Capítulo 4: Tudo Volta Ao Normal
"Cera. Temos que falar."
"Eu não tenho nada para falar contigo! Vai-te embora, Ali!"
"O Littlefoot não tem culpa!"
"Claro que não! Ele foi obrigado a beijar-te!"
"Cera. Eu sei que estás revoltada, mas...!"
"Revoltada? Eu não estou revoltada. Estou furiosa!"
"Eu sei porque é que estás assim."
"Não! Tu não sabes nada! Eu estou assim porque sou amiga do Littlefoot e eu acho que ele não vai ser feliz ao teu lado!"
"Eu sei que tu e o Littlefoot são namorados!"
"O quê?!"
"O Littlefoot contou-me."
"Não! É mentira! Eu e o Littlefoot somos só amigos!"
"Cera! Eu sei que é verdade! Escusas de disfarçar! Além disso, está na cara que vocês se amam. Quando falam um do outro, eu vejo nos vossos olhos o brilho que eles transmitem."
"Tu não contaste a ninguém, pois não?"
"Claro que não! Vocês é que devem contar! Quando acharem que devem, claro!"
A Cera estava com um ar sério. Mas depois, fez-se de irritada:
"Bom: isso agora não importa. Até porque eu e o Littlefoot já não estamos juntos. Ele traíu-me! Contigo!"
"Cera! Eu já disse que ele não teve culpa!"
"Ai não? Então de quem é a culpa?"
"Minha."
"O quê?!"
O pai da Cera estava à entrada do Vale, quando viu dois dinossauros ao longe: "Serão elas?", ele foi em direcção a eles.
O Littlefoot estava numa rocha, a olhar para o céu: O que será que a Ali foi fazer?, pensou.
"A culpa foi minha.", disse a Ali. "Fui eu que beijei o Littlefoot."
"Já calculava.", bufou a Cera.
"Eu sabia que ia voltar aqui e queria aproveitar os dias que passasse aqui para me aproximar do Littlefoot e declarar-me a ele. Eu apaixonei-me por ele quando vim para aqui da última vez."
"Eu sabia! Eu pensava que o Littlefoot e tu tinham alguma coisa, mas ele garantiu-me que vocês eram só amigos! E eu acreditei nele! Como é que eu não percebi antes? Vocês planearam tudo! Desde o início que vocês me andam a enganar!"
"Não, Cera! Percebeste tudo mal! O Littlefoot não sabia que eu vinha para aqui outra vez!"
"Isso não muda nada!"
"Claro que muda! Eu quis fazer-lhe uma surpresa! Quis mostrar-lhe o quanto o amava! O Littlefoot só soube que eu vinha na véspera, porque o avô dele lhe contou! Senão ele não sabia de nada! Como vês: é impossível termos planeado o que quer que seja! À anos que não nos víamos!"
"Mas eu vi-vos aos beijos!"
"Eu já te disse, Cera! Fui eu que beijei o Littlefoot! Ele até se sentiu mal pelo que aconteceu! Ele ama-te, Cera!"
"E como é que eu sei se me estás a dizer a verdade? Podes muito bem estar a mentir!"
"Se não acreditas em mim, pergunta ao Littlefoot! Pelo menos nele deves confiar!"
A Cera baixou a cabeça.
"Já disse tudo o que tinha a dizer! Agora é contigo! Segue o teu coração!"
A Cera levantou a cabeça e viu a Ali a ir-se embora. Depois bufou e deitou-se.
"Minhas queridas!", o pai da Cera correu para as duas Tricórnios que entravam no Vale.
"Topsy!", disse a adulta. "Vieste esperar-nos!"
"Claro, querida! Eu adoro-vos!"
"Onde está a Cera?"
"Ela está um pouco deprimida. Ficou no ninho a descansar."
A fêmea fez um ar preocupado.
"Não te preocupes, Tria! Aquilo passa-lhe! E como está a minha filhinha querida?", ele acariciou a pequena Trícia.
A Trícia estava alegre por ver o pai outra vez.
"E que tal contares-me como correu a vossa viagem pelo caminho? Como está a Grace?"
"Está muito bem, Topsy! Aliás: ela tem um novo namorado."
"Não! Outro?! Ela nunca se cansa?"
"Parece que não!"
Os três seguiram viagem.
"O que é que foste fazer?", perguntou o Littlefoot.
"Ajudar-te a resolver um problema.", respondeu a Ali.
"O quê?!"
"Fui falar com a Cera."
"Não! Ali! Não havias de ter feito isso! Ela agora deve odiar-me ainda mais!"
"Eu não teria tantas certezas!"
"Afinal o que é que lhe disseste?"
"A verdade. Eu sei que ela é teimosa, mas vais ver que mais tarde ou mais cedo ela vai perceber que eu e tu nunca tivemos nada e que aquilo que ela viu foi só um simples beijo sem importância."
O Littlefoot olhou para ela, sério.
"Confia em mim!", disse ela. "Agora tenho que ir. O Harry chamou-me para ir ter com a manada. Parece que aconteceu alguma coisa. Até logo!"
"Até logo."
O Littlefoot ficou pensativo: Será que ela tem razão? Será que a Cera vai voltar para mim? Ou será que eu a perdi de vez?
A Cera continuava no ninho.
As palavras da Ali ecoavam-lhe na cabeça:
"Está na cara que vocês se amam. Quando falam um do outro, eu vejo nos vossos olhos o brilho que eles transmitem. Fui eu que beijei o Littlefoot. Ele ama-te, Cera! Se não acreditas em mim, pergunta ao Littlefoot! Pelo menos nele deves confiar! Segue o teu coração!"
"Tenho que esclarecer isto.", a Cera saiu do ninho.
O Littlefoot passeava pelo Vale a pensar nas palavras da Ali:
"Eu sei que ela é teimosa, mas vais ver que mais tarde ou mais cedo ela vai perceber que eu e tu nunca tivemos nada e que aquilo que ela viu foi só um simples beijo sem importância."
"Espero que ela tenha razão.", disse ele.
Ele continuou a andar.
"Littlefoot!", chamaram por ele.
"Cera?!"
"Precisamos de falar."
"Cera. Eu..."
"A Ali veio falar comigo!"
"O que é que ela te disse?"
"Ela disse-me que foi ela quem te beijou e que tu te sentiste mal com isso! É verdade?"
"Cera...!"
"Responde!"
"Mais ou menos."
"Mais ou menos? Quer dizer que sentiste alguma coisa quando ela te beijou?", ela estava zangada.
"Cera. Eu amo-te e quero ser sincero contigo. Eu não contava com o beijo da Ali. Aconteceu tudo muito depressa! A verdade é que quando ela me beijou eu senti-me mal! Mas senti-me mal por ter gostado do beijo!"
"Gostaste do beijo?", a Cera estava prestes a explodir de raiva.
"Eu e ela não nos víamos à muito tempo! Estávamos com saudades um do outro! A Ali ama-me, mas eu não a amo! O que eu sinto por ela é apenas amizade! Mais nada!"
"Mas... o beijo...!", a Cera acalmou.
"O beijo não significou nada para mim! Eu disse que gostei, é verdade! Mas foi apenas um momento de fraqueza, saudade! Nada mais que isso! E as coisas que ela me disse deixaram-me um pouco emocionado! O beijo aconteceu porque tinha que acontecer! O destino é assim mesmo, Cera! Inesperado! Nunca sabemos o que vai acontecer! Mas as nossas decisões e sentimentos é que contam! E o que eu sinto é que estou completamente apaixonado por ti e a Ali é apenas uma amiga!"
"Então... Tu não sentes nada por ela?"
"Não, Cera!"
O Littlefoot aproximou-se dela: "Eu amo-te."
E beijou-a, fechando os olhos. Ela beijou-o de volta.
Quando se separaram do beijo, a Cera estava a chorar: "Eu também te amo, Littlefoot."
E beijaram-se outra vez.
"Oh! Que lindo!"
Eles separaram-se para ver quem estava lá.
"Oh! Não se preocupem connosco! Façam de conta que não estamos aqui!"
"Isto não é o que parece, Ducky.", disse a Cera.
"Como não? Eu vi-vos a beijarem-se!"
"Mim também viu!", disse o Petrie.
O Spike acenou com a cabeça.
"Está bem. É o que parece.", disse o Littlefoot.
"Littlefoot!"
"Não te preocupes, Cera! Eles são nossos amigos! Não vão contar a ninguém, pois não?"
"Não!", responderam os amigos.
"Ducky. Petrie. Spike. Eu e a Cera somos namorados. Nós já estamos juntos à algum tempo, mas não contamos a ninguém por causa das nossas diferenças. Os adultos nunca vão aceitar a nossa relacção. Mas vocês compreendem! São nossos amigos! Não vão contar a ninguém!"
"Claro que não! Não, não, não!", disse a Ducky.
"Mim não contar nada!", disse o Petrie.
O Spike abanou a cabeça.
"Obrigada, amigos!", disse a Cera.
"Obrigado!", disse o Littlefoot.
O casal abraçou os seus amigos.
"Amigos, amigos!", a Ali apareceu a correr, preocupada.
"Ali?!"
"Tenho más notícias!"
"O que é que se passa?", perguntou o Littlefoot.
"Eu vou-me embora amanhã, mal o Círculo Brilhante apareça no céu!"
"O quê?! Já?!", perguntou a Cera.
"É verdade. Um membro da nossa manada está doente e a planta que a Anciã precisa para lhe curar não existe aqui no Vale Encantado!"
"Tu podias ficar aqui connosco!", disse o Petrie.
"Não dá. Eu gostava muito, mas tenho os meus amigos e a minha família na manada."
"Não te peocupes, Ali! Nós seremos sempre amigos! Seremos sim!", disse a Ducky.
O Spike concordou com a cabeça.
"Obrigada, amigos."
Todos se abraçaram, desta vez, com a Ali no centro.
À noite, no ninho da Cera:
"Filha. Estás melhor?"
"Do quê, pai?"
"Do que falamos esta tarde."
"Oh! Sim! Já estou melhor! Muito melhor, aliás!"
"Ainda bem. Boa noite, filha."
"Boa noite, pai."
Pouco tempo depois, ela ouviu alguém a chamá-la atrás de uns arbustos: "Cera."
Ela levantou-se e foi ver quem era.
"Ali?!"
"Cera. Eu queria falar contigo sobre o que aconteceu."
"Não. Não precisas."
"Preciso sim. Eu devo-te um pedido de desculpas. Eu nunca havia de ter beijado o Littlefoot."
"Tu não sabias que eu e ele namorávamos! Tu apenas tentaste lutar pela tua felicidade!"
"Pois. E por causa disso, quase perdia uma amiga!"
"Mas não perdeste. Ali. Eu vou ser sempre tua amiga! Não importa o que faças ou onde estejas!"
"Obrigada, Cera. És mesmo uma grande amiga!"
As duas abraçaram-se.
O Littlefoot estava quase a dormir quando foi chamado por alguém atrás de uns arbustos: "Littlefoot! Ei! Littlefoot!"
Ele levantouse e foi ver quem era.
"Ali?! O que é que fazes aqui?!"
"Eu queria pedir-te desculpa pelos problemas que te causei!"
"Não. Não tens que me pedir desculpa. Tu não sabias!"
"Mas eu prejudiquei-te! Por minha causa, quase perdias o amor da tua vida!"
"Sim, mas depois ajudaste-me a recuperá-lo! É isso que te torna especial!"
"A sério?"
"Sim! Ali. Eu e tu sempre seremos grandes amigos!"
"Obrigada, Littlefoot."
"E não te preocupes. Tu és linda, simpática, querida...! Tenho a certeza que vais encontar alguém que te ame e te dê todo o amor que mereces."
"Obrigada.", ela corou.
Os dois abraçaram-se.
No dia seguinte, os cinco amigos despediam-se da Ali que estava a partir com o resto da manada:
"Adeus, amigos!"
"Adeus! Boa viagem! Tchau!"
O Littlefoot virou-se para a Cera: "E quanto a nós: que tal recuperarmos o tempo perdido?"
A Cera sorriu para ele: "Alguma ideia?"
"Que tal voltarmos à nossa gruta?"
"Boa ideia!", eles começaram a andar. "Ei! Que história é essa do meu pai achar que eu tenho saudades da minha mãe? Tu e a Ali não têm nada a ver com isso, pois não?"
"Ups! Hê, hê!"
Os outros três amigos viram a manada a desaparecer:
"Bem: e que tal se brincássemos?"
"Boa ideia, Petrie! Ei! Onde é que estão a Cera e o Littlefoot!"
"Uh! Os pombinhos foram namorar!"
O Spike começou a rir-se com o Petrie.
"Oh! Não sejam mauzinhos! Eles são muito fofos!"
Os três partiram para a brincadeira, felizes pelo amor dos seus amigos.
