Antes da fic, leiam os avisos, por favor. ;)
Autora: Sakuri
Tradutora: Lycanrai Moraine
Revisão: Cy Malfoy e Lycanrai Moraine
Betagem: Nanda Malfoy
Pares: Draco e Harry; Snape e Lupin
Classificação: M
Disclaimer da autora: Eu não possuo nada nem ninguém.
Disclaimer das tradutoras: Nada aqui nos pertence, nem Harry Potter, nem essa historia. Harry Potter é da JK e essa historia é da Sakuri. Nós apenas a estamos traduzindo com a permissão da autora.
Avisos: SLASH! Relacionamento entre dois homens. Não gosta, não leia. Mas se gosta, aproveite.
Notas: Werewolf!Draco
Capítulo 14: A Desgraça de Severus Snape
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Era a vez de Molly Weasley, junto com seu marido, de passar a semana dentro da casa escura e antiga em Largo Grimmauld. Com Sirius Black, o único residente permanente da casa, morto, os membros da Ordem da Fênix – aqueles que não estavam de outra forma ocupados – se revezavam, tendo certeza de que sempre havia alguém presente no quartel general.
Era uma sorte, realmente, considerando-se o que estava para acontecer...
Eles haviam chegado apenas ontem, acomodando seu suplemento modesto de roupas que eles usariam pelos próximos sete dias no quarto grande do andar de cima. Antes disso, ela não havia visto o interior da casa sombria em mais de um mês. Conseqüentemente, visto que mais ninguém além dela nunca se incomodava em lançar alguns feitiços de limpeza, o lugar estava uma bagunça quando eles chegaram.
Mas ela não se importava. Limpar lhe dava alguma coisa para fazer no fim das contas, melhor do que ficar se lamentando pelos cantos como seu marido estava fazendo no momento. Ele sentia falta de seus equipamentos trouxas, que haviam se acumulado pela Toca, e da atmosfera normalmente caótica de sua família. Aqui, havia muito poucas coisas para distraí-lo, para a exasperação dela. E a atmosfera só funcionava para deprimi-lo ainda mais.
Murmurando baixo, coisas sem sentido, mesmo que apenas para fazer algum tipo de som no silêncio opressivo, ela brandiu sua varinha enquanto entrava na sala de estar. Ela mirou em uma das cadeiras grandes, de madeira, que ficavam perto da lareira, arrumando suas almofadas e limpando o material azul marinho de que ela era feita. Olhando em volta criticamente, ela deixou cair seus olhos na peça grande de madeira que era o móvel central do quarto. A madeira escura já havia sido polída e perfeita, mas agora estava coberta por uma fina camada de poeira prateada. Suspirando, ela lançou um feitiço similar, e olhou com satisfação quando uma força invisível começou a limpar obedientemente.
Foi então que a lareira, antes apagada e fria, de repente criou vida – trasbordando de verde – com um som rouco e uma figura escura tropeçando desajeitado para fora das chamas verdes.
Molly tremeu de medo, levantando a varinha automaticamente, feitiços defensivos se formando em seus lábios.
Mas a pessoa no chão aos seus pés não se moveu, ao menos não ameaçadoramente. Apenas um gemido de dor saiu da forma encolhida, quando ela lentamente se moveu numa tentativa falha de se levantar. As vestes negras, até agora, escondiam qualquer feição reconhecível – exceto por uma, de qualquer forma.
Uma das mangas rolou para cima, revelando um pulso fino, pálido, coberto de machas de sangue. Isso por si só já era perturbador o suficiente, mas Molly rapidamente encontrou a fonte do sangramento, e isso era ainda pior.
Vinha da tatuagem escura, desfiguradora de uma caveira com uma cobra.
Ela engasgou, uma mão indo cobrir a boca. E então ela estava gritando.
"Arthur! Arthur!!"
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Uma hora e vinte longos minutos depois, os membros reunidos da Ordem – aqueles que puderam ser encontrados, de qualquer forma – estavam espremidos dentro do grande escritório circular de Dumbledore. Alguns haviam até mesmo sido chamados do Ministério. Nymphadora Tonks, Alastor Moody e Kingsley Shacklebolt trocavam o apoio de um pé para o outro sem parar, lançando feitiços de tempo ocasionalmente e lançando olhares preocupados uns aos outros. Por mais leais que eles fossem a Dumbledore e a Ordem, suas convocações abruptas não eram apreciadas. O olho mágico de Moody girava sem parar.
Minerva e Remus também haviam sido chamados de suas aulas de segunda feira de manhã, e estavam junto com os outros, esperando para ouvir o que estava acontecendo.
Finalmente, mais próximos à mesa, estavam as três pessoas que haviam chegado trazendo a mais nova noticia importante. Molly e Arthur Weasley haviam sido requisitados para deixar seu posto em Largo Grimmauld para comparecer a essa reunião. Suas expressões normalmente joviais estavam sérias. Entre eles sentava um bastante mal tratado Severus Snape.
Nenhum dos presentes podia se lembrar de já ter visto o mestre de Poções pior do que ele aparentava agora – embora ele ao menos houvesse recuperado um pouco de dignidade desde sua entrada na sede da Ordem. Agora, ele se sentava duro em sua cadeira, uma das mãos apertada firme ao seu lado. Ele suspeitava que uma costela estivesse quebrada. Além disso, ele tinha áreas de queimaduras e machucados sérios, um particularmente doloroso em seu ombro, onde uma maldição o havia pegado de raspão. Um corte em sua cabeça ainda sangrava abundantemente.
Internamente, ele se achava com sorte. A lista de ferimentos era bastante curta e na maioria não muito grave. Pior do que qualquer daqueles, era a Marca, que pulsava e ardia e gritava em seu sangue, em sua magia, a fúria que estava sendo passada por ela machucava mais do que qualquer dor física...
Tudo havia sido checado agora, e ele já havia tomado todas as poções para dor que Poppy o havia dado, mas elas meramente acabaram com uma borda da dor. Sua pele, já anormalmente pálida, estava agora praticamente cinza de cansaço e medo e agonia.
"Severus." Dumbledore disse suavemente, sua voz gentil e quase relutante. ``O que aconteceu?``
Ele já havia contado ao diretor, da melhor maneira possível, o que havia acontecido. Eles não haviam entrado em detalhes, no entanto, já que no momento ele estava tentando desesperadamente não segurar seu próprio braço, onde a Marca queimava, enquanto Poppy parecia determinada a afogá-lo em poções. Ele a havia agradecido genuinamente por aquilo.
Levantando seus olhos para encontrar os do velho homem – que, de fato, parecia ter todos os seus anos pela primeira vez – ele sacudiu a cabeça. ``Eu não serei mais útil para você.`` Ele respondeu simplesmente, com um pouco de aspereza, dirigida a si mesmo.
``Você foi descoberto?`` Isso foi dito por Kingsley, sua voz não muito simpática, apenas prática.
Severus assentiu sem palavras.
"Certo, bem, pelo menos você durou bastante tempo." Pelo menos metade da sala lançou olhares estranhos para Moody, tentando se lembrar se alguma vez eles já o haviam visto falar civilizadamente com o Mestre de Poções antes de agora. O dito Mestre de Poções pelo menos teve a decência de assentir, reconhecendo o comentário e qualquer tipo de respeito que ele levava.
"O que os fez descobrir?" Tonks perguntou curiosa, e um pouco sem tato. Seus olhos estavam um azul forte no momento que combinava perfeitamente com a cor de seus cabelos.
Ele deu de ombros, ou tentou, parando rapidamente o movimento quando um jorro de dor passou pela queimadura em seu ombro e pela costela quebrada. "O Lorde das Trevas, eu creio, já sabia de minha traição. Ele esteve... esperando. Merlin sabe pelo que. Torcendo para que eu escorregasse, talvez, ou apenas brincando com todos nós. Eles sabiam, todos eles, que eu era um espião."
Houve um silêncio profundo e pesado na sala enquanto todos absorviam o que isso significava.
"Severus," Dumbledore disse finalmente. "como ele descobriu isso? Ele viu isso na sua mente -?"
"Não."
Um suspiro coletivo de alívio foi ouvido. Todos presentes sabiam o que significaria se a Oclumência de Snape houvesse falhado: Voldemort saberia tudo sobre a Ordem da Fênix agora, sobre as preparações para a guerra, Harry...
O ex-espião sacudiu sua cabeça novamente, sabendo que ele não havia sido incompetente nessa área. "Não. Eu acho... ele deve ter me testado em algum momento. Armado para nós. Lembram do acidente alguns meses atrás?"
Dumbledore franziu a testa, mas concordou. Severus havia reportado que aconteceria um ataque a uma pequena família de nascidos trouxas nos arredores de Hogsmead, algum tipo de ação terrorista, e Kingsley colocou seus melhores homens na área no dia suposto do ataque.
Mas nenhum Comensal da Morte apareceu – naquele dia, ou no seguinte, ou no outro. Tudo no que aquilo resultou foi em vários aurores cansados tropeçando para casa após uma semana escondidos perto da casa.
Havia parecido suspeito a princípio, e Severus havia sido extremamente cuidadoso nas semanas que se seguiram, mas não parecia que alguma coisa havia sido descoberta com aquilo. E após ter recebido uma explicação plausível o suficiente de que o Lorde das Trevas havia mais uma vez mudado de idéia, sendo maleável como ele era, Snape havia esquecido sobre o assunto. Um escorregão desses seria imperdoável, mas ele se redimiu de alguma forma por saber que esteve bastante distraído na ocasião, com a maldição de Draco e alguns outros encontros nada amigáveis com Lupin.
Ele via seu erro agora. Voldemort havia testado sua lealdade, e ele falhou. A informação havia obviamente sido falsa, criada apenas para ver se ele a passaria adiante. O que ele havia feito imediatamente.
E agora... agora ele era inútil. Sem um propósito para servir. Obsoleto.
O diretor tossiu suavemente, trazendo de volta seus pensamentos. Ele os olhou seriamente com olhos azuis cansados. "Vocês sabem o que isso significa. Nós estamos, agora, cegos. Ninguém mais era próximo o suficiente para reportar os movimentos e idéias de Tom. Nós... perdemos uma grande vantagem hoje."
Severus olhou para baixo, suas bochechas flamejando por alguma razão que ele não entendia. Ele se sentia subitamente envergonhado, se culpando por ter sido tolo o suficiente de perder a pequena vantagem que eles tinham, e ao mesmo tempo com raiva que o homem mais velho pudesse fazê-lo duvidar de si mesmo dessa maneira. Não foi culpa dele, ele quis protestar, ele não sabia! Mas esses pensamentos apenas traziam culpa, e uma onda arrepiante de desdenho por essas desculpas. Ele desprezava aqueles que se justificavam quando faziam algo errado. Intencionalmente ou por acidente, não importava – ainda era estupidez. Nesse caso, a dele.
Mas mais do que qualquer outra coisa... mais forte do que a vergonha, a raiva, ou a culpa estava o súbito remorso que o preenchia ao pensar em sua própria... Falta de utilidade. Ao menos antes, desacreditado, detestado como ele era, ele estava fazendo alguma coisa. Agora...
O que ele deveria fazer? Sentar corrigindo deveres de casa que nunca estavam completos e insistir que Granger pare de fazer perguntas...
Que existência realmente completa.
Distraído com o rumo rápido que tomou seu pensamento, ele quase pulou da cadeira quando alguém colocou uma mão em seu ombro, leve de mais para agitar suas feridas escondidas, embora sua resultante onda de choque certamente pudesse ser vista.
Levantando o rosto com uma carranca, ele ficou momentaneamente silenciado pelo fato de Lupin ter, primeiro de tudo, ousado tocá-lo, e segundo, estar realmente dando a ele um olhar que ele suspeitava que fosse destinado a expressar simpatia. Incredulamente, ele encontrou o olhar dourado e suave do lobisomem com seu próprio olhar duro, tentando repelir o contato indesejado com apenas sua força de pensamento.
Mas Lupin não se importou. De fato, a única reação que ele teve foi uma mudança mínima em sua expressão. Qualquer outro poderia não ter notado, mas Severus apenas havia sobrevivido todo esse tempo devido a sua capacidade de ler as pessoas. E o que ele viu no rosto do outro homem foi... desculpas. Por alguma coisa que ele iria fazer. Hesitação. Ansiedade.
Nós temos que nos reagrupar." Albus estava dizendo, aparentemente sem perceber a interação muda entre os dois. "Eu sugiro que a Ordem se reúna de novo quando –."
"Eu posso fazer isso." Lupin de repente falou, removendo sua mão do ombro do Mestre de Poções e terminando qualquer pequena comunicação que ele havia iniciado.
O Diretor piscou, olhando-o. "Desculpe? Fazer o que?"
O pequeno, gentil e tímido Professor, sacudiu os ombros. "Eu... Eu posso pegar o lugar de Severus."
O antigo sonserino na sala imediatamente quis grunhir e esconder sua cabeça nas mãos pelos níveis imperdoáveis de estupidez que os Grifinórios eram conhecidos por ter em nome da coragem. Ao mesmo tempo, uma parte dele – a parte que ele normalmente reprimia com uma força desnecessária – queria rir histericamente com o pensamento de Lupin virando um espião.
Dumbledore estava encarando o lobisomem com um tipo de perplexidade que ele normalmente não mostrava. Snape podia ver o homem tentando valentemente se manter paciente e racional sobre a sugestão sem cabimento, abrindo sua boca para dar algum tipo de negação gentil.
"Não, realmente, eu posso." Lupin assegurou, antes que qualquer um tivesse a chance de protestar. "Pense nisso. O Lorde das Trevas, assim como a maioria do mundo mágico, me considera uma criatura das Trevas. É praticamente esperado que eu vá correndo a ele na primeira chance que eu tiver."
Severus balançou a cabeça com desgosto, fechando os olhos. "Isso é ridículo. Pare de perder seu tempo para que nós possamos terminar logo com -."
"E," o homem continuou teimosamente cortando a recusa desdenhosa. "ele vai estar procurando outro contato que esteja próximo da escola, e de Harry, agora que Severus não vai mais lhe dar nenhuma informação, falsa ou não. Ele perdeu a mesma vantagem que nós tínhamos, lembram?"
O Diretor franziu a testa discretamente, quase implorando. O rosto de Minerva estava cuidadosamente sem expressão. Os Weasleys estavam trocando olhares preocupados enquanto os três aurores pareciam impacientes e irritados.
"Esta tudo muito bem," Moody falou, quando ninguém mais parecia capaz de falar. "mas você-sabe-quem não é estúpido. Ele não vai acreditar nem por um minuto que você daria suas costas a Potter e Dumbledore." Ele levantou uma mão silenciadora quando Remus tentou responder, sacudindo sua cabeça grisalha. "E não me diga que você pode mentir. Você não é nem metade tão bom quanto o velhote ali em Oclumência, e mesmo ele foi pego."
Snape deu um olhar mortal ao velho auror à menção de 'velhote'. Que animador. Ele tinha trinta e cinco pelo amor de Merlin!
O lobisomem, ao Invés de se encolher submisso, como o sonserino esperava, respondeu altivamente, parecendo quase desafiador. "Mas Severus não foi descoberto por Oclumência ou Legilimência! Ele apenas cometeu um erro!"
Vendo os olhos do Mestre de Poções brilharem perigosamente, Dumbledore perguntou rapidamente. "O que você está tentando dizer, Remus?"
Lupin suspirou, virando sua atenção de Moody para o Diretor. "Nós podemos criar uma história falsa. É plausível que depois... depois da morte de Sirius, eu culpe você, ou alguma outra lógica desfigurada. Eu culpo Harry, que o levou lá."
Rostos chocados o encaravam sem palavras. Uma linha fina apareceu entre as sobrancelhas de Minerva enquanto ela andava em direção a ele. "Remus, realmente..."
Ele fechou os olhos exasperado. "Oh, honestamente! Eu não penso isso! Eu nunca culpei Harry!"
Severus resmungou irritado, e disse. "E isso é o que faz o que você está sugerindo tão ridículo. O Lorde das Trevas veria através de você em um segundo, Lupin. Não importa o que você diga, é o que você acredita que te entrega."
Olhos âmbar se fixaram intensamente nele, como se ele houvesse dito algo importante.
"Mas ele não sabia no que você acreditava, não é? Não por muito tempo."
Com um sentimento nada confortável de que isso estava indo para uma direção que ele não iria gostar, Severus sacudiu a cabeça. "Não, mas nós já passamos por essa parte. Eu posso usar Oclumência. O que você vai fazer? Prometer que você esta dizendo a verdade, cruzar os dedos e esperar para morrer?"
"Me ensine."
As duas palavras foram ditas com tanta facilidade que o Mestre de Poções fechou rapidamente a boca, cortando quaisquer comentários que estivesse pensando em fazer. Ele encarou o outro homem fixamente, certo de que ele não poderia estar sugerindo o que ele parecia estar sugerindo...
Lupin começou a falar com o dobro da velocidade, como que tentando explicar sua idéia antes da interrupção inevitável quando o choque passasse. "Severus, você é o único expert em algo assim. Me mostre como fazer o que você fez. Não é como se eu fosse entrar nisso de mãos vazias," ele se apressou para assegura-los, para o mundo todo parecendo bastante racional. "Eu aprendo rápido. Se... se você concordar em me ajudar, poderia ser possível em alguns meses."
Minerva estava franzindo a testa, sacudindo sua cabeça lentamente. "Remus... eu acho que você está sendo um pouco irracional. Seria impossível aprender Oclumência – pelo menos com um mínimo de detalhes – em um período tão curto de tempo."
Lupin suspirou, parecendo frustrado que ninguém parecesse entender sua idéia. "Eu sei disso, Minerva. Eu não estou dizendo que algum dia vou ser um mestre nisso -."
"Então de que adianta essa piada de plano?!" Snape o cortou duramente, ficando cansado e com raiva. "Mesmo que nos fossemos perder nossas cabeças e apoiar essa insanidade, você teria que se tornar um mestre ou terminaria morto em segundos!" Ele não podia acreditar que estava tendo essa discussão, realmente. "Isso poderia levar anos, sua criatura idiota, e não meses..."
Desesperado, o lobo virou olhos pedintes para ele. "Severus, por favor. Apenas tente..."
"Eu não vou perder meu tempo com essa farsa –"
"Não é uma perda de tempo! Eu posso fazer isso, eu juro -."
O Mestre de Poções se inclinou para frente com escárnio, tentando não fazer uma careta e dor com o movimento. "Oh, poupe-me de suas tentativas patéticas de redenção. Eu me recuso a fazer parte de quaisquer ilusões que você está criando agora. Não vai funcionar e eu não tenho nada mais a dizer no assunto." Confirmando suas palavras, ele lutou para ficar em pé com o máximo de dignidade que podia juntar, pretendendo deixar a sala com sua costumeira saída melodramática.
"Severus, meu rapaz, espere."
Com a mão segurando firmemente as costas da cadeira que ele havia acabado de deixar, se apoiando discretamente nela, Snape se virou relutantemente e lançou um olhar irritado ao Diretor. "O que?" Perguntou. Ele não queria nada mais do que voltar às suas masmorras, se encher de poções para dor e evitar qualquer contato humano pelos próximos dois dias.
O homem estava sentado em sua cadeira, os dedos cruzados em sua maneira convencional, parecendo irritantemente pensativo. Pensativo nunca era bom. Pelo menos não se havia um sonserino nas proximidades. Então parecia um caso perdido, de qualquer forma.
O Mestre de Poções ficou subitamente frio quando um pensamento lhe ocorreu. "Oh, você não esta considerando essa idiotice -."
"Não... exatamente como Remus esta sugerindo. No entanto..."
Severus engasgou, mal podendo protestar. "A-Albus!"
Dumbledore abruptamente sacudiu uma mão dispensando a maioria dos membros confusos da Ordem. "Essa reunião está encerrada. Eu queria apenas informar a vocês nossa situação atual. Se algum de vocês ouvirem alguma coisa -."
"Sim, diremos a você."Moody concordou. Ele, Tonks e Kingsley já estavam indo em direção à lareira, de onde iriam por Flu de volta ao Ministério. Arthur e Molly os seguiram, parecendo hesitantes.
Minerva hesitou, ficando onde estava. "Albus, eu deveria -."
"Não, não, querida. Pode voltar para a sua aula."
Confusos, a maioria dos ocupantes deixou a sala para seus respectivos destinos. Snape e Lupin foram os únicos que não se moveram, um deles horrorizado demais para sair, o outro congelado com esperança.
Quando estavam sozinhos, Dumbledore virou seu olhar para eles. "Deixe primeiro eu deixar claro que concordo totalmente com Severus que seria tolice tentar aprender Oclumência em alguns meses. Especialmente quando algo tão importante depende disso."
O Mestre de Poções parecia aliviado, ficando um pouco mais ereto. Remus murchou.
"No entanto," o Diretor continuou mudando suas respectivas reações. "eu pensei em algo similar."
Albus olhou intensamente para o sonserino. "Eu pensei, Severus, que você também é um excepcional Legilimente."
"E?" Foi a reposta ácida, enquanto Snape tentava inutilmente adivinhar o que estava acontecendo.
"Meu rapaz, pode haver mais de uma maneira de enganar o Lorde das Trevas..."
"... O que você esta sugerindo?"
Ao invés de responder diretamente, o Diretor olhou para Remus intensamente. "Meu rapaz, quão sério você realmente é, sobre seguir essa idéia? Sério o suficiente para sacrificar sua privacidade? Render os confins de sua mente para outro bruxo?"
O lobisomem concordou sem hesitar. "Sim."
"Entrega-la a Severus?"
O mestre de Poções fez um movimento esquisito, parecendo preso entre se virar para o outro bruxo e se afastar dele. Ele abriu sua boca para protestar, querendo gritar com os dois homens na sala, querendo sair correndo em horror e raiva, querendo fazer alguma coisa ao invés de olhar impotente para o lobisomem, furiosamente desejando que ele desistisse dessa situação ridícula. Certamente, certamente eles não poderiam esperar isso dele. Não essa humilhação e desgraça final depois de tudo. Não isso...
Remus engasgou na reposta que ele havia pensado em dar, engolindo a confirmação rápida. Automaticamente, ele se virou para Severus, instantaneamente desejando que não tivesse feito isso. Os olhos do homem brilhavam escuros com tanta intensidade que fez Remus querer sair correndo com seu rabo entre as pernas até que pudesse encontrar um canto onde pudesse se esconder.
Além disso, era mais do que a raiva de Severus que o forçava a hesitar. Ele sabia do que Albus estava falando. Um experimento mágico que havia sido testado apenas algumas vezes, mas que seria perfeito nessa situação.
O Diretor queria que o sonserino usasse suas habilidades de Legilimência para entrar na mente de Remus, e seria ele que construiria as barreiras e defesas que eram necessárias, ao invés de confiar na Oclumência básica que Remus poderia aprender em alguns meses.
O lobisomem não se importava com isso em teoria – quando o Legilimente não lhe importasse; alguém desconhecido.
Mas Severus...?
Significaria que o Mestre de Poções teria acesso ilimitado aos seus pensamentos, sentimentos e todos os segredos que ele já teve. Em geral, Remus não era uma pessoa de guardar muitos segredos. Além do motivo de sua doença – que Severus já sabia – ele era bastante aberto.
Mas havia algumas coisas que ele considerava muito, muito privadas.
E obviamente, o sonserino não queria ter nada a ver com o plano. A mão que segurava a cadeira estava com as juntas brancas, e ele estava lentamente, balançando sua cabeça em aviso.
Mas que outra opção havia? Como ele poderia recusar agora, quando essa era a chance de concertar um pouco do estrago que ele já havia feito?
Ele não podia. Essa era simplesmente a resposta.
"Sim." Ele respondeu finalmente, com um olhar de desculpas para Severus, e um balançar de cabeça para Albus.
Notas das Tradutoras:
Olá, povo! Está aí o capítulo dessa semana.
Ainda estamos nos recuperando do acidente - o Hagrid não é nada leve, mesmo pelado - mas esperamos que vocês gostem e que semana que vem as coisas voltem ao normal, com reviews em dia e notas decentes.
Obrigada pela paciência! ^^
Ly e Cy.
