- Malfoy!
- Eu sempre pensei que você não suportasse o Black.
- Eu não gosto do Black. - respondeu sinceramente.
- Mas mesmo assim está ajudando-o a provar sua inocência! - Lúcio falou isso quase como uma pergunta. Snape não respondeu. - Tsc, tsc, tsc, Severo! Você é um fraco! Mas, em breve irá se arrepender. O que parece uma constante em sua vida, não?
- Eu não tenho medo de suas ameaças, Malfoy! Mas, uma coisa eu lhe digo, tente encostar mais uma vez em Mary e eu mato você. - disse Snape num tom baixo e ameaçador.
- Você se tornou tão passional, Severo. - Lúcio ironizou - Eu irei gostar quando o Lord das Trevas acabar com você. Fique tranqüilo, sua viúva será muito bem tratada... por mim. - dizendo isso, Lúcio foi sentar-se do outro lado no instante em que o juiz Wahrheit entrou na sala.
Todos se levantaram em sinal de respeito ao idoso juiz. Ele era conhecido por ser duro, mas extremamente justo e assumiu esta posição após o infeliz incidente ocorrido com o Sr. Crouch há dois anos. Ele se aproximou lentamente de sua mesa e se sentou.
- Está aberta a sessão 487, comunidade mágica versus Sirius Black. - informou um rapazinho muito excitado que não parava de lançar olhares sorrateiros para Sirius. - Sirius Black é indiciado sob acusação de assassinato de Pedro Pettigrew e outros doze trouxas, no dia 01 de novembro em Londres. O que atesta, Senhor Black, é culpado ou inocente?
- Inocente! - disse Sirius. Houve uma agitação daqueles que estavam ali assistindo o julgamento. O rapaz virou-se para os jurados e disse:
- Senhores jurados, o réu Sirius Black foi indiciado como autor do assassinato de Pedro Pettigrew e doze trouxas. Diante de tal acusação, o réu se declarou inocente. A tarefa esperada dos senhores é pronunciar, após a apresentação das provas e de ouvir as testemunhas, se ele é culpado ou não.
Augustus Veritas se levantou e dirigindo-se ao júri, lançando-lhes um olhar fixo e penetrante, começou sua explanação:
- Senhores, Senhoras do júri. Solicito a atenção de vocês para o que vou lhes dizer. Estamos todos aqui, reunidos, para conhecer a história de um homem, daquele homem. - disse apontando para Sirius, os membros do júri também olham para ele, era exatamente o que Augustus queria... e ele sentiu o ódio no olhar daquelas pessoas. - Sei que a maioria já conhece a história dele e muitos se perguntam porque temos que perder nosso tempo, Sirius Black foi capaz de realizar os mais horrendos crimes demonstrando toda sua frieza, e merece ser mandado logo para Azkaban... - alguns membros do júri balançavam a cabeça concordando com as palavras do advogado. - mas, então eu me pergunto: Porque estamos aqui? E eu mesmo lhes respondo: Porque todos nós temos o direito a conhecer a verdade! E com ela julgar os atos deste homem. E para começar a esclarecer um pouco desta história fantástica eu chamo: Sirius Black
Sirius caminha até a cadeira indicada pelo meirinho. Enquanto caminhava podia sentir as pessoas o olhando com desprezo, respirou fundo. Parou perto da cadeira e esperou. O rapaz diz:
- Levante sua mão direita e a coloque em cima da varinha. - Sirius fez o que o rapaz ordenou - Agora, repita: "Juro solenemente dizer somente a verdade!"
- Sr. Black, - disse Veritas se aproximando de Sirius - o senhor pode nos contar como conheceu os Potter?
- Tiago e eu já nos conhecíamos antes de Hogwarts. Nossas famílias eram amigas, claro que a amizade se tornou maior na escola. Tiago sempre foi muito mais que um amigo, ele era como um irmão. Conhecemos Lílian já em Hogwarts, ela era alguns anos mais nova, mas era da mesma casa.
- E como foram esses anos em Hogwarts?
- Foram, com certeza, os melhores anos da minha vida. - disse sinceramente.
- E depois de Hogwarts, o que aconteceu?
- A vida mudou muito. Em Hogwarts estávamos protegidos, não tínhamos idéia do que ocorria fora das muralhas do castelo. Todos se lembram, eram tempos difíceis, não se podia confiar em quase ninguém.
- Mas Tiago confiou?
- Sim.
- E o que aconteceu?
- Ele foi traído.
- Por você?
- Não! Eu jamais trairia Tiago.
- Ok!!!! Agora eu estou perdido!!!!! - Augustus disse teatralmente - Se você não traiu Tiago Potter quem traiu?
- Pedro Pettigrew. - todos fizeram OOOOOOOOHHHHH! E um murmurinho correu pela sala.
- Por favor, silêncio!!! - pediu o juiz Wahrheit - Silêncio!
- Pedro Pettigrew era um traidor? - perguntou Augustus fingindo incredulidade - O que ele fez?
- Pedro era o fiel de segredo de Tiago e o entregou a Voldemort.
- Ora, senhor Black, todos sabem que o fiel era você!
- Esse era o plano! Era para todos pensassem que eu era o fiel enquanto na verdade era o Pedro, mas nós não sabíamos que Pedro havia se aliado a Voldemort.
- Então, o senhor quer que acreditemos que tudo o que sempre soubemos era mentira?
- Aham.
- Então, quando o senhor soube que Pedro havia entregado os Potter a Você-Sabe-Quem o que fez?
- Eu fui atrás de Pedro!
- Para matá-lo?
- Sim, era essa a minha vontade, mas...
- Ah!! Sempre tem um MAS... mas, o quê?
- Quando eu o encontrei numa rua trouxa, Pedro começou a gritar que eu havia traído Tiago, eu achei que ele tinha enlouquecido, mas não... Ele sabia muito bem o que estava fazendo...
- E o que era?
- Ele estava me distraindo enquanto apanhava sua varinha, quando percebi a rua tinha ido pelos ares, mas consegui ver ele fugindo... Entende? Ele simulou a própria morte! Alguns segundos depois chegaram vários aurores, e me viram ali... com tudo a minha volta destruído e... um pedaço do dedo de Pedro!
- É isso que me intriga, senhor Black, como você explica esse dedo?
- Ele cortou o dedo antes de lançar o feitiço, foi... brilhante! Por isso, ele começou a me acusar quando eu o encontrei, para as testemunhas contarem isso à polícia... Foi um plano perfeito.
- Então você foi condenado por algo que não fez? É isso o que você está tentando me dizer?
- Sim! - disse Sirius com a cabeça erguida. Os membros do júri ficaram impressionados com a história, mas não pareciam inteiramente convencidos.
- Sem mais perguntas, meritíssimo!
- A testemunha é sua, sr. Verzerrung .
- Obrigado, meritíssimo. - disse o advogado de acusação. Ele era um homem pequeno e tinha os olhos miúdos e perspicazes, nada agradáveis. - Sr. Black, obrigado pelos esclarecimentos. É muito bom conhecer a verdade. - disse sarcasticamente dirigindo-se a Veritas. - Mas eu gostaria que o senhor me explicasse melhor esse plano de Tiago Potter.
- Na verdade a idéia foi minha.
- Ahhhh, é? - perguntou interessado. - A idéia foi sua, senhor Black?
- Sim. Na verdade, era mais uma tentativa de despistar Voldemort, do que um plano. Todos sabiam da nossa amizade, e então, achei que seria óbvio demais se eu fosse o fiel de segredo, daí sugeri Pedro.
- Então, como o senhor diz, Pedro, conhecendo o segredo, entregou os Potter Àquele-que-não-deve-ser-nomeado?
- Exatamente.
- Há alguns instantes atrás o senhor disse - e pegando num pergaminho leu: - "Todos se lembram, eram tempos difíceis, não se podia confiar em quase ninguém" e mesmo assim, o senhor confiou em Pedro Pettigrew a ponto de sugeri-lo como fiel de segredo de seu grande amigo, quer dizer, novamente usando suas palavras, do seu quase irmão?
- Objeção, meritíssimo. - disse Augustus - ele está tentando confundir a testemunha.
- Negado. - disse o juiz Wahrheit.
- Mesmo vivendo numa época em que devíamos suspeitar de quase todos, o senhor recusou ser o fiel de segredo de seu melhor amigo?
- Sim. Esse é o meu maior arrependimento.
- Vocês tinham um outro grande amigo, não? Remo Lupin? Porque o senhor não o sugeriu como fiel?
- Porque Pedro Pettigrew parecia ser a melhor opção e...
- A melhor opção para quem? Para o senhor ou para guardar um segredo desta magnitude?
- Objeção. - disse novamente Augustus.
- Reformule a pergunta, senhor Verzerrung. - disse o juiz Wahrheit.
- O senhor acreditou que Pedro seria confiável a ponto de guardar um segredo?
- Eu apenas achei que Voldemort jamais suspeitaria que Pedro fosse o fiel.
- Porquê?
- Porque Pedro nunca demonstrou muita coragem e...
- Mas mesmo assim o senhor sugeriu o nome dele? - Verzerrung cortou Sirius - Que engraçado o senhor sugerir um homem que "nunca demonstrou muita coragem" para esconder um segredo de um bruxo cruel e extremamente poderoso. Curiosa, esta sua atitude, hein? Bom, sem mais perguntas.
- Testemunha dispensada.
Sirius desceu da cadeira e veio se acomodar ao lado do advogado. Olhou para Augustus desgostoso, sabia que o advogado de acusação havia acabado com ele. Augustus estava impassível. Levantou-se sem dizer nada a Sirius e disse:
- Chamo agora a testemunha Mary Malía Snape.
Mary entrou no recinto e dirigiu-se para a cadeira indicada pelo meirinho. Repetiu o juramento e aguardou até que Augustus lhe perguntasse algo.
- Sra. Snape. A senhora pode nos contar de onde conhece o Sr. Sirius Black?
- De Hogwarts. Nós estudamos na mesma época. - respondeu.
- A senhora o tinha como um amigo?
- Ainda o tenho!
- Mas quando Sirius foi condenado a Azkaban a senhora não o ajudou! Porquê?
- Devido às circunstâncias... Eu achei que ele fosse culpado!
- Devido à que circunstâncias?
- Eu acreditei que depois que Sirius soube do assassinato de Tiago e Lílian Potter, ele foi atrás do traidor e fez justiça com as próprias mãos.
- Quando a senhora diz traidor, a quem está se referindo?
- Pedro Pettigrew.
- A senhora sabia que Pedro era o fiel de segredo dos Potter?
- Sim. Sabia.
- E mesmo sabendo disso, a senhora não tentou ajudá-lo, contar a verdade?
- Sim, eu procurei o ministério e contei para o sr. Crouch.
- E?
- Bom, o senhor Crouch apenas me respondeu que Sirius havia sido condenado pela morte de Pedro e doze trouxas, não por ter traído Tiago...
- A senhora disse que acreditava que Sirius Black fosse culpado, mantém essa convicção?
- Não.
- A senhora acredita, então, na inocência de Sirius Black?
- Completamente.
- O que a fez mudar de idéia?
- Saber que Pedro Pettigrew está vivo! - ouviu-se um OOOHHHH! percorrer a sala.
- Silêncio!! - ordenou o juiz Wahrheit.
- Sem mais perguntas, meritíssimo. - disse Augustus voltando a se sentar ao lado de Sirius.
O senhor Verzerrung se aproximou de Mary e a olhou atentamente. Mary não desviou o olhar, sabia que estava sendo testada. Tampouco gostou do homenzinho a sua frente. Ele sorria para ela, mas seu sorriso não chegava aos olhos que continuavam frios e argutos.
- Senhora Snape. A senhora disse a pouco - e pegando num pergaminho leu - "Devido às circunstâncias... Eu achei que ele fosse culpado". A senhora realmente acreditou que seu amigo, que a senhora conhecia tão bem, fosse capaz de assassinar alguém?
- Como eu disse "Devido às circunstâncias" eu acreditei sim, que Sirius pudesse perder a cabeça e...
- Assassinar? - Mary respirou fundo. Não estava gostando do rumo que o interrogatório estava tomando.
- Eu acreditei sim que Sirius fosse capaz de vingar a morte de duas pessoas que amava, que fosse capaz de matar um traidor, um Comensal e... - Verzerrung achou melhor interferir antes que Mary conseguisse inverter a situação para ela.
- E por isso, o senhor Black seguiu Pedro até uma rua trouxa e o matou junto a várias outras pessoas inocentes que ali se encontravam!!!!! - disse virando-se para o júri. - Supostamente Pedro traiu seus amigos o que ocasionou a morte destes. Acredito que todos nós concordamos que esse seria um bom motivo para querer vê-lo morto. Mas eu também acredito não apenas na verdade, como nosso colega aqui defendeu tão brilhantemente há pouco, como acredito também na justiça. Não na justiça feita pelas próprias mãos, como a senhora Snape definiu, mas na justiça estabelecida nas leis em que nossa sociedade se baseia. - Verzerrung foi aplaudido de pé por quase todos presentes na sala. Virando-se para o juiz, disse: - Sem mais perguntas.
- Testemunha dispensada!
Mary levantou-se com vontade de dar uns tapas na cara de Verzerrung, ele conseguiu distorcer todas as palavras dela. Ao passar na frente de Sirius murmurou um "desculpe", Sirius apenas esboçou um sorriso triste para a amiga. A testemunha seguinte foi Rony. O rapaz entrou na sala e depois de repetir o mesmo juramento, sentou-se já completamente escarlate.
- Senhor Ronald Weasley, pode me dizer como foi que o senhor conheceu Sirius Black? - disse Augustus.
- Foi há três anos. Ele foi a Hogwarts atrás de Pedro Pettigrew.
- Atrás de Pedro? Não seria atrás de Harry Potter?
- Foi o que todo mundo pensou no começo. Mas numa noite, Sirius me pegou e me levou até a Casa dos Gritos, Harry veio atrás de mim, para me ajudar. E lá descobrimos que Sirius estava atrás de Pedro todo aquele tempo.
- Acho que perdi alguma coisa!!! Como Sirius Balck poderia estar atrás de Pedro se Pedro está morto?
- É aí que está o problema! Pedro não está morto!
Novamente fez-se ouvir um OOOOOOOOHHHHHHHHH! na sala.
- Silêncio! - disse o juiz Wahrheit - Ou serei obrigado a esvaziar a sala.
- Pedro não está morto?
- Não. Ele se escondeu esse tempo todo. Esperando que Você-Sabe-Quem recuperasse seus poderes.
- Se escondeu por doze anos? Isso é impossível, não é mesmo?
- Seria. Mas Pedro é um animago ilegal. Ele viveu todo esse tempo sob a forma de um rato com uma família bruxa. A minha família.
- E o senhor poderia me explicar como Sirius Black descobriu que Pedro Pettigrew estava todo esse tempo sob aspecto de um rato, se ele estava preso em Azkaban?
- Sirius viu uma foto da minha família no Profeta Diário e reconheceu Pedro, que estava no meu ombro. - Rony disse fazendo uma série de caretas ao se recordar que carregava Pedro Pettigrew pensando que era um animal de estimação.
- Opa, opa, opa!!!! Acho que novamente não acompanhei o raciocínio! O senhor afirma que Sirius Black conseguiu reconhecer Pedro que estava transformado em rato através de uma foto no jornal? Isso é inacreditável, não? Quer dizer, não sou especialista, mas acho que ratos são todos iguais...
- Não o Perebas, quer dizer, o Pedro... Ele não tinha um dedo!
- AAAAAHHHH!! O dedo que os aurores encontraram na rua!!!! E porque vocês não contaram isso para o ministério?
- Porque Pedro conseguiu fugir, entende? Não tínhamos como provar que ele estava vivo!
- Sem mais perguntas, meritíssimo!
- A testemunha é sua, Sr. Verzerrung!
- Sem perguntas, meritíssimo.
- Testemunha dispensada. - Rony saiu de lá, aliviado. Augustus acabou optando por dispensar o testemunho de Hermione que seria muito parecido com o de Rony e chamou:
- Harry Potter!
- Senhor Potter, gostaria que o senhor nos contasse o que aconteceu ao senhor após o Torneio Tribruxo.
- Objeção! - disse Verzerrung - Isso é irrelevante.
- Negado.
- Então, senhor Potter, o que aconteceu após o senhor tocar o troféu?
- Bom, o troféu era uma chave de portal. Assim que o tocamos, o Cedrico e eu, porque nós o pegamos juntos, fomos parar num cemitério. Era uma armadilha.
- Hum... quem estava lá?
- Quem estava lá? Bom, o Pedro estava lá, junto com Voldemort.
- E o que aconteceu?
- Bom, Voldemort ainda estava fraco, ele não tinha um corpo, então ele mandou Pedro matar o Cedrico.
- E ele matou?
- Sim.
- E depois?
- Depois ele fez um feitiço, uma espécie de poção, não sei o que era, para ele poder recuperar um corpo. Por isso, ele precisava de mim.
- E o que ele fez? Você se lembra?
- Como se fosse ontem! Ele pegou os restos mortais do pai dele, um pouco de sangue de um inimigo, o meu, e um pedaço da carne de um amigo, então, Pedro cortou a mão dele.
- Você viu Pedro cortar a mão?
- Aham. Depois que Voldemort recuperou o corpo, ele conjurou uma mão metálica para Pedro.
- Então você afirma que Pedro Pettigrew voltou a procurar Você-Sabe-Quem e a servi-lo?
- Sim.
- Sem mais perguntas, meritíssimo.
Augustus voltou a se sentar próximo a Sirius, enquanto Verzerrung se aproximava de Harry.
- Senhor Potter, é uma honra conhecê-lo - disse Verzerrung. - Imagino o quanto deva ser difícil a um jovem como você conviver com toda essa carga sobre os ombros. Derrotar um bruxo das trevas extremamente cruel ainda quando bebê e toda a publicidade em torno de você, fotos nos jornais, nas revistas... seu nome citado nos mais diversos livros!!! Você deve ter sido extremamente assediado todo esse tempo?
- Na verdade, não. Eu fui criado por meus tios que são trouxas e só vim saber o que realmente aconteceu com meus pais quando entrei para Hogwarts.
- Ah, verdade? Ah, sim, isso deve ter um dedo de Dumbledore, sim, provavelmente Alvo não quis expor uma criança a todo o alarde que a sociedade mágica fez em torno de seu nome!
Harry não disse nada. Esperou até que o advogado fizesse uma pergunta.
- Acredita que até mesmo no exterior seu nome e rosto são conhecidos? Sim, isso deve ser uma carga! Como você se sente com isso?
- Objeção! Isso nada tem a ver com o caso!
- Negado. Pode responder, senhor Potter.
- Eu não gosto dessa exposição. Eu preferia ser uma pessoa normal.
- Ah, mas você não é uma pessoa normal! Você enfrentou um grande bruxo e saiu ileso. Sabe que existe uma síndrome muito curiosa que acomete as celebridades? Elas não aceitam perder sua popularidade e acabam por inventar histórias das mais absurdas para contin...
- Objeção, meritíssimo - disse Augustus exasperado - isso é totalmente irrelevante.
- Mantido. - disse o juiz Warheit - Formule uma pergunta, senhor Verzerrung.
- Sem mais perguntas, meritíssimo. - disse Verzerrung virando-se para Augustus e mandando-lhe um sorriso frio.
- Testemunha dispensada. E vamos fazer um recesso para o almoço. Voltaremos a sessão às duas horas.
Duas horas depois...
Augustus Veritas entra no recinto acompanhado por Sirius Black. Augustus ainda demonstrando uma aparente calma, enquanto Sirius parecia estar em ebulição. Ao passar por uma das fileiras de bancos, Augustus ouviu alguém chamando seu nome. Era Rita Skeeter.
- Senhor Veritas, Rita Skeeter do Profeta Diário, qual será sua próxima estratégia?
- Não pretendo mudar minha estratégia, senhorita Skeeter.
- O senhor acredita que seguindo essa linha de defesa irá vencer o senhor Verzerrung?
- Eu não estou competindo com o senhor Verzerrung, minha cara, estou aqui para provar a inocência de Sirius Black.
Lúcio Malfoy, que estava perto, ouviu as declarações de Augustus e esboçou um sorriso irônico, quando Sirius passou por ele.
- E então, quando é que o circo irá começar? - perguntou Lúcio.
- Circo? - fez Sirius.
- Ora, o que você está esperando para mostrar logo o Pettigrew? Porque definitivamente se você depender apenas deste advogado que você arrumou, acho que você voltará para sua cela em Azkaban... - Lúcio nada mais disse apenas ergueu uma sobrancelha e se retirou.
- Algum problema, Sirius? - perguntou Augustus.
- Tirando esse Verzerrung que distorceu cada palavra minha, de Mary, o que ele fez com o Harry e agüentar Lúcio Malfoy, está tudo maravilhosamente bem!
Quando o juiz Wahrheit entrou na sala, novamente todos se levantaram. Ele sentou-se em sua mesa e reiniciou a sessão. Augustus Veritas se levantou e encaminhando-se para o centro da sala para poder ver as expressões de todos ali presentes, pronunciou:
- Chamo agora, minha última testemunha: Pedro Pettigrew!
Todos os presentes se entreolharam sem entender. Muitos não acreditaram no que haviam ouvido. Só quando um homenzinho foi trazido para o recinto, perceberam quem era. Augustus sentiu que poderia rir naquele momento como jamais rira em toda sua vida. A expressão desenhada no rosto daqueles bruxos ali sentados era de total surpresa. Alguns cochichavam algo para a pessoa ao lado, outras detinham seus olhares na mão de prata. Veritas olhou, instintivamente, para Verzerrung, o advogado de acusação estava aparvalhado, jamais esperava por isso! Virou-se, então, para Pedro.
- Como é seu nome? - perguntou.
- P... Pedro P... Pettigrew. - respondeu assustado. Seus olhos percorriam a sala.
- Senhor Pettigrew, o senhor poderia nos contar porque deixou um homem, que o tinha como amigo, ser condenado por sua morte?
- Porque ele queria me matar!! Ele ia me matar, ele ia me matar.
- Porque você traiu os Potter?
- Eu não fiz isso! Foi ele - disse apontando para Sirius. - ele traiu Tiago. E depois veio atrás de mim, se eu não fizesse aquilo, ele me mataria!!
- Mas a senhora Snape, que também era sua amiga, confirma que você traiu os Potter, o que você tem a dizer sobre isso?
- Mary é louca. Ela ficou louca depois que... que foi seqüestrada por Comensais. Todos sabem disso!
- Mas porque ela afirmaria que você e, não Sirius, traiu os Potter?
- Porque ela sempre gostou mais do Sirius. Acho que tinha uma quedinha por ele.
- Certo, isso não vem ao caso. Se o senhor estava com medo de que Sirius Black o matasse porque não pediu proteção ao ministério, ao invés de toda essa artimanha?
- Porque ele daria um jeito de me pegar, você não sabe como funciona a mente de um Comensal!!!
- E o senhor sabe?
- N-nã-o, é-é cla-ro que não! Foi só uma maneira de falar.
- O senhor pode me mostrar como fez para simular sua morte?
- Eu não pensei, apenas fiz! Estava desesperado!
- Mas manteve o sangue-frio para cortar seu dedo!
- Já disse, se não o fizesse ele me mataria!
- E lançou o feitiço que matou aqueles trouxas na rua?
- E... eu... e...eu… Ele ia me matar!!! Você não entende?
- O senhor pode nos mostrar sua mão mutilada?
- O quê?
- Sua mão! Pode levantá-la para que o júri possa vê-la? - Pettigrew piscou algumas vezes. Mas sem outra alternativa, levantou o braço deixando à mostra uma mão prateada. - Mas, que coisa interessante! O que aconteceu a sua mão, senhor Pettigrew?
- E-eu...
- Será que o senhor a cortou para que seu mestre pudesse conseguir um novo corpo?
- N-não.
- O senhor também nega que tenha a Marca Negra, símbolo dos seguidores de Você-Sabe-Quem, tatuada em seu braço, senhor Pettigrew?
O homenzinho não falava mais coisa com coisa, apenas murmurava palavras desconexas.
- Senhor Pettigrew, o senhor poderia levantar a manga esquerda de suas vestes?
- E-eu...
- Senhor Pettigrew?
Como ele não reagia, o meirinho se aproximou e com a permissão do juiz Wahrheit ergueu a manga, deixando à mostra a Marca Negra tatuada em seu braço.
- Sem mais perguntas, meritíssimo.
- A testemunha é sua, senhor Verzerrung.
- Sem perguntas, meritíssimo.
- Testemunha dispensada. - disse o juiz Wahrheit e virando-se para os membros do júri continuou: - os senhores agora devem se reunir e decidir a sentença para Sirius Black. Entramos em recesso até às cinco.
Às cinco em ponto, todos já estavam no recinto aguardando o juiz Wahrheit. Ninguém conseguia acreditar no que havia ocorrido. Quando o juiz entrou na sala, o murmurinho cessou. Logo após os jurados retornam a seus lugares. O meirinho diz:
- Sirius Black, levante-se. Senhores jurados, todos estão de acordo com o veredicto?
- Sim. - respondeu um dos jurados.
- E após ouvir todas as testemunhas e provas aqui apresentadas, os senhores consideram o réu, Sirius Black, culpado ou inocente?
- Inocente.
Houve uma explosão de aplausos. O juiz Wahrheit pedia silêncio às pessoas. Algum tempo depois, falou:
- Senhor Black, o senhor foi considerado inocente da acusação do assassinato de Pedro Pettigrew e doze trouxas. Fica portanto livre para deixar o Tribunal. Receberá ainda uma indenização por ter ficado preso por doze anos. Sua permissão mágica e sua varinha lhe serão devolvidas.
- Obrigado, meritíssimo. - diz emocionado e virando-se para Augustus completa - obrigado.
- Quanto ao senhor Pedro Pettigrew, será levado imediatamente a Azkaban onde aguardará seu julgamento. - concluiu Wahrheit.
Sirius solta um suspiro de alívio e recebe o abraço de Mary, Remo Lupin, Harry Potter e mais uma centena de mãos que tentavam tocá-lo e parabenizá-lo. Abraçado a Harry murmura:
- Estou livre!!
Snape, que estava um pouco afastado do círculo formado em torno de Sirius, observa a reação estranha de Lúcio Malfoy. Viu quando ele se aproximou da porta principal e furtivamente pegou sua varinha e lançou um feitiço na porta. Algumas pessoas se aproximaram e ao tentarem sair, comprovavam que não podiam. A porta parecia estar trancada. Snape olha apreensivo para as outras saídas e percebe que em cada uma estava postado um bruxo de confiança de Malfoy. Olhando sério para Mary e Dumbledore, Snape diz:
- Tem alguma coisa errada!
