Capítulo 3: O Que Aconteceu Com A Cera?

A Cera estava no seu ninho, encolhida, a chorar.

O seu pai viu-a e ficou preocupado: "Filha?"

Ele foi ter com ela.

"Cera. Filha. O que é que aconteceu? Porque é que estás a chorar?"

"Não me apetece falar sobre isso, pai."

"Alguém te fez mal? Foi aquele Pescoço-Longo com quem costumas andar?"

"Eu já disse qua não me apetece falar sobre isso!", gritou a Cera.

"Está bem, filha. Já vi que estás furiosa. Olha: quando te apetecer falar, vem ter comigo. Eu sou teu pai e tu sabes que podes contar comigo."

"Está bem. Obrigada, pai. Agora deixa-me ficar sozinha."

"Está bem, filha."

O pai da Cera saiu da beira da filha, mas continuava preocupado. Passa-se alguma coisa. E eu vou descobrir o que é!, pensou.

O Littlefoot estava sentado no seu ninho a pensar no que aconteceu.

"Littlefoot: eu amo-te!", disse a Ali. "Eu sei que nós podeos ser felizes juntos! Basta tu quereres!", ela aproximou-se dele.

O Littlefoot sentia a respiração da Ali em si.

A Ali aproximou-se mais dele: "Eu amo-te, Littlefoot."

A Ali beijou o Littlefoot e fechou os olhos.

No início, o Littlefoot arregalou os olhos. Mas depois, deixou-se levar pelo beijo da sua amiga e beijou-a de volta.

"O que é isto?", ouviu-se um grito.

O Littlefoot reconheceu logo a voz e separou-se rapidamente da Ali: "Cera! Eu posso explicar!"

"Não preciso das tuas explicações para nada! Nunca mais te quero voltar a ver!", a Cera começou a correr.

"Cera! Espera!"

O Littlefoot baixou a cabeça.

"Littlefoot."

Ele levantou a cabeça para ver a Ali: "O que é que queres?"

"Eu... sinto muito. Eu não sabia que tu e a Cera eram..."

"Nós não somos nada!"

"Littlefoot. Eu sou tua amiga! Podes dizer-me a verdade! Eu não vou contar a ninguém! Podes contar comigo!"

O Littlefoot viu-a a sorrir e olhou nos olhos dela. Ele viu que podia confiar nela.

"Está bem, Ali. Eu conto-te. A verdade é que eu e a Cera já estamos juntos à algum tempo. Nós amamo-nos muito! Mas agora ela não quer saber de mim."

"Oh Littlefoot. Desculpa. Eu não sabia! Eu quis mostrar que te amava. Eu não podia adivinhar que tu já tinhas uma namorada! Além disso, tu mentiste-me! Tu disseste-me que não gostavas de ninguém!"

"Eu não te podia contar que gostava da Cera, não é?"

"E porque não?"

"Eu tive medo de perder a tua amizade! Tive medo que me achasses um monstro!"

"Porquê? Só porque tu e a Cera não são da mesma espécie?"

O Littlefoot baixou a cabeça.

"Littlefoot! Vocês amam-se! O resto não importa! Têm mais é que ser felizes ao lado um do outro!"

"Achas mesmo?", ele levantou a cabeça.

"Claro! Olha: eu disse que te amava. Aliás: ainda te amo! Mas agora sei que tu estás apaixonado pela Cera! Por isso, desisto!"

"Mas... assim... tu ficas...!"

"Não te preocupes comigo! Tenho a certeza que um dia vou encontrar alguém que me faça feliz, tal como tu encontraste a Cera! Tu agora tens é que te preocupar em salvar a tua relação! E se quiseres, eu ajudo-te!"

"Ajudas-me?!"

"Claro! Somos amigos, não somos!"

Os dois olharam um para o outro a sorrir.

"Littlefoot!", chamou o pai da Cera.

"Sr. Três Chifres! O que é que faz aqui?"

"Eu preciso de ter uma conversa contigo!"

"O que é que se passa? É alguma coisa com a Cera?"

"Acertaste!"

"Ela está bem?"

"Receio bem que não!"

"O que é que aconteceu?"

"É isso que eu quero saber. Hoje de manhã, ela estava contente e ia ter contigo. Depois, chegou a casa triste e agora vejo-a a chorar. Ora, se ela foi ter contigo, provavelente tu sabes o que se passa!"

O Littlefoot estava nervoso.

"Eu posso explicar!", disse a Ali.

O Littlefoot e o pai da Cera olharam para ela, espantados e curiosos.

A Cera estava a caminhar lentamente pelo Vale, triste e pensativa. Aquela imagem não lhe saía da cabeça:

A Ali e o Littlefoot estavam-se a beijar de olhos fechados.

"O que é isto?", perguntou a Cera.

A Cera começou a chorar.

"Cera!"

A Cera olhou para a frente e viu a Ducky, o Spike e o Petrie a irem na direcção dela.

A Cera tentou disfarçar a sua tristeza: "Olá, amigos. O que é que se passa?"

"Queres vir brincar connosco?", perguntou a Ducky.

"Não, obrigada. Não estou com vontade.", a Cera virou-se para trás e foi-se embora.

"Ela não está bem. Não, não, não."

"Mim também acha.", disse o Petrie.

O Spike concordou, acenando com a cabeça.

"Tens a certeza disso, Ali?", perguntou o pai da Cera.

"Tenho."

"Bem! Nunca pensei que fosse isso! Obrigado, Ali. Vou ter agora mesmo com a minha filha."

O pai da Cera foi-se embora.

"Obrigado por não lhe contares a verdade, Ali."

"Ora essa, Littlefoot. Como te disse antes, nós somos amigos e tu podes contar comigo para o que for preciso!"

"Littlefoot! Ali!", chamou a Ducky.

"Ducky! Petrie! Spike!", disse o Littlefoot.

"Querem brincar connosco?"

"Desculpa, Ducky. Mas não estou com muita vontade."

"Tu também?", perguntou o Petrie.

"Como assim, eu também?"

"Nós já falamos com a Cera e ela disse que não estava com muita vontade!", disse a Ducky.

"E como é que ela estava?"

"Parecia triste!", disse o Petrie.

"Pois parecia! Parecia sim!", disse a Ducky.

O Spike concordou, abanando a cabeça.

"Porque é que nos perguntas isso, Littlefoot?", perguntou a Ducky. "Tu sabes o que é que ela tem?"

"N-Não!"

"Nós não sabemos de nada!", disse a Ali. "O pai da Cera também nos perguntou se sabíamos alguma coisa!"

"É verdade! Podem ir brincar vocês. Eu não vou."

"Então e tu, Ali?", perguntou o Petrie.

"Eu também não vou. Eu e o Littlefoot vamos ter com a Cera para ver o que se passa."

"Nós também vamos!", disse a Ducky.

"É melhor não. Quanto menos forem, melhor!"

"Então está bem!", disse o Petrie. "Vamos!"

O Petrie foi-se embora e o Spike foi atrás dele.

"Depois contem-nos tudo!"

"Não te preocupes, Ducky.", disse o Littlefoot.

A Ducky foi a correr para ir ter com o Petrie e o Spike.

"Ei! Esperem por mim! Esperem!"

Finalmente, os três saíram de vista:

"Obrigado outra vez, Ali.", disse o Littlefoot.

"De nada."

A Cera estava outra vez no seu ninho, deprimida.

Aquela imagem ainda na sua cabeça:

A Ali e o Littlefoot estavam-se a beijar de olhos fechados.

"Mas porquê?", disse ela, a chorar. "Eu pensava que ele me amava!"

"Cera.", chamou-lhe o pai.

"Pai?!", ela levantou-se.

O pai viu-lhe a chorar: "Filha. Eu já sei o que se passa contigo."

A Ali e o Littlefoot estavam a passear pelo Vale.

"Littlefoot. Eu preciso de fazer uma coisa.", ela virou-se e começou a correr.

"Onde é que vais?"

"Fazer algo importante! Não me sigas!"

A Ali desapareceu de vista.

O que será que ela foi fazer?, pensou o Littlefoot.

"Pai. Eu..."

"Não digas nada, filha.", disse o pai da Cera. "É perfeitamente normal o que estás a sentir."

"Então... não estás chateado?"

"Chateado? Porque estaria?"

"Porque é proibido!"

"Proibido?! Desde quando é que é proibido ter saudades?!"

"Saudades?!"

"Sim, filha! Não é isso que te aflige?!"

"Eu..."

"Tu não estás assim triste por teres saudades da tua mãe?"

"O quê?! Oh! Sim! Claro! Eu tenho muitas saudades dela, pai! Afinal, eu mal a conheci!"

"É verdade, filha. Eu também fiquei muito triste quando ela... se perdeu no meio do terramoto. E senti-me muito mal por ter que te contar o que aconteceu. Mas tu sabes como ela era! Tu viste-a! E apesar de não te lembrares muito bem dela, eu contei-te tudo sobre ela!"

"Eu sei, pai."

"Escuta, filha. É normal termos saudades de alguém que perdemos ou que já não vemos à muito tempo e que são importantes para nós! Mas essas coisas passam com o tempo! Não podemos ficar presos a isso! O importante é que esse alguém fique sempre no nosso coração."

"Obrigada, pai."

"Tudo isto faz parte do Ciclo Da Vida, filha. Bom: agora vou esperar a Tria e a Trícia. Elas ficaram de voltar esta tarde. Queres vir comigo?"

"Não, pai. Vai tu. Eu fico aqui."

"Como queiras, filha! Adeus!"

"Adeus."

O pai dela foi-se embora e a Cera abaixou a cabeça outra vez.

"Cera!", chamaram por ela e ela levantou-se mais uma vez para ver quem era.

"O que é que fazes aqui?"