Titulo: O Segredo que nós guardamos
Autora: Sakuri
Tradução: Lycanrai Moraine
Revisão: Lycanrai Moraine e Cy Malfoy
Betagem: Nanda Malfoy
Classificação: M
Disclaimer da autora: Nada aqui me pertence
Disclaimer das tradutoras: Nada aqui é nosso, nem Harry Potter nem essa história. Harry Potter é da tia Joka e a história é da Sakuri, nós apenas traduzimos com a permissão da autora.
Avisos: Slash, relacionamento entre homens, não gosta, não leia.
Capítulo 9: Um pedido de Reafirmação
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Duas semanas depois a lua brilhava prateada no céu noturno e Draco estava vivendo um inferno. Não pelo juramento a Dumbledore – no qual ele não conseguia parar de pensar – mas pela sensação ruim que estava sentindo.
Ele disse a si mesmo que devia só estar doente, mas na verdade ele sabia…
Era a maldição. Essa droga de maldição que parecia determinada a destruir todos os pequenos detalhes de sua vida antes tão perfeita. Por causa dela, ele estava perdendo tudo – inclusive todas as suas jóias de prata, pelo amor de Merlin...
Seu pai não era uma pessoa que gostava de ser ignorada, e havia lhe mandado carta atrás de carta, finalmente terminando com o berrador vermelho que ele recebeu no meio do Salão Principal. A voz fria e distante de Lucius ecoou para que todos ouvissem enquanto ele depreciava Draco por ser 'desobediente' e informava a seu filho de que ele estava sendo deixado de lado até que voltasse a ter juízo. O loiro saiu rápido do Salão, cheio de raiva e humilhação, a necessidade de machucar qualquer coisa que entrasse em seu caminho aumentando dentro dele.
Na hora, ele não havia prestado muita atenção à sua própria reação.
Mas desde então, estava apenas ficando pior. Seu temperamento havia rapidamente se tornado incontrolável. O menor mal entendido o deixava nervoso por horas, e pequenas provocações eram mais que suficientes para ele começar brigas a torto e a direito. O rapaz havia pego mais detenções e perdido mais pontos para sua casa naquelas semanas do que em todos os seus anos somados na escola. O pior incidente tinha envolvido Blaise, que havia feito algum comentário inocente do qual o loiro nem conseguia mais se lembrar, mas que o havia feito sair da sala comunal da Sonserina gritando xingamentos. Ele nunca viu o outro garoto parecer tão surpreso.
Mais do que isso. Essas trocas de humor não eram naturais, com certeza. Mais do que ficar satisfeito em ganhar as discussões que ele começava, o rapaz começou a realmente querer… machucar.
Tinha começado com Potter – e não começava sempre? – quando o idiota fez algum comentário desnecessário sobre Draco merecer o que havia acontecido. A verdade é que... ele não pretendia realmente reagir como havia reagido. Pensando bem, seu comportamento havia sido... bem, errado. Quando foi a última vez que Draco Malfoy tinha se metido em uma briga física com alguém? Há muito tempo o loiro havia se resignado com o fato de que era pequeno e não exatamente forte, então seu ataque ao grifinório mais alto não fazia sentido.
E enquanto estava lá, com Potter preso e indefeso, ele sentiu uma onda de contentamento que foi difícil esconder. Naquele breve momento, a maldição não tinha parecido tão ruim. Ele era forte, capaz de fazer os famosos olhos verdes mostrarem medo.
Mas isso foi antes. Antes que a vontade de atacar e machucar e... e – merda – morder aparecesse.
Ele estava ficando maluco. A vontade surgia de uma hora para outra. Num momento, ele estava andando pelos corredores com Pansy e no outro, seus pensamentos começavam a mudar, se distorcendo, tornando-se maliciosos. Sua visão começava a escurecer até que ele passava a ver apenas em tons de cinza, e os sons das coisas em volta pareciam amplificados conforme sua audição se tornava canina.
Não era difícil reconhecer os sinais. O lobo estava tomando o controle.
E agora o loiro caminhava de um lado para o outro em seu quarto como um animal enjaulado, se forçando a permanecer em seu exílio auto-imposto. Ele não podia ficar perto das pessoas! Merlin, e pensar no que ele poderia fazer...
Draco podia sentir a criatura rondando por baixo de sua própria consciência, a raiva dela se tornando a sua, sua feracidade selvagem infectando-o. Ele se perguntava se foi isso que Lupin sentiu na noite em que perdeu o controle, e pela primeira vez ficou próximo de entender como o homem pôde ter feito o que fez.
Ele precisava… Merlin, ele não queria admitir aquilo… Ele precisava de ajuda. Draco não tinha idéia de como deveria controlar isso, mas Lupin sabia.
Conformado, ele riu baixo.
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Remus sentou-se sozinho aquela tarde, como ele sempre fazia atualmente, se recusando a freqüentar o castelo a menos que fosse necessário. A cabana de Hagrid havia sido modificada enquanto ele estava hospedado ali, e estava agora ornamentada com pilhas e mais pilhas de livros e uma coleção de berloques[1]. Tinha um espelho de inimigos a um canto, e um xadrez bruxo perto da lareira. Estava jogando contra ele mesmo há uns dois dias agora. Uma panela de sopa de frango estava sendo aquecida nas chamas e o cheiro se espalhava convidativo pelo resto da cabana.
Ele modificou os móveis para ficarem de acordo com seu gosto, transformando as antigas cadeiras de madeira de Hagrid em largas e confortáveis poltronas. A cama no canto do quarto também havia sido modificada para uma mais confortável, com seu próprio colchão e travesseiros. A cama de Canino no chão não existia mais, já que o cão havia passado a dormir com ele. O tema geral de cores era o da Grifinória, o que era mais um hábito do que qualquer outra coisa, embora o vermelho que ele usava na cabana era mais escuro do que o carmesim vivo da escola, e o ouro havia sido trocado pelo bege.
Suspirando, acomodou-se em sua cadeira e coçou os olhos. Na mesa à sua frente estava o plano de aulas da próxima semana, manchado pela sua própria mão. A pena havia sujado seus dedos com tinta negra.
Canino rosnou de repente, levantando a cabeça e encarando a pequena janela encardida. Remus olhou o cachorro, e depois aguçou a própria audição, tentando ouvir o que quer que tenha chamado a atenção do cão. Mas não havia nenhum som a não ser o bater repetitivo da chuva no vidro da janela.
Sacudindo a cabeça, o lobisomem se levantou e foi até a lareira, onde sua sopa de frango o aguardava. Ele estava se abaixando para pegá-la quando alguma coisa bateu pesadamente contra a porta. Canino estava de pé e latindo em um instante.
Confuso, ele se levantou lentamente e foi para junto do cão, que estava cavando e arranhando a base da porta.
"Sai, garoto." Ordenou, empurrando-o para trás para abrir a porta.
Um desarrumado Draco Malfoy, que estava usando a porta para se manter em pé, rapidamente caiu de costas no colo de um Remus bastante chocado.
Mas se o lobisomem mais velho estava esperando que o outro ficasse daquela maneira, ele estava enganado. No momento seguinte, Remus estava preso sob o garoto que rosnava para ele, cheio de ferocidade e raiva. O professor havia sido jogado para trás quando Draco pulou nele, e então Canino pulou sobre o loiro. Os três rolaram pelo chão numa briga embolada, com Remus embaixo tentando se defender dos ataques descoordenados do sonserino, enquanto o garoto apenas tentava acertar qualquer parte do outro lobisomem que ele pudesse, ignorando o cachorro imenso sobre ele que tentava defender seu dono.
Era uma imagem pela qual Colin Creevey daria a vida contentemente para fotografar.
Usando a força que ele normalmente escondia, Remus finalmente conseguiu sair de baixo do garoto e se levantar. Ele então segurou Canino pela coleira antes que o loiro se voltasse contra ele.
Por um momento abençoado, houve silêncio, a não ser pelo barulho da chuva e das respirações fortes dos três. Então Draco voltou a si e novamente caiu, dessa vez de joelhos na frente do outro lobisomem e se segurou na camisa dele.
"O que você fez?!" Ele perguntou, seus olhos arregalados e azul-pálidos. "Isso está me matando! Está... está vencendo! Eu estou ficando maluco!"
Pego de surpresa, Remus quase recuou da imagem que o normalmente frio Malfoy mostrava. O garoto parecia acabado, em todos os sentidos da palavra. Seu cabelo claro caia sobre seus olhos em mechas molhadas, gotas grossas de água da chuva caindo delas. Todo ele estava molhado. Ele não parecia ter se importado em usar um casaco, e ao invés disso usava roupas trouxas comuns: uma calça jeans e uma blusa branca com botões. Suas mãos tremiam enquanto ele se segurava desesperadamente em Remus – não, ele inteiro tremia.
"D-Draco, fique calmo -."
"Eu não posso!" O garoto gritou em resposta, sua expressão praticamente feral. "Não posso, não posso fazer nada! Está tomando conta! A cada cinco minutos eu quero matar alguma coisa! Eu não posso ficar perto dos meus amigos por que eu posso acabar mordendo eles, merda! E é tudo sua culpa!"
Remus não precisava que o sonserino lhe dissesse que havia algo errado. Mesmo Malfoy, rebelde como gostava de aparentar ser, não atacaria fisicamente um professor em sua própria casa numa situação normal. E ele definitivamente não seria visto em público parecendo meio fora de si se estivesse tudo bem.
Sacudindo a cabeça sério, Remus ajoelhou-se, segurando firmemente os pulsos do loiro e fazendo-o soltar de sua camisa. Era hora de ser o adulto, ele se lembrou rispidamente. Você causou essa situação, lide com ela. Pare de evitar o garoto.
"Draco? Me explique exatamente o que está acontecendo-"
O sonserino lutou com ele por um momento, mas o outro lobisomem não soltou seus pulsos. Remus temia que soltá-lo apenas resultaria em outro ataque.
"É mais forte do que eu!" O loiro finalmente falou. "Eu pensei... eu pensei que a maldição apenas poderia me mudar na lua cheia! Como isso está acontecendo?!"
Remus o olhou firme, tentando segurar o olhar aterrorizado do garoto com o seu próprio e acalmá-lo. "Você está ignorando, não está?"
"O quê?"
O homem suspirou. "Draco... Você precisa parar de pensar em você mesmo da forma como pensava antes-"
"Eu sou o mesmo-!"
"Não." O professor sacudiu a cabeça tristemente. "Eu sinto muito, Draco. Merlin, eu sinto muito mesmo... Mas você não é. Você não é mais um bruxo normal. Você não é um sangue puro. Você não é nem mesmo... nem mesmo humano-."
"Cala a boca!" O loiro se soltou dele, caindo de costas na tentativa de se distanciar do outro lobisomem.
Mas Remus continuou. "Isso não significa que você seja menos do que você era, só diferente. O que eu quero dizer é que você tem que aceitar isso."
"Por que eu deveria?! Por que merda-?"
"Por que isso vai continuar acontecendo!"
Eles se encararam em silêncio, Remus tentando mostrar a importância do que estava dizendo ao mesmo tempo em que se forçava a não desviar o olhar com sua culpa, enquanto Draco sacudia a cabeça freneticamente, negando.
"Eu... Eu posso ajudar, se você me deixar." Remus ofereceu hesitante, após um tempo. Finalmente lhe ocorreu que talvez essa fosse a razão para Dumbledore querer mantê-lo por perto.
Draco o olhou com desprezo. "Você já não fez o bastante?" Ele dobrou os joelhos defensivamente, abraçando-os. Levou uma mão trêmula até a boca, passando-a pelo cabelo em seguida e depois apertando seus jeans com ela, obviamente sem saber o que fazer.
"De qualquer forma," Remus se abraçou para continuar. "Eu entendo a maldição melhor do que você. Eu sei como... trabalhar com ela. Mesmo que seja só pra que ninguém mais perceba, você devia ouvir o que -."
"Oh Deus." O loiro o olhou com olhos arregalados. "Eu não tinha pensado nisso. Eles vão começar a perceber logo. Ai meu Deus, eles vão perceber -."
"Ssh, não, eles não vão. Calma. Escute, nós podemos consertar isso -."
"Nós não podemos consertar merda NENHUMA!" A reação do garoto o pegou de surpresa e fez com que Canino ficasse tenso novamente. Remus piscou, e olhou surpreso quando Draco desmoronou.
A presença do lobo o deixou por um momento, e os olhos azul pálido rapidamente escureceram, voltando ao cinza e se tornando úmidos com as lágrimas. Baixando a cabeça, ele escondeu o momento de vulnerabilidade tapando os olhos com o antebraço, e juntou ainda mais os joelhos ao peito, como se tentando evitar o olhar chocado de Remus.
Encolhido sobre o carpete antigo que cobria o chão do Professor Lupin, Draco Malfoy chorou pela primeira vez desde que foi mordido.
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Quando ele finalmente voltou a Hogwarts, tendo saído da cabana completamente arrependido de todo o encontro, já eram quase dez horas e se aproximava perigosamente do toque de recolher. Sua raiva ainda persistia sob a superfície, porém mais forte que ela estava a humilhação imensa que ele sentiu por perder sua dignidade daquela forma.
Não, risque essa parte – ele havia ido lá e assassinado sua dignidade...
Não haviam palavras para descrever o quão mortificado ele estava. Ele – ele havia chorado! No chão! Na frente de… Lupin! E o filho da mãe o tinha consolado!!
Ele queria chorar de novo só de pensar nisso.
Então, quando ouviu vozes distantes e risadas leves que ele conhecia, ele festejou o alvo que o Time dos Sonhos representava. Acelerando o passo, com a varinha instintivamente na mão, o loiro virou uma curva no corredor a tempo de ver Potter, Sangue-ruim e Weaselby se despedindo do que parecia ser metade da maldita escola. Draco hesitou quando reconheceu grifinórios, lufa-lufas e corvinais saindo de uma sala qualquer onde eles estiveram enfiados. Mas que diabos –
Então, ele reconheceu. Esse era o mesmo lugar onde eles estiveram no ano anterior, quando o próprio Draco havia ajudado a levar seus pequenos encontros a um fim.
Colocando uma careta de desprezo no rosto, o sonserino se adiantou conforme a massa de outros alunos desaparecia, deixando apenas o Trio de Ouro. O loiro estava se coçando para descontar sua raiva em alguma coisa, e mesmo a perspectiva de Granger estapeando-o novamente não era suficiente para dissuadi-lo.
"A Armada Dumbledore está de volta à ativa então, não é?" Ele chamou do fim do corredor.
Os três se viraram assustados, encarando-o quando reconheceram a voz. Aquilo durou uns três segundos - antes que a expressão deles mudasse para surpresa.
Weasley deixou escapar um riso divertido. "Caramba, Malfoy, o que aconteceu com você?"
Draco piscou quando não recebeu a reação que esperava.
"Você esteve lá fora?" Granger perguntou, sua voz aguda em indignação e irritando imensamente o loiro.
O sonserino deu uma olhada em si mesmo e quase estremeceu. Ele havia esquecido sua aparência nada digna – algo único, claro, e algo que apenas mostrava o quanto ele estivera nervoso. Merlin, de todos os momentos para estar usando malditas roupas trouxas... Roupas trouxas encharcadas, diga-se de passagem.
"Onde eu estive não é da sua conta, Granger." Ele cuspiu, encarando-a. "Embora eu fosse adorar saber o que as forças rebeldes estão tramando a essa hora da noite."
Potter levantou as sobrancelhas, incrédulo. "Sim, de todos aqui, nós somos os mais suspeitos. Que merda você esteve fazendo fora do castelo?!"
Draco estreitou os olhos. "Eu não tenho o hábito de me repetir, mas eu acho que já disse que não é da sua conta!"
O ruivo deu um passo à frente, sua varinha já em sua mão. "É da nossa conta se você está planejando algo, tentando deixar hordas de Comensais e monstros entrarem em Hogwarts -."
"Pelo amor de Deus, Weasley!" O loiro exclamou, jogando suas mãos para cima em desgosto e exasperação. "Quantos anos você tem? Cinco? Monstros?! O único monstro lá fora é seu precioso lobo!" Ele manteve seus olhos longe de Potter, encarando os outros dois ao invés disso.
A sangue-ruim foi a primeira a tentar defendê-lo. "O professor Lupin não é um monstro, Malfoy! Ele é tão humano quanto eu e você!"
Weasley franziu a testa. "Vamos, Hermione. Não adianta tentar explicar para essa doninha ridícula -."
Draco o cortou, sua atenção voltada apenas para a garota. Ele se forçou a fazer uma expressão desdenhosa. "Humano? Ele não é nem mesmo um bruxo de verdade. Não é um sangue puro. É uma criatura! O que ele pode ter de bom?"
Granger parecia bem perto de bater nele, mas o garoto foi esperto de manter alguma distância entre eles dessa vez.
"Seu imbecil asqueroso!" Ela gritou, perdendo o controle. "Remus Lupin é um humano muito melhor do que você nunca vai ser, e é dez vezes o bruxo que você é! Como você se atreve -!"
O Garoto Maravilha escolheu aquele momento para se meter, passou um braço em volta da bruxa e lançou um olhar significativo para o ruivo. Weasel resmungou ameaçadoramente para Draco, antes de ocupar o lugar de Harry.
"Vamos Hermione, vamos voltar para a Sala Comunal."
Ela saiu do abraço do garoto antes de virar nos calcanhares e sair rápida pelo corredor. Com um olhar estúpido de preocupação no rosto, Weasley se apressou atrás dela. Deixando Potter.
Os olhos verdes permaneceram fixos nos seus, mas o moreno não disse nada.
Draco torceu o rosto numa careta, querendo raiva, querendo um alvo, querendo qualquer coisa que não fosse esse silêncio estranho.
"O que você está olhando?" Ele perguntou ácido, quando o olhar insistente permaneceu por tempo demais.
Potter cruzou os braços e virou a cabeça para um lado, parecendo irritantemente despreocupado. "Malfoy, se você queria reafirmação, haviam jeitos mais sutis de conseguir."
Draco quase engasgou. "Como é?!"
O rapaz mais alto deu de ombros. "Bom, existem. Hermione vai ficar chateada com isso a semana toda. Sabe, você realmente devia -."
"Reafirmação?" O loiro repetiu, como se essa fosse a única coisa do discurso de Potter que ele havia ouvido.
"Bem, acho que é por isso que você queria que ela dissesse aquelas coisas sobre ele. Conseguiu o que queria?"
O sonserino resmungou enquanto passava pelo outro, indo na mesma direção que os outros grifinórios haviam tomado. Potter o seguiu calmamente.
"Sai de perto de mim, Potter!" O loiro ordenou, acelerando o passo.
"O quê? 'Tô cutucando a ferida?" Seu rival acompanhou seu passo facilmente, para irritação de Draco. "Foi lá que você esteve, não foi? Com Remus?"
"Vá embora."
"Ele lhe deu A Conversa para lobisomens? Voce está -."
Draco não percebeu que havia se mexido até que seu punho atingiu o maxilar do outro. Potter cambaleou por um momento, uma mão indo tocar o pouco de sangue em seu lábio. Lentamente, ele levantou os olhos para encarar o sonserino, alguma coisa que se parecia suspeitamente com contentamento aparecendo nos olhos verdes.
"Isso foi patético, Malfoy." Ele informou o loiro alegremente, limpando o filete vermelho da boca. "Acho que você é completamente humano dessa vez, então?"
Draco piscou, não entendendo realmente a princípio. Ele olhou perplexamente para o grifinório, antes que a realização o atingisse.
Ele ainda estava agindo como humano. Furioso, sim, mas nada havia mudado. Nenhuma vontade animalesca de morder, nenhuma força sobrenatural, nenhum –
Potter estava rapidamente nivelando uma varinha na direção dele. "Você não acha que eu vou ficar em pé aqui e deixar você me bater à vontade, acha?"
Pela primeira vez em muito tempo, Draco se sentiu excitado com algo tão familiar, tão comum! Isso – Merlin, isso nunca ia mudar, essa inimizade, não importa o que qualquer um deles se tornasse. Isso era uma constante, um fato seguro – e no meio do caos, era exatamente o que ele precisava, embora o loiro se recusasse a admitir que Potter estava lhe fazendo um favor, começando a briga que ele desejava.
Foi McGonagall quem os encontrou minutos depois, no meio de um duelo, com azarações e feitiços voando para todo lado. Ela os pegou pelos colarinhos e os arrastou pelo corredor, tirando uma quantidade absurda de pontos de ambas as casas.
Não importava. Enquanto eles estavam em seu escritório, com a mulher gritando várias coisas sobre a hora, rivalidade e maturidade, o sonserino arriscou um olhar na direção do outro, e Draco pensou ter visto um pouco de sua própria satisfação refletida nos olhos verdes.
Notas:
1 - Berloque é um pingente, um pequeno enfeite que se traz pendurado em corrente. (Baseado na fonte: Miniaurélio - 6a Edição Revista e Atualizada)
Notas das tradutoras:
Wheee!!! Mais um cap lindo pra voces! Esse é um dos caps mais legais até agora não é?
O encontro dos dois é super legal!
Sim, nós estamos atrasadas com as reviews... de novo u.u Mas vamos tentar ficar em dia essa semana...
Não nos abandonem!
Beijos
Ly e Cy
