Autora: Sakuri

Tradutora: Lycanrai Moraine


Revisão:
Cy Malfoy e Lycanrai Moraine

Betagem: Nanda Malfoy


Pares:
Draco e Harry


Classificação:
M


Disclaimer da autora:
Eu não possuo nada nem ninguém.

Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.


Avisos
: Essa história é SLASH. Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.

Notas: Werewolf!Draco


Vocês juram?

Severus Snape estava vivendo no inferno por aproximadamente doze horas agora. Com Albus ocupado dirigindo a escola, e Minerva tendo sido incumbida de manter um olho no lobisomem que causou toda essa confusão, havia sobrado para ele e Poppy cuidar de Draco, e juntos eles ficaram com o rapaz durante toda a noite.

A condição do garoto havia piorado tão rápido que quase deixou o mestre de Poções em pânico. Por horas, Draco havia sofrido os imprevisíveis ataques de agonia enquanto a doença mágica se infiltrava nele, e cada ataque durava mais tempo que o anterior.

Depois, exausto, ele ficava cansado demais para brigar e gritar, e ao invés disso, fixava olhares mudos de traição em Severus, silenciosamente pedindo para ser liberto ao invés de enjaulado como um animal. No começo, Severus havia tentado explicar, mas logo descobriu que era inútil. Há algum tempo Draco havia perdido a lucidez, e apenas passava de momentos de fúria para outros de pânico.

O professor de Poções estava ao mesmo tempo apreensivo e torcendo para que a lua cheia nascesse. Parte dele implorava para que as horas passassem mais rápido, mesmo que apenas para que Draco se transformasse logo e seu sofrimento acabasse. Outra parte não fazia idéia de como ele lidaria com a criatura que seu afilhado estava prestes a se tornar.

Seu desgosto pela espécie de Lupin era de conhecimento comum. Seu medo era um fato menos conhecido.

De todas as criaturas no mundo mágico, eram os lobisomens que o assustavam – mesmo que isso fosse algo que ele admitisse silenciosamente, apenas na segurança de sua mente.

Poppy tinha sido tão prestativa quanto podia, mas havia muito pouco que qualquer um deles pudesse fazer. O perturbava um pouco, no entanto, quão protetoramente a enfermeira havia começado a agir. Ele não sabia se ela agia desta forma com seus outros pacientes e, francamente, não se importava, mas era algo completamente diferente vê-la bancando a mãe coruja com um Malfoy.

Especialmente esse Malfoy...

E então, quando o sol finalmente se pôs, e o brilho prateado da lua se tornou a única iluminação do cômodo, Severus viu-se em pé, o mais distante que podia da jaula. Poppy juntou-se a ele, e os dois assistiram com uma fascinação mórbida quando a transformação começou.

Foi sem aviso prévio. Draco, que estivera cochilando após outros dez minutos de dolorosas convulsões, de repente engasgou. Seus olhos arregalaram-se e ele gritou como se estivesse em dor, mas o grito logo se transformou em um rosnado profundo e ressonante. Quando a luz da lua o tocou, entrando por uma pequena janela da Ala, ele se transformou.

Seu rosto foi a primeira coisa a se alterar, alongando-se num focinho comprido e selvagem, cheio de dentes destinados a matar. As orelhas aumentaram, tornando-se caninas. Assim como os olhos, sua cor se tornando um azul tão claro que pareciam até não ter cor alguma. O fino pijama de hospital, o qual eles o haviam vestido mais cedo, logo se rasgou enquanto o corpo de Draco se contorcia e mudava, ganhando massa e músculos. As cordas amarrando seus braços logo se soltaram sem dificuldade. Garras surgiram de seus dedos e um rabo se formou na base de sua espinha. O característico cabelo loiro dos Malfoy clareou ainda mais, e se espalhou pelo resto de seu corpo, até que uma pelagem prateada cobrisse inteiramente o recém transformado lobisomem.

A transformação foi horrível de se assistir mesmo para Severus, que já havia assistido às transformações pavorosas feitas por Polissuco e outras poções similares. Ele estremeceu levemente quando acabou, e Draco permaneceu deitado quieto, um membro se movendo ocasionalmente após o susto.

Hesitantemente, os dois adultos se aproximaram da jaula, sua curiosidade evidente e, no caso de Severus, praticamente igual a sua repulsão.

Draco era menor que Lupin, mas isso não era realmente uma surpresa. Mesmo assim, Severus podia dizer que quando ele levantasse, seria grande o bastante para parar qualquer bruxo ou bruxa experiente. Ele também era quase totalmente branco, certamente uma raridade entre os lobisomens, que tendiam ao preto ou ao marrom mais comum. Magro e com pernas compridas, mesmo nessa forma, o Mestre de Poções tinha certeza de que ele poderia ser terrivelmente rápido quando quisesse ser.

Rapidamente, ele afastou-se novamente.

A enfermeira o olhou, sua expressão deixando passar o assombro que ela estava tentando esconder. "O que vamos fazer? Apenas ficar aqui com ele?"

Sem palavras, ele assentiu. Não havia mais nada a ser feito realmente.

"E amanhã à noite? E os próximos meses? Severus, nós não podemos continuar a trancá-lo assim!"

Ele a encarou impaciente. "Eu sei disso. Esse confinamento é apenas temporário. Amanhã nós veremos se ele consegue manter a própria mente durante a transformação. Se conseguir, a jaula não será mais necessária."

A enfermeira assentiu distraidamente. "Onde ele vai ficar? É claro que ele é perfeitamente bem vindo para ficar aqui, o pobrezinho, mas eu não tenho certeza de que ele gostaria – ´´

O professor riu. "Não, eu duvido que ele ficaria contente em ficar aqui. Eu devo falar com Albus sobre encontrar seu próprio quarto para ser ocupado nessa época do mês."

oOo

Longas horas depois – horas das quais Draco se lembrava apenas vagamente – ele acordou, piscando sonolento, no momento certo de encontrar Severus jogando grosseiramente uma coberta em sua direção, que o acertou fracamente no rosto antes de cair sobre o resto dele.

Abrindo a boca para protestar sobre esse tratamento indigno, foi um choque ouvir sua própria voz sair falha e quase inaudível. Ele tossiu e olhou para si mesmo percebendo, para seu horror, que a coberta era a única coisa o cobrindo. Se agarrando a ela, ele olhou para cima para ver o levemente divertido Professor dar um passo para fora da imensa jaula de metal que o cercava.

Foi então que as memórias voltaram. Ele empalideceu rápido, seu estado de nudez esquecido.

"Draco." A voz profunda do Mestre de Poções chamou sua atenção, tranqüilizando-o. Severus permanecia segurando a jaula aberta para ele, esperando expectativamente. "Eu não vou ficar em pé aqui para sempre." Ele disse abruptamente, seu tom, como sempre, impaciente.

Isso, mais do que qualquer palavra de conforto que Madame Pomfrey pudesse ter oferecido, o fez se levantar de novo. Se Severus ainda era irritável e capaz de brigar com ele, significava que o mundo ainda era o mesmo de alguma forma.

Ele saiu hesitante, todos os seus músculos doendo. A coberta o enrolava como uma tolha, embora ele a segurasse firme em volta de seu pescoço, ganhando um rolar de olhos de seu padrinho.

Sem aviso, a porta da Ala miniatura se abriu e a enfermeira se atirou para dentro, segurando uma pilha cuidadosamente dobrada das vestes e roupas de baixo de Draco. O loiro enrubesceu vergonhosamente com sua intrusão inesperada, rapidamente conferindo se nem um centímetro de pele que ele não queria mostrar estava aparecendo.

"Aqui vamos nós, querido." Ela praticamente cantou, sua alegria forçada o irritando. Ela deixou as roupas ao pé da única cama do quarto antes de se voltar para olhá-lo. "Agora vista-se e eu terei uma refeição lhe esperando na ala principal.

Quando ela disse aquelas palavras, subitamente lhe ocorreu o quão realmente faminto ele estava. Quando, em nome de Merlin, havia sido a última vez que ele comeu?!

"Isso seria realmente bom, Poppy." Severus respondeu friamente de seu lugar.

A enfermeira assentiu e desapareceu novamente, deixando o homem mais velho virar-se com um olhar sério para o mais novo. "Depois que você tiver comido, o Diretor pediu que eu o levasse a sala dele. Nós temos uma situação para discutir."

Draco observou silenciosamente enquanto seu padrinho seguiu para a enfermeira, fechando a porta atrás de si e dando ao loiro a privacidade para se trocar.

oOo

Novamente, o lugar vazio de Malfoy à mesa de jantar era óbvio demais. Harry olhou divertido para seu melhor amigo enquanto Ron vigiava fixamente o lugar vazio que o loiro normalmente ocupava, encarando-o por cima de sua tigela de cereais. Tão ridículo quanto poderia parecer, Harry teve a impressão de que Malfoy irritava a Ron mais quando ele não estava por perto.

"O que você acha que ele está tramando?" O ruivo resmungou com a boca cheia de cereal, fazendo Hermione dobrar o nariz em desgosto do outro lado de seu livro.

Ela rodou os olhos para ele, suspirando. "E o que isso importa? Honestamente, dá pra pensar que você não consegue passar um dia sem vê-lo..."

"Não é isso!" Ron protestou, indignado. "É só… Eu aposto como ele está tramando alguma coisa! Você ouviu os Sonserinos perguntando por ele. Nem eles têm uma pista de onde ele se enfiou."

"E?" Harry interrompeu. "Ele provavelmente só está… doente ou algo assim. Pode ser que esteja na Ala Hospitalar." A ironia de ele estar constantemente tentando proteger o segredo de Malfoy o atingiu fracamente, mas ele empurrou esse pensamento para longe.

O outro garoto sacudiu a cabeça. "Nah, Gina esteve lá ontem depois que alguma poção explodiu nela na aula do Slughorn. Ela disse que Pomfrey não estava lá – alguma medibruxa substituta fez o exame dela – e Malfoy também não estava."

"Ron!" Hermione explodiu abruptamente, abaixando o livro para olhá-lo rigorosamente. "Por favor, me diz que você não está realmente perguntando sobre o Malfoy por aí?!"

Harry gargalhou, engasgando-se com seu suco de abóbora, ao olhar para a expressão do rosto de seu amigo.

"Eu – bem – Eu quero dizer – Hermione! Você não precisa dizer isso assim! Eu não estou 'perguntando por ele', eu só quero saber o que ele está fazendo! Eu tenho um mau pressentimento sobre isso. Ele provavelmente está tramando alguma coisa..."

A garota o encarou, sua voz e expressão eram mortais. "Sim, isso faz muito sentido. Ele fica fora do caminho por um tempo, realmente não fazendo das nossas vidas um inferno pela primeira vez em anos – por que eu não vi isso? Ele obviamente está planejando a nossa ruína."

Harry riu novamente enquanto mordia uma torrada, secretamente feliz por Hermione o estar ajudando sem saber.

Ron franziu a testa. "Tudo bem, ótimo. Mas eu poderia passar sem o sarcasmo sabe..."

Com outro rolar de olhos, Hermione voltou a ler.

Num esforço visível para mudar de assunto, Harry deixou sua mente vagar por alguns segundos antes de comentar casualmente, "Então... a primeira partida de Quadribol é na semana que vem."

Instantaneamente, voltado para essa discussão, como Harry sabia que ele faria, Ron logo estava engajado em um debate com Harry e Gina, que estava sentada próxima, sobre a melhor estratégia para se usar contra a Lufa-Lufa. A discussão era realmente desnecessária, considerando que a Casa do texugo era a competição menos formidável que eles enfrentavam, principalmente no começo da temporada, mas interessava o ruivo estrategista o suficiente para esquecer sobre Malfoy e isso era tudo com o que Harry estava preocupado.

Em menos de cinco minutos de conversa, Hermione inclinou-se para interrompê-los. "Nós temos mais ou menos dois minutos para chegar a nossa primeira aula. Se vocês já estiverem satisfeitos..."

Tomando um ultimo gole de suco, Harry se levantou com os outros e eles saíram em direção às portas duplas ao fim do Salão. Ele deu apenas dois passos quando uma voz séria o fez parar.

"Senhor Potter!"

O grupo se virou para ver McGonagall marchando em direção a eles.

"Senhor Potter, pode me acompanhar por alguns minutos, por favor?"

Harry olhou para Ron e Hermione, ambos parecendo completamente curiosos. "Uhm, Professora, eu tenho aula..."

Ela balançou a mão como se aquilo não tivesse importância. "Eu já notifiquei seu professor de que você chegará atrasado." E com isso, o segurou pelo ombro e começou a praticamente arrastá-lo junto com ela. Para os outros, ela falou ríspida, "Vocês dois podem ir para a aula. Tenho certeza de que o Senhor Potter vai sobreviver sem vocês por esse curto período de tempo."

Franzindo a testa, Ron se virou, e Hermione rapidamente foi atrás dele.

Sozinhos agora, enquanto se moviam pelos corredores do castelo, Harry perguntou hesitantemente. "Uhm, Professora? O que está acontecendo?"

"O Professor Dumbledore quer ver você."

P-Por quê? São problemas da Ordem - ?"

"Potter!" McGonagall chiou, contrariada. "Você precisa ser tão sem tato…?" ela olhou em volta, mas não haviam outros estudantes perto que pudessem ter ouvido. "Não, não é." respondeu, finalmente, sua voz bem mais baixa do que a de Harry havia sido. "Tem a ver com o Senhor Malfoy."

"Oh." Harry suspirou resignado, antecipando que seria uma reunião que ele realmente poderia passar sem.

oOo

O escritório de Dumbledore, um lugar que Harry sempre havia considerado bem grande, estava agora mais cheio do que nunca.

Assim que eles entraram, McGonagall empurrou Harry para que ele ficasse em pé próximo a Snape, cuja presença escura parecia mais dominadora do que nunca. Ele virou-se para encarar o Grifinório como se Harry fosse o responsável por seja lá o que fosse que estivesse acontecendo. Malfoy apareceu de trás do Mestre de Poções. Pela primeira vez, a expressão do loiro não era de nojo ou deboche. Na verdade, ele parecia... cansado. Círculos escuros sob seus olhos eram enfatizados por uma pele anormalmente pálida.

Próxima a eles, Madame Pomfrey permanecia sozinha, parecendo um pouco deslocada. Ela mexeu-se desconfortavelmente, suas mãos torcendo o material de sua saia. E no canto mais distante da sala, claramente tentando passar despercebido, estava Remus Lupin.

O Diretor permanecia sentado atrás de sua mesa, alegremente oferecendo doces a qualquer um dentro de seu alcance. Ele levantou o olhar com a entrada dos dois, seus olhos brilhando com interesse.

"Ah!" Veio a exclamação satisfeita. "Todos estão aqui, finalmente."

A voz seca de Snape cortou o ar calmamente. "Se você puder nos deixar saber por que, exatamente, estamos aqui...?"

O diretor lhe fixou um olhar penetrante antes de continuar. "Como alguns de vocês já devem ter adivinhado, nós somos os únicos que sabemos sobre o infeliz incidente que ocorreu duas noites atrás."

Harry olhou ao redor quando o homem mais velho falou, percebendo isso.

"Não," McGonagall de repente cortou, sacudindo a cabeça. "Albus, e os quatro alunos que estavam com o Senhor Malfoy...?"

Provavelmente pela primeira vez na vida, Harry viu Dumbledore parecer envergonhado. "Eles... eles não serão um problema."

"Você não fez!" Snape parecia mais surpreso do que alguém acreditaria que ele fosse capaz.

"Oh Albus, realmente!" McGonagall explodiu. "Obliviando alunos…"

As sobrancelhas de Harry praticamente desapareceram por baixo de seus cabelos quando ele finalmente entendeu do que eles estavam falando. Não era de se estranhar que Pansy estivesse interrogando todo mundo procurando por Malfoy. Ela não se lembrava.

"Foi necessário Minerva," o diretor disse calmamente. "Agora restaram apenas nós oito. Eu chamei todos aqui para acabar de vez com as divergências. Senhor Malfoy, como isso é um segredo seu, para contar a quem você quiser, você será excluído do pedido que vou fazer ao restante de vocês."

O sonserino não mostrou reação exceto baixar seus olhos.

Dumbledore continuou. "Existem leis nesta escola dizendo claramente que incidentes como esse não podem passar sem serem reportados, para a segurança dos alunos e dos funcionários." Harry não perdeu o estremecimento de Draco a essas palavras. "No entanto, eu gostaria de pedir a vocês que me fizessem um favor pessoal e ignorassem essas leis."

Nenhum dos adultos parecia particularmente surpreso. O loiro, no entanto, levantou os olhos com uma expressão claramente sobressaltada.

Por um breve momento, o brilho voltou aos olhos do diretor quando eles relancearam o adolescente, mas se tornou solene novamente ao falar com os outros. "Eu pedirei a todos vocês que façam um voto de silêncio antes que esse assunto vá ainda mais longe."

Os adultos assentiram imediatamente, ainda que ninguém dissesse nada. Harry olhou para cada um, percebendo que eles já estavam esperando por isso.

Alguns momentos se passaram antes que ele notasse que alguns olhos se voltaram para ele em expectativa.

Ele se assustou, enrubescendo um pouco. "Oh, sim, claro."

"Excelente!" Dumbledore bateu as mãos uma vez, sorrindo. Então, voltou seu olhar para o sonserino, que parecia confuso com os acontecimentos. "Essa solução está boa para você, Senhor Malfoy?"

O loiro piscou algumas vezes, e então franziu a testa. "Por quê?" Ele perguntou, sua voz rouca.

Por cima dos oclinhos em meia lua, os olhos azuis perceberam o olhar triste do rapaz. "Porque, meu rapaz, dessa forma nós podemos lhe mostrar ao menos um pouco de misericórdia. A outra alternativa é revelar o que aconteceu ao resto do mundo e observar enquanto a sua vida e a do Professor Lupin são destruídas, tudo por causa de algo que foi um acidente. O que você é vai se tornar de conhecimento comum. Alguns... privilégios com os quais você está acostumado serão perdidos."

Draco encarou o homem nos olhos e, abruptamente, entendeu exatamente o que estava sendo implicado. Ele teve uma súbita visão da reação de Lucius. Seu pai ficaria furioso. Não, pior, ele ficaria… envergonhado. Draco seria deserdado. Seria abandonado!

O sonserino empalideceu ainda mais, preocupando a todos que estavam na sala. A mente de Draco correu enquanto mais e mais verdades inevitáveis o atingiam. Se o incidente aparecesse para a mídia, ele seria cortado do nome e fortuna dos Malfoy. Ganhar seu próprio dinheiro seria praticamente impossível, se o mundo mágico soubesse o que ele havia se tornado. Ninguém o contrataria – não que Malfoy devessem precisar de empregos em primeiro lugar! Mas se seu pai o deserdasse, que opção ele teria? Mesmo as menores coisas que ele gostava, como as partidas de quadribol da escola, não seriam mais acessíveis a ele, com as leis que restringiam a participação de criaturas mágicas.

Ele... ele terminaria como Lupin! Usando roupas gastas e lambendo o chão de Dumbledore!

Ele sentiu-se, subitamente, bastante enjoado.

"Draco, talvez um de nós devesse escoltá-lo de volta à Ala Hospitalar." A voz de Severus o trouxe de volta a realidade com um baque.

O cômodo inteiro o estava observando com vários graus de preocupação. Aparentemente, o horror a seus pensamentos deve ter transparecido em seu rosto.

Ele sacudiu a cabeça, voltado a atenção para Dumbledore. "E se ninguém souber... o que vai acontecer?"

O diretor parecia vagamente satisfeito que Draco estava vendo as coisas do seu jeito. "Você vai, claro, manter a opção de dizer a quem quiser sobre o que você é. O resto de nós vai ser completamente incapaz de mencionar uma palavra sobre a sua condição para qualquer um fora desta sala. Mas eu devo avisá-lo que o nosso voto não vai impedir as pessoas de descobrir sozinhas, se elas adivinharem ou suspeitarem da verdade. Você vai ter que tomar cuidado."

Draco concordou antes de lançar um rápido e maldoso olhar ao outro lobisomem, que ainda estava encolhido no seu canto. "E ele?" O loiro cuspiu.

Dumbledore bateu seus dedos na mesa. "Nenhuma ação vai ser tomada pelo Ministério, obviamente. Na verdade, eu já havia falado com Severus sobre esse assunto. Eu esperava manter o Professor Lupin por perto para que ele pudesse guiar você, meu rapaz. Eu tenho a impressão de que você vai precisar de alguns conselhos nos próximos meses. Uma opção bem melhor do que deixar que você agüente tudo sozinho, sem avisos sobre o que está por vir."

Draco parecia furioso. "Não! Por que ele pode ficar aqui depois do que fez?!"

"Acredito que essa tenha sido a minha pergunta, Albus." Snape murmurou friamente.

O homem de barbas brancas suspirou. "Se vocês dois pudessem confiar no meu julgamento dessa vez –"

"Ele me atacou!" Malfoy praticamente gritou, sua raiva se sobrepondo a aura de exaustão que, a princípio, emanava dele. "Ele me fez ficar como ele! Eu não vou passar nem um minuto a mais do que o necessário perto dele! O mínimo que ele merece é ser despedido!"

Harry ouviu a discussão com crescente pânico. Ele havia acreditado que Dumbledore encontraria um jeito de convencer o sonserino, mas parecia bastante óbvio que Malfoy não tinha a intenção de ouvir.

Finalmente, Dumbledore empertigou-se na cadeira, sua expressão séria. "Senhor Malfoy, vou pedir para que se acalme na minha sala. Muito bem, eu entendo se você recusar a oferta de alguém para ajudá-lo, mas entenda que Remus Lupin vai continuar sendo Professor nessa escola –"

"Mas isso não é justo!" A voz do loiro rapidamente alcançou um tom de quem está acostumado a conseguir o que quer. Naquele momento, Harry suspirou aliviado, sabendo que Malfoy havia acabado de perder seu argumento.

Remus adiantou-se hesitante, e se arriscou a falar pela primeira vez. "Albus, talvez fosse melhor se –"

"Chega," Dumbledore falou alto, silenciando a todos. "Ao menos, acho que todos concordamos que a melhor saída é o segredo. Senhor Malfoy, depois disso a escolha será sua se há mais alguém a quem você gostaria de contar o que aconteceu. De qualquer forma, você pode acreditar no nosso silêncio." O diretor levantou a varinha e murmurou algumas palavras antes de voltar seu olhar para os outros. "Vocês juram?"

"Eu juro" Snape falou primeiro, sua voz calma. Um pequeno facho de luz prateada saiu da ponta da varinha do diretor e atingiu o peito do Professor de Poções, desaparecendo com um brilho.

McGonagall foi a próxima, murmurando as mesmas palavras, e outro facho de luz prateada foi até ela da mesma maneira. Um por um, eles fizeram a promessa, apesar de a voz de Remus estar pesada de relutância e culpa. Quando o feitiço do diretor atingiu Harry ele sentiu como se um peso estranho tivesse se acomodado dentro de seu peito, mas em segundos ele já não sentia mais nada.

Finalmente, o próprio Dumbledore disse as palavras, "Eu juro", e o último facho de luz foi em direção a ele. A discreta energia da magia se espalhou pela sala por mais alguns momentos, antes de, enfim, desaparecer.

O diretor guardou a varinha e observou o aposento. "Vocês podem voltar às suas atividades." Ele os dispensou.

Harry franziu a testa. O quê? Era só isso?

"Professor Lupin, Senhor Malfoy, vocês dois podem tirar o dia de descanso se acharem necessário."

Remus sacudiu a cabeça. "N-Não, está tudo bem, Albus. Eu estou bem para dar aula."

Malfoy cruzou os braços teimosamente. "Eu não vou ficar o dia todo sentado na Ala Hospitalar. Vou para a aula." Disse, ignorando o olhar reprovador de Snape.

Dumbledore concordou. "Muito bem Senhor Malfoy, Severus me pediu que eu arrumasse um quarto para você para essa época do mês. No entanto, vai atrair menos atenção se você ficar permanentemente em um quarto próprio do que apenas três noites por mês."

O loiro bufou arrogantemente, mas não era difícil ver satisfação em seus olhos. "Ótimo." disse, tendo certeza que todos soubessem que ele estava sendo excluído.

Os olhos do diretor estavam brilhando em divertimento novamente. "Se você quiser, pode espalhar o rumor de que seu pai está pagando a conta por tamanha privacidade. Tenho certeza de que vão acreditar numa mentira inocente como essa."

Harry rolou os olhos e recebeu um olhar malicioso de Malfoy.

"Por que Potter não foi Obliviado junto com Pansy e Blaise?" Ele perguntou com desprezo. "Merlin sabe que ele não é bem vindo aqui."

Harry riu por entre os dentes. "Talvez eu seja mais confiável do que uma dupla de cobras." Ele respondeu, facilmente caindo na velha rotina que ele havia criado com Malfoy.

Com um suspiro, McGonagall segurou seu ombro e o empurrou não muito gentilmente na direção da porta. "Vamos Potter. Hora de ir."

Malfoy observou-o com um sorriso debochado até que Snape fez basicamente a mesma coisa com ele, empurrando-o impacientemente para fora da sala.

Continua…


Nota das Tradutoras:

Agora sim um capítulo betado e lindoso! :)

Bjus

Cy e Ly