Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)
Autora: Sakuri
Tradutora: Lycanrai Moraine
Revisão e Betagem: Cy Malfoy e Nanda Malfoy
Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin
Classificação: M
Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.
Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa história é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.
Avisos: Essa história é SLASH. Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.
Notas: Werewolf!Draco
Oh, a ironia
oOo
Minerva tinha muitas vezes se perguntado por que tantos eventos desastrosos pareciam, inevitavelmente, ocorrer quando Harry Potter estava envolvido. Oh, sem dúvida, este desastre em particular não tinha sido sua culpa, ou até mesmo estava diretamente relacionado a ele. De fato, desta vez, ele surpreendentemente conseguiu evitar que esse acontecimento se tornasse maior, mais trágico.
Esses eram os pensamentos que estavam em sua cabeça enquanto ela e Harry entravam no escritório do diretor. Com sua mão descansando gentilmente em seu ombro, ela podia senti-lo tremendo fracamente de vez em quando. O garoto possuía uma imutável expressão de choque, tendo sido incorporada desde o... incidente nas escadas. Ele ainda estava agarrado a sua vassoura, com os nós dos dedos brancos, não tendo tido nenhuma oportunidade para largar o objeto. Suas vestes estavam ensopadas e seus sapatos deixavam lama por todo lugar, mas agora não era uma boa hora para ralhação.
"Nós esperaremos aqui por alguns minutos, Potter," ela disse a ele calmamente. "O Professor Dumbledore vai estar aqui em cima logo. Você pode contar a ele o que sabe."
Ele assentiu mudamente, olhando em volta. Ela sabia que ele já tinha estado ali mais vezes que a maioria dos outros alunos – no último ano, ele tinha até mesmo destruído uma grande parte da sala – mas ele nunca falhava em parecer curioso quando entrava no escritório do diretor.
Ela notou seus olhos perdidos e então se fixando em um pequeno armário onde estava guardada a penseira de Dumbledore. Ela franziu o cenho para aquilo, mas não disse nada.
Certamente eles ficaram ali não mais que alguns minutos quando Dumbledore entrou tempestuosamente na sala, parecendo tenso e cansado, mais que o normal. Ele olhou para os dois antes de caminhar até a cadeira e sentar-se atrás de sua escrivaninha.
"Harry," ele cumprimentou suavemente, sua voz soando cansada. Não havia brilho em seus olhos, e ele não fez movimento algum para oferecer a nenhum deles um sorvete de limão, o que, por si mesmo, já era um sinal de alarme.
"Professor," o garoto sondou, cuidadosamente, subitamente consciente de sua aparência desgrenhada. Ele remexeu-se desconfortavelmente. "Err, me desculpe..."
Dumbledore agitou a mão vigorosamente, sacudindo a cabeça. "Não importa, meu menino, não importa. Se você pudesse apenas me contar o que aconteceu, Harry..."
O menino de cabelos negros assentiu uma vez, baixando seus olhos. "Eu estava lá fora, no lago, Professor. Eu sei que já passava da hora de recolher, mas..." Ele deixou a voz morrer com um dar de ombros. Nenhum dos adultos iria repreendê-lo, sabendo exatamente o por que de ele ter começado a vagar sozinho nesses dias. "De qualquer forma, eu... eu queria ver Remus. Só conversar. Para ser honesto, eu tinha me esquecido totalmente que era esta época do mês. Mas, quando eu cheguei lá..."
"Continue, Potter." Minerva incitou.
"Quando eu cheguei lá, seu quarto estava uma bagunça. A porta estava aberta, então eu entrei. Eu vi... Eu vi a poção Mata-cão derramada em todo lugar, e a porta estava aos pedaços. Eu achei... Eu sabia o que tinha acontecido. Bem, não realmente. Eu não sei por que ele não tomou sua poção, Professor! Remus não faria isso! Mesmo com-"
"Harry, Harry," Dumbledore o interrompeu, sua voz voltando ao seu costumeiro tom gentil por um momento. "Todos nós sabemos que deve haver alguma razoável explicação para este acidente. Mas, se você pudesse apenas me contar o que você sabe."
"Desculpe." Harry murmurou. "Bem, depois que eu vi a sala eu apenas comecei a correr. A professora McGonagall foi a primeira pessoa que eu encontrei. Eu contei a ela o que tinha acontecido e ela foi chamar o senhor e o Snape. Mas... assim que ela partiu eu os ouvi gritando. Os... os sonserinos, eu quero dizer."
"Então, você foi ajudá-los?" Dumbledore perguntou, olhando para seu aluno por cima dos óculos de meia lua.
Harry deu um meio aceno. "Bem, sim, eu acho. Eu não podia ignorar aquilo, não é? Eu podia ouvi-los. Então, quando eu cheguei lá, eu vi Remus... Ele estava a ponto de atacar Malfoy, que estava apenas parado lá como o grande idiota que ele é –"
"Ahem!" Minerva tossiu, disfarçando uma reprimenda.
"Desculpe." Harry resmungou novamente, dessa vez soando muito menos arrependido. "Bem, de qualquer forma, eu lancei um Petrificus Totalus. Remus meio que caiu em cima do Malfoy, que deve ter desmaiado ou alguma coisa assim. E... bem, foi aí que vocês chegaram."
Os três ficaram em silêncio por longos minutos. Dumbledore olhava fixamente para sua escrivaninha, dando pancadinhas com os dedos, um franzir formando-se entre suas grisalhas sobrancelhas. Harry trocou o peso de pés, aparentemente tentando não parecer muito nervoso.
Finalmente, o diretor olhou para cima novamente. "Você agiu bem, Harry. Embora eu esteja completamente surpreso que seu feitiço tenha atingido e funcionado em um lobisomem adulto. Como você sabe, a maioria das magias não funciona. Você deve ter colocado muita força em seu feitiço.
O adolescente novamente deu de ombros, parecendo embaraçado. "Eu estava em pânico, eu acho," ele disse, tentando se explicar. "Hum, Professor? Malfoy está... você sabe… bem?"
Àquilo, o franzido aprofundou, e uma expressão preocupada, triste, passou pela face do velho homem. "Temo dizer que ele não está. Está muito longe disso, na verdade."
O choque de Harry era óbvio, tanto quanto o de Minerva. Ela deu um abrupto passo à frente, suas mãos se fechando. "Mas Albus, eu pensei que Remus tivesse machucado apenas a Madame Norra! Ele não vai morrer, vai?"
Dumbledore sacudiu sua cabeça. "Não, não. Mas ele pode considerar a alternativa um destino pior."
A realização do que o Diretor estava dizendo atingiu os outros dois ao mesmo tempo.
Minerva levou uma mão à boca. "Oh, Remus nunca se perdoará..."
"Eu tenho certeza que o Sr. Malfoy não vai se sentir muito inclinado a perdoá-lo também."
Minerva mordeu o lábio. "Mas, como? Eu pensei que o Sr. Potter tivesse chegado a tempo de impedir qualquer coisa como essa..."
Dumbledore sacudiu a cabeça. "Remus deve ter mordido ele enquanto caia. Ninguém poderia ter feito qualquer coisa, é claro. Poppy está checando ele novamente agora, mas eu acho que todos nós sabemos que não há nada que ela possa fazer. Ela o está mantendo inconsciente até que nós estejamos prontos para explicar toda a situação a ele."
Harry franziu o cenho. "O que irá acontecer? Aos dois. Remus será punido por isso? Ele vai poder continuar na escola?"
Dumbledore lançou-lhe um olhar grave. "Por enquanto, esta questão é incerta, Harry. Ninguém além de nós sabe do acidente, e apenas o Sr. Malfoy foi lesado – bem, exceto, é claro, pela trágica perda da companheira felina do Sr. Filch. Ele pausou por um momento com um olhar sombrio, antes de continuar. "Suponho que isto virá à tona com a decisão do Sr. Malfoy se ele deseja ou não manter este acidente em segredo."
Harry gemeu. "De jeito algum Malfoy será capaz de calar a boca sobre isto! É a chance dele de arruinar Remus! E ele é sempre tão dramático com a menor das coisas! Olhe o que ele quase fez com Bicuço!"
Por um brevíssimo momento, o brilho retornou aos olhos do diretor, antes de desaparecer mais uma vez. "Ah, mas Harry, você está esquecendo da reputação do Sr. Malfoy."
"Qual? A de egoísta, imbecil mimado que-"
"A de sangue puro, Harry."
Minerva suspirou. "Francamente, Albus, aonde isto vai dar?"
Lentamente, Dumbledore acomodou-se em sua cadeira. "Como praticamente todos nessa escola sabem, o Sr. Malfoy se orgulha de sua herança de sangue puro. Vocês realmente acham que ele irá querer tornar de conhecimento público que ele se tornou um lobisomem? Com as leis da forma como estão no momento, ele irá perder muito. Uma boa parte de sua fortuna, para começar, e seu status de herdeiro. Seu pai é um homem cruel. Ele não será solidário com Draco..."
"Albus, do que você está falando? Certamente, não está sugerindo encobrir isso?"
Harry olhou entre eles rapidamente, antes de andar até a mesa do Diretor. "Isso é possível? Você pode... você pode ajudar Remus com isso? Ele não será culpado de nada se Malfoy não abrir a boca?"
Dumbledore ergueu um longo dedo, pedindo silêncio. Ele olhou intensamente para os dois. "Por enquanto, eu não estou sugerindo nada. Nós estamos simplesmente discutindo a situação do jeito que está. No final, tudo será determinado pelo Sr. Malfoy e o Professor Lupin. Nós não podemos fazer coisa alguma para mudar isso. Entenderam?"
Relutantemente, Harry assentiu.
O Diretor suspirou e deu um sorriso cansado. "Bom, agora vá para a cama, meu garoto. Mais uma vez, você teve uma noite cansativa.
oOo
Harry entrou nas pontas dos pés no dormitório da Grifinória àquela noite, não querendo acordar alguém a quem ele tivesse, então, que dar alguma explicação. Era quase meia-noite àquela altura, e há muito passara do toque de recolher. Além do mais, seus amigos iam querer saber onde ele estava, e por que ele estava todo sujo de lama.
Silenciosamente, ele retirou as vestes destruídas que ele estava vestindo, trocando-as por quentes e secos pijamas que nunca tinham parecido tão confortáveis. Exausto, ele caiu na cama bem vinda, descartando seus óculos na mesa de cabeceira e puxando a coberta com dificuldade, cansado demais para se sentar e fazer isso direito.
Foi só então, enquanto ele permaneceu deitado por longos minutos com a cara enterrada no travesseiro, tentando dormir um abençoado tempo de descanso, que lentamente ele percebeu que estava... bem, agitado.
Como ele ainda tinha energia para estar nervoso, estava além de sua compreensão, mas, mesmo assim, seus pensamentos se recusavam a se acalmar. Eles giravam caoticamente, ansiosidade e raiva se agitando distantemente no fundo de seu estômago.
E à frente de sua mente, estava Remus.
Havia uma explicação para Remus não ter tomado a poção, ele sabia disso. Tinha que haver! Harry sabia que o lobisomem não estava em seu melhor momento, mas isto não significava que ele faria algo como aquilo de propósito...
Remus estava levando a morte de Sirius tão mal quanto o próprio Harry. Talvez pior. Como Harry havia descoberto, no fim do ano passado, os dois tinham sido amantes. Mais que isso, na verdade. Sirius tinha lhe dito uma vez que lobisomens tinham apenas um par para a vida toda, e ele disse isso com genuíno, estonteante orgulho que deu a Harry uma breve idéia da relação que os dois deviam ter.
Agora, ele estava vendo as conseqüências.
Três meses depois da morte de Sirius e parecia que Remus ainda não tinha conseguido recolher todos os pedaços de si mesmo. Dumbledore não tinha certeza de que o lobisomem estava pronto para retornar à escola, mas Remus implorou dizendo que ele precisava de alguma distração.
Bem, aquilo tinha funcionado bem, Harry pensou amargamente. Remus estava, provavelmente, em mais problemas do que nunca, e descobrir o que ele tinha feito a Malfoy iria somente devastá-lo novamente.
Embora, se havia alguém no mundo que merecia o que estava acontecendo, esse alguém era Malfoy. Sério, quando ele pensava sobre isso, Harry suspeitava que havia alguma justiça irônica naquele ataque. Afinal de contas, depois de todos os problemas que o imbecil tinha causado a Remus espalhando suas idéias preconceituosas, talvez essa fosse a maneira do destino se vingar.
Ele deu um meio sorriso aquele pensamento.
Harry se perguntou vagamente se ter esse tipo de pensamentos fazia dele uma pessoa ruim. Provavelmente, mas ele não ligava muito para aquilo naquele momento.
O grande problema era encontrar uma maneira de fazer Malfoy calar a maldita boca. Ele esperava que Dumbledore estivesse certo, e que o orgulho de Malfoy realmente o mantivesse quieto e ajudasse a salvar Remus.
Porque ele estaria ferrado se perdesse a última pessoa no mundo que ainda o ligasse a Lily e James. Com a partida de Sirius, Remus era tudo que lhe restava.
E Malfoy se arrependeria se ele tentasse mudar isso.
oOo
Draco acordou lentamente na manhã seguinte, para ser acolhido por uma dor latejante na nuca, o indisfarçável gosto repugnante de poções em sua boca e uma vaga sensação de ferroada em seu braço. Oh, e ele estava ficando cego pela luz do sol que se infiltrava pela janela diretamente sobre ele.
Estremecendo, ele rolou, esperando se esconder da manhã, mas o movimento somente piorou a dor em sua cabeça e seu braço. Relutantemente, ele abriu os olhos e olhou em volta.
Rápido em reconhecer seu redor, ele ficou um pouco confuso ao perceber que estava na ala hospitalar.
Curioso, ele ergueu seu braço dolorido para examiná-lo, o encontrando confortavelmente envolto em bandagens do pulso ao cotovelo. Havia brilhantes manchas de sangue penetrando o linho branco. Ele se sentiu estranhamente no seu terceiro ano, quando o maldito hipogrifo tinha dilacerado o mesmo braço que estava machucado.
Com sua preocupação começando a aumentar, ele estendeu a mão para, cuidadosamente, tocar o galo atrás de sua cabeça, fazendo uma careta enquanto fazia isso.
Foi então que Madame Pomfrey o viu. Dentro de segundos ela estava alvoroçada em volta dele, segurando vários vidros de poções multicoloridas.
"Estamos acordados? Bom, bom. Como você está se sentindo, querido? Alguma dor? Náusea? Febre?" Enquanto falava, ela pressionava as costas da sua mão na testa do rapaz rapidamente, torcendo os lábios enquanto tentava se decidir se ele parecia normal ou não.
Draco a encarou sem palavras, pego desprevenido por suas maneiras diretas. "Não", ele respondeu distraidamente. "Bem, minha cabeça dói e- Espere, por que eu estou aqui? O que aconteceu?"
E, com isso, ele parecia tê-la atordoado de vez. Ela piscou para ele, completamente esquecida de suas ministrações. Até mesmo a pena ficou parada, caída sobre o bloquinho flutuante atrás dela. "Vo – você não se lembra?"
Ele ergueu uma sobrancelha. "Bem, visto que eu acabei de perguntar a você o que aconteceu, eu pensei que isso fosse evidente."
Surpreendentemente, seu irritante tom de voz não a levou a raiva, como normalmente aconteceria. "Eu deixarei o professor Dumbledore explicar tudo a você. Ele deve estar aqui logo." Ela disse calmamente, seus olhos desanimados. Seu tom moderado o preocupou mais que qualquer coisa.
"Eu estou morrendo ou algo assim?" Ele perguntou, sua voz talvez um pouco mais alta do que pretendia.
Ela balançou a cabeça, um triste sorriso em seu rosto que ela tentou fazer passar por divertimento. "Não, querido" respondeu. "Eu estarei no corredor se você precisar de qualquer coisa. Eu ouvirei você chamar."
De olhos arregalados, Draco a assistiu sair da ala e se perguntou, em nome de Merlin, o que estava acontecendo.
Sem pista alguma, ele encarou as bandagens em seu braço e tentou se lembrar. Ele podia se lembrar de uma relaxante tarde passada na Sala Comunal, durante a qual ele falou sobre tudo, de Quadribol ao novo trabalho do Professor Snape. Então, eles decidiram visitar a cozinha, o que havia levado às observações perturbadoras de Blaise sobre Ginny Weasley, mas depois disso... Não havia nada.
Como diabos ele tinha parado ali?!
Como se seus pensamentos o tivesse convocado, o diretor entrou na Ala Hospitalar, seus olhos pousando em Draco e se aproximando rapidamente de sua cama. Atrás dele estava o Professor Snape, suas vestes negras reluzindo levemente com seus passos largos.
Eles foram interceptados por Madame Pomfrey, que sussurrou urgentemente algo para a dupla, ambos fizeram caretas em resposta. Sacudindo a cabeça gravemente, Dumbledore esquivou-se dela com um suave, "Obrigado, Poppy."
O Diretor caminhou até o pé da cama, levemente colocando as pontas dos dedos juntas em frente a ele. "Senhor Malfoy, me disseram que você não se lembra de nada da última noite?"
Franzindo as sobrancelhas, Draco sacudiu a cabeça.
"Neste caso, isto será bem mais difícil do que eu esperava..." Suspirando, Dumbledore parecia perdido, procurando por suas próprias palavras. "Senhor Malfoy, na noite passada você foi... atacado. De fato, você deve agradecimentos a Harry Potter. Ele pode ter salvado sua vida."
"O quê?" Draco praticamente berrou. "De quê?"
Com isso, os outros dois juntaram-se em volta de sua cama sem palavras, trocando olhares desconfortáveis.
"Eu fiz uma pergunta! De que droga eu tive que ser salvo?! Especialmente por ele!"
Novamente, houve silêncio. Draco olhou de um rosto para outro, aborrecido, impaciente e ligeiramente amedrontado por ninguém estar lhe respondendo. Severus olhava para qualquer lugar que não ele, enquanto Dumbledore, o irritante velho tolo, o encarava com aqueles olhos tristes, mas permanecendo tão inútil como sempre.
Finalmente, foi o Diretor que dignou-se a explicar.
"Devido à circunstâncias que nós ainda temos que compreender, o Professor Remus Lupin não tomou sua poção na noite passada. Você sabe o que isso significa, Senhor Malfoy."
Foi uma sensação interessante sentir seu próprio coração parar de bater. Isso era o que parecia a Draco, que os encarou de volta pelo que pareceu uma eternidade. Ele não podia desviar seus olhos.
"Draco…" Era Severus, tentando conseguir sua atenção, mas ele ainda se sentia congelado. Dumbledore não tinha piscado desde que seus olhos tinham se encontrado, como se fazendo isso ele pudesse romper o estranho fluxo de comunicação passando entre eles.
Draco tocou seu braço hesitantemente, não olhando para ele. "Ele m-me mordeu...?"
O velho bruxo assentiu, uma vez.
"Não," o sonserino falou abruptamente, sacudindo a cabeça firmemente. Ele deu de ombros, quase casualmente, exceto pelo ligeiro tremor que nem mesmo ele parecia ter notado. "Não, isso é impossível."
O diretor parecia preocupado, apertando sua mãos fortemente. "Senhor Malfoy, o que aconteceu foi desastroso, eu sei. Mas nós temos que ter em mente que muito mais poderia ter sido perdido."
Severus lançou ao velho homem um olhar brutal, obviamente não concordando com ele. "Albus, a vida de Draco nunca mais será a mesma. O que aconteceu foi mais do que 'desastroso'. Seu lobisomem de estimação deveria ser exilado dessa escola imediatamente, se não executado –"
"Já chega, Severus," Dumbledore o repreendeu, sua voz permanecendo baixa e calma.
Draco tinha escutado tudo aquilo com uma sensação entorpecente crescendo em seu peito. Novamente, ele sacudiu a cabeça silenciosamente, negando o que estava sendo dito.
Dumbledore voltou seus piedosos olhos para ele novamente. "Senhor Malfoy, eu faço idéia do quanto esse assunto é delicado, mas persiste o fato de que nós devemos começar a fazer preparativos. Há ainda mais duas noites de lua cheia, e como... como uma vítima recentemente infectada, elas serão mais difíceis para você. Nós devemos começar logo. Agora…"
"Senhor, por favor! Isso é ridículo." Draco insistiu, seus olhos arregalados. Todos ouvindo o traço de histeria crescendo em sua voz.
O diretor se aproximou, parando ao lado dele. Ele inclinou-se para mais perto, para falar intensa e seriamente. "Senhor Malfoy, negar não vai ajudá-lo nesta situação. Mais tarde haverá tempo para sensibilidade e conforto, mas agora nós temos que correr! Você começará a sentir os primeiros efeitos da maldição logo, como esta é sua primeira lua cheia. Você tem que estar pronto para encarar isso! O Professor Snape já fez para você um caldeirão de Mata-cão –'
Sem aviso, Draco tapou a boca com uma mão, rolou para o lado, e vomitou ao lado da cama. Dumbledore recuou, sua expressão era grave. "Eu não achava que fosse começar tão cedo. Eu pensei –"
Ele foi cortado quando o Mestre de Poções passou rápido por ele, na verdade, empurrando-o para o lado. "Não começou Albus, ele simplesmente está dando-se conta do que nós estamos dizendo a ele."
Em um gesto que ganhou um arquear de sobrancelha até mesmo de Dumbledore, Severus Snape empoleirou-se na borda da cama hospitalar e passou um braço em volta do trêmulo adolescente sonserino.
Draco lançou a ele um olhar assustado, sacudindo sua cabeça freneticamente. "Professor, não é verdade! Eu não posso ser! Eu sou um Malfoy! Não… não um… um…"
"Draco, você tem que me escutar. É mais certo que seja verdade, apesar do que nós todos desejamos. Você tem que aceitar isso antes que nós possamos fazer qualquer outra coisa. Quando estes dois dias acabarem, nós imaginaremos um jeito de passar por isto, ok? Mas até lá, você deve trabalhar conosco."
"Mas – "
"Sem mas!" A curta paciência do Professor acabou, ainda que ele mantivesse um braço seguramente envolvendo o afilhado. "A menos que você queira que esta... transformação seja excruciante, você irá cooperar conosco, Draco." Severus lentamente removeu seu toque, levantando-se e virando seu olhar para o diretor "Eu vou buscar as poções que precisaremos em meu laboratório. A última deve ter acabado de cozinhar agora. Se você puder me acompanhar Albus?"
O diretor concordou. "É claro Severus. Poppy? Eu acho que um pouco de sedativo fará bem ao senhor Malfoy."
A dupla partiu, deixando a enfermeira cuidar do sonserino.
oOo
"Como você se atreve a ficar do lado daquela aberração sobre Draco?!" O Mestre de Poções explodiu assim que eles não podiam mais ser ouvidos na enfermaria. "Ele- ele deveria se punido! Confinado! Certamente não ser permitido a ficar aqui como se nada disso tivesse acontecido!"
O Diretor interrompeu a enxurrada de palavras calmamente. "Severus, eu lhe asseguro que eu não estou tomando parte de nenhum dos 'lados' nessa história."
"Como você pode dizer isso quando a vida de Draco está arruinada, porém, Lupin vai manter seu emprego inútil e passar por cima de todas as conseqüências?"
Dumbledore franziu o cenho. "A vida do senhor Malfoy não está arruinada, meu rapaz. Não ainda. E se você permitir que eu explique meus motivos, você saberá que eu estou tentando proteger o que resta dele."
O homem mais jovem zombou. "E o que seria?"
"Seu orgulho, para começar. Mesmo que às vezes eu pense comigo mesmo que seu afilhado pode ser um tanto... arrogante, eu não acredito que ele mereça ser humilhado sobre esses últimos eventos. E o que mais – eu estou tentando poupá-lo da fúria de Lucius. Você sabe tão bem quanto eu que o pai o renunciaria e desonraria em um segundo se descobrisse o que aconteceu."
Severus fez uma carranca enquanto eles viravam uma esquina, se aproximando mais das masmorras. "Seja como for, como você planeja punir o lob- Lupin por isso? Eu não ficarei parado, vendo ele escapar impune pela segunda vez!"
O velho homem suspirou tristemente. "Se nós vamos manter o segredo do senhor Malfoy, eu não posso expor o incidente, como você bem sabe. O que você quer que eu faça?"
"Demita ele, no mínimo! Pelo amor de Merlin, Albus!"
Dumbledore negou com a cabeça. "Eu... Eu estou relutante em tirar Remus Lupin da escola neste momento –"
O Mestre de Poções rosnou raivosamente, parando no meio do caminho. "Oh, eu deveria saber! Nada irá tocar aquele homem enquanto você estiver por perto, não é mesmo? Ele não erra, pelo que parece!"
"Severus! Isso é ridículo! Se você quer saber, eu estou relutante em deixá-lo ir porque eu sinto que ele será útil para nós. Draco precisará de um... um guia, se ele quiser superar isso. Remus é a única pessoa que pode realmente explicar o que está acontecendo a ele, e o que se deve esperar."
A face do outro homem torceu-se em rancor. "Que conveniente para ele. Aquele homem está desenvolvendo uma trajetória recorde em ser capaz de tirar o seu da reta! Não faz muito tempo que eu poderia ter estado na mesma posição de Draco, não é? Você teria feito o mesmo, então? Apontado ele como um tipo de... de... o quê? Mentor?! Você sabe muito bem como Draco reagirá à essa sugestão!"
"Isso é para os melhores interesses do próprio senhor Malfoy –"
"O diabo que é!" Snape o cortou, grosseiramente. "Você sempre protegeu seus garotos de ouro, Albus. Mesmo quando era à custa do mais sombrio deles."
E, com isso, ele deu a volta e caminhou impetuoso em direção ao seu laboratório de poções, deixando o diretor olhando para ele silenciosamente, incapaz, realmente, de pensar em algo em sua defesa.
Continua...
Comentários Aleatórios das Malfoy-Moraine:
Nanda diz: O Harry é um insensível!!
Lycanrai diz: O.O
Por quê?
Nanda diz: o Draco foi mordido e ele só pensa em salvar a bunda do Lupin. Nem pensa no pobre loiro que ele ama, mesmo que ainda não saiba disso...
Cy diz: também, todo mundo quer a bun... salvar a bunda do Lupin. u.u
Lycanrai diz: Convenhamos filhote... eu tambem só pensaria em salvar a bunda do Lupin... e nem por isso sou insensível...
Nanda diz: eu também pensaria no Lupin, mas você viu como ele é frio quando fala do Draco?
Lycanrai diz: bom... eles não são exatamente amigos, não é?
Nanda diz: sim, eu sei, mas isso não interessa. Acho que vou passar a gostar do Seboso, só ele pensa no Draco nessa fic.
Lycanrai diz: o Seb... Snape! também merece amor... e já que você é a unica aqui que esta disposta a dar amor a ele, sinta-se a vontade... #aproveitando e roubando o Remus#
Cy diz:#levando o Harry embora#
Nanda diz: epaaaaaaaaaaa. Deixa o ensebado pra dona Lud, eu fico com o Draquinho lobinho
Cy diz: O.O
Até Lud entrou na história hoje...
Lycanrai diz: deixa ela ver você chamando ele de ensebado... ¬¬
Nanda diz: Ah, dona Nagase-Chan, muito obrigado pelo seu apoio!
Menina legal, essa.
Lycanrai diz: u.u
Notas das Tradutoras: Pessoal, pedimos a quem estiver deixando review sem estar logado que deixe um e0mail para respostas. Obrigada.
Nota das Tradutoras: leiam também nossa outra tradução, "One Month Stand".
Bjins a todos
Ly e Cy
