Capítulo 21: Enquanto Isso...
Hoje era um dia diferente em Hogwarts, a maioria das aulas havia sido suspensa devido ao grande acontecimento do dia: o julgamento de Sirius Black. Durante semanas o Profeta Diário estava comentando sobre isso. A revelação de que Pedro Pettigrew estava vivo foi abafada a pedido de Augustus Veritas, mas Rita Skeeter não se deu por vencida e vasculhou o que pôde e o que não pôde sobre a vida de Sirius Black. O fato de Harry Potter ser uma das principais testemunhas de defesa atiçou ainda mais os ânimos e despertou a curiosidade dos bruxos que tentavam entender o motivo do garoto defender o homem que traíra seus pais. Isso rendeu a Harry mais alguns incômodos momentos de popularidade... Em Hogwarts, entretanto, tudo estava aparentemente tranqüilo...
Aparentemente...
Gina acordou cedo naquele dia, iria ter aulas de Adivinhação. Sibila Trelawney parecia ser a única professora que não estava interessada no julgamento. Desceu para o Salão Principal sozinha, sentiu-se estranha, era a primeira vez que iria para o Salão e não teria a companhia de Rony, Hermione e Harry. Olhou para o local onde o trio costumava se sentar e suspirou. "Deixa de besteira, Gina... Eles voltam logo". Mas Gina sentia algo, uma sensação estranha. Um arrepio na nuca. Como se um anjo mau lhe soprasse algo no ouvido. Gina não gostava desta sensação. Pesarosa, subiu à Torre Norte para a aula.
O dia estava quente e a sensação térmica só aumentava na sala abafada de Sibila. A aula de hoje era sobre hipnose e depois de ouvir quase quarenta minutos a ladainha da professora, os alunos pegaram seus pêndulos e estavam tentando hipnotizar uns aos outros. Por duas vezes a cabeça de Gina pendeu para frente, despertando a atenção da professora. Porém Gina estava convencida de que isso era mais o efeito de uma noite mal dormida do que propriamente a hipnose. Depois de duas longas e cansativas horas, os alunos foram dispensados. Quando chegou ao seu quarto, Gina percebeu que estava sem o seu pêndulo.
- Phoebe, você viu meu pêndulo por aí? - perguntou à amiga de quarto.
- Não, Gina. Da última vez que eu vi foi na sala da morcegona. Será que você não esqueceu lá?
- Ou isso ou eu o perdi. Que droga! Vou ter que voltar lá.
Ela foi andando sem pressa "Quem sabe não perdi pelo caminho!!", pensou esperançosa. Mas não o encontrou. Subiu a Torre pela segunda vez neste dia e antes não o tivesse feito. Ao aproximar-se da sala, ouviu a professora falar com alguém. Ela usava um tom baixo e assim Gina não conseguia entender o que ela falava. Quando estava se virando para ir embora, ouviu algo que a petrificou. Não, não podia ser. Tremendo dos pés a cabeça, Gina ficou ali parada ouvindo a voz que mais temia.
Quando enfim conseguiu entender o que aquilo significava, Gina desceu as escadas da Torre Norte, desesperada. Ela reconheceria aquela voz sibilante para sempre. Era a mesma voz que a assombrava desde seu primeiro ano em Hogwarts. Era a mesma voz que a assombrava em seus piores pesadelos... E agora, como ela avisaria Harry? Sem pensar direito no que fazia, Gina desceu as escadas até a masmorra, ela sabia que a Sonserina ficava por ali. Ficou andando pelos corredores, mas não via ninguém. A masmorra parecia deserta. Depois de alguns minutos angustiosos, Gina ouviu passos na sua direção.
- O que você está fazendo aqui? - perguntou Draco. - A masmorra não é lugar para Grifinórios! - Crabbe e Goyle soltaram risadinhas que mais se assemelhavam a grunhidos.
- Euprecisavafalarcomvocê. - disse Gina num sussurro.
- O quê? - perguntou Draco que não entendera nada. Gina soltou um suspiro e tentando se acalmar, disse.
- Eu preciso falar com você, Malfoy!
- Falar comigo? E o que uma Weasley pode ter de importante a falar comigo? - perguntou Draco zombeteiro.
- A Hermione me contou como você ajudou com a... a Chave de Cronos e...
- Ela o quê? - cortou Draco irritado.
- Eu preciso da sua ajuda, Malfoy! É urgente!
- Olha, Weasley, eu não tenho idéia sobre o que a Granger possa ter te contado...
- Todos nós estamos em perigo! - disse a garota estridente.
- É mesmo? - Draco olha para os lados - Eu não me sinto em perigo. Você está em perigo, Crabbe? E você, Goyle? - os dois soltaram outro grunhido indefinido.
- Tom vai atacar hoje!
- Quem? - perguntou Draco.
- Tom... Tom Riddle. - Draco olhou para Gina, sério. E virando-se para Crabbe e Goyle disse:
- Vão para o Salão Comunal, depois eu encontro vocês lá. - Quando os dois se afastaram, Draco perguntou: - Você disse Tom... Riddle? Aquele Tom Riddle?
- É, ele mesmo. - confirmou Gina tremendo dos pés à cabeça a menção daquele nome. - Eu fui buscar um pêndulo que esqueci na sala da professora Trelawney e a escutei conversando com ele.
- Conversando? - Draco perguntou incrédulo. - Isso é impossível. Como o Lord das Trevas ia entrar aqui, subir na Torre Norte e conversar com uma professora, no meio do dia e ninguém o vir por aqui?
- Eu não disse que ele estava aqui, eu disse que ouvi a professora e Tom conversando. - disse Gina irritada. - E isso é muito diferente!
- E como você pode ter tanta certeza que era o Lord das Trevas? Podia ser outro bruxo qualquer!
- Não! Era ele, eu tenho certeza. Eu jamais vou esquecer a voz dele. - disse tremendo de novo. Seus olhos estavam sombrios, o que impressionou Draco.
- E porque você acha que eu ligo?
- Você sabe muito bem que Tom vai matar todos que estiverem na frente dele, inclusive a...
- Minha mãe!
- Acho que você entendeu onde eu queria chegar! - disse Gina finalmente.
- Porque você não procura um professor, eles podem te ajudar muito mais do que eu...
- Porque estão todos fora, no julgamento, os únicos adultos que estão no castelo são a professora Trelawney, que é uma Comensal, e o Filch que mesmo que pudesse tenho certeza que não ajudaria!
- Tá! Por que você não usa uma coruja, então?
- Não ia adiantar, a coruja levaria o dia inteiro para chegar a Londres e, aí vai ser tarde demais!!
- O que você quer que eu faça? Desculpe, mas não costumo carregar Chaves de Portal no meu bolso...
- Ora, você é um sonserino, não é? Deve saber de um jeito de sair do castelo sem ninguém ver!
- Mesmo que eu soubesse, de onde você tirou a idéia que eu iria te levar junto?
- Você não tem outra escolha, Malfoy! E eu não tô pedindo para você ir, só me ajude a sair do castelo que eu sei co...
- O quê? Você acha que eu deixaria uma pirralha como você com uma responsabilidade dessas? - cortou Draco. - Não com a minha mãe lá...
- Tá, eu preciso chegar a Hogsmeade e rápido... eu sei que o Harry conhece as passagens secretas que levam até lá, mas ele nunca me falou onde eram. Você sabe?
- Potter, Potter, sempre o Potter... - reclamava Draco - e quem é que precisa de passagens secretas? Eu posso sair daqui sem precisar disso, só usando a minha inteligência. E além disso, como você pretende chegar a Londres... que eu me lembre o Expresso leva quase o dia todo e...
- Eu já tenho tudo planejado, ok? Será que a gente pode ir logo? - cortou Gina.
Draco levou Gina para os jardins. A garota o seguia sem fazer perguntas, na sua cabeça ainda ecoava as palavras de Voldemort "Hoje, finalmente, realizarei os planos de Sonserina!! Harry Potter, sim, o último na descendência de Grifinória caíra sob meu domínio". Chegaram às estrebarias. O rapaz se aproximou de uma das carruagens que traziam os alunos até o castelo no início do ano letivo e abriu a portinhola. Gina olhou Draco sem compreender.
- O quê? Você acha que eu vou andando até Hogsmeade? - perguntou Draco.
- Mas nós não podemos... isto é roubo! - exclamou Gina.
- Não é roubo, é só um empréstimo... ora, não foi você mesma que disse que tínhamos que agir rápido?
Gina concordou, irem andando até Hogsmeade levaria um tempo precioso, tempo que eles não tinham. Entrou na carruagem e sentou-se ao lado de Draco. O rapaz apenas disse:
- Hogsmeade!
E a carruagem começou a se mexer. Algum tempo depois, estavam chegando em Hogsmeade e Gina teve que dar o braço a torcer, Draco tinha tido uma boa idéia. Mas não comentou nada...
- Pronto... estamos em Hogsmeade, e agora? - perguntou Draco.
- Vamos até a casa da Phoebe. Lá poderem...
- Casa de quem? - cortou Draco.
- Da minha amiga, Phoebe Hexerei, a família dela mora em Hogsmeade e poderemos usar a lareira da casa dela.
- Esse é o seu grande plano? - perguntou Draco furioso - Será que você não sabe que não se pode entrar dessa forma no Ministério? Eles têm o mesmo sistema de segurança de Hogwarts...
- Eu sei. - disse Gina andando rápido e sem dar atenção a Draco. - Eu vou, via Flu, até o Beco Diagonal e de lá até o Ministério... Acho que é aqui.
Gina parou em frente a uma casa pequena, mas muito bonita, pelo menos foi o que Gina achou. Abriu o pequeno portão e caminhou pelo jardim até uma das janelas laterais. Aproximou-se e observando o movimento da rua, que era extremamente calmo a essa hora do dia, pegou sua varinha e disse:
- Alorromora!
A janela se abriu e os dois entraram. Era uma casa simples, mas os dois não estavam com tempo para observar a decoração da casa. Dirigiram-se diretamente para a lareira. Gina tirou de sua capa um saquinho escuro, colocou a mão dentro dele, retirou um punhado de pó de Flu e entregou o saquinho para Draco. Entrou na lareira e disse:
- Beco Diagonal. - Uma chama verde a envolveu e ela sumiu. Draco entrou a seguir e repetiu o procedimento.
Segundos depois, Draco chegava à "Lareiras & Transportes Alternativos". Gina observou, abismada, que o rapaz não tinha um único fio fora do lugar, enquanto ela estava coberta de fuligem. Ficaram aliviados ao constatarem que o Beco Diagonal estava praticamente vazio e assim poderiam andar desapercebidos. Ao deixarem o Caldeirão Furado e ganharem as ruas londrinas, Draco comentou:
- Ok, tenho que concordar que você chegou a Londres, agora como vamos para o Ministério?
- Nósvamospegarometrô! - disse Gina andando rapidamente.
- Ai! Lá vem! Porque será que eu tô com a impressão de que não vou gostar de saber a resposta, mas o que foi que você disse, Weasley? - disse segurando o braço da garota que parou ao seu lado.
- Nós vamos de metrô!
- E o que vem a ser metrô, Weasley?
- É um meio de transporte trouxa, Malfoy.
- Trouxa... Você realmente acredita que eu, Draco Malfoy, vou andar numa geringonça inventada pelos trouxas? - Draco perguntou arqueando uma sobrancelha, que, reparou Gina, o deixava extremamente charmoso.
- Bom, nós não podemos nem sabemos aparatar e eu não trouxe minha vassoura, então esse é o único jei... - Gina começou, mas vendo Draco revirar os olhos irritado, completou: - é seguro, eu estudei sobre isso este ano em Estudo dos Trouxas.
Respirando fundo, Draco seguiu Gina até a estação de metrô. A estação estava cheia e eles logo se misturaram aos trouxas, se não fosse pela capa do uniforme nada convencional de Hogwarts, eles poderiam passar por trouxas sem maiores problemas. De repente, Gina estancou.
- O que foi agora, Weasley? - Draco perguntou irritado.
- Olha. Eles colocam uma moeda ali para poder passar!
- E daí?
- Eu não tenho dinheiro trouxa!
- Humph! Novidade! Eu ficaria realmente surpreso se você falasse que tinha dinheiro, mesmo sendo trouxa, Weasley! - disse Draco zombeteiro. Gina ficou irritada com o comentário ardiloso, mas não conseguiu pensar em nenhuma resposta a altura. - Vem. - disse Draco.
- O que você vai fazer, Malfoy?
Draco não respondeu, apenas caminhou até a catraca e discretamente tirou a varinha das vestes.
- Malfoy, nós não podemos usar magia...
- Quer ficar quieta, Weasley! - Gina se calou e observou o que Draco fazia - Penne Verto - O ferro que impedia a passagem transformou-se em uma pena. Gina olhou boquiaberta para Draco.
- Penne Verto?
- Um feitiço básico de transfiguração! Você devia prestar mais atenção nas aulas, Weasley? - disse sorrindo com o canto dos lábios.
- Ótimo, era só o que me faltava, um sermão de Draco Malfoy!!! Olha, o metrô!
Eles entraram no vagão e olharam em volta. Parecia um trem comum, claro que não tinha o requinte do Expresso de Hogwarts. As portas se fecharam e quando o trem começou a andar, Gina quase caiu em cima de Draco. Encabulada, Gina foi se sentar do outro lado. Na estação seguinte, entrou um grupo de rapazes que se aproximaram de Gina.
- Oi, boneca. - disse um deles cercando Gina. - Sabe que eu adoro ruivas? Elas são quentes... - disse tocando nos cabelos de Gina.
- Deixem a garota em paz. - disse Draco se aproximando.
- Ora, ora. Vejam só, o namoradinho ficou irritado, é? - disse o rapaz empurrando Draco.
- Você... Você encostou em MIM? - disse Draco enojado.
- Ih, olha só, o playboyzinho não gosta de ser tocado. - o rapaz disse cercando Draco.
- Olha, nós não queremos encrenca, tá? - Gina disse.
- Olha, boneca. Você é uma gracinha, mas seu amiguinho aqui merece uma lição...
- E vocês acham que podem fazer algo comigo? Que piada! Vocês não passam de um bando de trouxas...
- Malfoy!!
Os rapazes não gostaram nada de serem chamados de trouxas, claro que eles não entenderam o que isso significava, mas pelo tom usado por Draco deduziram que se tratava de algum tipo de ofensa. Quando um deles se preparava para dar um soco em Draco, Gina o derrubou. Os rapazes ficaram furiosos e partiram para cima dos dois. Por sorte, a porta do trem se abriu e Gina empurrou Draco para fora do vagão.
- Hey! Porque você fez isso?
- Isso o quê? Evitar que você levasse uma surra?
- Eles não iriam...
- Ah, iriam sim, Malfoy.
- Como foi que você derrubou aquele trouxa? Você é tão... criança! - disse Draco. Gina revirou os olhos. Se tinha uma coisa que realmente irritava Gina, era ser tratada como criança.
- Bom, com seis irmãos mais velhos você precisa aprender a se proteger... E eu não sou tão criança assim, na verdade, sou só um ano mais nova que você. - Gina respondeu brava. Suas bochechas estavam tão vermelhas quanto o seu cabelo o que provocou um sorriso involuntário em Draco.
- Tá, tudo bem! - ele disse divertido.
Eles saíram da estação e andavam pelas ruas em silêncio. Enfim, quando se aproximaram da rua onde se localizava o Ministério, Draco falou:
- Vai ser impossível entrar lá, sabia?
- Mas nós precisamos, Malfoy!
- É mesmo? E como você pretende fazer isso? Dando rasteiras em todos os guardas?
- Eu não sei como! Ainda! Mas... - as palavras morreram em sua boca. Gina olhava boquiaberta para a rua. Draco virou-se para também ver o que havia despertado aquela reação na garota e acabou engolindo em seco. A rua estava lotada de bruxos e bruxas andando de lá para cá, vários bruxos-seguranças e até mesmo aurores que foram deslocados para lá a fim de evitar a balbúrdia. - Nós nunca vamos entrar!
- Não por aí! - disse Draco como que pensando alto. - Acho que tenho uma idéia... Vem comigo! - disse puxando Gina pela mão que se deixou conduzir. Eles deram a volta no quarteirão e se postaram na rua de trás do Ministério. Estava vazia.
- Como você sabia que aqui não teria ninguém?
- Eu não sabia! Na verdade, estou tão surpreso quanto você! - disse Draco sério.
- Isso pode ser coisa do Tom, né? Alguém está facilitando a entrada dele!! Alguém do Ministério! - disse Gina horrorizada. - Isso é horrível!
- Veja pelo lado bom - Gina olhou para ele sem entender.
- Que lado bom tem em haver um traidor no Ministério?
- Ora, isso vai facilitar as coisas para nós. - disse dando de ombros.
Draco ficou olhando para o prédio pensativo. E então viu algo que o fez sorrir. Ali, no terceiro andar, havia uma janela aberta. Olhou para Gina medindo-a dos pés a cabeça.
- O que foi, Malfoy? - disse Gina encabulada com a maneira que o rapaz lhe olhava.
- Quantos quilos você pesa? - ele perguntou.
- O quê?
- Quantos quilos você pesa? - como Gina apenas o olhava sem compreender. Draco apontou para a janela aberta no terceiro andar. - Quantos quilos você pesa? Eu preciso saber para te levitar até lá.
- Me levitar?
- Éééééééé - disse irritado como se estivesse falando com um doente mental - mas se você preferir pode escalar a parede até lá.
- Não! Hum... eu peso 50 quilos.
- Tá. Eu vou te levitar até lá. Dep...
- Você vai primeiro!!! - disse Gina.
- Qué que é? Você acha que eu vou fazer o quê? - Draco questionou irritado. - Se você duvida de mim pode ir sozinha...
- Não é isso, Malfoy... é... que... - disse Gina olhando para o chão.
- O quê?
- Ora, eu estou de saia, Malfoy! - Draco fechou os olhos. Não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir. Ele, que até ali já tinha ajudado essa garota a sair do castelo, a conseguir passar pela tal catraca do metrô e agüentado uma viagem de metrô junto a trouxas sem reclamar [muito, agora era "acusado" de algo tão baixo como... como...
- Olha, Weasley, pode ficar tranqüila; eu não sou nenhum tarado pervertido que precisa de uma desculpa esfarrapada dessas para poder ver a sua calcinha.
- Tá, mas você vai primeiro. - concluiu Gina.
- Tudo bem! - disse irritado. Gina apanhou sua varinha nas vestes e a apontou para Draco. O rapaz olhou apreensivo para Gina. Não era nada confortável ter uma varinha apontada para si.
- Vingardium Leviosa! - Ela disse numa voz um tanto trêmula.
Se Draco soubesse rezar com certeza estaria rezando neste momento.
Sentiu seu corpo começar a levitar, no começo ia tudo certo até que Gina ficou nervosa e se descontrolou, Draco ficou flutuando de um lado para outro como um boneco desengonçado até que bateu no parapeito da janela com força. Agarrou-se e maldizendo a garota entrou na sala. Não havia ninguém ali. Voltou à janela e viu Gina parada na calçada, com a cabeça voltada para cima, aguardando. Draco pegou sua varinha e apontando para Gina disse:
- Vingardium Leviosa!
Diferentemente de Draco, Gina veio flutuando diretamente para a janela. Ela segurou-se no parapeito da janela e entrou.
- Como você passou do primeiro ano? - Draco perguntou.
- O quê?
- Foi o pior feitiço de levitação que eu já vi e olha que estudo com o Longbottom.
- Ah, desculpe. Geralmente não é assim tão ruim... é que eu estou nervosa!
- Bom, entramos! E agora?
- Temos que encontrar o Harry! Ou então Dumbledore!
- Ok!
Saíram da sala e foram caminhando pelos corredores vazios do Ministério. Draco estranhou aquilo e depois de andar por alguns corredores comentou.
- Você não acha estranho que não tenha ninguém por aqui?
- A minha mãe disse numa coruja que ela enviou para o Rony que o Ministério estava uma loucura... parece que todo mundo queria saber o que ia acontecer no julgamento, ninguém falava em outra coisa.
- E onde está todo mundo agora?
- Devem estar todos no julgamento!
- Acorda, Weasley! Um julgamento desses chama muita atenção, mas nem todo mundo pode entrar e assistir.
- Você acha que...
- Olhe! - Draco aponta para uma porta entreaberta onde se podia ver um corpo caído ao chão. - O que é aquilo?
- Parece uma pessoa caída...
Os dois lentamente se aproximam do local. Draco, já com a varinha na mão, olhava atento para os lados. Ao se aproximar mais, Gina viu que na sala havia várias pessoas caídas ao chão. Gina se abaixou e tocou no homem que eles haviam visto. Seu corpo estava gelado. Sem vida. Gina soltou um grito abafado que chamou a atenção de Draco.
- O que foi?
- Ele... está... morto! - Gina disse num sussurro. - Morto! - Draco entrou na sala e passando a vista constatou que todos ali na sala estavam mortos.
- Vamos achar logo essa sala de julgamento! - disse sério.
Agora não andavam, mas corriam pelos corredores desertos. O tempo estava se escoando... E apenas eles sabiam que Voldemort preparava um ataque. Se não encontrassem rapidamente a sala todos ali seriam pegos de surpresa e não teriam chance alguma de sobrevivência. Com o coração batendo acelerado, Draco viu uma placa indicando que a sala se encontrava no final do corredor em que estavam. Estavam perto, apenas a alguns metros. Ao chegarem a porta, Draco tentou abri-la, em vão. Olhou desesperado para Gina que pegando sua varinha disse:
- Alorromora! - Mas nada aconteceu. - Porque não abriu?
- Deve estar enfeitiçada... - disse e puxando Gina para trás de si, Draco murmurou: - Akthos Explosivis!
Da varinha de Draco saiu uma luz avermelhada que ao bater na porta causou uma enorme explosão. Lentamente a porta veio ao chão.
